The Fever 333 e Bring Me the Horizon fizeram o Lolla Parties tremer

Por: Flavia Carvalho

Ontem rolou o Lolla Parties com show das bandas The Fever 333 e Bring Me the Horizon, na Audio, em São Paulo

A banda de rock britânica Bring Me The Horizon – Foto: Flavia Carvalho

Desde a manhã do dia do show, já era possível ver uma fila imensa de fãs aguardando a abertura dos portões, que estava prevista para as 19h, embora só tenha acontecido após as 19h30. A fila estava tão grande, que era possível ver muitas pessoas se questionando “mas cabe tudo isso de gente ali dentro?” – cabe.

The Fever 333

A primeira atração da noite foi a banda americana The Fever 333, composta pelo trio Jason Butler (vocal), Stevis Harrison (guitarra) e Aric Improta (bateria). Fever 333, apesar de ser uma banda nova (iniciou em 2017), tem feito barulho por onde passa – e não é à toa – o show dos caras, além de ser bem alto, é muito enérgico e repleto de atitude. O tom das músicas e a forma de cantar do vocalista lembra muito bandas como Rage Against the Machine, por conta do viés político com uma pitada de Papa Roach e Linkin Park.

Claro que a banda não se resume a essa comparação. A sensação de “eu conheço algo assim” está ali, mas com um ar de frescor e jovialidade. Talvez por ser início de carreira, mas a energia e a atitude do trio em palco são muito satisfatórias, tanto que, em momento algum houve o sentimento de “acaba logo porque eu quero ver BMTH”. Muito pelo contrário, o público estava totalmente engajado – e cantando quase todas as músicas. Corinhos de “333” (em inglês “three, three, three”) aconteciam em todas as pausas das músicas.

O vocalista Jason Butler chegou a comentar a satisfação de estar aqui no Brasil, e que ouvia em diversos lugares durante a turnê “espere até chegar ao Brasil”, por conta da fama que o público brasileiro tem de ser animado. Em outro momento, Butler comentou que tem um filho e que luta por um mundo melhor para ele e que gostaria que as pessoas tivessem consciência de lutar por um mundo melhor também.

O show, apesar de curto – apenas 9 faixas – foi bem energético e de qualidade. Os destaques ficaram para as músicas “Burn It” e “One of Us” do álbum Strength In Numbe333rs e “Made an America” do EP homônimo. The Fever 333 tem muito a mostrar e promete ser uma das sensações do Lollapalooza 2019.

Os americanos do The Fever 333 – Foto: Divulgação/ Site Lollapalooza Brasil

Bring me the Horizon

Em torno de 22h30, a banda britânica Bring me the Horizon subiu ao palco em meio a muitos gritos e aplausos. Era inegável a ansiedade dos fãs, que estavam preocupados em ver se o vocalista Oliver Sykes havia de fato se recuperado totalmente da ruptura das cordas vocais, em fevereiro desse ano. Embora a banda já tenha feito outros shows – inclusive televisionados – depois do incidente, muitos ainda estavam com o pé atrás, mas é seguro dizer que sim, ele está recuperado!

Desde o início do show, o vocalista já mostrou que está muito seguro com o som que a banda vem fazendo, mesmo com várias mudanças de estilo em sua trajetória – de metalcore ao rock pop, os caras sabem como conduzir um show.

Com “MANTRA”, do mais recente álbum amo, a banda, que é composta também por Lee Malia na guitarra, Matt Kean no baixo e Matt Nicholls na bateria, fez o público cantar e pular – era o sinal de que o clima da noite ia ser de festa. O show foi repleto de hits, principalmente dos discos mais recentes: amo (2019), That’s The Spirit (2015) e Sempiternal (2013).

É difícil escolher só algumas músicas para destaque, porque o show inteiro foi intenso, mas vamos lá: “Happy Song”, “Wonderful Life”, “Shadow Moses” e “Can You Feel My Heart” certamente levantaram o público, que gritou alto cada música do início ao fim. Em contrapartida, rolou “Drown” versão acústica, que é legal, mas não tem nem um terço da energia que a versão original tem.

Ok, sejamos honestos que o destaque de verdade ficou para as interações em português entre o vocalista e o público. Em todas as pausas – e até no meio de algumas músicas – Sykes fazia comentários como “vocês loco”, “muito bom”, “pronto?”, além de – é claro – palavrões como “foda-se”, “filho da puta”, “nem fodendo” e até um “chupa meu pinto” rolou. Certamente, o vocalista gostou de aprender algumas palavrinhas em português e se empolgou com isso – até demais – mas a gente perdoa porque foi a graça da noite.

Um pouco antes de a banda fazer a pausa para o BIS, o público pedia em alto e bom som a música “Chelsea Smile” que foi praticamente o que fez a banda ficar conhecida, mas o vocalista negou os pedidos e disse “Chelsea Smile é zuado” – em português mesmo. Se por um lado, o hit queridinho foi negado, por outro, a banda fez questão de agradar aos fãs mais antigos com trechos de músicas do início da carreira como “The Comedown”, “(I used to make out with) Medusa”, “Diamonds aren’t forever” e “Re: They Have No Reflections” – para fã nenhum botar defeito. E finalizaram a noite com “Medicine” e “Throne”.

Que noite!

O próximo show da banda será neste sábado 06 de abril, no Lollapalooza Brasil.

SETLIST THE FEVER 333

1 – Burn It
2 – We´re Coming In
3 – Made an America
4 – One of Us
5 – Beatbox & Drum Solo
6 – The Innocent
7 – Coup D´Étalk
8 – Out of Control
9 – Hunting Season

SETLIST BRING ME THE HORIZON

1 – MANTRA
2 – Avalanche
3 – The House of Wolves
4 – Happy Song
5 – Mother Tongue
6 – Wonderful Like
7 – The Best Is Yet to Come
8 – Shadow Moses
9 – Follow You
10 – Nihilist Blues
11 – Can You Feel My Heart
12 – Antivist
13 – Drown (acústica)
BIS
14 – Doomed
15 – The Comedown/ (I Used to Make Out With) Medusa/
Diamonds Aren´t Forever/ Re: They Have no Reflections
16 – Medicine
17 – Throne

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