Sob chuva, A-ha recorda grandes sucessos e faz excelente apresentação no Palco Mundo

Por: Danielle Barbosa

Os noruegueses fizeram show nostálgico e de muita qualidade em retorno ao festival

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

O A-ha, conhecida banda norueguesa de pop rock voltou à Cidade do Rock 14 anos desde sua primeira aparição no evento para festejar os 30 anos do festival. Formado por Morten Harket (vocais), Magne Furuholmen (teclado) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra), o A-ha se consagrou nos anos 80, emplacando um hit atrás do outro e totalizando mais de 60 milhões de cópias vendidas em todo mundo. O trio, original de Oslo, já fez duas longas pausas (entre 94 e 98; e entre 2010 e 2014) na carreira, mas sempre que se reúne a expectativa é de música de muita qualidade. Ao total, são dez álbuns de estúdio, sendo o mais recente – “Cast In Steel” – lançado em 2015.

As duas passagens pelo Rock in Rio não foram as únicas dos músicos pelo Brasil. A última vez que eles pisaram em solo tupiniquim foi em março de 2010, na anunciada turnê de despedida e pausa nas atividades da banda. Para a sorte de todos, o trio voltou atrás decidiu se juntar mais uma vez e recebeu um convite muito oportuno para fazer parte de uma festa tão esperada como a de 30 anos de um evento mundial de música como é o Rock in Rio.

Se houve um inconveniente na noite deste domingo (27), foi a chuva. Pouco antes da segunda atração do Palco Mundo – a dupla britânica AlunaGeorge – se apresentar, um temporal caiu no Rio de Janeiro e pegou muita gente de surpresa, a notar que poucos estavam munidos de capas de chuva para se protegerem da forte tempestade. A situação pode ter atrapalhado um pouco a festa de encerramento, pois uma parcela do público preferiu ir embora e não quis enfrentar mais algumas horas debaixo de chuva. Os mais corajosos, no entanto, se mantiveram firmes até o fim e duplicaram a energia para compensar o espetáculo.

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

Quando o A-ha subiu ao palco ao som de “I’ve Been Losing You”, embora ainda houvessem gotas d’água caindo dos céus, o clima já estava mais tranquilo. “Boa noite Brasil! Tudo bem?”, cumprimentou o público Magne, tecladista da banda e o mais falante da noite, pois o frontman Morten se limitou a poucos agradecimentos e concentrou suas energias numa apresentação excelente no que tange às habilidades vocais e escolha de setlist. Muito pela timidez que sempre demonstrou ter. O vocalista também não se movimentou muito pelo palco, em virtude do piso molhado e escorregadio que se transformou o Palco Mundo.

A sequência foi um prato cheio para os amantes do pop rock dos anos 80 e instaurou a nostalgia na Cidade do Rock. Só clássicos ou como descreveu um rapaz no meio da plateia: “só dos bons e velhos tempos!”. Em “Crying Wolf”, um coro de vozes fazendo o som de um lobo veio da plateia para auxiliar os músicos. Logo após, um dos grandes clássicos da banda, “Stay on These Roads” relembrou a geração nascida antes da década de 90 de muitos momentos de sua adolescência, com toda a certeza.

A balada “Crying in the Rain” não podia faltar e ser mais adequada às condições climáticas que a noite carioca oferecera. O tecladista chegou a brincar antes de performar a canção. “Ei, estão todos molhados?!”, fez piada. E as pessoas que permaneceram na Cidade do Rock – e pareciam já não se incomodar mais com a chuva – entoraram o hit junto com o trio noruguês.

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

Outros momentos marcantes e de muito saudosismo vieram em “You Are the One”, “The Sun Always Shines On TV” e, é claro, no talvez segundo hit mais popular do A-ha, a melódica “Hunting High and Low”. O público mais velho, embora não fosse o principal da noite, fez valer sua presença e se emocionou – muitos estavam observando o grupo pela primeira vez – e filmou cada segundinho da performance. Um pedido especial (e em português!) de Magne transformou a Cidade do Rock em um céu estrelado, no qual todas as luzes dos celulares foram acesas nos versos finais da música.

Sem pausas para bis, o A-ha seguiu até o fim no palco, e o ápice veio em “Take On Me”, a mais conhecida e agitada da noite. As pessoas começaram a pular e gritar os versos do refrão, que grudaram na cabeça da geração Y. Os “tiozões” do pop mostraram como se faz um show com uma produção modesta, sem perder a qualidade e agradar aos fãs, algo difícil de se ver nos artistas pop contemporâneos.

SETLIST:
I’ve Been Losing You
Cry Wolf
Stay on These Roads
Move to Memphis
Scoundrel Days
Crying in the Rain
Sycamore Leaves
You Are the One
Forest Fire
Hunting High and Low
Foot of the Mountain
The Sun Always Shines on T.V.
Under the Makeup
The Living Daylights
Take on Me

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