Scorpions em São Paulo: energia, magnetismo e alto astral na abertura da turnê latino-americana

Por: Carla Maio
Foto: Camila Cara/T4F
Foto: Camila Cara/T4F

Muita energia, luzes, magnetismo e alto astral no Citibank Hall na noite da última quinta-feira, (1/09), estreia da turnê latino-americana da Scorpions 50th Anniversary World Tour. Palco em sigilo até a hora exata de início do show, protegido por um tecido gigante de magnífica cor azulada, o que tinha ali atrás instigou ainda mais a curiosidade dos fãs afoitos e sedentos pelos clássicos da banda.

Cheios de empatia e gracejos com o público, o vocalista Klaus Meine, os guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs, o baixista Paweł Mąciwoda e Mikkey Dee, baterista do Motörhead que assumiu o lugar de James Kottak na turnê comemorativa, esbanjavam alegria suprema e garra para tornar a noite um espetáculo inesquecível.

Essa é a nona vez que os caras vêm ao Brasil e a cada turnê anunciada prevalece o desejo de que eles continuem na estrada, levando aquilo que fazem de melhor pelos quatro cantos do mundo.

Entrada triunfal no melhor estilo rock and roll band

Hit do último álbum, Return to Forever, lançado no ano passado, “Going Out With a Bang” abre o show depois de uma explosão sonora de sirenes e ruídos ensurdecedores. Os músicos do Scorpions fizeram, literalmente, uma entrada estrondosa e triunfal, numa alegria contagiante, compartilhada com o público ao longo de quase duas horas de show. Completamente lotado, o Citibank Hall estremeceu.

E não era sonho; antes, pura realidade. Da última vez que eles estiveram aqui, isso em 2012, anunciando uma tal “turnê de despedida”, os fãs se desesperaram. Entre rumores de jogo de marketing e o desejo de não “manchar” o legado da banda, o grupo reconsiderou, e olha lá eles de volta ali no palco.
Como não podia deixar de ser, “Make It Real” e The Zoo, músicas do álbum Animal Magnetism, de 1980, parecem enaltecer a esperança de que nossos melhores sonhos se tornem realidade.

Foto: Camila Cara/T4F
Foto: Camila Cara/T4F

No topo da lista

Depois do diálogo alucinado de Matthias com o Talkbox em “Coast to Coast” (Lovedrive, 1979), Klaus Meine anuncia uma sequência de sucessos emblemáticos que marcaram gerações e com os quais o Scorpions alcançou lugares inimagináveis para os rapazes alemães.

“Nas próximas músicas, vamos fazer uma viagem de volta aos anos setenta”, anuncia Klaus, e a banda toca “Top of the Bill” (In Trance, 1975), “Steamrock Fever” (Taken by force, 1977), “Speedy’s Coming” (Fly to the rainbow, 1974), “Catch Your Train” (Virgin Killer, 1976), um medley com mais de nove minutos que levou o público do Citibank Hall à loucura.

Quem viveu a época se lembra da efervescência musical desse período, que tinha bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd, AC/DC, Queen, entre outras, estourando em top hits de muitos países. O Scorpions só conseguiu merecida atenção em 1982, com o lançamento do álbum Blackout, que ficou em 10ª posição na Billboard Hot 100 e foi premiado como o “Melhor Álbum de Hard Rock do Ano”, nos Estados Unidos.

Do revirar de memórias passadas para o tempo presente, em que olhar para trás nos permite avaliar o quanto somos fortes e resistentes, o Scorpions traz do último álbum “We Built This House” e “Delicate Dance”, do magnífico Unplugged in Athens, de 2013, música instrumental na qual Rudolf e Matthias traduzem todo o virtuosismo musical em acordes e riffs melódicos.

Esses caras são realmente incríveis e ver esses dois monstros tocando lado a lado é, sem dúvida, um privilégio. Enquanto Matthias arranca maravilhosos solos de sua guitarra, Rudolf presenteia o público a todo momento com sua performance selvagem, correndo para lá e para cá, com tamanha energia e evidente prazer no que faz.

Foto: Camila Cara/T4F
Foto: Camila Cara/T4F

Um show com momentos marcantes

E por falar em momentos marcantes, foram muitos, e como não é possível avaliá-los pela abundância de gritos, assobios, lágrimas e aplausos, vamos à impressão subjetiva, porém sincera desta que vos escreve.

Aveludada e potente ao extremo, a voz de Klaus penetra a alma em “Always Somewhere” (Lovedrive, 1979), que compôs junto com “Eye of the Storm” (Return to Forever, 2015), e a apaixonante “Send Me an Angel” (Crazy World, 1990), o segundo Medley da noite, quando todos os músicos se posicionaram no palco avançado, um dos muitos momentos em que eles se aproximaram da plateia com gestos de profunda empatia.

Marcante ainda foi a performance de “Wind of Change” (Crazy World, 1990), com projeção de parte do muro de Berlin ao fundo, imagem que por fim se transformou no famoso símbolo da paz, igual ao que Meine exibia em um dos coletes usados na noite.

“Blackout” e “No One Like You”, músicas do álbum de 1982, além de “Big City Nights” (Love at first sting, 1984), não deixaram corpos estáticos de alto a baixo no Citibank Hall. A insanidade tomou conta do lugar.

Mikkey Dee, um espetáculo à parte

A participação do Motörhead Mikkey Dee na turnê de 50 anos do Scorpions já era esperada, desde o anúncio feito em junho de que James Kottak se afastaria para cuidar da saúde.

Da parte mais alta do palco, os loiros esvoaçantes do sueco de origem grega acompanhavam freneticamente as pancadas magistrais na bateria. O público vibra e se rende às investidas do compasso do instrumento, principalmente em “Rock ‘n’ Roll Band” (Unplugged in Athens, 2013): “Não tem ninguém como vocês, São Paulo”, diz Klaus, e o público comemora, não importa que eles digam isso em todos os lugares por onde passam.

Impressionante também foi o solo de Mikkey Dee, no qual ele teve a oportunidade de mostrar com competência a que veio, ao mesmo tempo em que honra o patrimônio musical de Kottak. Considerado pelos roqueiros do Scorpions como um grande homem, a aposta em Mikkey deu uma energia diferente ao show e a certeza de que o Rock and Roll, enquanto legado, vai sobreviver para além de nossa existência.

Foto: Camila Cara/T4F
Foto: Camila Cara/T4F

E sempre fica um gostinho de quero mais

Estudos mostram que a percepção do tempo decorrido enquanto estamos nos divertindo é sempre breve. O show passou muito rápido e quando menos esperávamos, chega ao fim com o retorno da banda para o encore com a romântica “Still Loving You e a eletrizante “Rock You Like a Hurricane”, marcas registradas da banda, do álbum Love at first sting, de 1984.

Felizmente, a coisa não termina por ai. Neste sábado, 3/09, às 22h, e no domingo, 4/09, às 21h30, o Scorpions volta ao Citibank Hall antes de seguirem para Fortaleza, onde se apresentam no dia 8/09, às 22h, no Arena do Centro de Formação Olímpica. A turnê no Brasil acaba na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, com apresentação no dia 10/09, às 20h, no Metropolitan.

Longa vida aos caras do Scorpions, e que voltem mais vezes.

Set List
Going Out With a Bang
Make It Real
The Zoo
Coast to Coast
Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train
We Built This House
Delicate Dance
Always Somewhere / Eye of the Storm / Send Me an Angel
Wind of Change
Rock ‘n’ Roll Band
Dynamite
In the Line of Fire
Drum Solo
Blackout
No One Like You
Big City Nights
Encore
Still Loving You
Rock You Like a Hurricane

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