São Paulo Trip: Def Leppard e Aerosmith emocionam fãs no Allianz Parque

Por Carla Maio
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

No último domingo (24), o Allianz Parque foi palco de mais uma edição do São Paulo Trip, dessa vez, trazendo nada mais nada menos que Aerosmith e Def Leppard, bandas que dividiram o gosto do público, entre os fãs de carteirinha dos americanos e a galera saudosa, sedenta pelo som melódico dos ingleses.

Evento que acontece em concomitância com o Rock in Rio, o São Paulo Trip trouxe para a capital paulista grandes nomes do mainstream internacional, como The Who, Guns n’ Roses, Bon Jovi, Alice Cooper, Aerosmith, entre outros.

Def Leppard: a espera chegou ao fim

A maioria dos fãs do São Paulo Trip sequer tinha idade o suficiente para encarar a 1ª edição do Rock in Rio em 1985, mas muitos de nós se lembra quando os organizadores do megaevento anunciaram o cancelamento do show do Def Leppard. O motivo? Um trágico acidente de carro envolvendo o baterista Rick Allen, que resultou na amputação de um de seus braços, dias antes da apresentação no Brasil.

Desde então, os fãs aguardavam em suspense o dia em que o sonho de ver a banda se tornaria realidade, já que, em meio às mais diferentes dificuldades, eles se mantiveram unidos, superando todo e qualquer rumor de que a fatalidade anunciava o fim.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Naquele domingo, em São Paulo, o sonho finalmente se concretizou, e os ingleses ganharam o vasto palco do Allianz Parque trazendo uma mensagem quase que subliminar de que o impossível é, realmente, apenas uma questão de opinião. A banda abre com “Let´s go”, convidando de maneira pouco efusiva os fãs para a festa, mas mostrando um Def Leppard extremamente em ótima forma. A resposta do público a essa primeira investida veio em “Animal”, hit absoluto dos anos 80, com os quais a banda recria um clima de nostalgia e emoção profunda.

O guitarrista Phil Collen toma a frente e exibe, não apenas um físico saudável de quem aderiu à dieta vegetariana há anos, mas toda a técnica precisa de um solo inspirador em “Let it go”, que também chama a emocionante “Love bites” na sequência.

Espécie de exaltação das potencialidades musicais de cada membro da banda, o vocalista Joe Elliott destaca os dotes do guitarrista Vivian Campbell, que assume os riffs e solos principais de “Armageddon it”.

Se de um lado havia um público pouco animado com a performance do Def Leppard em “Man enough”, por outro, as peripécias melódicas da banda e as batidas quase dançantes motivaram o topless de uma fã, no melhor estilo “meu corpo, minhas regras”, despertando rumores conservadores de uns e a indignação de um dos seguranças junto ao palco, que sinalizou com uma lanterna para que a moça colocasse a blusa.

A projeção de dezenas de televisores marcaram a música “Rocket”, um espetáculo que aguçou inúmeras sensações sinestésicas, acalentadas na balada romântica “Bringin’ on the heartbreak”, emocionante e pulsante, com direito ao solo do baixista Rick Savage. Em “Switch 625”, o baterista Rick Allen assume o comando da cozinha em um solo magnífico, deixando a galera ao mesmo tempo emocionada, boquiaberta e curiosa com sua técnica. Muito mais que uma habilidade desenvolvida após o acidente, a façanha é explicada por meio da combinação de elementos acústicos e eletrônicos, e um sistema de pedal triplo que serve como uma espécie de braço virtual e reproduz os sons do bumbo, caixa e de um dos tons da bateria.

Para aqueles que curtem o heavy metal melódico do Def Leppard, o show guardou ainda algumas surpresas, como “Hysteria”, as eletrizantes “Let’s get rocked”, “Pour Some Sugar On Me” e a pergunta que não quer calar: o que você quer?, que traduz toda a saga de “Rock of Ages.

Um dos hits supremos dos anos 80, “Photograph” encerrou a brilhante apresentação do Def Leppard em São Paulo, e nós sinceramente esperamos que os caras voltem mais vezes para nos inspirar a acreditar em nossos sonhos.

The bluesmen from Boston

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Quem veio ver o show do Aerosmith no Allianz Parque se deparou com uma prática bastante recorrente da banda, que costuma subverter a expectativa dos fãs ao transformar suas apresentações em inigualáveis shows de blues. No último domingo, ao som da intro de “Mannish Boy”, de Muddy Waters, a coisa não foi diferente.

O visual dos caras é sempre exuberante, um estilo que dita moda e os singulariza enquanto rockstars de gosto apurado. Com pouco mais de 30 minutos de atraso, Steven Tyler, Tom Hamilton, Joey Kramer, Joe Perry, Brad Whitford e Buck Johnson surgem no palco com “Let the Music Do the Talking” e são completamente ovacionados pelo público.

“E ai, meu?!!!”, arrisca Tyler. A sequência com “Love in an Elevator” materializou a promessa de um show cheio de energia e de melodias inesquecíveis. Kramer dá as primeiras batidas e a memória é vasculhada em “Cryin’”, sucesso dos anos 1990 com aquele videoclipe no qual a protagonista interpretada por Alicia Silverstone demonstra a incrível habilidade dos jovens de dar a volta por cima.

Com um repertório pra lá de consagrado, “Livin’ on the Edge” e “Rag Doll” demonstram o grande potencial da banda de se superar, de se reinventar, sobretudo musicalmente, fazendo de cada apresentação um espetáculo único. Outra particularidade bastante evidente nesse show do Aerosmith é o carinho que uns têm com os outros e foi a manifestação desse sentimento por Tyler que marejou os olhos do baterista.

Mr. Perry assume os vocais em “Stop Messin’ Around” e “Oh Well”, e no melhor Boston style, consagra sua predileção pelo blues, dividindo-se magnificamente nos solos e riffs de guitarra com Whitford, numa simbiose mais que perfeita. A miscelânea contou ainda com vocalizações tresloucadas de Tyler e do solo exuberante do tecladista Buck Johnson.

Depois dos hits “Crazy” e “I Don’t Want to Miss a Thing”, a blusera continua em “Mama Kin”, momento em que Tyler chama uma fã ao palco. A jovem, mais preocupada em registrar o momento em seu celular do que viver plenamente a experiência de cantar ao lado do frontman, se acabou em selfies, certamente, isso lhe valeu a noite.

Como da última vez em que estiveram em São Paulo, em outubro do ano passado, o Aerosmith presta homenagem aos caras de Liverpool com “Come Together”. “Sweet emotion” e “Dude (Looks Like a Lady)” marcam com louvor o fim do show, um espetáculo que os fãs vão guarder com muito carinho na memória.

No retorno para o bis, o piano já estava posicionado no palco avançado para a banda mandar muito bem em “Dream on” e “Walk this Way”, com direito ao swing de James Brown na intro de ”Mother Popcorn”.

Despedida calorosa com milhares e milhares de papeizinhos lançados para a plateia, a noite de domingo terminou assim, com sabor de satisfação, com gosto de blues e rock’n’roll.

Set list Def Leppard
Let´s go
Animal
Let it go
Love bites
Armageddon it
Man enough
Rocket
Heartbreak
Switch 625
Hysteria
Let´s get rocked
Pour Some Sugar On Me
Rock of Ages
Photograph

Set List Aerosmith
Let the Music Do the Talking
Love in an Elevator
Cryin’
Livin’ on the Edge
Rag Doll
Stop Messin’ Around
Oh Well
Crazy
I Don’t Want to Miss a Thing
Mama Kin
Come Together
Sweet emotion
Dude (Looks Like a Lady)
Dream on
Walk this Way


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