Reunião do Viper celebra lançamento de DVD ao vivo com bastante improviso e diversão

Por: Gustavo Franchini
Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

A turnê de reunião que o Viper fez em 2012, que marca os 25 anos do primeiro álbum da banda, Soldiers of Sunrise (1987), na qual tocaram este na íntegra, além do aclamado Theatre of Fate (1989), considerado por muitos o melhor da carreira do quinteto e também destaque no rock nacional, desencadeou no DVD ao vivo To Live Again – Viper Live in São Paulo. Para comemorar tal registro, os integrantes resolveram presentear os fãs com uma nova turnê, que passou pela cidade maravilhosa, no histórico Circo Voador.

Clima descontraído, de amizade. Uma festa. Características essas que marcaram a apresentação da banda no palco carioca, trazendo muita alegria para o público presente em suas quase duas horas de duração. Contudo, “nem tudo são flores”, no que concerne à performance do Viper como um todo. Apesar dos integrantes estarem na cena musical por 30 anos, era possível observar muitas notas erradas, timbres mal colocados, em resumo, certa desorganização no show em si (que, por sinal, não teve produção alguma de palco, somado a um equipamento modesto, ao melhor estilo “garagem”). Claro que é normal em um show de rock sem frescuras ter uma coisa ou outra errada, faz parte! O problema é quando a baixa performance supera o espetáculo em si, e a banda beirou tal situação. No final das contas, o resultado foi satisfatório, porém deixou algumas impressões negativas sobre o lado “ao vivo” do Viper.

A banda atualmente conta com a maioria dos membros originais, como o vocalista André Matos (ex-Angra, Shaaman), o baixista Pit Passarell (principal compositor nos álbuns) e Felipe Machado na guitarra. Para substituir Yves Passarell, que é irmão de Pit e toca no Capital Inicial, o guitarrista Hugo Mariutti (que também tocou no Shaaman) foi o selecionado para executar as músicas na turnê, escolha essa mais do que acertada, visto que de longe era o que tinha mais técnica, pegada e qualidade individual como músico. Para completar a cozinha, Guilherme Martin nas baquetas, que fez parte da formação no álbum Theatre of Fate e chegou a tocar na banda em outras ocasiões.

Como todos sabem, o mais famoso da banda é André Matos, que fez uma carreira respeitável no Angra, lançando três excelentes clássicos, chamando a atenção com seu excelente alcance vocal e estilo único. Ou seja, era o que mais despertava curiosidade nos fãs e, em contrapartida, o que mais se cobrava bom desempenho, visto que a expectativa que se tem dele é sempre alta. Talvez por isso, o fato de a voz de André estar muito aquém do esperado no show do Viper fez com que muitas dúvidas surgissem, se foi algo momentâneo por conta de alguma rouquidão ou se o vocalista enfrenta algum real problema nas cordas vocais. Tal observação se dá pelo fato de que ele praticamente não cantava os versos das músicas sem demonstrar estar com certo desgaste na voz; sem alcançar as notas em tons normais. Por outro lado, nos tons mais agudos, mais ligados ao falsete, André tirava de letra, com maestria, agradando bastante a todos!

Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

Já o baixista Pit Passarell brincou o show todo, nos diversos sentidos da palavra, pois não pareceu levar a sério nem mesmo as próprias composições, tocando com uma dose exagerada de “tô nem aí”, a ponto de esquecer muitas notas, com erros que deixavam tudo bem dissonante, estranho aos ouvidos. Apesar disso tudo, era o mais divertido de todos, e sua felicidade em estar tocando ali era visível, com certeza bem carismático, levantava o público com suas piadas e bom humor em geral. O guitarrista Felipe Machado também não estava nos seus melhores dias nesse setor, enfrentando vários problemas técnicos com seu instrumento.

O setlist foi recheado de clássicos da banda e algumas músicas de outros álbuns, como Evolution (1992), com espaço também para “cover” de músicas famosas de outras bandas. Entre aspas porque a maioria das músicas não foram tocadas por mais de 1 minuto (pois a banda simplesmente não sabia tocar e/ou a letra), salvo a clichê “Breaking the Law”, do Judas Priest, que mesmo sendo bem fácil em sua estrutura no geral, ainda assim teve erros. Nesse caso, não tirou o brilhantismo da festa, que contava com total participação e empolgação da plateia, momento este bem divertido e, mesmo com clima de improviso, a interação entre os integrantes e os fãs era incrível!

Agora aguardemos outra turnê, talvez até com um novo álbum de estúdio, pois o Viper conta com uma base enorme de admiradores que, com certeza, merecem mais um capítulo (caprichado) na história da banda. To Live Again!

SETLIST VIPER
1 – Intro/Knights of Destruction
2 – To Live Again
3 – Coming From the Inside
4 – At Least a Chance
5 – Nightmares
6 – Wings of the Evil
7 – The Shelter
8 – The Spreading Soul
9 – Soldiers of Sunrise
10 – Dead Light
11 – Signs of the Night
12 – A Cry From the Edge
13 – Living for the Night
14 – Covers/Breaking the Law
15 – Prelude to Oblivion
16 – Rebel Maniac
17 – H.R.

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