O último dia do festival conta com lendas do metal e muita emoção dos fãs

Por: Gustavo Franchini

Foto: Paulo Cassio/UDR
Foto: Paulo Cassio/UDR

O último dia do festival foi dedicado ao heavy metal e muitos presentes já lotavam o evento logo nas primeiras horas, o que demonstra a força do estilo para os fãs. Uma noite incrível que contou com a presença de bandas clássicas e outras mais recentes, unidas em prol de um objetivo: celebrar a boa música.

Para o início da sequência de espetáculos, André Matos + Viper já abrem o palco Sunset com clássicos de uma carreira que se iniciou há mais de 20 anos, com sucessos dos primeiros álbuns do Viper, alguns do Angra e da carreira solo do vocalista André Matos, estrela deste encontro. Músicas como “Carry On” e “Living for the Night” não poderiam ficar de fora do set, e os presentes começaram o dia animados com uma boa apresentação.

Galeria de fotos do show do Helloween

Galeria de fotos do show do Kiara Rocks

Galeria de fotos do show do Slayer

Galeria de fotos do show do Avenged Sevenfold

Logo em seguida, os alemães do Destruction se juntam aos brasileiros do Krisiun para representarem o momento mais extremo do dia, com muita porrada concentrada em um set devastador. Muitas rodinhas se abriram e cabeças bateram em reverência ao amor pela música pesada, com destaque para “Armageddonizer” e “Black Metal”, momento este que impressionava com a quantidade de pessoas reunidas em frente ao palco.

helloweenrirEm determinada hora, não dava mais pra se movimentar pelos arredores do palco Sunset, e foi quando a lenda Helloween se uniu ao ex-integrante e fundador original Kai Hansen para botar a casa abaixo. O espetáculo já começa com o maior hit da banda, “Eagle Fly Free”, em um set que também contou com músicas mais recentes e, por incrível que pareça, com resposta bastante positiva do público. Outros petardos como “Power”, “Dr. Stein”, “Future World” e “I Want Out” também fizeram a alegria dos fãs, que não deixavam a animação diminuir por um minuto sequer. Assim como ocorreu com o The Offspring, a banda demonstrou que poderia facilmente estar no palco Mundo, pois plateia é o que não falta!

Como headliner do Sunset, o Sepultura retorna aos palcos pela segunda vez, agora contando com o respeitado Zé Ramalho, e fazem uma mistura pra lá de interessante. O auge do show se deu nas canções da época de ouro do vocalista, como “Jardim das Acácias” e o hino“Admirável Gado Novo”, muito aplaudido por todos. Por mais improvável que seja a união de dois estilos completamente diferentes, a veia brasileira em ambas é visível, e talvez seja o encontro mais marcante de todo o evento.

kiaraNo palco Mundo, a porrada já come solta com Kiara Rocks e o cover de “Ace of Spades” do Motörhead, seguido de algumas músicas próprias da banda e, no meio do show, a grande surpresa da noite: a participação especial do vocalista Paul Di´Anno (ex-Iron Maiden), que alegrou a todos, justamente pelo fato do Iron Maiden estar prestes a tocar na mesma noite, então era possível ver milhares de fãs agitando com os covers “Highway to Hell” do AC/DC e“Blitzkrieg Bop” do Ramones, além do clássico máximo de sua época na Donzela de Ferro,“Wrathchild”, esquentando a noite que estava apenas prestes a começar!

slayerOs californianos do Slayer demonstraram o por que de estarem no Big Four of Thrash, com um show irretocável, mas com um pouco de nostalgia e tristeza, pelo fato do guitarrista Jeff Hanneman ter falecido algumas semanas antes do festival, somado ao fato de que o baterista Dave Lombardo saiu recentemente da banda. Apesar dos infortúnios do destino, o Slayer fez um show matador, homenageando Hanneman durante as músicas em belos vídeos de suas performances em shows passados, que contou com o guitarrista Gary Holt (Exodus) em seu lugar e o excelente baterista Paul Bostaph (ex-Forbidden, Testament, entre outras), que inclusive já gravou três álbuns com a banda na década de 90. Riffs destruidores com “War Ensemble”, “Raining Blood” e “Angel of Death” não deixou nenhum fã parado, anunciando o que estava por vir nesta noite mágica do heavy metal.

Muita pirotecnia e três portas de cemitério em chamas representaram o show dos norte-americanos do Avenged Sevenfold, banda que está ganhando cada vez mais espaço no cenário metal, com a sua mistura de heavy metal e hardcore que é característica de seu som único e melódico. Comandada pelo líder e vocalista M. Shadows, a produção de palco e qualidade sonora eram visíveis, agitando os metaleiros presentes e ganhando novos fãs a cada música apresentada no set, que passeou pela carreira de um pouco mais de 10 anos da banda, com músicas como “Beast and the Harlot”, “Nightmare” “Bat Country” e outras mais recentes como “Hail to the King”, que conquistaram o coração da plateia em uma gama de riffs de muito bom gosto.

Foto: Paulo Cassio/UDR
Foto: Paulo Cassio/UDR

Acredito que não há como fechar um festival deste porte com outra banda que não seja o Iron Maiden, que já fez falta na edição de 2011, e parece que desta vez o evento se redimiu. Trazendo ao Brasil a comemoração de 25 anos da clássica turnê Maiden England, de 1988, o Iron Maiden surge nos palcos com uma produção incrível. O visual do álbum Seventh Son of a Seventh Son estava todo reproduzido diante dos fãs saudosistas, com direito a diferentes estilos do mascote Eddie no palco, pirotecnia e cenário que se modificava nos intervalos das músicas, além de um figurino pra lá de impressionante do lendário vocalista Bruce Dickinson, que foi a grande estrela da noite, cantando com maestria (como sempre), correndo de um lado para o outro, interpretando com muito feeling cada uma das músicas e arrancando risadas dos presentes com suas variadas piadas ao longo da noite. É um verdadeiro frontman!

Mesmo sem a presença de algumas músicas do set da época, como “Infinite Dreams” , o Iron Maiden conseguiu o feito de agitar até o mais cansado dos fãs, em plena madrugada, apesar do som não estar muito bom, pois as guitarras estavam emboladas e com nível de volume reduzido em relação à outras apresentações da noite, somado ao fato de que o baixo estava praticamente inaudível, o que incomodou um pouco, mas a qualidade da banda superou as deficiências técnicas presentes na apresentação. O interessante do show é que algumas músicas foram apresentadas de forma mais lenta, a ponto de até mudar um pouco a proposta da melodia presente em clássicos como “Wasted Years”, que soou realmente diferente nesta versão. O ponto alto do espetáculo se solidificou em músicas como “Can I Play with Madness”, “The Prisoner”, “Afraid to Shoot Strangers”, “The Clairvoyant”, “Aces High” e o sensacional clima da “Seventh Son of a Seventh Son”, um verdadeiro presente para os fãs.

E assim se encerra mais uma edição de sucesso do Rock In Rio, com muitas melhorias e elogios por parte dos que fizeram parte deste evento maravilhoso. Um festival para todos, sem preconceitos de gosto musical e que demonstra a união dos fãs ao redor do nosso amado Brasil. A equipe do Universo do Rock agradece a todos que participaram desta jornada e, principalmente, a você leitor, que nos acompanhou em mais uma bela cobertura do site. Nos vemos em 2015!

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