Mötley Crue dá adeus aos palcos em show cauteloso no Palco Mundo

Por: Danielle Barbosa

Os norte-americanos preferiram não arriscar na apresentação que marca a
turnê de despedida do grupo.

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

O Mötley Crüe, grupo californiano de glam metal, irá, com certeza, guardar no cartel de apresentações importantes da banda a segunda – e última – passagem deles pelo Brasil. A banda decidiu se aposentar dos palcos no fim do ano e trouxe para as apresentações finais da “The Final Tour”, os principais hits que consagraram os músicos. O cenário não poderia ser melhor: o Palco Mundo de um dos maiores festivais da música e tendo a seu lado nada mais, nada menos que Metallica para fechar a noite do último sábado (19).

Nos mais de 30 anos de carreira, a banda vendeu mais de 100 milhões de discos e chegou a um patamar de lenda do metal. Formado por Vince Neil (vocais), Mick Mars (guitarra), Nicki Sixx (baixo) e Tommy Lee (bateria), o Mötley Crüe é conhecido pelos constantes escândalos com drogas e mulheres que seus integrantes já se viram envolvidos, mas isso não fez com que os músicos desistissem de tocar e compor. Há, porém, um hiato de sete anos desde que o último álbum foi lançado, em 2008.

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

Mesmo com todos os ingredientes à favor de um momento histórico, o que se viu na Cidade do Rock foi uma apresentação cautelosa, sem muitos riscos, exceto pelas labaredas de fogo que incendiaram o palco. O cantor Vince Neil tentou puxar a galera para cima, nos breves contatos que teve com o público. “É muito bom estar aqui. Vamos ficar muito loucos hoje à noite”, disse no meio da apresentação. A voz do músico não é mesma, embora não faça feio nos agudos que lhe são característicos. Isso não foi o bastante. Nem a presença de dançarinas no palco animou muito.

Todavia, o repertório contou com sucessos do grupo, como as faixas “Girls, girls, girls” e “Primal Scream”, ambas pré-anos 2000. Teve espaço também para um cover de “Anarchy in the UK”, do Sex Pistols, além de solos já esperados do guitarrista Mick Mars. Não é que o previsível seja ruim, mas uma surpresa ou variação da “mesmice” poria fogo na performance, que foi até certo ponto burocrática. Acho que todos esperavam mais, especialmente por se tratar de uma ocasião única, mas não houve um ápice durante o show.

Foto: I Hate Flash
Foto: I Hate Flash

Entretanto, há que se destacar a nostalgia que tomou conta da Cidade do Rock quando o vocalista Vince Neil, somente com o baterista Tommy Lee no piano, encerrou a participação da banda no festival com a melódica “Home Sweet Home” (1985), fazendo um filme passar na cabeça daqueles que viveram o rock “bad boy” dos anos 80 e levando o cantor às lágrimas. Uma fã sortuda, inclusive, levou uma lembrança inesquecível do show para casa: o baixo de Nicki Sixx, das mãos do próprio.

Nota da redatora: um ponto que me chamou a atenção ao observar a apresentação dos norte-americanos foi a presença de algumas crianças com seus pais na plateia. De certo, a banda faz parte da história desses pais, que levaram a influência Rock ‘n Roll para seus herdeiros.
Gostaria de lembrá-los, mais uma vez da ilustre frase:
“Viva o Rock ‘n Roll!”

SETLIST:
So Long, Farewell
Girls, Girls, Girls
Wild Side
Primal Scream
Same Ol’ Situation (S.O.S.)
Don’t Go Away Mad (Just Go Away)
Smokin’ in the Boys’ Room
Looks That Kill
Anarchy in the U.K.
In the Beginning
Shout at the Devil
Guitar Solo
Saints of Los Angeles
Live Wire
T.N.T. (Terror ‘N Tinseltown)
Dr. Feelgood
Kickstart My Heart
Home Sweet Home

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