Lollapalooza Brasil – Recheado de boas atrações e destaques, o domingo termina dançante.

Por: Daniela Baroni
Foto: MRossi

Na manhã do último domingo (26/03), a região em torno do Autódromo de Interlagos já estava movimentada e uma pequena fila de carros já se formava nas ruas. O segundo dia do Lollapalooza Brasil, que iniciaria as 11h, havia chegado.

Jimmy Eat World toca para poucos, porém devotos fãs

Logo cedo, por volta das 15h, o festival presenteou o público com uma das grandes atrações do dia, o Jimmy Eat World. Era a primeira vez dos americanos da banda de emocore noventista no Brasil e muitos fãs estavam extremamente ansiosos para finalmente vê-los ao vivo. Contudo, o horário escolhido para a apresentação pode ter prejudicado um pouco o número de pessoas na plateia. Sim, havia fãs da banda, mas havia muito mais curiosos que não sabiam quem subiria no palco Skol naquele horário e que desistiram no momento em que ouviram os acordes melancólicos das primeiras músicas.

Ainda assim, nada disso desanimou nem os fãs nem a banda. A primeira música da apresentação foi a animada “Bleed American”, que foi executada com uma qualidade de som bem ruim devido ao baixo volume dos sons mais agudos. Foi a partir da segunda música que a equipe de som conseguiu resolver o problema e deixar os membros da banda tranquilos.

“É a nossa primeira vez no Brasil. Nunca estivemos aqui. Obrigado por virem!”. As palavras de Jim Adkins, vocal da banda, diziam exatamente o que seu rosto mostrava. Ele estava mesmerizado pelo carinho da plateia brasileira, muito embora eram poucos os que conheciam as músicas da banda, e repetia constantemente “Isso é incrível. Obrigado!” em meio a sorrisos. O simpático baixista Rick Burch, apesar de não falar muito no microfone, não parava de sorrir para o público e fazer corações com as mãos para os fãs em gratidão.

Os singles tocados incluíram “Work”, que literalmente fez o sol sair do meio das nuvens, a melancólica “23” e “Pain”, que ficou muito famosa depois que marcou presença na trilha sonora do jogo Tony Hawk’s Underground 2. Mais para o meio do show, depois de “You are free”, uma das três músicas tocadas do álbum Integrity Blues, lançado ano passado, Adkins pegou o violão e os fãs já sabiam o que aconteceria. As primeiras notas anunciaram “Hear you me”, a balada mais famosa do grupo, e todos gritaram e alguns até choraram.

Encerrando o show com os seus maiores singles “Sweetness” e “The Middle”, o grupo conseguiu o agito que precisava da plateia, que cantava junto e pulava no ritmo das músicas. Apesar do pequeno público e dos problemas no som, os caras do Jimmy Eat World saíram do palco tão feliz quanto os fãs que deixaram o palco Skol naquela tarde. Agora é só eles não demorarem a voltar.

Duran Duran transforma palco Onix em uma verdadeira festa anos 80

Duran Duran – Foto: Breno Galtier

Um pouco depois das 16h30, no mais longínquo palco do festival, o Onix, iniciava o show do Duran Duran, um dos grupos mais importantes dos anos 1980. Com quase 40 anos de carreira, a banda inglesa tinha hits de sobra para oferecer e uma plateia enorme de todos os jeitos e idades para recebê-los.

Simon Le Bon e companhia, vestidos de roupas coloridas no maior estilo oitentista, fizeram uma festa junto com os fãs ao tocarem músicas mais do que reconhecíveis como “Hungry Like the Wolf”, “Notorious” e “A View to a Kill”, bem como uma belíssima versão de “Ordinary World” com a participação especial da paulistana Céu, que já havia se apresentado no palco Skol, poucas horas antes. Com um bom repertório de palavras em português, Le Bon agradecia, brincava com o público e dizia o quanto amava o Brasil constantemente.

Fosse próximo à grade, ao alcance das fitinhas e papeizinhos que voavam do palco, ou no fundão da plateia no alto do morro, as pessoas dançavam e cantavam alto cada som que o Duran Duran iniciava, especialmente aquelas famosas por estarem sempre na programação da Alpha FM. Devido aos sete minutos de atraso para iniciar o show, a banda teve de cortar uma música de seu setlist e, infelizmente, a banda optou por manter todas as músicas do álbum de 2015 e eliminar o sucesso “Save a prayer”.

Declarando ainda mais amor ao Brasil, a música escolhida para encerrar a apresentação foi a famosa “Rio”, com direito a bolas de praia pulando na plateia, que fechou essa bela festa anos 1980 com grande estilo.

The Strokes faz show razoável para fãs, mas deixa a desejar como banda principal

The Strokes – Foto: Camila Cara

O pôr-do-sol do domingo trouxe consigo um grande leque de atrações para ver. Enquanto os irlandeses do Two Door Cinema Club cativavam e eram cativados pelo público do palco Skol, a dinamarquesa MØ fazia um dos shows mais animados da noite no palco Axe. Mais tarde, era o cantor canadense The Weeknd que exibia seu talento e voz suave no palco Onix enquanto a Melanie Martinez, no palco Axe, mostrava ser tão mestra na teatralidade quanto seu público singular.

Por volta das 20h30, a maior concentração de pessoas se encontrava no palco Skol para ver o grupo de indie rock The Strokes. Apesar das 10 mil pessoas a menos em comparação ao sábado, a plateia não parecia ter muito menos pessoas que no show do Metallica no dia anterior. Com uns 10 minutos de atraso o grupo indie subiu ao palco quase que em sincronia com uma garoa extremamente gelada, que acabou fazendo os menos interessados na banda já desanimarem um pouco.

“The Modern Age” deu início ao show, que seguiu um pouco incerto. O público ficava extremamente animado e dançante quando os hits mais clássicos como “12:51” e “Reptilia” tocavam, mas davam uma murchada durante músicas menos conhecidas ou mais recentes. A aparência do show teve um estilo que só se pode descrever como “bem The Strokes”, com luzes fracas monocromáticas no fundo, deixando o palco levemente escuro e difícil de ver de longe.

Apesar de sempre ter sido responsável por liderar a banda, o vocalista Julian Casablancas mostra que nunca desenvolveu suas habilidades como frontman, já que muitas vezes se atrapalhava quando queria dizer algo e chegou até a dizer que deveria ter preparado algo para dizer. Em um de seus poucos momentos de clareza, disse “Obrigado por ficarem. Sei que foi um longo fim de semana”. Mal sabia ele que muita gente no fundo já levantava acampamento para ir embora.

Fabricio Moretti, baterista brasileiro do grupo, tentou compensar a frieza de seu vocalista com um “E aí, galera?!” no meio do show, mas nem isso deu resultados. Casablancas se mostrava despreocupado em agradar e, inclusive, proibiu o uso da câmera 360° e mais algumas outras câmeras durante a apresentação, dificultando muito a experiência de quem via o show pelo telão e, muito provavelmente, quem via em casa pela televisão.

A primeira parte do show foi encerrada com o hit mais famoso da banda, “Last Nite”, que levantou consideravelmente o ânimo do público. Contudo, ao voltarem para o encore, entregou uma série atrapalhada de sons e concluiu com “Hard to Explain”, sem nem mesmo incluir “You only Live Once”, outro grande hit da banda.

É uma pena que um grupo como o The Strokes, considerado um dos grandes nomes do indie rock mundial, não tenha dado conta do trabalho de ser headliner da noite, que dirá última apresentação do festival.

Não seria nenhuma surpresa se a falta de fogos de artifício no fim da noite (que é de praxe) também fosse alguma exigência de Casablancas.

Há quem diga que um festival como o Lollapalooza é sem sentido. Que colocar bandas de indie, metal, punk rock e pop num mesmo lineup é um erro. No entanto, essa é exatamente a proposta do festival: celebrar os diferentes tipos de música e, quem sabe, apresentar ao público coisas novas (além de, claro, vender ingressos). O Lollapalooza Brasil pretende continuar realizando shows de estilos variados e fazer com que cada vez mais pessoas tenham a oportunidade de viver a famosa experiência Lollapalooza. Que venha 2018 e viva a diversidade!

Setlist The Strokes

1. The Modern Age
2. Soma
3. Drag Queen
4. Someday
5. 12:51
6. Reptilia
7. Is this It
8. Threat of Joy
9. Automatic Stop
10. Trying Your Luck
11. New York City Cops
12. Electricityscape
13. Alone, Together
14. Last Nite
Encore
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain


VEJA GALERIA DE FOTOS DO 2º DIA DE FESTIVAL

Fotos: MRossi / Camila Cara

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