Lollapalooza Brasil: Primeiro dia do festival tem line-up cheio de surpresas e Metallica encerra o sábado com chave de ouro

Por: Daniela Baroni
Metallica – Foto: MRossi

“Viva a Experiência”

Essas são as palavras presentes em muitas das campanhas promocionais do Lollapalooza Brasil, que realizou sua sexta edição em São Paulo nesse último fim de semana (25 e 26/03) no Autódromo de Interlagos e reuniu 100 mil pessoas no sábado e 90 mil no domingo, um novo recorde de público.

O Lollapalooza é de fato uma experiência. Aproveitando os 600 mil metros quadrados do Autódromo de Interlagos e contando com quatro palcos, entre os quais há uma distância de mais ou menos 2 Km, o evento é muito mais do que uma série de shows. Afinal, se seu horário está livre e você não quer ver um show desconhecido, as opções do que fazer são inúmeras: lojas, estúdio de tatuagem, barbearia, food trucks gourmet, batalha de playback, a chance de criar sua própria bebida, um enorme kamikaze (que, este ano, substituiu a roda gigante) e por aí vai. Não havia uma atração que não estivesse rodeada por uma multidão.

Cage The Elephant – Foto: Camila Cara

Mas, obviamente, tudo no Lollapalooza gira em torno da música. E música era o que não faltava.
Durante tarde do sábado, Cage the Elephant fez um show energético no palco Skol e Matt Schultz, o vocalista, ficou tão empolgado com a energia do público que fazia de tudo para se aproximar da plateia, fosse indo dançar na grade ou escalando a estrutura da cabine de som. Um pouco mais tarde, quem chegava atrasado no evento era recebido pelo som animado e dançante das gêmeas canadenses Tegan e Sara, que, apesar do pequeno público, chamou muita atenção de quem passava pelo palco Axe.

Com o dia quase virando noite, as atrações começaram a ficar ainda mais cheias. No palco Axe, Criolo fez um manifesto contra todos os tipos de preconceito e Tove Lo levantou alto a bandeira do feminismo (e também sua blusa) e, no palco Onix, o trio do The XX reuniu uma multidão para presenciar um show de som suave, mas poderoso. Contudo, foi no palco Skol que as coisas realmente esquentaram, apesar de que, àquela altura, o sol já tinha ido embora.

Demorou, mas o Rancid finalmente chegou

Rancid – Foto: Camila Cara

Foram anos e anos de discussões e especulações com relação a uma possível vinda do Rancid a solo brasileiro. E houve momentos em que os fãs chegaram a desistir dessa ideia e cogitar, inclusive, viagens a outros países para vê-los. A verdade é que a banda, que já tem mais de 20 anos de estrada, não tem feito mais shows solos e tem preferido se apresentar somente em festivais. Assim, foi necessário um evento do porte do Lollapalooza para finalmente trazer essa lenda do punk rock californiano para cá e realizar o sonho dos fãs, muitos dos quais compraram o ingresso do evento só para vê-los.

O público estava ansiosíssimo quando a banda finalmente entrou, o telão acendeu com a clássica capa do álbum “…And Out Come the Wolves” e “Radio” explodiu nas caixas de som. Com cinco sons tocados, o vocalista Tim Armstrong, com sua enorme barba e careca tatuada, finalmente fala “É tão bom estar aqui com tantas pessoas maravilhosas”. Então, inicia “East Bay Night”, que animou ainda mais o público e teve um bonito final por coincidir com os fogos de artifício vindos do palco eletrônico ao lado.

“Levamos 25 anos para vir ao Brasil, mas finalmente chegamos. Obrigado por continuarem interessados.” Em seguida, Tim explica que gostaria de dedicar a próxima música ao amigo James Hetfield, do Metallica, brincando que ambos já deveriam ter morrido há muito tempo, mas ainda estão vivos, o que levou à música “Last one to die”.

Com um som emendado no outro e pouco tempo para conversas e aplausos, o Rancid conseguiu encaixar 20 músicas na uma hora de apresentação que tinham, incluindo grandes singles como “Time Bomb”, “Fall Back Down” e “Salvation”. A banda executou um incrível show de deixar tanto fãs quanto curiosos impressionados com a qualidade de seu som punk de pegada ska ao vivo. Antes de encerrar, Tim dedica a última música a Lemmy, do Motörhead, dizendo como o mundo está pior sem ele. A famosa “Ruby Soho” se inicia e Tim Armstrong desce do palco para cantar o fim da música com a plateia e, então, o que restou foi aquela saudade instantânea.

Metallica encerra primeiro dia de Lollapalooza num Boom

Metallica – Foto: Camila Cara

O primeiro dia do festival chegava ao fim e, embora muita gente se dirigia ao palco Axe para ver a dupla de DJs The Chainsmokers, era no palco Skol que se reunia uma multidão suficiente para encher um estádio de futebol. Todos aguardando a grande atração da noite: o Metallica.

O Metallica não é nenhum estranho no Brasil. A banda aparece por aqui de poucos em poucos anos e sempre reúne dezenas de milhares de pessoas em suas plateias. Ainda assim, muitos dos fãs não admitiriam perder um show desse monstro do thrash metal só porque ele rolaria em um festival. No público, via-se todo tipo de gente: alguns claramente fãs do Metallica, usando preto e algum objeto com o logo da banda; outros não muito fãs, mas simpatizantes; e outros que estavam lá mesmo conhecendo a banda apenas pelo nome.

Com alguns minutos de atraso, uma grande explosão de luz e som anunciou que o show estava para começar. Os telões acenderam e cenas do faroeste “Três Homens em Conflito” começaram a passar ao som da famosa trilha do filme composta por Enio Morricone e muitos dos presentes começaram a acompanhar a música em coro. A banda entrou e deu início a “Hardwire” do álbum “Hardwire…to self-destruct”, lançado no ano passado, enquanto versões animadas da capa do álbum passavam no telão.

Ver o Metallica ao vivo é uma coisa impressionante. A guitarra e a potente voz de James Hetfield têm um efeito esmagador em qualquer tipo de público. Os longos solos de guitarra e baixo de Kirk Hammet e Robert Trujillo, respectivamente, são extremamente bem executados, ao passo que a bateria de Lars Ulrich permanece implacável durante toda a extensão do show. A apresentação contou com famosos sons como “Fade to Black”, “Nothing Else Matters” e “Seek and Destroy” e com cinco músicas do álbum de 2016. E se os sucessos mais agitados levavam milhares de pessoas a chacoalharem a cabeça de forma sincronizada, “The Unforgiven” levou muitos ali às lágrimas.

Além de talentoso, Hetfield é um ótimo frontman e conversou com a plateia sempre que pôde. Ciente da realidade de estar em um festival, ele disse logo no começo do show, “Não me interessa de onde vocês vieram ou quem vocês vieram ver hoje, agora vocês são parte da família Metallica. Bem-vindos”. Mais tarde, Hetfield pediu que os que já haviam visto um show do Metallica levantassem as mãos e, em seguida, pediu o mesmo dos que nunca haviam visto a banda ao vivo. Concluindo que a divisão era meio a meio, diz que ama o Brasil, agradece os fãs pelo amor e, mais uma vez, dá boas-vindas aos novos membros da família.

A combinação do telão e da iluminação da apresentação serviu como uma espécie de quinto membro da banda e parecia se superar a cada música. O palco atirava lasers de luz colorida na plateia e brilhava fortes clarões de tempos em tempos, enquanto o telão mostrava diversas coisas, como imagens de soldados em batalha durante “One” ou uma mão gigante que ligava cordas aos membros das bandas em “Master of Puppets”.

Já havia passado das 23h quando a banda retornou para o encore com “Battery”, “Nothing Else Matters” e encerrou o show com “Enter Sandman”. E mesmo com os fogos de artifício que explodiam atrás do palco anunciando o fim do primeiro dia de Lollapalooza, o público não queria saber de ir embora.

Setlist Metallica

1. Hardwire
2. Atlas, Rise!
3. For Whom the Bell Tolls
4. The Memory Remains
5. The Unforgiven
6. Now That We’re Dead
7. Moth Into Flame
8. Harvester of Sorrow
9. Halo on Fire
10. Whiplash
11. Sad But True
12. One
13. Master of Puppets
14. Fade to Black
15. Seek and Destroy
Encore
16. Battery
17. Nothing Else Matters
18. Enter Sandman

Setlist Rancid

1. Radio
2. Roots Radicals
3. Journey to the End of the East Bay
4. Maxwell Murder
5. The 11th Hour
6. East Bay Night
7. Last one to Die
8. Dead Bodies
9. Salvation
10. Bloodclot
11. Old friend
12. The Bottle
13. St. Mary
14. Tenderloin
15. Olympia WA.
16. Honor is All We Know
17. It’s Quite Alright
18. Fall Back Down
19. Time Bomb
20. Ruby Soho


VEJA GALERIA DE FOTOS DO 1º DIA DE FESTIVAL:

Fotos: MRossi | Camila Cara

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