Legião Urbana celebra 30 anos de disco em show lotado (e alucinante!) no Rio

Por: Danielle Barbosa
Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e cia enloquecem uma legião de fãs
vinte anos após último show da banda.

Ressurgimento é a palavra que define as próximas linhas dessa resenha. A noite do último sábado (23) marcou um acontecimento para o público carioca, principalmente os fãs que acompanharam a trajetória da Legião Urbana durante o período em atividade da banda. Isso não significa dizer que não havia jovens que nem eram nascidos desde a pausa das atividades do grupo em meio à multidão – muito pelo contrário.

O Metropolitan foi o palco escolhido pelos músicos Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, que fizeram dos 30 anos do primeiro disco lançado pela Legião uma grande festa, com direito a uma plateia participativa, empolgada e coros de “Uh, uh, é Legião!” em vários momentos da apresentação. Todos os ingredientes necessários para uma celebração estiveram presentes: a vibração e emoção transpareciam nos olhos de todos, dos camarotes à pista.

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O show, marcado inicialmente para as 22h30, sofreu um atraso considerável devido à quantidade de público ainda entrando e se alocando em seus lugares no horário estipulado previamente. Se por um lado isso causou certa impaciência na plateia, logo que os artistas pisaram no palco tudo foi deixado de lado. Do começo ao fim, uma única palavra: intenso! Ainda que a presença de Renato Russo jamais possa ser substituída, foi uma bela demonstração do porquê a Legião Urbana vem influenciando gerações e fazendo a cabeça de muitos jovens até os dias de hoje, além de carregarem o título de se posicionarem quiçá como a banda mais importante no cenário do rock nacional. E é importante destacar: sem grande produção cenográfica ou pirotecnia. Só música de boa qualidade!

Os vocais ficaram a maior parte do tempo por conta de André Frateschi, ator e cantor que tem história de longa data com a Legião Urbana. Nada mais justo que isso, um legionário* fazendo as honras da festa. Em alguns momentos, Dado ou Marcelo pegaram o microfone e assumiram a posição, como nas clássicas “Ainda é Cedo”, “Tempo Perdido”, “Pais e Filhos”, “Teatro dos Vampiros”. Em outros, artistas convidados pelos músicos (Jonnata Doll em “1965 (Duas tribos)” e Marina Franco em “Dezesseis”) deram sua contribuição para o show.

Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

Um show da Legião Urbana dispensa grandes apresentações e houve pouca interação com a plateia na primeira parte da apresentação, já que o intuito era reproduzir com fidelidade o disco na íntegra. Os músicos, todavia, pediram a participação da plateia em vários momentos, que cantou a plenos pulmões a maioria das faixas. O mais marcante, talvez, tenha sido em “Por Enquanto”, canção que encerrou o primeiro trecho do show, composto apenas de músicas do CD “Legião Urbana”, lançado em 1985 e motivo de toda a festa. Os fãs, visivelmente emocionados, cantaram boa parte do sucesso à capella, transformando a atmosfera do Metropolitan em algo muito bonito de se ver.

“Obrigado, Rio. É muito bom estar de volta. Se não fossem vocês, não estaríamos aqui”, disse Dado em seguida, antes de apresentar um breve discurso de Renato Russo. Os gritos de “Legião” seguiram ainda mais intensos, quase como um culto ao que a banda foi, é e – quem sabe – será daqui pra frente.
A segunda parte do show consistiu em um passeio por grandes sucessos de outros discos conceituados do grupo, como as faixas de grande repercussão “Tempo Perdido” (com Dado nos vocais), “Daniel na Cova dos Leões” e a empolgante entrega de André Frateschi em “Há Tempos”, com um grito de “Viva, Renato!” no fim. Todas acompanhadas fielmente em coro pela plateia, que parecia não querer ir embora. A apresentação, contudo, já passava do meio e chegava próximo ao fim do script planejado para aquela noite, como informou Dado Villa-Lobos antes da melódica “O Teatro dos Vampiros”.

No bis, a banda voltou cheia de energia e com uma grata surpresa para a multidão. Como convidados ilustres de Dado e Bonfá, os Paralamas do Sucesso foram presença de grande importância no palco, já que, segundo o próprio guitarrista da Legião, eles “não estariam aqui se não fossem esses caras”, referindo-se ao grupo de rock fluminense comandado por Herbert Vianna. Os dois grupos uniram forças para “Será” e “Conexão Amazônica”, essa última relembrando os tempos do Aborto Elétrico. “Legião na veia, rapaziada!”, resumiu Herbert.

Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

Em “Pais e Filhos”, mais um momento de grande emoção para Dado, Bonfá e todos que estiveram presentes no Metropolitan. Dessa vez a dupla fez o convite mais especial da noite: Nicolau Villa-Lobos e João Pedro Bonfá, filhos de Dado e Marcelo respectivamente, subiram ao palco para uma versão família do clássico eternizado na voz de Renato Russo. “Quase sem querer”, “Angra dos Reis” e “Índios”, dos discos ‘Dois’ e ‘Que País é este?’ fecharam o ciclo do primeiro bis.

Pouco antes da sequência que encerraria o show, os músicos trocaram elogios e demonstraram a felicidade em estarem reunidos. Dado mencionou mais uma vez que a Legião Urbana se tratava de um sonho que eles tinham quando garotos, de transformas as pessoas e o mundo. O guitarrista da formação original da Legião apresentou todos que o acompanharam naquela noite: Lucas Vasconcellos (guitarra), Mauro Berman (baixo), Roberto Pollo (teclados) e, é claro, o ator André Frateschi, ao qual fez questão de dar-lhe todas as honras possíveis. Frateschi, por sua vez, retribuiu o carinho contribuindo para o momento mais ovacionado da noite. “Nós, legionários, estamos esperando há 20 anos esse show acontecer”, disse. E isso só foi possível “graças a esses dois caras”, finalizou o cantor.

De volta à apresentação, as emblemáticas “Faroeste Caboclo”, “Perfeição” e “Que País é Este?” foram a trinca de ouro e provocaram uma catarse coletiva já com o relógio marcando mais de uma da manhã.

É impressionante observar o quanto as letras da Legião Urbana são atuais e dialogam com os jovens dessa geração. Seja na política ou no amor, o caráter revolucionário e poder de influenciar a mente de adolescentes da banda deve permanecer viva por mais uns 30 anos.

“Legião Urbana a tudo vence!”
*como se intitulam os fãs da Legião Urbana.

SETLIST:
Primeira parte:
1. Será
2. A dança (Dado Villa-Lobos nos vocais)
3. Petróleo do futuro
4. Ainda é cedo (Marcelo Bonfá nos vocais)
5. Perdidos no espaço
6. Geração Coca-Cola
7. O reggae
8. Baader-Meinhof Blues
9. Soldados
10. Teorema
11. Por enquanto

Segunda parte:

12. Tempo perdido
13. Daniel na cova dos leões
14. Há Tempos
15. Dezesseis (Marina Franco nos vocais)
16. 1965 (Duas tribos) (Jonnata Doll nos vocais)
17. Eu sei
18. O teatro dos vampiros
BIS 1:
19. Será (feat. Paralamas do Sucesso)
20. Conexão amazônica (feat. Paralamas do Sucesso)
21. Pais e filhos
22. Angra dos Reis
23. Quase sem querer
24. “Índios”
BIS 2:
25. Faroeste Caboclo
26. Perfeição
27. Que país é esse? (feat. Paralamas do Sucesso)

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Galeria de fotos da apresentação do grupo Legião Urbana no Metropolitan

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