Foo Fighters inflama 30 mil fãs em noite de culto ao Rock n’ Roll no Rio

Por Danielle Barbosa
Foto: Marcos Hermes / T4F

Banda de Seattle liderada por Dave Grohl tocou os principais sucessos de seus nove discos de estúdio, em cerca de 2h de apresentação.

A noite do último domingo, 25, foi especial para aqueles que realmente são consumidores do bom e velho Rock n’ Roll. A data marcou a volta do Foo Fighters ao Maracanã, mesmo palco onde o grupo saiu ovacionado em janeiro de 2015, há três anos e um mês. Só isso já era motivo o suficiente para o sucesso nas vendas e ansiedade à mil no pré-show, mas não parou por aí. Os paulistas do Ego Kill Talent, que tocaram no Palco Sunset do Rock in Rio em 2017, e a banda californiana Queens of the Stone Age (ou QOTSA) esquentaram o público com muita potência sonora e entrega na apresentação, já preparando todos para a recepção à Dave Grohl e cia.

Apesar de o Foo Fighters claramente ser a atração principal e de maior interesse entre a maioria, muitas das pessoas circulavam pelo local entre os intervalos com camisas do QOTSA, o que deixava claro que não se tratava de uma abertura e sim um show 2 em 1, no qual o privilegiado era o fã do Rock. No total, cerca de 30 mil fãs parcialmente lotaram o Estádio Mário Filho, popular Maracanã, para prestigiar a música e certamente não se decepcionaram com as quase cinco horas de solos de guitarra e gritos estridentes.

Queens of the Stone Age: 

Foto: Marcos Hermes / T4F

Em sua sexta passagem pelo Brasil, o Queens of the Stone Age já tem fãs de longa data e público consolidado no país. Assim como o Foo Fighters, a banda formada por Josh Homme (vocais), Troy Van Leeuwen (guitarra), Dean Fertita (teclados), Michael Shuman (baixo) e Jon Theodore (bateria) trouxe um novo trabalho para apresentar ao público: o álbum “Villains”, lançado em agosto de 2017, sétimo do grupo em cerca de dez anos de trajetória. Mas assim como os compatriotas, Josh e cia optaram por fazer um show consistente, pesado e certeiro, dando espaço para canções de todas as épocas e hits, mas priorizando a vibe mais atual do grupo, com canções como “No One Knows”, “Make It Wit Chu”, “Go With the Flow” e “A Song for the Dead” no set.

Em uma hora e vinte cinco minutos, o QOTSA fez de tudo para uma entregar uma apresentação redondinha, com todos os elementos necessários em um bom show de rock: um som de impor respeito, pontualidade britânica (já que ninguém gosta de esperar e essa acaba sendo uma falha em muitos shows do gênero, não é mesmo?) e uma produção de palco impecável. Com seis “postes”, oito estruturas de Box Truss e canhões de luz sincronizados ajudando a criar os efeitos de iluminação, o show apelou bastante pelo visual e conquistou todos numa mescla entre sonoridades mais brandas e outras mais ‘porradeiras’, que marcam o início da banda.

Foto: Marcos Hermes / T4F

Até Josh Homme, que se envolveu numa polêmica recentemente por ter chutado a lente da câmera de Chelsea Lauren – e, consequentemente, ter atingido o rosto da fotógrafa em um show realizado na Califórnia em dezembro passado -, demonstrou bom humor e simpatia não tão usuais, interagindo bastante com as pessoas. “Acendam as luzes, deixe-me ver todos. Vamos nos divertir pra caralh* hoje!”, disse ainda no início do espetáculo. Mas a boa ‘vibe’ do frontman perdurou do início ao fim e ele ajudou a conduzir palmas, jogou os refrões de “No One Knows” e “Make It Wit Chu” pra plateia (que fez bonito!), arriscou um português cheio de sotaque ao agradecer o público e ao apresentar sua banda. “Jon Theodore, ‘na bateria'”, arriscou o músico, para aplausos e gritos dos fãs.

“Rio, vocês estão se divertindo? Vamos dançar?”, perguntou o cantor de 44 anos. E a galera aproveitou o suingue das músicas pra se divertir, dançando e cantarolando. “Isso é incrível, eu amo isso!”, enfatizou. E o público também parece ter curtido tanto que, após a devastadora “A Song for the Dead”, esperaram por um bis. Que não veio.

Setlist:

1. If I Had a Tail
2. Smooth Sailing
3. My God Is the Sun
4. Feet Don’t Fail Me
5. The Way You Used to Do
6. You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
7. No One Knows + Solo de Bateria
8. The Evil Has Landed
9. I Sat by the Ocean
10. Make It Wit Chu
11. Domesticated Animals
12. Villains of Circumstance
13. Little Sister
14. The Lost Art of Keeping a Secret
15. Go With the Flow
16. A Song for the Dead

Foo Fighters:

Foto: Marcos Hermes / T4F

E, finalmente, a longa espera havia terminado. O Foo Fighters, formado pelos ex-Nirvana Dave Grohl e Pat Smear – após o fim do Nirvana devido a morte de Kurt Cobain – arrasta multidões por onde passa, consagrando cerca de 15 anos de história com nove álbuns de estúdio lançados, indicações e premiações internacionais no currículo e milhares de fãs apaixonados de todos os gêneros, classe social, etnia, religião e estado civil. Definitivamente, o que se chama hoje em dia de “banda de estádio”: um grupo de respeito, composto por rock stars e com dezenas de hits aclamados!

No Rio, o palco para a grande apresentação não poderia ser outro: o impetuoso Maracanã, assim como em 2015. Nada mais adequado, já que Dave Grohl é daquele tipo de frontman que “joga pra torcida” e monta o show pra não deixar a empolgação do público baixar em nenhum instante. Falando em ânimos aquecidos, o calor que fez durante o show foi um fator preponderante de incômodo, mas de alívio, pois horas antes da apresentação havia bastante receio da chuva comprometer uma parte do espetáculo. Pois bem… Sem chuva, mas com  muito fogo e energia em cima do palco! Pra esfriar? Só as garrafinhas de água que Grohl jogava em seus cabelos para amenizar a sensação térmica. Na plateia, divisão de copinhos de água distribuídos pela produção entre os fãs, evitando assim que alguém se sentisse mal e tivesse de ser retirado da arena.

Mas vamos falar de música e, especialmente, de muito Rock n’ Roll, que foi o que o Foo Fighters entregou para as trinta mil pessoas presentes. Logo de cara, a potente “Run” (do álbum novo, “Concrete and Gold”) e as já consagradas “All My Life”, “Learn to Fly” e “The Pretender”. Até então, nenhum contato verbal havia sido feito com os fãs, apenas intensa troca de olhares, corridas pelo palco e muito cabelo sendo jogado no rosto. Bem Dave Grohl mesmo! Extremamente agitado e energético! “Esse é um show de Rock n’ Roll! Vocês gostam/amam Rock n’ Roll?”, perguntou o músico, para delírio da galera afirmando que sim. “Nós vamos dar muito Rock n’ Roll pra vocês hoje!”, avisou, pouco depois dessa sequência arrasadora de hits.

Foto: Marcos Hermes / T4F

O set seguiu com “The Sky Is a Neighborhood”, “Rope” e “Sunday Rain”, sendo a primeira e última também provenientes do último disco produzido pela banda. Em “Rope”, a plataforma da bateria onde o músico Taylor Hawkins fica levitou e pôs o baterista em evidência pela primeira vez na noite, seguido de gritos histéricos de “Taylor! Taylor! Taylor”. Desbancar Dave Grohl como protagonista do show seria impossível e nem era o objetivo de Taylor, mas ele conseguiu seus momentos como o astro da noite: durante o cover de “Under Pressure”, do Queen, quando ele assumiu os vocais e Grohl tomou seu lugar na bateria, e com um trechinho de “Love of My Life”, também da banda inglesa, que cantou após o vocalista ter dito que ele era o amor da sua vida. A galera foi ao delírio e cantou a plenos pulmões o refrão da icônica música. Até o “Beautiful!”, elogio eternizado por Freddie Mercury na primeira edição do Rock in Rio teve.

“Eu acho que esse é o Rock in Rio!”, exclamou Dave Grohl. Se levar em consideração o quanto a plateia estava inflamada com apenas oito músicas, a afirmação não pode ser contestada. Realmente, o domingo foi uma espécie de Rock in Rio particular do Foo Fighters com seu público, 17 anos depois da participação da banda em uma edição real do festival, que aconteceu em 2001.

“Nós temos muitas músicas e vamos tentar tocar o máximo possível pra vocês hoje!”, falou Grohl, ao brincar com a quantidade de álbuns o Foo Fighters havia lançado. “Quem quer ouvir música do primeiro álbum? E do segundo? E do terceiro? E do quarto? Ah, do quarto só tem quatro músicas boas e vamos tocar essas”, ironizou em tom de brincadeira. Os fãs, é claro, discordaram e, se pudessem optar, ouviriam a coletânea inteira da banda. “Fãs ‘old school’, mostrem para os novos como fazer isso, tá?”, brincou mais uma vez o músico, antes de apresentar “My Hero”, já sozinho no palco. A sessão ‘old school’ veio pra ficar e arrebatar de vez os corações dos fãs. “These Days”, “Walk” e “Breakout” (com direito à a capella e apenas as luzes dos celulares acesas) foram pra aplaudir de pé. Que banda é essa?! Que lenda é Dave Grohl! E o melhor de tudo: o quase cinquentão é simpático e charmoso. Haja coração!

Foto: Marcos Hermes / T4F

Taylor Hawkins não foi o único a ter seu momento sob os holofotes. Chris Shiflett, guitarrista do FF, apresentou um cover muito afinado e interessante de “Under My Wheels”, do lendário Alice Cooper. “Another Onde Bites the Dust”, do Queen, e “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, completaram o medley. Na mosca! O coro de ‘Hey, ho, let’s go’ de “Blitzkrieg Bop” não poderia ficar de fora de uma celebração do rock mundial. Nem “Let There Be Rock”, do AC/DC. E nós estamos de acordo, viu Dave Grohl? Que haja o rock! E que haja muito o rock n’ roll!

Setlist:
1. Run
2. All My Life
3. Learn to Fly
4. The Pretender
5. The Sky Is a Neighborhood
6. Rope
7. Sunday Rain
8. My Hero
9. These Days
10. Walk
11. Breakout
12. Make It Right
Band Presentation
13. Under My Wheels (Alice Cooper cover)
14. Another One Bites the Dust / Blitzkrieg Bop / Love of My Life
15. Under Pressure (David Bowie feat. Queen Latifah cover)
16. Monkey Wrench
17. Times Like These
18. Best of You

Bis:
19. This is a Call
20. Let There Be Rock
21. Everlong


VEJA GALERIA DE FOTOS DO SHOW:

FOTOS: Marcos Hermes

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