Florence + The Machine hipnotiza público em show emocionante no Rio

Por: Danielle Barbosa
Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

A britânica de 29 anos encantou os fãs com muito charme, carisma e simpatia.

Florence Welch parece uma fada quando está se apresentando. A ruiva encanta a todos e chama atenção a cada performance por tamanha elegância, simplicidade e desenvoltura para com os fãs. Não à toa, a apresentação da banda Florence + the Machine foi uma das mais elogiadas do fim de semana no festival Lollapalooza, que aconteceu nos dias 12 e 13 de março.

Isso, é claro, encheu os cariocas de expectativa para o retorno da artista e cia à Cidade Maravilhosa. Desta vez foi no Metropolitan, importante casa de shows localizada na Barra da Tijuca, que a apresentação da turnê do álbum “How Big, How Blue, How Beautiful” (2015) aconteceu. Das onze faixas que compõem originalmente o disco, mais da metade entraram na setlist da noite. Apesar de privilegiar o trabalho mais recente, a listagem de músicas foi bastante democrática, com cinco canções do “Lungs” (2009) e quatro do “Ceremonials” (2011).

Trajando um vestido Gucci azul cheio de babados (mesmo utilizado em sua apresentação no Lollapalooza 2016), Florence foi ovacionada pelos fãs ao pisar no palco por volta das 23h e abriu o show com uma tríade poderosa: “What the Water Gave Me”, “Ship to Wreck” e “Shake It Out” (que teve a intro cantada à capella), colocando todos no pique máximo pra pular e dançar. “Muito obrigada! Nós somos a Florence + The Machine. Estamos tão felizes em estar aqui no Rio com o Mumford and Sons. Obrigada por nos receber, nós sempre quisemos fazer isso juntos!”, agradeceu a cantora.

Ainda que o Metropolitan não estivesse completamente lotado, as mais de 5 mil pessoas que compareceram deram 110% de energia, o que transformou a hora e meia de show em algo mágico e especial para ambos os lados. Mas a artista não conteve a empolgação nem poupou esforços para se aproximar dos fãs. Em “Bird Song”, a vocalista não se importou com a tentativa de contenção da equipe de segurança e se jogou na plateia, que foi à loucura para tentar tocar na ruiva e fez coro da canção cara-a-cara com ela. “Nós cantamos todos juntos, isso é tão maravilhoso”, destacou Florence, que parecia se divertir como uma criança no palco. Já nesta altura do show, as reações dos fãs alternavam de choro a berros histéricos de “diva”, “Florence” e “nós te amamos”. A britânica, sempre muito simpática e solícita, retribuía o carinho com sorrisos, aplausos e discursos emocionados. “Nós também amamos vocês!”, repetiu algumas vezes.

Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

A bela e talentosa cantora inglesa parece ser dotada de poderes mágicos que hipnotizam a plateia e prendem a atenção de todos ao longo de todo o show. Entre rodopios graciosos, gestos afetuosos e beijinhos jogados ao ar para os fãs, o vibrato e a voz de Florence Welch impressionam pela pureza vocal da artista, pouco ou quase nada alterada dentro de um estúdio. A leveza e naturalidade dentro de toda teatralidade e culto ao amor que constituem um show da banda tornam a relação fãs x artista algo muito espontâneo. Há um magnetismo com os fãs e uma áurea boa que emanam de Florence Welch difíceis de explicar.

Em “How Big, How Blue, How Beautiful”, single que nomeia o terceiro álbum de estúdio do grupo*, um discurso todo especial da artista sobre a carga de tristeza contida nas letras da banda. Segundo Florence, todos os sons tristes que tinham no CD no fim também se tornaram algo muito bonito de se cantar. Além disso, a artista revelou que o Brasil foi uma de suas inspirações para a composição da canção. A plateia, com olhares fixos na cantora, acompanhou em coro, especialmente o trecho do refrão.

O show seguiu intenso até a pausa antes do bis, com um momento mais intimista em “Third Eye”, a exuberância vocal em “Heartlines” e “Queen of Peace” e um encerramento triunfal com as sempre muito aguardadas “Spectrum”, “You’ve Got the Love” e “Dog Days Are Over”. Cabe destacar a perfeita sinergia e timing entre a banda e Florence Welch. Os dois elementos são o casamento perfeito para o sucesso da Florence + the Machine.

“Dog Days Are Over” foi um convite direto à proposta da noite: espalhar o amor. A cantora pediu para que uns abraçassem os outros e dissessem que se amam. “Acenem para o amor, para a paz!”, pediu Florence Welch. Entre palmas seguindo o ritmo da música, os fãs acompanharam Florence cantando e muitos aproveitaram para jogar objetos e presentes no palco, todos recolhidos pela britânica. Dentre eles, uma bandeira do Brasil, erguida por ela e que – é claro –  causou comoção entre o público.

No bis, o som místico de “Which Witch”, a angustiante “What Kind of Man” e a energética “Drumming Song” transportaram as pessoas por uma viagem regada de amor e desilusões antes da despedida. Talvez esteja aí um dos pontos-chave da bem-sucedida carreira da banda até aqui: a capacidade com que os ouvintes de uma forma geral têm de se conectar com o que Florence canta. Tudo de uma forma envolvente, carismática e precisa.

Foto: Bre Helvetia/Universodorock
Foto: Bre Helvetia/Universodorock

Sobre Florence + The Machine:

O grupo londrino de indie rock, liderado por Florence Welch (vocais) – em parceria com Isabella Summers (teclado), Robert Ackroyd (guitarra), Tom Monger (harpa), Mark Saunders (baixo), Rusty Bradshaw (piano) e Christopher Hayden (bateria) – despontou no cenário da música em 2009, com o disco de estreia “Lungs”. Desde então, mais dois álbuns foram lançados (“Ceremonials” em 2011 e “How Big, How Blue, How Beautiful” em 2015), uma coleção de hits alcançaram boas posições nos principais medidores de popularidade ao redor do mundo e a banda foi lembrada em importantes premiações musicais, como em três edições recentes dos Grammys.

Esta foi a terceira vez que a banda veio ao Brasil para uma grande turnê internacional. Em 2012, Florence se apresentou no “Summer Soul Festival” em três capitais brasileiras (Rio, São Paulo e Florianópolis) e logo no ano seguinte a britânica foi uma das atrações principais da quinta edição do Rock in Rio no país, ao lado dos norte-americanos do 30 Seconds to Mars e – dos também britânicos – do Muse.

Setlist:
1. What the Water Gave Me
2. Ship to Wreck
3. Shake It Out
4. Bird Song Intro
5. Rabbit Heart (Raise It Up)
6. Delilah
7. How Big, How Blue, How Beautiful
8. Third Eye
9. Heartlines
10. Sweet Nothing
11. Queen of Peace
12. Spectrum
13. You’ve Got the Love
14. Dog Days Are Over
Bis:
15. Which Witch
16. What Kind of Man
17. Drumming Song

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