Faith No More não empolga público e Mike Patton quase cai sobre os fotógrafos

Por: Danille Barbosa

O vocalista falhou ao tentar dar um mosh e mergulhou sobre o espaço que separa a grade do palco.

Foto: Isabela Catão/Universodorock
Foto: Isabela Catão/Universodorock

O Faith no More, clássica banda norte-americana de rock, fez o seu retorno ao Rock in Rio 24 anos após a épica passagem em 1991, sob olhares atentos e de expectativa. Mas nem de longe a apresentação pode ser comparada àquela. O grupo, que completa 34 anos de uma carreira super bem-sucedida neste ano, também participou do SWU em 2011 e foi o responsável por fechar a noite do festival.

Para o Rock in Rio, o quinteto trouxe faixas do seu novo álbum, o “Sol Invictus” (2015). A faixa “Motherfucker”, inclusive, tocada logo no início da apresentação, faz parte do disco e passou sem o conhecimento do público, que estava frio e desconectado do som que ocorria em cima do palco. Talvez incomodado por essa inicial apatia das pessoas, Mike Patton – vocalista e líder do Faith no More – tenha pensado em esquentar um pouco as coisas e logo na terceira música da listagem, “Caffeine”, pulou do palco em direção ao público (“mosh” ou “stage diving”), mas para infelicidade do cantor o salto não foi bem calculado. O artista caiu na área onde ficam os fotógrafos, entre o palco e a grade, e quase atingiu alguns deles que ainda estavam fotografando a apresentação. A reação de todos, obviamente, foi de muita preocupação com o músico, que retornou ao palco amparado pela equipe de segurança e parecia sentir dor.

A partir disso, o desempenho da banda e o físico/vocal de Patton não foi (e seria difícil que fosse) o mesmo. Mesmo tendo dito que as coisas estavam tranquilas, o frontman do Faith No More pouco se mexeu no restante do show e fez algumas expressões de incômodo, provavelmente pela dor que sentira ou por transparecer insatisfação com a resposta do público, que em poucos momentos curtiu a apresentação junto da banda. “Vocês querem ouvir mais uma?”, perguntou o músico e obteve uma fraca resposta da plateia. Incomodado, ele questionou novamente: “tem certeza?”. Em dado momento, Patton incitou uma resposta mais ativa dos fãs, sem muito sucesso. “Cariocas, vamos!”, disse o artista.

Foto: Isabela Catão/Universodorock
Foto: Isabela Catão/Universodorock

Não houve muita sinergia entre artista e público na noite da última sexta-feira (25), pois o que havia em peso realmente eram fãs do Slipknot, que só se interessavam pela performance dos mascarados. Ainda assim, não foi por falta de esforço de Mike Patton. Mesmo com o físico comprometido, o cantor se esforçou para se comunicar em português com a platia, chegando a proferir até alguns xingamentos.

As faixas que mais empolgaram, entretanto, foram o mega hit “Epic” e “Ashes to Ashes”, ambas old school. Nem “Evidence” e “We Care a Lot” levantaram a apresentação, assim como os clássicos covers de “Easy” (do Commodores) e “I Started a Joke” (Bee Gees), que pareceram inapropriados para um festival no qual a atração principal da noite era o Slipknot. Na verdade, dois fatos foram evidentes na performance do Faith No More: a primeira é em relação à alocação da banda na noite do dia 25, que não foi a mais adequada. Talvez os californianos tivessem uma melhor recepção no dia do Metallica, por exemplo. A segunda observação vai para a extensão vocal de Mike Patton, que consegue alcançar a nota que quiser com sua poderosa voz. Se a energia não é a mesma dos velhos tempos, a habilidade do “gogó” segue em alta.

O cenário, coberto por flores, e o visual dos músicos – que se vestiram todos de branco – foi um ponto curioso da apresentação, que ficou no patamar de monótona e foi – infelizmente – marcada por um tombo de Mike Patton.

SETLIST:
Motherfucker
From Out of Nowhere
Caffeine
Evidence
Epic
Black Friday
Midlife Crisis
The Gentle Art of Making Enemies
Easy (cover The Commodores )
Separation Anxiety
Ashes to Ashes
Superhero
Encore:
I Started a Joke (cover Bee Gees)
We Care a Lot
Just a Man


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