Ex-vocalista do The Smiths, Morrissey faz show espetacular no Rio de Janeiro

Por: Paulo Schwinn
Foto: Marcelo Gigante/Universodorock
Foto: Marcelo Gigante/Universodorock

Um show como o que Morrissey fez em uma noite de terça-feira (24/11), final de mês, final de ano, em um país mergulhado numa crise econômica gravíssima, com ingressos a R$ 500, num Rio de Janeiro que costuma rejeitar diversos ídolos do rock and roll, (e por isso a cidade perde muitos espetáculos bacanas) é um evento para ser celebrado por todos os que puderam estar presentes.

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A terceira passagem do ex-vocalista dos Smiths na cidade foi, mais uma vez, avassaladora. E Morrissey nem precisou falar tanto. Se dirigiu ao público algumas poucas vezes. A mais emocionante delas foi logo no início do show, quando disse algo como: ‘Olá, Rio! Meu coração e minha alma são de vocês!’. E assim foi. O começo já foi para arrancar sorrisos, lágrimas, pulos e vozes em uníssono. Uma das melhores seqüências de abertura de show já feitas: ‘Suedehead’, ‘Alma Matters’, essa realmente levando muita gente às lágrimas e cantada com braços levantados para os céus, ‘This Charming Man’ (cantada em uníssono) e ‘You Have Killed Me’. ‘Speedway’, do álbum ‘Vauxhall and I’, vem a seguir e é uma das menos conhecidas que foi bem recebida pelo público. Várias canções de ‘World Peace Is None Of Your Business’ (2014) deixaram o show morno em alguns momentos. O CD é ácido e de forte cunho político. Morrissey critica o status quo de uma maneira mais contundente e direta que seu usual, com canções longas e de difícil assimilação imediata. Mesmo assim, a faixa-título, ‘Istambul’ e ‘Earth Is
The Loneliest Planet’ foram cantadas por boa parte do público.

Morrissey gosta muito de seu público, especialmente o latino-americano e ainda mais o brasileiro. Em vários momentos ele estende as mãos para os fãs mais afoitos do gargarejo, que retribuem o gesto, e quase no final do show ele até parou para autografar alguns itens. Um sortudo teve uma cópia de ‘Bona Drag’ (1990), em vinil, autografada.

Foto: Marcelo Gigante/Universodorock
Foto: Marcelo Gigante/Universodorock

As músicas dos Smiths foram poucas e liberadas a conta-gotas no setlist. Além de ‘This Charming Man’, logo no início, ‘How Soon Is Now’, pesadíssima e beirando a psicodelia, foi celebrada a plenos pulmões pelos fãs de várias idades que estavam presentes, uma característica muito bacana nos shows de artistas relevantes e de carreira duradoura como Morrissey. Um dos momentos mais impactantes do concerto foi em ‘Meat Is Murder’. A canção ficou ainda mais soturna com imagens fortes do abatimento de animais mostradas em detalhes no telão, numa tentativa de converter as pessoas ao veganismo. Com Morrissey é assim, ele defende seu ponto de vista com unhas e dentes. ‘What She Said’, mais lenta e pesada do que a versão dos Smiths, de 1985, terminou o show, não sem antes o público cantar a plenos pulmões ‘Everyday Is Like Sunday’, que é de ‘Viva Hate’ (1988), ou seja, ainda com ecos e inspiração smithiana.

O bis em dose tripla veio com uma bela homenagem à cidade de Paris e às vítimas do recente atentado na capital francesa. ‘I’m Throwing My Arms Around Paris’ foi aplaudidíssima e trouxe uma imagem da bandeira da França no telão. ‘First Of The Gang To Die’ (muito festejada) foi um ensaio para o final apoteótico com ‘The Queen Is Dead’, com críticas à família real britânica, além de uma fotomontagem da rainha Elizabeth mostrando o dedo médio, no momento gargalhada da apresentação. Morrissey arrancando a camisa levou os fãs ao delírio, num final a ‘la Smiths’ de um show que mais uma vez renova o culto e a admiração do público a seu ídolo.

Setlist
1. Suedehead
2. Alma Matters
3. This Charming Man (Smiths Cover)
4. You Have Killed Me
5. Speedway
6. Ganglord
7. World Peace Is None of Your Business
8. How Soon Is Now? (Smiths cover)
9. Kiss Me a Lot
10. Istanbul
11. Mama Lay Softly on the Riverbed
12. One of Our Own
13. Earth Is the Loneliest Planet
14. The Bullfighter Dies
15. You’ll Be Gone (Elvis Presley cover)
16. The World Is Full of Crashing Bores
17. Oboe Concerto
18. Meat Is Murder (The Smiths song)
19. Everyday Is Like Sunday
20. Jack the Ripper
21. What She Said (The Smiths song)
Bis:
22. I’m Throwing My Arms Around Paris
23. First of the Gang to Die
24. The Queen Is Dead (The Smiths song)

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