Maila:
você tocou no Black Sabbath de 87 a 97 e se tornou parte
da história do Heavy Metal por ter tocado feito parte de
uma das bandas mais importantes do estilo. Como você se
vê como um músico neste contexto?
TM: Bom, eu não
sei muito bem. Muita coisa mudou desde a época do Black
Sabbath. Era uma coisa extremamente envolvente fazer parte de
uma das maiores bandas do mundo. Isso é extremamente
interessante. Mas eu não penso em mim como uma figura
histórica, apesar de ter consciência de que fiz
parte de uma das bandas mais importantes desta história.
Digamos que há alguns conflitos nisso.
Maila:
Quando você se juntou à banda o som mudou muito.
Pudemos sentir uma grande influência de Hard Rock nas
músicas e até baladas como Feels Good to Me foram
compostas. Isso foi uma influência sua ou era parte de
uma momento em que a banda estava passando por mudanças
e isso teria acontecido mesmo que não fosse você
o vocalista?
TM: Não. Acho
que o que aconteceu foi realmente uma coisa minha. Toni me deu
o trabalho de escrever e estava feliz por me deixar fazer aquilo.
Nós trabalhávamos da seguinte forma: havia ensaios,
a banda tocava e gravava vários pedaços e coisas,
eu levava tudo para casa e tentava juntar estes pedaços.
Depois de fazer isso, eu fazia 3 versões diferentes de
cada música e levava para eles no ensaio seguinte. Cada
música com uma melodia e uma letra diferentes. Eles escolhiam
a que mais gostavam e nós trabalhávamos em cima
delas juntos. Foi assim que as músicas de Toni Martin
surgiram.
Maila: E você
começou seu projeto solo logo depois de deixar a banda?
TM:
Bom, depois da primeira vez que deixei a banda, comecei a trabalhar
em um projeto solo quase que imediatamente. Iniciar esta carreira
solo era realmente o que eu tinha em mente. Mas aí, num
belo dia o telefone tocou e eles me convidaram para voltar.Primeiramente
eu tive que dizer não, pois já estava preparando
meu álbum solo. Então, foi um pouco complicado,
mas depois de um tempo eu acabei voltando à banda. Mas
eu sempre quis ir adiante com minha carreira solo.
Maila: E você
sempre trabalhou com música? Continuou neste ramos depois
que deixou a banda de novo?
TM:
Não. Na verdade, depois que definitivamente deixei o
Black Sabbath eu realmente não estava a fim de continuar
e parei por quase 10 anos. Você sabe, construí
uma família, um lar...
Maila:
Então, 10 anos depois você resolveu voltar à
ativa e ouvi dizer que você é um dos cantores mais
cuidadosos com a voz. Não gosta nem de falar em dias
de show.Você foi sempre assim ou isso foi um processo
que veio com a experiência?
TM: Eu preciso ter
este cuidado, pois não sou o que chamo de ‘cantor
natural’. Algo como Glenn Hughes, por exemplo, que pode
fumar, beber, ficar deitado, de pé, não importa.
A vos dele é sempre a mesma. Eu não sou assim
e preciso trabalhar duro para manter minha voz. Coma idade os
problemas pioram e você vai precisando ser cada vez mais
cuidadoso com sua voz.
Maila:
você já tocou no Brasil com o Black Sabbath, mas
nunca no Rio de Janeiro. Desta vez você irá tocar
com uma banda local. Como você sente isso?
TM: Sim, tocarei
com alguns músicos Brasileiros, mas trouxe dois dos meus
comigo. Jeff Nichols, tecladista que trabalhou com o Black Sabbath
e o baterista Danny Needham, que é um excelente músico.
Os demais músicos serão brasileiros e devo dizer
que estou um pouco assustado, pois jamais toquei em um show
com músicos que não conhecia.
Maila:
Sim, e é exatamente isso o que quero saber. Quais as
suas expectativas?
TM: Não tenho
a menor idéia! A menor idéia...
Maila:
Mas você ainda não escutou nenhum trabalho destes
músicos?
TM: Sim, já.
Mas isso não significa que eles conseguem tocar as coisas
do Black Sabbath que eu tocarei. O material que quero tocar
no Brasil é bem mais complicado. Não é
apenas aquele rock básico estilo Paranoid. Headless Cross,
por exemplo, é cheia de elementos diferentes, sons, computadores,
corais, todo tipo de coisa, bem mais envolvente. Mas será
interessante ver como os Brasileiros irão fazer isso.
Maila:
E o que podemos esperar de você?
TM: É um segredo,
um segredo. Não posso te contar. Bom, digamos que será
basicamente Black Sabbath, com uma ou duas coisas minhas no
meio.
Maila:
Ok! Agora vou fazer com você um jogo. Direi uma palavra
e você responde a primeira coisa que vier a sua mente,
ok?
TM: Certo, vamos
lá.
Um
ídolo: Eterno
Anos 70: Chamas
Anos 80: Eu tinha cabelos!
Black Sabbath: Eu!
Rock: Complicado... é tanta coisa...
quando eu comecei era apenas rock. Depois mudou para “Heavy
Rock”, depois “Heavy Metal”, aí veio
o “Thrash Metal e depois o “Black Metal”,
mas por que se no fundo é tudo a mesma coisa? A essência
é a mesma.
Cantar: Difícil
Família: Os amo
Fãs – Demais!
Um hobby: Música
Um amigo: Não tenho amigos ( com voz
de choro)
Amor: Amo!
Ódio – Amo! É uma ótima
inspiração para se escrever uma música.
A coisa mais importante: Família
Palco: Medo
Lar: Inglaterra, é onde está
meu coração.
Tour: Na verdade não estou em tour mas
diria...Qual é mesmo o nome da empresa produtora que
me trouxe ao Brasil?
Maila: Headbanger
TM: Então
é isso, Tour = Headbanger
Brasil: Demais!