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Hellion Records
 Entrevistas

abril/2008
Nocturnal Breed
Por: Henrique Meireles
 

Tendo alcançado boa reputação pela Europa após quatro discos lançados por praticar um Metal cru, com riffs old school, vocais rasgados e despejando um imenso feeling a cada álbum, a banda norueguesa Nocturnal Breed se vê hoje com uma incerteza: a sua continuação.

Isso porque o líder e fundador do grupo, Ben Hellion, vive hoje do outro lado do Atlântico, mais especificamente nos EUA, e a distância física de sua terra natal influencia diretamente no futuro de seu projeto.

Mesmo Bem não vendo muita perspectiva na continuação do Nocturnal Breed, como ele mesmo falou nesta entrevista exclusiva para o Universo do Rock, conversamos com ele para saber mais sobre o mais novo CD, o ótimo Fields of Rot, além de questões mais aprofundadas sobre o passado, presente e possíveis novas idéias e lançamentos que possam surgir caso o quarteto continue.

Universo do Rock – Desde a fundação da banda, vocês vêm atingindo um bom respeito na Europa, principalmente porque houve lançamentos acima da média. Como foi o processo de composição desta vez para o novo disco?

Ben Hellion - Para este disco estivemos muito mais preparados do que em relação aos outros anteriores. Desde que não gravávamos um disco há 7 anos, tivemos muito tempo para finalizar todos os detalhes das músicas e sabíamos quais estes detalhes que queríamos em cada composição.

Universo do Rock – Para este novo material vocês assinaram com a Agonia Records após terem saído da Painkiller Records devido a problemas de comunicação e por eles terem quebrado algumas cláusulas contratuais. Você se sente à vontade para falar mais a respeito deste acontecimento, mencionando de forma mais específica que problemas foram estes?

Ben Hellion - Não. Tem muita água debaixo da ponte em relação a este assunto, então não vejo o porquê de ficar falando sobre as merdas que ocorreram. Acho que o que nos levou a fazer isso com a Painkiller Records foi a mesma coisa que muitas bandas fizeram com outros selos neste sentido. A intenção era fazer com que houvesse uma presença maior, mas a habilidade e o prometido financeiramente ficaram de lado. Prometer as coisas é muito fácil, mas fazer aquilo que você diz é completamente diferente. Infelizmente, bandas como a nossa nunca aprendem. (risos)

Universo do Rock – A arte da capa de Fields of Rot foi feita pelo artista norueguês Kjetil Nystuen, que também é diretor de arte na indústria de jogos para computadores e vídeo-games. Inicialmente vocês haviam convidado alguns fãs para desenhar a arte, mas porque houve a mudança?

Ben Hellion - Bom, percebemos que ele era capaz de fazer isso, foi bem simples. Ele foi, como qualquer um outro, convidado a produzir a arte da capa e quando vimos seus esboços, ficamos vislumbrados com seu trabalho. Tivemos certeza de que ele era o cara certo para desenhar a capa e que iria criar uma arte que não seria simplesmente uma arte de capa de disco, mas uma parte de um pacote completo como Fields of Rot é. Mas o disco não é conceitual, simplesmente quisemos dar uma ligação entre o conteúdo, de uma forma geral, e a capa do CD. Kjetil fez um trabalho sensacional e estamos muito felizes com o que ele produziu.

Universo do Rock – Eu realmente gostei da arte de Fields of Rot>, é realmente muito bonita e combina perfeitamente com a sonoridade do grupo e as letras do disco. O que você prefere: um disco com uma produção pobre e letras inteligentes ou uma ótima produção e mensagens que em nada acrescentam ao ouvinte ou ao menos fazem ele refletir sobre o que é passado?

Ben Hellion - Para mim, como guitarrista, eu ouço mais as partes musicais do que presto atenção nas letras. Talvez porque eu nunca fui um grande filósofo ou coisa parecida. (risos) Vai saber... Quando se tem uma produção bem estreita com a qualidade sonora, creio que haja um charme. Mas tudo depende de que tipo de música se esteja executando. Por exemplo: não consigo imaginar o Darkthrone fazendo uma produção à la Megadeth ou vice-versa. Tem que combinar com o que você está gravando e qual o sentimento e estado de espírito você quer criar com seu trabalho.

Universo do Rock – A resposta da mídia mundial e dos fãs, em geral, sobre Fields of Rot foi satisfatória?

Ben Hellion - Isso nunca acontece! (risos) Falando sério, tivemos um ótimo retorno deste disco e isso é muito legal. Acho que quando você finaliza um disco e senta para escutar um trabalho seu que durou meses ou anos, rola um grande sentimento e isso conta muito. A satisfação de um trabalho duro que se teve e ter pensado noite e dia em como ser finalizado remonta a um sentimento muito bom, algo muito pessoal que é difícil de ser explicado. Claro que ter uma resposta positiva das pessoas também é maravilhoso.

Universo do Rock – Fields of Rot mantém a formula básica dos trabalhos anteriores: riffs matadors da velha escola, uma produção crua e verdadeira, um imenso feeling de Metal, além das partes vocais de Destroyer. Não consigo imaginar a banda sem seus vocais, ainda mais cantando músicas como “Wicked, Vicious & Violent”, “Fields of Rot”, “Invasion Of The Body-Thrashers” e “Iron Bitch”. O que acha sobre isso?

Ben Hellion - Sem sombra de dúvidas que seus vocais são importantes para o Nocturnal Breed, mas não acho que isso seja mais importante que outras partes da banda como um todo. O que faz o grupo é a combinação de nós quatro fazendo o que nos compete. Não apenas quando tocamos música, mas também quando saímos para nos divertirmos juntos, estas coisas. Lembre-se que se não fosse as partes de bateria do Tex ou até mesmo as guitarras de Rattlehead, o que seria dos vocais de Destroyer sem eles? Entende o que quero dizer? Está tudo conectado, e tudo é importante para o resultado final.

Universo do Rock – Parece-me que vocês não chegaram a excursionar pela Europa para divulgar Fields of Rot, não?

Ben Hellion - Realmente não fizemos. A razão pra isso é que Destroyer teve alguns problemas e não pudemos excursionar ou fazer shows. Não sabemos ainda quando ou se faremos shows ao vivo novamente, até porque me mudei para Los Angeles (Califórnia/EUA) e será muito difícil pra mim viajar novamente à Noruega para tocar um ou dois shows. (risos) De qualquer forma, o futuro é incerto, mas quem sabe?! Quem sabe algum dia toquemos ao vivo novamente.

Universo do Rock – Tools of the Trade e No Retreat… No Surrender foram relançados no Brasil pela Kill Again Records, assim como o mais novo petardo, Fields of Rot, também disponibilizado no mercado nacional pelo selo. Como está sendo o trabalho com a Kill Again? Conheço seu proprietário, Antônio Rolldão, e ele é um verdadeiro headbanger...

Ben Hellion - Eu fui o responsável pelo contato com Antônio e nossa comunicação foi muito boa o tempo inteiro. Não sei exatamente como as coisas estão indo, então não podemos falar muito a respeito. Só que é muito bom para nós termos nossos álbuns disponibilizados no Brasil e até onde sei, ele tem feito um bom trabalho.

Universo do Rock – Já pensaram em gravar um CD ao vivo ou até mesmo um DVD? Vocês possuem quatro discos, assim como EP’s, singles e demos.

Ben Hellion - Claro que já pensamos a respeito, mas isso nunca aconteceu. Antes de mais nada nós somos uma banda de shows e as pessoas gostam de nossas apresentações e poder captar isso em um CD ao vivo ou um DVD seria muito bom. Mas agora não sabemos ao certo quando nos apresentaremos ao vivo novamente, é difícil dizer algo sobre isso. Talvez um dia isso aconteça, mas no momento não temos planos para alguma gravação do tipo.

Universo do Rock – O Nocturnal Breed já teve alguns ótimos músicos, mas que, infelizmente, deixaram o grupo. Ed Damnator (mais conhecido como Silenoz, do Dimmu Borgir) e Astennu, além do atual vocalista Destroyer (ex-membro do Satyricon). Creio que tenha sido difícil para eles manter as agendas compatíveis com o Nocturnal Breed e os outros grupos em que atuavam. Isso foi a principal razão para que eles deixassem o Nocturnal Breed e/ou suas outras/principais bandas?

Ben Hellion - Bom, para Silenoz foi, de fato, e quando ele nos deixou foi porque o Dimmu Borgir estava se tornando muito grande e ele teve que escolher. Já Artenu e os outros passaram rapidamente pela banda, algo como convidados para gravar algum disco, não tendo aquele comprometimento conosco como membros integrais. Destroyer foi convidado pelo Satyricon para fazer apresentações ao vivo apenas por algumas vezes, mas nunca foi um membro efetivo do Nocturnal Breed e por isso nunca afetou seu trabalho junto à banda. Acho que do jeito que estamos hoje é a melhor fórmula, ou seja, hoje não temos várias bandas ao mesmo tempo, o que nos força a focar melhor naquilo que estamos fazendo no momento. Entretanto, tudo se mistura um pouco quando atuamos em outras bandas, ainda mais quando elas são de estilos similares. Sempre achei que seria bom pra mim estar em uma única banda, só assim poderia focar 100% minha criatividade e energia no Nocturnal Breed.

Universo do Rock – Quais são as metas para 2008? Vocês têm planos para excursionar pelos EUA, Europa ou ainda pela América do Sul ou somente compor novas músicas para um novo disco?

Ben Hellion - Como dito anteriormente, não temos planos para excursionarmos por agora. Estou fazendo música por aqui e tenho certeza que os outros caras estão fazendo o mesmo lá na Noruega, mas não tenho certeza quando ou se faremos outro disco. Só o tempo dirá o que acontecerá no próximo capítulo da banda, tenho certeza de que algo novo virá, mas não sei quando ou aonde.

Universo do Rock – Finalizamos nossa entrevista por aqui. Quero agradecer pelo tempo cedido em poder responder a estas perguntas e falar um pouco mais sobre o grupo. Por favor, deixe uma última mensagem aos maníacos brasileiros.

Ben Hellion - Sem problemas, o prazer foi meu. Obrigado por ajudar o Nocturnal Breed e mantenham as cabeças balançando. A quem quiser conhecer mais sobre nós, basta acessar o site www.nocturnalbreed.no ou o nosso MySpace, www.myspace.com/nocturnalbreed. Metal até o osso!



LINKS
Site Oficial : www.nocturnalbreed.no
MySpacee: www.myspace.com/nocturnalbreed




www.universodorock.com