Universo
do Rock – Desde a fundação da banda, vocês
vêm atingindo um bom respeito na Europa, principalmente
porque houve lançamentos acima da média. Como foi
o processo de composição desta vez para o novo disco?
Ben
Hellion - Para este disco estivemos muito mais preparados
do que em relação aos outros anteriores. Desde que
não gravávamos um disco há 7 anos, tivemos
muito tempo para finalizar todos os detalhes das músicas
e sabíamos quais estes detalhes que queríamos em
cada composição.
Universo
do Rock – Para este novo material vocês assinaram
com a Agonia Records após terem saído da Painkiller
Records devido a problemas de comunicação e por
eles terem quebrado algumas cláusulas contratuais. Você
se sente à vontade para falar mais a respeito deste acontecimento,
mencionando de forma mais específica que problemas foram
estes?
Ben
Hellion - Não. Tem muita água debaixo da
ponte em relação a este assunto, então não
vejo o porquê de ficar falando sobre as merdas que ocorreram.
Acho que o que nos levou a fazer isso com a Painkiller Records
foi a mesma coisa que muitas bandas fizeram com outros selos neste
sentido. A intenção era fazer com que houvesse uma
presença maior, mas a habilidade e o prometido financeiramente
ficaram de lado. Prometer as coisas é muito fácil,
mas fazer aquilo que você diz é completamente diferente.
Infelizmente, bandas como a nossa nunca aprendem. (risos)
Universo
do Rock – A arte da capa de Fields of Rot foi feita pelo
artista norueguês Kjetil Nystuen, que também é
diretor de arte na indústria de jogos para computadores
e vídeo-games. Inicialmente vocês haviam convidado
alguns fãs para desenhar a arte, mas porque houve a mudança?
Ben
Hellion - Bom, percebemos que ele era capaz de fazer
isso, foi bem simples. Ele foi, como qualquer um outro, convidado
a produzir a arte da capa e quando vimos seus esboços,
ficamos vislumbrados com seu trabalho. Tivemos certeza de que
ele era o cara certo para desenhar a capa e que iria criar uma
arte que não seria simplesmente uma arte de capa de disco,
mas uma parte de um pacote completo como Fields of Rot é.
Mas o disco não é conceitual, simplesmente quisemos
dar uma ligação entre o conteúdo, de uma
forma geral, e a capa do CD. Kjetil fez um trabalho sensacional
e estamos muito felizes com o que ele produziu.
Universo
do Rock – Eu realmente gostei da arte de Fields of Rot>,
é realmente muito bonita e combina perfeitamente com a
sonoridade do grupo e as letras do disco. O que você prefere:
um disco com uma produção pobre e letras inteligentes
ou uma ótima produção e mensagens que em
nada acrescentam ao ouvinte ou ao menos fazem ele refletir sobre
o que é passado?
Ben
Hellion - Para mim, como guitarrista, eu ouço
mais as partes musicais do que presto atenção nas
letras. Talvez porque eu nunca fui um grande filósofo ou
coisa parecida. (risos) Vai saber... Quando se tem uma produção
bem estreita com a qualidade sonora, creio que haja um charme.
Mas tudo depende de que tipo de música se esteja executando.
Por exemplo: não consigo imaginar o Darkthrone fazendo
uma produção à la Megadeth ou vice-versa.
Tem que combinar com o que você está gravando e qual
o sentimento e estado de espírito você quer criar
com seu trabalho.
Universo
do Rock – A resposta da mídia mundial e dos fãs,
em geral, sobre Fields of Rot foi satisfatória?
Ben
Hellion - Isso nunca acontece! (risos) Falando sério,
tivemos um ótimo retorno deste disco e isso é muito
legal. Acho que quando você finaliza um disco e senta para
escutar um trabalho seu que durou meses ou anos, rola um grande
sentimento e isso conta muito. A satisfação de um
trabalho duro que se teve e ter pensado noite e dia em como ser
finalizado remonta a um sentimento muito bom, algo muito pessoal
que é difícil de ser explicado. Claro que ter uma
resposta positiva das pessoas também é maravilhoso.
Universo
do Rock – Fields of Rot mantém a formula básica
dos trabalhos anteriores: riffs matadors da velha escola, uma
produção crua e verdadeira, um imenso feeling de
Metal, além das partes vocais de Destroyer. Não
consigo imaginar a banda sem seus vocais, ainda mais cantando
músicas como “Wicked, Vicious & Violent”,
“Fields of Rot”, “Invasion Of The Body-Thrashers”
e “Iron Bitch”. O que acha sobre isso?
Ben
Hellion - Sem sombra de dúvidas que seus vocais
são importantes para o Nocturnal Breed, mas não
acho que isso seja mais importante que outras partes da banda
como um todo. O que faz o grupo é a combinação
de nós quatro fazendo o que nos compete. Não apenas
quando tocamos música, mas também quando saímos
para nos divertirmos juntos, estas coisas. Lembre-se que se não
fosse as partes de bateria do Tex ou até mesmo as guitarras
de Rattlehead, o que seria dos vocais de Destroyer sem eles? Entende
o que quero dizer? Está tudo conectado, e tudo é
importante para o resultado final.
Universo
do Rock – Parece-me que vocês não chegaram
a excursionar pela Europa para divulgar Fields of Rot, não?
Ben
Hellion - Realmente não fizemos. A razão
pra isso é que Destroyer teve alguns problemas e não
pudemos excursionar ou fazer shows. Não sabemos ainda quando
ou se faremos shows ao vivo novamente, até porque me mudei
para Los Angeles (Califórnia/EUA) e será muito difícil
pra mim viajar novamente à Noruega para tocar um ou dois
shows. (risos) De qualquer forma, o futuro é incerto, mas
quem sabe?! Quem sabe algum dia toquemos ao vivo novamente.
Universo
do Rock – Tools of the Trade e No Retreat… No Surrender
foram relançados no Brasil pela Kill Again Records, assim
como o mais novo petardo, Fields of Rot, também disponibilizado
no mercado nacional pelo selo. Como está sendo o trabalho
com a Kill Again? Conheço seu proprietário, Antônio
Rolldão, e ele é um verdadeiro headbanger...
Ben
Hellion - Eu fui o responsável pelo contato com
Antônio e nossa comunicação foi muito boa
o tempo inteiro. Não sei exatamente como as coisas estão
indo, então não podemos falar muito a respeito.
Só que é muito bom para nós termos nossos
álbuns disponibilizados no Brasil e até onde sei,
ele tem feito um bom trabalho.
Universo
do Rock – Já pensaram em gravar um CD ao vivo ou
até mesmo um DVD? Vocês possuem quatro discos, assim
como EP’s, singles e demos.
Ben
Hellion - Claro que já pensamos a respeito, mas
isso nunca aconteceu. Antes de mais nada nós somos uma
banda de shows e as pessoas gostam de nossas apresentações
e poder captar isso em um CD ao vivo ou um DVD seria muito bom.
Mas agora não sabemos ao certo quando nos apresentaremos
ao vivo novamente, é difícil dizer algo sobre isso.
Talvez um dia isso aconteça, mas no momento não
temos planos para alguma gravação do tipo.
Universo
do Rock – O Nocturnal Breed já teve alguns ótimos
músicos, mas que, infelizmente, deixaram o grupo. Ed Damnator
(mais conhecido como Silenoz, do Dimmu Borgir) e Astennu, além
do atual vocalista Destroyer (ex-membro do Satyricon). Creio que
tenha sido difícil para eles manter as agendas compatíveis
com o Nocturnal Breed e os outros grupos em que atuavam. Isso
foi a principal razão para que eles deixassem o Nocturnal
Breed e/ou suas outras/principais bandas?
Ben
Hellion - Bom, para Silenoz foi, de fato, e quando ele
nos deixou foi porque o Dimmu Borgir estava se tornando muito
grande e ele teve que escolher. Já Artenu e os outros passaram
rapidamente pela banda, algo como convidados para gravar algum
disco, não tendo aquele comprometimento conosco como membros
integrais. Destroyer foi convidado pelo Satyricon para fazer apresentações
ao vivo apenas por algumas vezes, mas nunca foi um membro efetivo
do Nocturnal Breed e por isso nunca afetou seu trabalho junto
à banda. Acho que do jeito que estamos hoje é a
melhor fórmula, ou seja, hoje não temos várias
bandas ao mesmo tempo, o que nos força a focar melhor naquilo
que estamos fazendo no momento. Entretanto, tudo se mistura um
pouco quando atuamos em outras bandas, ainda mais quando elas
são de estilos similares. Sempre achei que seria bom pra
mim estar em uma única banda, só assim poderia focar
100% minha criatividade e energia no Nocturnal Breed.
Universo
do Rock – Quais são as metas para 2008? Vocês
têm planos para excursionar pelos EUA, Europa ou ainda pela
América do Sul ou somente compor novas músicas para
um novo disco?
Ben
Hellion - Como dito anteriormente, não temos planos
para excursionarmos por agora. Estou fazendo música por
aqui e tenho certeza que os outros caras estão fazendo
o mesmo lá na Noruega, mas não tenho certeza quando
ou se faremos outro disco. Só o tempo dirá o que
acontecerá no próximo capítulo da banda,
tenho certeza de que algo novo virá, mas não sei
quando ou aonde.
Universo
do Rock – Finalizamos nossa entrevista por aqui. Quero agradecer
pelo tempo cedido em poder responder a estas perguntas e falar
um pouco mais sobre o grupo. Por favor, deixe uma última
mensagem aos maníacos brasileiros.
Ben
Hellion - Sem problemas, o prazer foi meu. Obrigado por
ajudar o Nocturnal Breed e mantenham as cabeças balançando.
A quem quiser conhecer mais sobre nós, basta acessar o
site www.nocturnalbreed.no ou o nosso MySpace, www.myspace.com/nocturnalbreed.
Metal até o osso!
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