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Hellion Records
 Entrevistas

abril/2008
Kiko Loureiro (Angra)
Por: Adriana Camargo
 
A repórter Adriana Camargo do Portal Universo do Rock conversou com exclusividade o músico Kiko Loureiro e ele falou sobre o futuro do Angra e a carreira solo dele. Confira abaixo a entrevista na íntegra.


UDR - Como foi a sua participação da feira NAMM (feira da música dos EUA) este ano?
R: Foi legal, mas já faz tempo que eu fui porque fiz tantas coisas após isso. Eu estava há pouco tempo na feira Messe, em Frankfurt que é quase a mesma coisa dessa dos Estados Unidos, mas com perfis diferentes. Fui com os distribuidores da marca Zoom que estão lançando o pedal, o G1K. É um pedal da Zoom que eles fizeram com série limitada que tem a minha assinatura. Eu fiz os presets, ele vem com um pôster, uma palheta e etc.

UDR - Esse pedal da Zoom vem com um DVD?
R: Na realidade o DVD vem em todos os produtos da Zoom. Eu estou quase terminando um vídeo-aula nova também, mas esse DVD tem a participação do Felipe Andreoli (Angra) e tem um pessoal da importadora também e fala só dos produtos. Então, aí os distribuidores da Zoom nos Estados Unidos estão fazendo propaganda nas revistas Guitar Player, Guitar World. Estão saindo anúncios do pedal comigo, com o George Linch (ex-Dokken) e Johnny Five, guitarrista do Marlyn Manson que agora toca com o Robbie Zombie. Saiu uma propaganda com a foto dos três, porque eles também têm uns pedais no mesmo estilo com assinatura. É legal que eu entrei também junto e não ficaram só os dois americanos. Aí eu toquei no estande, participei das festas lá e estamos saindo nas propagandas. E no final de maio vai ter um evento na Califórnia que eu vou tocar. Vai ser meia hora de apresentação para cada um desses músicos. Na minha meia hora eu vou tocar com o baixista do Black Label Society, o J.D (John De Servio) e o batera do Robbie Zombie, o Tommy.

UDR - O baixista do Black Label Society também estava nesse evento?
R: Todos esses caras estavam lá. No estande da feira tinham outras marcas juntas e a gente fez autógrafos na mesma mesa que os caras do Queensryche, Black Label, Anthrax, Land of God, George Linch, e até o Ripper que cantava no Judas (Priest) também estava lá. Pô é legal pra caramba esse lance com a galera.

UDR - E rolou alguma jam com esses caras na feira?
R: Não, na feira não. Vai rolar só nesse evento mesmo em maio. Na NAMM não aconteceu porque não há muito som lá. Aqui no Brasil até rola mais som. Lá só tem um pouco de som, mas eles fazem uma grande mesa com a galera toda autografando ao mesmo tempo, coisa que aqui no Brasil não tem. Eles fazem um horário que o cara entra na fila para pegar autógrafos. Lá é fechado para o público, por isso que não é a loucura da feira aqui do Brasil que tem tanta gente.

UDR - E quem tem acesso a essas feiras?
R: Quem tem ingresso e todo mundo ligado a loja. Mas já é que é uma feira para o mundo inteiro lota. Você vai cruzar com lojistas da França, da Grécia, do Japão, e músicos interessados. Vem representantes do mundo inteiro e de tudo quanto é marca. Mesmo assim, enche. Claro que sempre tem o cara que pode pagar o ingresso, quem conseguiu ingresso, ganhou em uma promoção, o cara que é filho de alguém do meio. O preço do ingresso é US$ 200 dólares para quatro dias. Até é uma coisa viável de se pagar pra quem vai a shows aqui. Você vai ter no estande o Slash dando autógrafos num lugar, o Malmsteen dando autógrafos em outro, ou vai ver o Satriani. Naquela feira a gente encontra muitos artistas.

UDR - E as festas são fechadas?
R: Sim. A festa do meu estande tinha uma galera que era do importador da Zoom, mas tinham convidados de outras marcas. Por isso é que juntam muitos músicos. Ás vezes o cara do Queensryche, ou J.D. (Black Label) estavam na festa porque eram endossados por outras marcas do mesmo estande. Cada caso é um caso. Teve a festa da SP, da Ibanez que teve até um show do Satriani, ou da Daddario etc.

UDR - Você chegou a tocar em alguma dessas festas?
R: Eu não toquei, mas poderia até ter tocado. Por que eu acabei indo embora mais cedo. Se ficasse até o final da hora da jam. A nossa festa era com um pessoal de outra onda. Apesar de ter os roqueiros e tal, a galera que tocou no palco era de músicos que tocavam com o Steve Wonder.

UDR - Quando você estava nos Estados Unidos você foi ao GIT e deu uma aula lá?
R: Eu fiz um workshop de duas horas. Como eu faço em outros lugares. Que é uma “responsa”, porque ela é considerada uma das melhores escolas e todo mundo sonha em ir lá estudar. Eu sempre tive vontade de estudar lá e estava um dia dando aula no GIT. Foi legal. Eu fiz o workshop aí a diretora da escola gostou porque ela ficou assistindo e convidou para eu ver uma sala aberta pra você tocar com os alunos que entrarem. É um outro esquema que uns caras como Scott Henderson e outros músicos que não querem dar uma aula certinha fixa seguindo os planos. Eles entram numa sala ficam lá com a guitarra e quem quiser participar, tocar ou perguntar entra. Eu fiz o workshop primeiro aí a diretora gostou e na semana seguinte ela me chamou para fazer isso aí. Foi legal.
E no final de maio terá esse evento com Johnny Five, George Linch e J.D.

UDR - Isso não tem nada a ver com a escola?
R: Vai ser na escola, porque eles têm um belo teatro lá para 500 ou 600 pessoas. É tão grande a escola que é como se fosse uma casa de show. Lá é muito grande, tem sete prédios, bastante gente circulando. Tem um clima de faculdade.

UDR - Tem muitos músicos renomados lá...
R: Sim, tem os renomados, mas se você quer estudar música venha para a Avenida Hollywood. É um puta marketing. “Se você quer aprender music business vá a um lugar que está em Hollywood, onde as coisas acontecem”. Tem muito estrangeiro que tem dinheiro e que pode ir lá estudar, além dos americanos.

UDR - Como foi a sua mini-tour pela Europa após o seu retorno dos Estados Unidos?
R: Eu fiquei pouco tempo aqui no Brasil, só uns quinze dias. E depois fui para a Europa. Lá foi um misto de workshop, com shows com Mike Terrana (ex-Rage) e a feira da Alemanha também. Eu fiz um workshop em um instituto na Inglaterra que é uma escola legal de lá. É um tipo de GIT da Inglaterra. Na França também fiz dois workshops, um workshop junto com Felipe Andreoli na Itália em um lugar que sempre faço quando vou lá e os shows com Mike Terrana e o Felipe. Foi bem divertido.

UDR - Que repertório vocês tocaram na Itália? Covers?
R: Tocamos as músicas do álbum “No Gravity”. Era o meu show e eu tive o privilégio de conseguir um esquema por causa da feira que fez com que o Mike Terrana tocasse ao vivo, porque ele que gravou o disco e a gente ainda não tinha tocado ainda ao vivo na Europa. Ele tem uma agenda maluca, agora ele está tocando com a Tarja (Turunen, ex-Nightwish) e ele era do Rage. Aí conseguimos calhar de fazer esse show juntos. Na NAMM eu cruzei com ele e já estava tentando fechar os shows e ia colocar o músico que desse. Eu já fiz shows na Europa com outros músicos. Assim como no Universo Inverso teve o Cuca (Teixeira) de baterista, às vezes tiveram outros como o Alex, o Sandro Haick. O Cuca toca com a cantora Maria Rita aí tem que ter outras opções. Por isso antes de fechar os shows eu falei com o Mike Terrana e ele disse que sim, vamos lá tocar. Ele falou que gosta muito do disco “No Gravity” e queria tocá-lo ao vivo.

UDR - E o trabalho Universo Inverso como está atualmente?
R: Esses são trabalhos pontuais que vão ficando, né. Pode ser um convite para tocar em um Sesc e lá caiba o Universo Inverso. São trabalhos solos, mas que eu não vou fazer uma banda disso. O Angra é a banda que eu fico levando. Eu posso fazer um terceiro trabalho solo com pessoas diferentes, ou com as mesmas pessoas. Não sei. Dar continuidade, não.

UDR - Você tem planos de fazer um terceiro Cd solo?
R: Agora ainda não, mas pode ser.

UDR - Muito tem se falado na mídia, mas afinal o Angra acabou, ou vocês só estão dando um tempo? Há uma especulação geral sobre o assunto.
R: O Angra está dando um tempo.Eu viajei bastante e acabei não ficando muito tempo na internet para ler as entrevistas que saíram. No Angra a gente está com problemas com o empresário. Com o empresário a gente parou, porque o Rafael está gravando um disco solo, eu fiquei nos Estados Unidos um tempão e sabia que ia ter essa viagem de 15 dias, o Edu está fazendo o Almah. Já que não tem nada as pessoas ficam falando um monte de coisas e tal. Realmente é uma situação difícil com o empresário e a gente quer resolver numa boa. Para resolver numa boa as coisas levam um tempo, né. Você tem que chegar num acordo, porque a gente trabalhou juntos 16 anos. Para chegar num acordo é difícil. A gente aproveita para fazer essas coisas que tem vontade, sem largar as coisas do Angra. Por que no fundo a gente trabalha bastante pelo Angra ainda. As pessoas não vêem a gente fazendo show, mas estamos sempre conversando sobre as coisas. Ontem mesmo a banda conversou para ver o que a gente tem que fazer.

UDR - O Angra tem um show agendado num festival da Europa?
R: A gente ia fazer esse show, mas não vai fazer porque acabamos não resolvendo o que tínhamos que resolver a tempo. Na realidade o Angra pode voltar aí. É que a gente não quer voltar do jeito que tava. Nós queremos voltar de uma forma diferente, vamos esperar. Para a gente que tem uma experiência de 16 anos de banda para a gente esperar de seis meses a um ano não é tanto, mas para quem gosta da banda há dois ou três anos, um ano é bastante. Eu entendo isso pra caramba, mas o que a gente pode fazer? Nós queremos fazer do melhor jeito pra gente vir com o maior gás, entendeu. E não continuar o negócio meio forçado. Não está satisfeito, mas está fazendo porque tem que fazer para “cumprir tabela”. Então, pára, se arruma. As pessoas podem falar que acabou, mas não acabou. A gente está se encontrando direto e conversando só que não estamos fazendo show.

UDR - Ai fica aquela especulação...
R: Podem falar um monte...Banda é que nem um casamento, porque tem muito envolvimento emocional. Na realidade o cara tem que se controlar um pouco para dar entrevista. A gente tem que ser um pouco racional para resolver na boa. Por exemplo, foi feio pra caramba quando o Nightwish saiu falando, o Van Halen foi feio. Então, é ruim, mas no DVD “A Kind of Monster” do Metallica dá para você entender o que geralmente uma banda passa. Ali os caras faltam o respeito um com outro. Tem um que tem um conflito com outro, tem um pivô lá, o Kirk Hammet que é o cara apaziguador, tem um cara novo na banda, que é o baixista que está meio perdido no meio, tem os outros integrantes antigos, o Dave Mustaine que já chega com uma carga emocional falando um monte. Em escalas diferentes, as bandas são assim. Quantas bandas não saem da garagem porque já brigam e estão insatisfeitas.
As pessoas têm que entender. A música une muito as pessoas. Você pode estar chateado com o cara porque ele falou alguma coisa pessoalmente que você discorda, mas na hora de tocar você pode estar muito contente com ele. E tocar, fazer um show legal e se divertir, passar uma coisa legal. A música individualmente te ajuda a você relaxar e desencanar e também vai unir as pessoas da banda. Um CD que você grava e reanima.

UDR - Que fase costuma ser pior?
R: Final de turnê sempre é desgastante dá briga. Eu já conheço esses altos e baixos. É tipo um casamento, um namoro. Se o cara fala vocês estão a oito anos juntos e vocês vão se separar? Há quanto tempo você namora com uma garota? Às vezes ele não consegue namorar mais de um mês porque não agüenta ela. Então junta cinco caras, mais o empresário (seis), mais a equipe, os roadies e os técnicos que acabam fazendo parte da família. É um monte de gente ali. É difícil realmente. Isso é a visão de um fã. Um jornalista já perguntou mais de uma vez para a gente, qual que é segredo do Angra para conseguir manter por tanto tempo a formação? Então, você vê na pergunta do jornalista como a visão é diferente. Porque as bandas européias trocam muito mais de formação. Eu não digo as grandes bandas antigas que essas se firmaram mais, mas aquelas dos anos 90 trocaram muitos caras.

UDR - Mas chegou um momento na carreira de vocês que tiveram que trocar três músicos de uma só vez. Não foi fácil, né. Quanto tempo que levou essa transição da antiga formação para essa atual?
R: De pausa foi quase um ano. A gente trabalhou muito rápido e correu, mas foi um ano e pouco. Eu não lembro direito, mas o ano 2000 com certeza foi parado de atividades. Em 1999 eu não lembro direito quando que a gente fez o último show. Deve ter pego um pouco de 1999 e do ano 2000 e o CD “Rebirth” saiu em 2001. Foi um ano e meio ou dois. Antes de sair o CD a gente fez uma demo e soltou. A gente saiu nas matérias sobre a demo. Coisa que a gente não faria hoje se a gente tivesse uma demo agora, se tiver música do Angra nós não vamos mostrar a música. É que ali a gente estava correndo atrás para mostrar os novos integrantes, o que não é o caso. Ninguém vai apresentar o empresário novo no lugar do velho, a banda vai continuar normal só que vai ter essa pausa. Então é uma situação um pouco diferente.

UDR - Quem detém o nome da banda?
R: Sabe o que eu acho disso aí, que as pessoas deviam perguntar sobre música quando fala da banda. Se fosse uma matéria de negócios sobre a “a indústria cultural do heavy metal”. Quantos cd´s se vendem, quanto se ganha, isso é um papo. Eu preferia que a banda fosse preservada, de quem é o nome tanto faz. A banda aparece, toca ali, as fotos sempre são com todos, todas as pessoas compõem, todos tem nomes nas composições de alguma forma com pesos diferentes, porque ai vai quem trabalha mais ou menos, quem tem mais talento pra uma coisa ou outra. Porque a gente consegue enxergar que o Rafael sempre escreveu a maior parte das letras e o Edu compôs super bem as músicas que foram importantes para a banda. O peso é igual, mas tem um empresário no meio e ele detém o negócio e a gente é fundador, estamos a 16 anos no negócio. Então, cada um sabe o seu peso e tem a sua importância lá com o respeito do outro. Afinal, todo mundo é adulto. A prioridade dos bastidores tem que ser a banda, porque estar no palco todo mundo quer estar. Quando você sai do palco o que você vai fazer para continuar trabalhando pela banda? Quem tem banda sabe que não é só tocar ali e ensaiar, tem um monte de coisas.

UDR - Da sua carreira solo você tem um manager, ou você que está gerenciando a sua carreira?
R: Tenho manager, pois tem que ter. Na realidade eu tenho uma manager para poder vender lá na Europa. Eu trabalho com ela a muito tempo, mais de 10 anos. É uma coisa voltada só para os workshops. Aqui eu cuido bem da minha carreira e tal. Esse lance solo assim eu sempre fiz. Produção de Cd´s, essas vídeo-aulas, eu faço tudo. Concepção, produção, investimento, tudo, 100%. Só que quando estava pronto o CD, como no caso do “No Gravity” aí eu levei para a JVC, para os caras da Hellion. Com o álbum “Universo Inverso” foi a mesma coisa, levei o CD pronto. As gravadoras não querem ter trabalho. Ai além de tocar e estudar, você tem que produzir, ver quem faz a capa, os textos e se for uma vídeo-aula você tem que arrumar alguém bom para filmar, orientar, pegar as pessoas certas, pagar as pessoas. O Gene Simmons sempre foi assim, dizem que ele sempre foi assim e que o Kiss nunca teve empresário.

UDR - Isso é legal, porque é que nem uma linha de montagem e o cara fica sabendo um pouquinho de cada coisa.
R: Eu acho importante saber um pouco de cada parte. Mas eu também acho fundamental ter um bom empresário.

UDR - Como você já tem essa experiência com produção, você chegou a produzir uma banda do Renato Tribuzy alguns anos atrás. Foi o Tribuzy ou o Toten?
R: Foi o Toten na realidade. Mas era uma coisa que o Renato (Tribuzy) estava fazendo na época. Toda banda tem sempre um cara que gosta de esses outros assuntos. Na realidade dentro da banda tem caras que além de tocar tem outras habilidades. É legal saber usar isso aí. Isso faz tempo, foi nesse período que o Angra esteve parado. É que o pessoal não lembra, mas a banda ficou mais de um ano parada. É sempre agitado, tô com a agenda direto. Eu não estou parado.

UDR - Você transita muito no meio do rock, da MPB, da música instrumental...
R: Tenho uns amigos, né. Por exemplo, eu fui convidado para tocar no Sesc com o Zezo Ribeiro que é um super violonista de flamenco e de MPB, no show de 20 anos de carreira dele. Ele toca violão flamenco pra valer e morou durante vários anos na Espanha. É legal que eu conheço as pessoas, violonistas que eu adoro e os caras me chamam porque eu gosto de transitar e de ser respeitado por essa galera.

UDR - Com isso você não se restringe a um estilo só. A gente sabe que o Angra é o trabalho maior.
R: É legal você estar no meio. Com o próprio J.D (baixista do Black Label), com quem vou tocar nos Estados Unidos, eu passei as minhas músicas para ele quando estava aqui no Brasil, que são mais complicadas do que as do Black Label. Eles fazem um som mais “retão”. Mas ele toca baixo pra caramba, faz slaps, funk. Ele pegou fácil as músicas. Ele não passa aquela imagem com barba e visual meio hell angels. É um baixista muito versátil.

UDR - Quais seus próximos planos para a carreira solo?
R: Estou fazendo com a Tagima uma vídeo-aula, que está quase pronta. Isso aí é uma coisa que eu sempre fiz, tem uma de 1992 e outra lançada no ano 2000. Isso é um negócio mais didático para as pessoas que gostam de guitarra, não é um trabalho mais autoral. Agora vem as coisas do Angra, acabei de voltar de viagem, tem outras viagens para vir aí. Porque demora um pouco porque tem que compor. Também tem aquele negócio dos Estados Unidos. Hoje em dia fazer CD é meio desanimador...

UDR - As pessoas baixam tudo pela internet...
R: Não é nem essa a questão. Se tivesse como gravar pra colocar na internet, eu gravaria. A questão do trabalho de compor e de gravar isso eu faria de graça, sem problemas. Mas o estúdio quer que eu pague, o produtor também quer dinheiro, e para fabricar o Cd talvez você não precise, mas para fazer marketing e o cara que vai tirar as fotos também quer dinheiro. Então trava aí, porque eu posso tocar, ir num estúdio fazer música, que eu já faço pagando ou não porque eu gosto. Agora para fazer funcionar você tem que pagar no mínimo as pessoas que estão em volta. Se der para ganhar melhor, senão você vai lá faz o show para ganhar o seu. Mas o mercado está nessa ai, não vende cd não dá pra pagar estúdio. Então vou gravar o quê? Como eu vou pagar o estúdio? Está um negócio meio engraçado. Você tem que fazer vai aparecer, mais não é um negócio motivador.
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