Maila:
Você esteve no Brasil em 92 com o Deep Purple, mas é
a sua primeira vez fazendo um show voltado para sua carreira solo.
O que você planejou para este show?
JLT:
Vou tocar coisas de toda a minha carreira, um pouco de minha carreira
solo, um pouco de Purple (o meu Purple), um pouco de Rainbow,
clássicos. Será um grande set. Ah! Preciso mencionar
isso, pois será o primeiro encontro, a primeira vez em
que tocarei músicas que não toco há 20 anos
além de outras que jamais toquei. Será um encontro
disso tudo e o Brasil será o ponto de partido para esta
fase em que eu realmente irei mudar meu set.
Maila:
Então teremos um show especial aqui no Brasil?
JLT:
Sim! O Brasil vai ser o grande ponto de partida para a nova tour
de Joe Lynn Turner.
Maila:
Você tocou com algumas bandas de suma importância
para o rock e se tornou um dos ícones do rock. Você
poderia nos contar um pouco a respeito de sua experiência
com essas bandas?
JLT:
Sabe, eu tento sempre deixar o passado para trás a cada
nova experiência em que me envolvo. Eu não acredito
em carregar negatividade, problemas, nada disso.Você sabe
que em bandas sempre há problemas. A partir do momento
em que você envolve uma outra pessoa em algo, os problemas
aparecem. Então, eu acredito que na maioria das vezes eu
sempre me diverti e tive os melhores momentos, tanto com o Deep
Purple quanto com o Rainbow, com Malmsteen ou qualquer outro artista.
Eu digo que grandes trabalhos sempre surgiram e isso é
o mais importante, a música. A música mostra, fala
e cria em muitos um grande caráter, integridade, acredito
muito nisso.
Maila:
E você decidiu ir em frente com sua carreira solo logo após
o Deep Purple?
JLT:
Bom, eu já havia começado minha carreira solo e,
quando estávamos voltando para casa depois de uma tour
no Japão eles chegaram para mim e disseram: “Bem,
vamos fazer algumas mudanças no Deep Purple e você
tem sua carreira solo, o Rainbow está para voltar (apesar
de isso jamais ter acontecido)...
Mas eu realmente estava a fim de dar um gás em minha carreira
solo e Richie achou que seria muito complicado continuar comigo.
Sabe, ele já tem tudo estabelecido, precisa de alguém
que possa ser moldado, é assim que ele é. E ele
pegou minha banda também, mas tudo bem, não há
ressentimentos, afinal, eles pedirão autorização.
Maila:
Você já gravou mais de 30 álbuns com milhares
de artistas diferentes. Todos os seus trabalhos são voltados
para o rock?
JLT:
Não. Eu já fiz muitas coisas diferentes. Acredito
que se você se limitar a apenas a um mesmo rock, se você
só tiver uma característica em sua personalidade,
você provavelmente ficará preso. Por isso eu gosto
de fazer várias coisas diferentes. Atualmente estou trabalhando
em um disco de dance music com uns caras da Suécia e o
projeto é uma verdadeira máquina. Aliás,
o projeto chama-se THE MACHINE porque conta com os melhores músicos,
produtores, videomakers, tudo. E acho que será uma grande
coisa com grandes músicas. Um pouco como o que Rick Astley
fez. Músicas ótimas mas com aquela batida dance
que também nos permite acrescentar um pouco do peso, de
rock. Vai ser algo completamente diferente. Também estou
fazendo algo parecido com o que o Bom Jovi fez em seu último
álbum. Não é um rock direto, mas possui algo
de twanger.E também estou trabalhando em meu novo álbum
solo. Ando muito ocupado ultimamente e sou muito grato por isso.
Maila:
E você se considera passos à frente de grande parte
dos músicos por conta de sua versatilidade e por ter uma
cabeça tão aberta e tocar tantas coisas diferentes
com pessoas diferentes?
JLT:
O grande problema é que a maioria das pessoas pensa que
o que elas vêem é tudo o que elas podem fazer. Isso
pode ser verdade às vezes, mas às vezes também
pode não ser. Mas eu realmente gosto de experimentar e
ver o que irá me impulsionar. Seja como vocalista, como
guitarrista, como compositor. Eu escrevo muita coisa para muitas
pessoas diferentes e de vários lugares. Faço jingles
para comerciais de TV e rádio, trilhas, regravei uma música
dos Back Street Boys, por exemplo, chamada The One.
Eu acho tudo isso maravilhoso, mas muitas vezes sendo assim encontramos
pessoas que não entendem o que você faz.
Maila:
Concordo com você. As pessoas parecem precisar de um rótulo,
de algo que as permita carimbar você e quando não
conseguem fazer isso, dizem que você se vende, que não
tem personalidade...
JLT:
Sim! E isso é muito, muito triste. Muito triste principalmente
porque o certo seria querer que todos sejam tudo o que podem ser.
Querer que seu filho seja tudo o que ele puder ser, e até
você próprio! Você não adoraria poder
fazer tudo que quisesse?
Maila:
Claro que sim! E quais seriam os conselhos que você daria
a todos os que querem seguir seus passos?
JLT:
Vocês devem querer isso mais do que qualquer outra coisa
na vida. Vocês precisam ter disciplina, precisam estar focados,
ser firmes e seguros. E vocês devem se preparar para decepções
porque terão várias e isso faz parte do pacote.
Não é uma questão de estilo de vida, é
uma questão de força e se vocês realmente
quiserem seguir este rumo, terão de ter a cabeça
e o coração fortes.
Maila:
Quais as suas expectativas por estar tocando no Brasil com uma
banda de músicos locais e que você jamais conheceu
antes?
JLT:
Eu não tenho expectativas. Sempre que criamos expectativas
demais, acabamos por nos decepcionar. Mas já conheci os
caras e eles me pareceram ser pessoas ótimas, além
de grandes músicos. Acredito que vamos “kick ass”
juntos.
Maila:
Vou fazer com você agora um jogo. Eu te digo uma palavra
e você me fala a primeira coisa que vier a sua mente, ok?
JLT:
Ok! Isso me parece divertido...
Ídolo: Falsos ídolos
Anos 70: disco
Anos 80: Sexo, drogas e rock n´roll
Purple: Minha banda favorita
Rainbow: Minha segunda banda favorita
Rock: Não vivo sem ele
Antigamente: a melhor época
Hoje em dia: não é tão ruim
assim
Cantar: Minha vida
Família: Os amo mais que tudo
Fãs: Não vivo sem eles
Hobby: Muitos
Amigos: Alguns
Amor: Sempre
Ódio: Nunca
A coisa mais importante: Amor
Palco: Meu chão
Lar: Quase nunca estou lá
Tour: Sempre em tour
Brasil: Estou feliz por estar de volta
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