Por
email, baixista do Helloween fala sobre a Hellish Rock Tour, os
25 anos da banda e o seu projeto Bassinvaders. Confira a entrevista
exclusiva para o Universo do Rock, que conversou com Markus após
o show do Rio de Janeiro, em abril.
Universodorock:
Vamos começar pela Hellish Rock Tour. Como tem sido essa
turnê pra você?
[Grosskopf] - É uma turnê muito longa. Nós
encontramos um monte de pessoas legais, como você, por exemplo.
Essa turnê inclui muitas faces diferentes porque tocamos
em lugares em que nunca tínhamos ido. Lugares como Austrália,
Singapura e Bankog. É muito bom ver que as coisas estão
indo bem pro Helloween depois de todos esses anos. Tudo isso faz
com que essa turnê seja muito especial pra gente.
UDR: Como você vê a receptividade dos fãs
em relação a essa turnê?
[Grosskopf] - As pessoas que encontramos até agora foram
muito legais. Elas parecem gostar do que nós estamos fazendo.
Às vezes, nós ficamos pelos bares ou pela praia…bares
como no Rio. Então ficamos bebendo e conversando com as
pessoas, como fizemos naquela noite em que você estava.
E sempre que saímos em turnê, somos muito bem-recebidos.
Eu gosto muito disso, porque é uma grande parte do que
faz as coisas continuarem acontecendo.
UDR: A Hellish Rock Tour incluiu 8 cidades brasileiras,
o que faz dessa a turnê mais longa que a banda já
fez pelo país. Como foi pra vocês tocarem tanto tempo
no Brasil?
[Grosskopf] - Foram muitos aviões, vôos e aeroportos,
é claro. Mas foram também muitas caipirinhas e cocos
nos quiosques com os amigos do GammaRay e alguns fãs. Também
gostei muito da comida. E os shows aí são loucos!
As pessoas realmente sabem como se divertir. Tudo isso faz da
turnê brasileira uma ótima viagem.
UDR: Em 2009 a banda vai celebrar o 25º aniversário.
Esses 25 anos de Helloween foram como você imaginava que
seria quando tudo começou, em 1984?
[Grosskopf] - Quando eu comecei em 84 sabia que sempre faria música
e tocaria baixo. Simplesmente porque eu tenho que fazer isso.
Mas ter todo esse sucesso e todas essas turnês imensas por
todos esses anos foi mais do que eu esperava. Isso me deixa orgulhoso
e me faz sentir tão sortudo de ser uma parte dessa banda
por todos esses anos. Quando você começa uma banda
aos 18 ou 20 anos, você realmente sonha com o sucesso. Mas
nunca se sabe o que vai acontecer. Ninguém pode calcular
o sucesso. E, por isso, eu estou mais do que grato a Deus porque
ainda estou por aí sendo capaz de fazer o que eu faço
de melhor.
UDR: Nesses 25 anos muita coisa mudou e a banda passou
por várias fases. Qual delas é a sua fase favorita
e por quê?
[Grosskopf] - É uma pergunta difícil porque foram
muitos muitos momentos de diversão e prazer ao longo dos
anos. Eu nunca vou esquecer o sentimento que tive quando fizemos
nosso primeiro Mini EP chamado Helloween. Quando ele se tornou
um sucesso, assinamos nosso primeiro contrato de verdade. Essa
foi uma ótima sensação também. De
uma hora pra outra, o Keeper 1 se tornou disco de ouro. Esse é
um sentimento maravilhoso para um garoto de 23 ou 24 anos como
eu era. Depois do Keeper 2, nós tivemos muitos problemas
e tudo parecia esfriar um pouco. Mas, depois, quando o Andi entrou
pro Master Of The Rings, aquele tipo de sentimento de entusiasmo
dos velhos tempos voltou. Então realmente foram muitos
estágios diferentes pelos quais passamos. Eu aprendi como
seguir em frente quando as coisas parecem difíceis.
UDR: O Helloween vai lançar algum DVD com material
dessa turnê? Ao longo desses 25 anos, muita coisa mudou
e a banda passou por várias fases. Qual delas é
a sua fase favorita e por quê?
[Grosskopf] - Dessa vez nós não gravamos nenhum
material. Fazer um DVD de cada turnê não é
bem algo que gostamos de fazer. Na turnê passada gravamos
um DVD porque o High Live já tinha sido lançado
há um bom tempo. Então vamos esperar mais alguns
anos pra fazer outro. Se lançássemos um agora, não
seria algo especial.
UDR:
Conte-nos um pouco sobre o seu projeto Bassinvaders. Como surgiu
esse conceito musical e qual foi a primeira reação
da gravadora?
[Grosskopf] - Eu tive essa idéia num pub, enquanto eu bebia
cerveja. Às vezes eu tenho muitas idéias engraçadas
quando tomo cerveja num pub. Mas muitas acabam morrendo com a
ressaca no dia seguinte. Mas eu achei essa idéia tão
doida, que tive que concretizá-la. Não foi nada
fácil encontrar uma gravadora disposta a isso. Todas ficavam
assustadas com a idéia de fazer metal sem guitarras. Mas,
espera ai! Escute o Apocalyptica. Não tem guitarra nenhuma.
Eu acho que a música é uma maneira de se expressar
e não foi nada mais que isso que fiz com o Bassinvaders.
A música é também uma arte e nós devemos
estar abertos a diferentes idéias o tempo todo. Então
eu apenas me permito fazer coisas como essa de tempo em tempo.
UDR: O Bassinvaders é um projeto composto por um
time de baixistas consagrados como Billy Sheehan, Rudy Sarzo,
Dirk Schlächter, Tobias Exxel e muitos outros. Como foi o
processo de gravação do álbum Hellbassbeaters?
[Grosskopf] - Tudo funcionou via internet. Eu tinha um servidor
em que todos os artistas podiam baixar e subir arquivos. Sempre
que terminavam alguma parte, eu baixava esse material e jogava
no meu ProTools. As partes de bateria não...Quando fizemos
a segunda sessão de bateria, Peavy, Schmier, Tom e eu ficamos
no estúdio por alguns dias. Então pudemos sair e
tomar algumas cerveja e schnaps à noite, foi muito divertido
trabalhar com eles. Então foi uma mistura de sessões
de internet e trabalho no estúdio. Eu teria adorado sair
com todos os músicos e gravar com todos juntos. Mas o orçamento
que eu tinha pra esse álbum não me permitiu ir tão
além. Mas ainda voei pra encontrar Jesper Binzer e Stig
Peterson do D - A - D para gravar pessoalmente as partes deles,
o que também foi muito divertido porque sou um grande fã
do D - A - D.
UDR:
Você está sempre compondo para as suas bandas e projetos.
Em que você está trabalhando atualmente?
[Grosskopf] - No momento estou separando algumas idéias
pra próxima gravação do Helloween. Mas primeiro
precisamos terminar essa turnê pra que eu realmente tenha
tempo de trabalhar nisso. Às vezes eu tenho idéias
bem diferentes. Depois devo fazer outro álbum do Shockmachine
em 2 ou 3 anos. Quem sabe…Mas o Helloween é meu número
1, claro.
UDR: O que você acha da cena atual do heavy metal?
Você tem alguma banda ou artista favorito dessa cena?
[Grosskopf] - Eu ainda gosto de rock melódico. Firewind
é uma banda de que realmente gosto. Há alguns anos
surgiram várias bandas bem legais de rock n' roll na Escandinávia.
Algumas são realmente interessantes.
UDR: Deixe uma mensagem para os seus fãs e leitores
do Universo do Rock. Obrigada pela entrevista, Markus!
[Grosskopf] - Está certo. Vocês e suas caipirinhas
são maravilhosos. Vocês sabem exatamente como aproveitar
um bom show. Eu gosto muito disso. Vejo vocês da próxima
vez. Big Cheers, Markus.