 Formada
em 2002 por quatro amigos no intuito apenas de se divertir tocando
nos fins de semana em casa, a banda de Thash Metal old school
“Violator”, acabou saindo da garagem e indo parar
nos quatro cantos do Brasil fazendo vários shows e se tornando
uma das bandas undergrounds mais cultuadas do país.
Já tendo lançado um EP, “Violent Mosh”,
em 2004 e um split com o Bywar, “Violent War” em 2005,
e participado de várias coletâneas, a banda finalmente
lança seu disco de estréia, “Chemical Assalt”,
que é puro Thrash Metal de bom gosto contendo dez música
inéditas.
Confira a entrevista com o vocalista e baixista da banda, Pedro
Arcanjo, também conhecido como “Poney Ret”,
falando tudo sobre a banda e sua trajetória.
Universodorock: Pra começar, você poderia
nos falar um pouco sobre o início da carreira do Violator?
Como os “violas” se encontraram?
Pedro Arcanjo “Poney Ret”: Opa, antes de começar
gostaria de agradecer a você Gabriel e me desculpar publicamente
pela demora e enrolação. ‘Thrasheiro’
enrolado é foda (risos). Então, o Violator surgiu
como um grupo de amigos que começou a escutar som juntos
ainda moleques. Eu conheço o “Capaça”
(N.R.: Pedro, guitarrista) desde sempre, fui no aniversário
de um ano de idade dele. O Juan, nosso ex-guitar, fazia aula com
a gente e nos conhecemos quando éramos ainda uns “menino-véi”.
O Batera era da mesma sala do Capaça na oitava série,
ele tinha acabado de chegar do Chile. Ou seja, a amizade sempre
veio antes da banda, acho que isso é um dos fatores responsáveis
pelas coisas estarem dando tão certo.
Universodorock: Na década de oitenta,
vocês certamente eram bebês. É muito interessante,
que além da banda fazer Thrash Metal oitentista, também
usam o visual da época! Como vocês chegaram à
essa proposta sonora e à esse visual?
Poney Ret: Pois é, a gente não viveu os anos 80
e nem tem pretensão de querer viver ou muito menos emular
o estilo daqueles tempos. A gente tá interessado em participar
e construir uma cena underground que seja forte hoje em dia, nos
anos 2000, e não que viva num passado ou numa nostalgia
sem sentido.
Dito isso, nosso interesse pelas bandas de Thrash Metal Old School
surgiu de maneira bastante natural. Éramos uns moleques
que gostávamos de Slayer, Metallica, Sepultura e com uma
completa aversão aos modismos que nos cercavam naquela
final da década de 90, com aquela história de adidas
metal, Korn e essas coisas lamentáveis. Acho que a gente
se sentia tão diferente daquilo tudo, que começamos
a buscar nas bandas mais velhas o som, a postura e a atitude que
nos identificávamos mais. E encontramos isso no thrash
old school, não é metal que é mais político,
mais sincero, mais pé no chão e com menos fantasia.
Seria uma contradição, portanto, encarar o Violator
como um "revival" ou uma espécie de "fantasia
oitentista de final de semana", porque o Thrash sempre foi
o contrário disso. Então, se existe algum espécie
de "retorno" no que envolve o Violator, acredito que
é mais de um espírito e postura realmente underground,
longe de comércio e do entendimento do metal como um mercado
do que preocupação de voltar um visual que seja
bacana ou que a gente goste de usar. Porque no final das contas
o “visu” é isso, a gente se sente bem com essas
roupas, com esse estilo thrash, até porque nos consideramos
‘thrasheiros’, mas não é isso que faz
alguém ser ‘thrasher’.
Universodorock: Nessa tentativa brusca
de busca pelo passado, ouvi dizer até que as gravações
da banda foram feitas de forma analógica!...
Poney Ret: Então, na verdade todas as nossas gravações
são digitais! Seria bacana mesmo conseguir gravar num sistema
analógico, mas aqui em Brasília sai muito caro e
é pouco viável. Então, gravamos mesmo no
sistema digital, mas buscamos uma sonoridade old school, que agrada
mais aos nossos ouvidos. Foi um desafio, espero que tenhamos nos
saído bem.
Universodorock: Sei que esse "resgate"
ao verdadeiro Thrash está rendendo muitos elogios ao Violator.
Mas imagino que também role um pouco de descaso por algumas
bandas mais contemporâneas, não?
Poney Ret: Sempre vai ter gente falando merda, inventando história
criando intriga. Mas o tempo passa e quem tá aí
pra valer fica pra contar a história. Já aprendi
a não me incomodar com isso, nem vale o tempo perdido,
melhor focar o tempo em algo mais produtivo. De qualquer maneira,
as críticas ao Violator que mais me incomodam são
as que tentam rebaixar a mera cópia de bandas velhas feitas
por garotos com "saudosismo do que não viveram".
Acho isso um tanto tosco e infundado, acho que quem fala isso,
não entendeu a proposta do Violator. De qualquer maneira,
temos uma relação muito boa com boa parte das bandas
que tocamos e conhecemos. É uma coisa que fazemos questão
de prezar, até porque acreditamos numa cena forte e unidade
independente de rótulos ainda mais se é "old
school" ou "contemporânea".
Universodorock: Vocês foram um
dos precursores dessa "onda" oitentista no Brasil. Você
imaginavam que pudessem chamar tanta atenção?
Poney Ret: Eu realmente não fazia idéia. Na verdade,
quando montamos a banda a gente tinha certeza que nunca ia fazer
um show. Passamos mais de um ano ensaiando todos os sábados
sem previsão nenhuma de tocar ao vivo, só pelo prazer
de ensaiar. A gente queria fazer thrash old school, mas nem sabia
direito o que era isso, mal sabia tocar na verdade. Então
é muito gratificante todo esse retorno que estamos recebendo.
Porra, com menos de vinte anos eu tive a oportunidade de viajar
por quase todo o Brasil, incrível! De todo jeito, eu não
se chamaria isso de "onda oitentista", me soa um pouco
pejorativo. E vale dizer, que pelo menos pra nós do Violator,
duas bandas que são realmente precursoras do regaste do
Thrash old school são o Bywar e o Blasthrash que já
estavam fazendo esse som há 10 anos atrás.
Universodorock: A banda causou impacto
mesmo foi com o EP "Violent Mosh". Já acabaram
com a primeira tiragem! Realmente impressionante!
Poney Ret: Pois é, o Violent Mosh foi o nosso verdadeiro
pontapé inicial. Já tínhamos consciência
disso na época, e por isso escolhemos o formato com apenas
quatro músicas e tivemos o máximo de cuidado possível
na confecção do disco. Era uma espécie de
apresentação da banda. O disco teve suas duas prensagens,
a segunda em formato split com o Bywar (N.R.: Violent War, lançado
em 2005), esgotadas. Em breve a Kill Again deve fazer mais e quem
sabe lançar uma edição comemorativa no formato
vinil, que é um formato que até hoje a gente curte
pra caralho.
Universodorock: O EP abriu muitas portas
pra banda, levou vocês à tocar por todo o Brasil!
E ainda rendeu um contrato à banda, inclusive o contrato
com a Kill Again Records, como você disse.
Poney Ret: Na real, a gente assinou com a Kill Again antes do
lançamento do Violent Mosh. Pensando agora, foi uma loucura
do Rolldão (N.R.: Antônio, dono da Kill Again Records
e editor do zine Metal Blood), ele tinha visto alguns dos nossos
shows e escutado algumas gravações bastante toscas
que tínhamos na época. Ainda bem que ele apostou
na gente, seremos eternamente agradecidos. O Violator foi o segundo
lançamento da Kill Again e isso possibilitou que selo e
banda crescessem juntos, numa parceria e amizade que é
bastante raro de se ver. E putz, foi incrível mesmo, fazer
um giro por quase todo o país, conhecer muitas pessoas
bacanas e lugares inacreditáveis por causa de um disco
produzido por quatro moleques maníacos por Thrash.
Universodorock: Tem uma história
muito interessante de que a banda teve que viajar quilômetros
de barco pra tocar em uma cidade da Amazônia! Quer contar
melhor essa história?
Poney Ret: Essa foi uma das melhores viagens do Violator até
hoje. Na verdade, a cidade de Portel fica no interior do Pará.
São 20 horas de barco no meio da Floresta, uma visão
inacreditável, ainda mais pra quem foi criado no asfalto
que nem a gente. Nunca imaginamos que chegaríamos tão
longe. E o que foi melhor é que o show em Portel foi muito
fudido. Em plena quinta-feira apareceram mais pessoas do que nos
shows de Brasília. Vários bangers muito animados,
o show foi muito insano e o suporte foi impecável. Espero
que a gente volte em Portel nessa próxima turnê,
nem que seja pra tomar um açaí na beira do rio!
(risos)
Universodorock: Imagino que a banda tenha
passado por outras situações muito engraçadas
por esses cantos do Brasil, não? Soube recentemente que
um cara apareceu em uma faca num show de vocês e queria
dar uma de Jason! (risos)
Poney Ret: Pois é, são apenas cinco anos de ‘thrasharia’
mas já temos muitas boas histórias pra contar. Felizmente
todas terminaram bem e a gente tá aqui pra contar (risos).
Já ficamos hospedados em puteiro, ilhados em pleno sertão
nordestino, já fugimos de tiro em São Paulo e dessa
última vez escapamos de um doido que queria ser o Mad Butcher
em pleno show. O cara sacou uma daquelas facas de açougue,
daquelas grandes mesmo, do cabo branco e começou a sacudi-la
freneticamente tentando acertar alguém. Todo mundo saiu
correndo (eu inclusive) e ele ainda veio pra cima do palco, passando
perigosamente perto da gente. Sorte que ninguém ficou ferido
e hoje essa é mais uma história engraçada,
coisa normal pra quem tá nesse underground louco.
Universodorock: Pouco tempo antes da
banda gravar o primeiro álbum - "Chemical Assalt",
o guitarrista Juan Lerda teve que deixar a banda. Porque?
Poney Ret: Pois é, infelizmente o nosso camarada ‘Juanito’
teve de deixar o Violator no final de 2005. Ele é um grande
irmão nosso e sempre vai ser um viola. O que aconteceu
foi que ele se mudou pra Argentina para continuar os estudos.
Lá ele tem família, casa, uma estrutura bem melhor
do que tinha no Brasil e a escolha dele foi seguir a vida por
lá. A gente entendeu e ficou tudo numa boa.
Universodorock: Já falando no
"Chemical Assalt", o álbum é pancadaria
pura e trás dez músicas inéditas. Porque
você não incluíram nenhuma música da
demo "Violent Mosh"?
Poney Ret: Obrigado pelas palavras sobre o disco. O Violent Mosh
é um EP, não é uma demo não. A gente
não colocou nenhum som antigo porque a idéia do
álbum era justamente fazer o debut do Violator, um full-leghnt
só com músicas inéditas. O capaça
é um manáico por riffs, o cara sonha com rffs de
guitarra, então não vejo sentido em repetir música
se a gente ainda tem tanta idéia pra novos barulhos (risos).
Universodorock: Mas vocês pretendem
relançá-las em algum álbum futuro?
Poney Ret: Acredito que não. Pretendemos relançar
o Violent Mosh como um disco sozinho como feito em 2004 ou em
forma de split como feito em 2005. Mas em próximos lançamentos
não vejo muito sentido em repetir músicas.
Universodorock: Após a saída
do Juan Lerda você anunciaram que se manteriam em Power
Trio mesmo. Mas um pouco mais tarde você trouxeram um guitarrista
pra banda, Márcio Cambito. Qual foi o motivo?
Poney Ret: A gente quis se manter como Power Trio porque não
tínhamos muitas perspectivas de arranjar um guitarrista
que além de tocar guitarra (claro) fosse camarada e tivesse
disposto a viver a banda com a intensidade que a gente vive. A
gente tinha consciência de que o som do Violator sempre
foi moldado pra duas guitarras, até porque eu como baixista
sou mais animador de palco do que qualquer outra coisa (risos),
só que não sabíamos se encontraríamos
o cara certo. E eis que apareceu, lá no entorno de Brasília,
de uma cidade chamada Águas Lindas, um roqueiro feio e
camarada chamado Márcio de apelido Cambito. O cara se encaixou
como uma luva, é um puta guitarrista, tem uma presença
de palco incrível, sem contar que é uma pessoa admirável
e que tem uma força de vontade como vi poucas vezes na
vida. Hoje o Violator vive uma das nossas melhores fases de todos
os tempos e muito disso é culpa desse perna fina (risos).
Universodorock: Recentemente o guitarrista
da banda Dominus Praelli, Sílvio Rocha, anunciou uma produtora
de shows chamada “Open The Road Tour Agency” a qual
pretende fazer um intercambio entre bandas sul-americanas, levando-as
a tocar em todos os países da América do Sul. Segundo
a nota, o Violator já está trabalhando com a produtora.
Como estão os planos? Já têm muitas datas
marcadas?
Poney Ret: Muitas datas marcadas! A "Thrashin United Tour"
talvez seja o momento mais importante da história do Violator
até hoje. Todo mundo largou a vida formal, de trampo, estudos
e famílias, e vamos entrar de cabeça do Thrash.
São cinco meses de ‘role’ monstro, shows em
todo o Brasil e por enquanto cinco países da América
do Sul. (N.R.: Várias datas já estão disponíveis
no site oficial da banda www.violatorthrash.com)
É uma oportunidade única, talvez nunca mais poderemos
abandonar tudo assim como estamos fazendo agora. Então
pretendemos aproveitar ao máximo, tocar em todos os buracos
possíveis, dar muitos ‘stage dives’, fazer
muitos amigos e, de preferência, voltar vivo pra casa (risos).
O Silvio tem feito um trabalho incrível, somos muito gratos
a ele e espero que dê tudo certo com a Open The Road e que
essa possa ser mais uma parceria sincera. Esse tipo de agência
ajuda muito as bandas underground porque permite que as coisas
girem e assim a gente consiga de maneira DIY (N.R.: Do-it-yourself,
em português “faça-você-mesmo”)
e independente faze o underground funcionar.
Universodorock: A banda já vem
feito composições para um próximo álbum?
Pode adiantar alguma coisa?
Poney Ret: Ainda não temos nenhuma música pronta.
São muitas idéia, muitos riffs e muitas bases, mas
o nosso processo de composição é um tanto
cuidadoso, poucas coisas passam no crivo do Sgt. Capaça!
(risos) Existem muitas idéias de lançamento, compactos
e splits, espero que a gente possa concretizar algumas delas.
Universodorock: Bom, obrigado pela entrevista,
deixo o espaço pra suas considerações finais.
Poney Ret: Eu que agradeço Gabriel! Muito obrigado pelo
espaço e pelo apoio. Obrigado também a todo mundo
que teve paciência de ler essa dis-graça até
agora e à todos que sempre apoiaram o Violas. Mantenham
o espiríto undergound, façam-vocês-mesmos,
encontrem maneiras práticas de viver alguns de seus sonhos.
Não deixem que esse sentimento que frita nas veias quando
se ouve um som se perca por dinheiro algum. Thrash Maniacs! Valeu!
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