ENTREVISTAS
  Últimas Notícias
  Bandas de A a Z
  Cobertura de Shows
  Entrevistas
  CD's & DVD's
  Matérias/Colunistas
  Internacionais
  Nacionais
  Cadastre seu evento
  Rádio Web
  Comunidade Orkut
  Fórum de Debate
  Promoções
  Enquete
  Fontes True Types
  Multimídia
  Equipe
  Parcerias
  Deixe Recado
  Anúncie no site
:: Publicidade ::
Hellion Records
 Entrevistas

06/08/2007
Violator
Por: Gabriel Ricardo
 
Formada em 2002 por quatro amigos no intuito apenas de se divertir tocando nos fins de semana em casa, a banda de Thash Metal old school “Violator”, acabou saindo da garagem e indo parar nos quatro cantos do Brasil fazendo vários shows e se tornando uma das bandas undergrounds mais cultuadas do país.

Já tendo lançado um EP, “Violent Mosh”, em 2004 e um split com o Bywar, “Violent War” em 2005, e participado de várias coletâneas, a banda finalmente lança seu disco de estréia, “Chemical Assalt”, que é puro Thrash Metal de bom gosto contendo dez música inéditas.

Confira a entrevista com o vocalista e baixista da banda, Pedro Arcanjo, também conhecido como “Poney Ret”, falando tudo sobre a banda e sua trajetória.


Universodorock: Pra começar, você poderia nos falar um pouco sobre o início da carreira do Violator? Como os “violas” se encontraram?

Pedro Arcanjo “Poney Ret”: Opa, antes de começar gostaria de agradecer a você Gabriel e me desculpar publicamente pela demora e enrolação. ‘Thrasheiro’ enrolado é foda (risos). Então, o Violator surgiu como um grupo de amigos que começou a escutar som juntos ainda moleques. Eu conheço o “Capaça” (N.R.: Pedro, guitarrista) desde sempre, fui no aniversário de um ano de idade dele. O Juan, nosso ex-guitar, fazia aula com a gente e nos conhecemos quando éramos ainda uns “menino-véi”. O Batera era da mesma sala do Capaça na oitava série, ele tinha acabado de chegar do Chile. Ou seja, a amizade sempre veio antes da banda, acho que isso é um dos fatores responsáveis pelas coisas estarem dando tão certo.

Universodorock: Na década de oitenta, vocês certamente eram bebês. É muito interessante, que além da banda fazer Thrash Metal oitentista, também usam o visual da época! Como vocês chegaram à essa proposta sonora e à esse visual?

Poney Ret: Pois é, a gente não viveu os anos 80 e nem tem pretensão de querer viver ou muito menos emular o estilo daqueles tempos. A gente tá interessado em participar e construir uma cena underground que seja forte hoje em dia, nos anos 2000, e não que viva num passado ou numa nostalgia sem sentido.

Dito isso, nosso interesse pelas bandas de Thrash Metal Old School surgiu de maneira bastante natural. Éramos uns moleques que gostávamos de Slayer, Metallica, Sepultura e com uma completa aversão aos modismos que nos cercavam naquela final da década de 90, com aquela história de adidas metal, Korn e essas coisas lamentáveis. Acho que a gente se sentia tão diferente daquilo tudo, que começamos a buscar nas bandas mais velhas o som, a postura e a atitude que nos identificávamos mais. E encontramos isso no thrash old school, não é metal que é mais político, mais sincero, mais pé no chão e com menos fantasia. Seria uma contradição, portanto, encarar o Violator como um "revival" ou uma espécie de "fantasia oitentista de final de semana", porque o Thrash sempre foi o contrário disso. Então, se existe algum espécie de "retorno" no que envolve o Violator, acredito que é mais de um espírito e postura realmente underground, longe de comércio e do entendimento do metal como um mercado do que preocupação de voltar um visual que seja bacana ou que a gente goste de usar. Porque no final das contas o “visu” é isso, a gente se sente bem com essas roupas, com esse estilo thrash, até porque nos consideramos ‘thrasheiros’, mas não é isso que faz alguém ser ‘thrasher’.

Universodorock: Nessa tentativa brusca de busca pelo passado, ouvi dizer até que as gravações da banda foram feitas de forma analógica!...

Poney Ret: Então, na verdade todas as nossas gravações são digitais! Seria bacana mesmo conseguir gravar num sistema analógico, mas aqui em Brasília sai muito caro e é pouco viável. Então, gravamos mesmo no sistema digital, mas buscamos uma sonoridade old school, que agrada mais aos nossos ouvidos. Foi um desafio, espero que tenhamos nos saído bem.

Universodorock: Sei que esse "resgate" ao verdadeiro Thrash está rendendo muitos elogios ao Violator. Mas imagino que também role um pouco de descaso por algumas bandas mais contemporâneas, não?

Poney Ret: Sempre vai ter gente falando merda, inventando história criando intriga. Mas o tempo passa e quem tá aí pra valer fica pra contar a história. Já aprendi a não me incomodar com isso, nem vale o tempo perdido, melhor focar o tempo em algo mais produtivo. De qualquer maneira, as críticas ao Violator que mais me incomodam são as que tentam rebaixar a mera cópia de bandas velhas feitas por garotos com "saudosismo do que não viveram". Acho isso um tanto tosco e infundado, acho que quem fala isso, não entendeu a proposta do Violator. De qualquer maneira, temos uma relação muito boa com boa parte das bandas que tocamos e conhecemos. É uma coisa que fazemos questão de prezar, até porque acreditamos numa cena forte e unidade independente de rótulos ainda mais se é "old school" ou "contemporânea".

Universodorock: Vocês foram um dos precursores dessa "onda" oitentista no Brasil. Você imaginavam que pudessem chamar tanta atenção?

Poney Ret: Eu realmente não fazia idéia. Na verdade, quando montamos a banda a gente tinha certeza que nunca ia fazer um show. Passamos mais de um ano ensaiando todos os sábados sem previsão nenhuma de tocar ao vivo, só pelo prazer de ensaiar. A gente queria fazer thrash old school, mas nem sabia direito o que era isso, mal sabia tocar na verdade. Então é muito gratificante todo esse retorno que estamos recebendo. Porra, com menos de vinte anos eu tive a oportunidade de viajar por quase todo o Brasil, incrível! De todo jeito, eu não se chamaria isso de "onda oitentista", me soa um pouco pejorativo. E vale dizer, que pelo menos pra nós do Violator, duas bandas que são realmente precursoras do regaste do Thrash old school são o Bywar e o Blasthrash que já estavam fazendo esse som há 10 anos atrás.

Universodorock: A banda causou impacto mesmo foi com o EP "Violent Mosh". Já acabaram com a primeira tiragem! Realmente impressionante!

Poney Ret: Pois é, o Violent Mosh foi o nosso verdadeiro pontapé inicial. Já tínhamos consciência disso na época, e por isso escolhemos o formato com apenas quatro músicas e tivemos o máximo de cuidado possível na confecção do disco. Era uma espécie de apresentação da banda. O disco teve suas duas prensagens, a segunda em formato split com o Bywar (N.R.: Violent War, lançado em 2005), esgotadas. Em breve a Kill Again deve fazer mais e quem sabe lançar uma edição comemorativa no formato vinil, que é um formato que até hoje a gente curte pra caralho.

Universodorock: O EP abriu muitas portas pra banda, levou vocês à tocar por todo o Brasil! E ainda rendeu um contrato à banda, inclusive o contrato com a Kill Again Records, como você disse.

Poney Ret: Na real, a gente assinou com a Kill Again antes do lançamento do Violent Mosh. Pensando agora, foi uma loucura do Rolldão (N.R.: Antônio, dono da Kill Again Records e editor do zine Metal Blood), ele tinha visto alguns dos nossos shows e escutado algumas gravações bastante toscas que tínhamos na época. Ainda bem que ele apostou na gente, seremos eternamente agradecidos. O Violator foi o segundo lançamento da Kill Again e isso possibilitou que selo e banda crescessem juntos, numa parceria e amizade que é bastante raro de se ver. E putz, foi incrível mesmo, fazer um giro por quase todo o país, conhecer muitas pessoas bacanas e lugares inacreditáveis por causa de um disco produzido por quatro moleques maníacos por Thrash.

Universodorock: Tem uma história muito interessante de que a banda teve que viajar quilômetros de barco pra tocar em uma cidade da Amazônia! Quer contar melhor essa história?

Poney Ret: Essa foi uma das melhores viagens do Violator até hoje. Na verdade, a cidade de Portel fica no interior do Pará. São 20 horas de barco no meio da Floresta, uma visão inacreditável, ainda mais pra quem foi criado no asfalto que nem a gente. Nunca imaginamos que chegaríamos tão longe. E o que foi melhor é que o show em Portel foi muito fudido. Em plena quinta-feira apareceram mais pessoas do que nos shows de Brasília. Vários bangers muito animados, o show foi muito insano e o suporte foi impecável. Espero que a gente volte em Portel nessa próxima turnê, nem que seja pra tomar um açaí na beira do rio! (risos)

Universodorock: Imagino que a banda tenha passado por outras situações muito engraçadas por esses cantos do Brasil, não? Soube recentemente que um cara apareceu em uma faca num show de vocês e queria dar uma de Jason! (risos)

Poney Ret: Pois é, são apenas cinco anos de ‘thrasharia’ mas já temos muitas boas histórias pra contar. Felizmente todas terminaram bem e a gente tá aqui pra contar (risos). Já ficamos hospedados em puteiro, ilhados em pleno sertão nordestino, já fugimos de tiro em São Paulo e dessa última vez escapamos de um doido que queria ser o Mad Butcher em pleno show. O cara sacou uma daquelas facas de açougue, daquelas grandes mesmo, do cabo branco e começou a sacudi-la freneticamente tentando acertar alguém. Todo mundo saiu correndo (eu inclusive) e ele ainda veio pra cima do palco, passando perigosamente perto da gente. Sorte que ninguém ficou ferido e hoje essa é mais uma história engraçada, coisa normal pra quem tá nesse underground louco.

Universodorock: Pouco tempo antes da banda gravar o primeiro álbum - "Chemical Assalt", o guitarrista Juan Lerda teve que deixar a banda. Porque?

Poney Ret: Pois é, infelizmente o nosso camarada ‘Juanito’ teve de deixar o Violator no final de 2005. Ele é um grande irmão nosso e sempre vai ser um viola. O que aconteceu foi que ele se mudou pra Argentina para continuar os estudos. Lá ele tem família, casa, uma estrutura bem melhor do que tinha no Brasil e a escolha dele foi seguir a vida por lá. A gente entendeu e ficou tudo numa boa.

Universodorock: Já falando no "Chemical Assalt", o álbum é pancadaria pura e trás dez músicas inéditas. Porque você não incluíram nenhuma música da demo "Violent Mosh"?

Poney Ret: Obrigado pelas palavras sobre o disco. O Violent Mosh é um EP, não é uma demo não. A gente não colocou nenhum som antigo porque a idéia do álbum era justamente fazer o debut do Violator, um full-leghnt só com músicas inéditas. O capaça é um manáico por riffs, o cara sonha com rffs de guitarra, então não vejo sentido em repetir música se a gente ainda tem tanta idéia pra novos barulhos (risos).

Universodorock: Mas vocês pretendem relançá-las em algum álbum futuro?

Poney Ret: Acredito que não. Pretendemos relançar o Violent Mosh como um disco sozinho como feito em 2004 ou em forma de split como feito em 2005. Mas em próximos lançamentos não vejo muito sentido em repetir músicas.

Universodorock: Após a saída do Juan Lerda você anunciaram que se manteriam em Power Trio mesmo. Mas um pouco mais tarde você trouxeram um guitarrista pra banda, Márcio Cambito. Qual foi o motivo?

Poney Ret: A gente quis se manter como Power Trio porque não tínhamos muitas perspectivas de arranjar um guitarrista que além de tocar guitarra (claro) fosse camarada e tivesse disposto a viver a banda com a intensidade que a gente vive. A gente tinha consciência de que o som do Violator sempre foi moldado pra duas guitarras, até porque eu como baixista sou mais animador de palco do que qualquer outra coisa (risos), só que não sabíamos se encontraríamos o cara certo. E eis que apareceu, lá no entorno de Brasília, de uma cidade chamada Águas Lindas, um roqueiro feio e camarada chamado Márcio de apelido Cambito. O cara se encaixou como uma luva, é um puta guitarrista, tem uma presença de palco incrível, sem contar que é uma pessoa admirável e que tem uma força de vontade como vi poucas vezes na vida. Hoje o Violator vive uma das nossas melhores fases de todos os tempos e muito disso é culpa desse perna fina (risos).

Universodorock: Recentemente o guitarrista da banda Dominus Praelli, Sílvio Rocha, anunciou uma produtora de shows chamada “Open The Road Tour Agency” a qual pretende fazer um intercambio entre bandas sul-americanas, levando-as a tocar em todos os países da América do Sul. Segundo a nota, o Violator já está trabalhando com a produtora. Como estão os planos? Já têm muitas datas marcadas?

Poney Ret: Muitas datas marcadas! A "Thrashin United Tour" talvez seja o momento mais importante da história do Violator até hoje. Todo mundo largou a vida formal, de trampo, estudos e famílias, e vamos entrar de cabeça do Thrash. São cinco meses de ‘role’ monstro, shows em todo o Brasil e por enquanto cinco países da América do Sul. (N.R.: Várias datas já estão disponíveis no site oficial da banda www.violatorthrash.com)
É uma oportunidade única, talvez nunca mais poderemos abandonar tudo assim como estamos fazendo agora. Então pretendemos aproveitar ao máximo, tocar em todos os buracos possíveis, dar muitos ‘stage dives’, fazer muitos amigos e, de preferência, voltar vivo pra casa (risos).

O Silvio tem feito um trabalho incrível, somos muito gratos a ele e espero que dê tudo certo com a Open The Road e que essa possa ser mais uma parceria sincera. Esse tipo de agência ajuda muito as bandas underground porque permite que as coisas girem e assim a gente consiga de maneira DIY (N.R.: Do-it-yourself, em português “faça-você-mesmo”) e independente faze o underground funcionar.

Universodorock: A banda já vem feito composições para um próximo álbum? Pode adiantar alguma coisa?

Poney Ret: Ainda não temos nenhuma música pronta. São muitas idéia, muitos riffs e muitas bases, mas o nosso processo de composição é um tanto cuidadoso, poucas coisas passam no crivo do Sgt. Capaça! (risos) Existem muitas idéias de lançamento, compactos e splits, espero que a gente possa concretizar algumas delas.

Universodorock: Bom, obrigado pela entrevista, deixo o espaço pra suas considerações finais.

Poney Ret: Eu que agradeço Gabriel! Muito obrigado pelo espaço e pelo apoio. Obrigado também a todo mundo que teve paciência de ler essa dis-graça até agora e à todos que sempre apoiaram o Violas. Mantenham o espiríto undergound, façam-vocês-mesmos, encontrem maneiras práticas de viver alguns de seus sonhos. Não deixem que esse sentimento que frita nas veias quando se ouve um som se perca por dinheiro algum. Thrash Maniacs! Valeu!



LINKS
Site oficial: www.violatorthrash.com
MySpace: www.myspace.com/viothrash