
Assim como dito na resenha do disco “A Storm To Come”
feita por nosso site, eu começo essa entrevista pedindo
para você leitor imaginar uma banda que conta apenas com
cinco vocalistas e um baterista. Interessante, não? Agora
imagine essa banda executando Heavy Metal! É isso mesmo
que o Van Canto faz! Cada membro da banda interpreta um tipo
de instrumento com a boca!
Intitulada mundo afora de “Metal a Cappella” e auto-intitulada
por seu fundador, Stefan Schmidt, como “Heroic Melodic
Metal”, a banda conseguiu inovar e ser uma novidade muito
grande, como desejavam.
Nessa conversa, com o brasileiro Ingo Sterzinger, que é
integrante da banda, tiramos todas as dúvidas a respeito
de sua criação, modo de composição,
a receptividade ao vivo e soubemos bastante curiosidades, confira:
01. Universo do Rock: Olá Ingo, como vão
as coisas aí na Europa?
Ingo Sterzinger: Oi Gabriel, tudo jóia! Como
sempre com saudades do Brasil, está fazendo muito frio
aqui!
02. Universo do Rock: Bom, você morou quatorze
anos no Brasil. Pelo o que eu sei, quando você morava
aqui você já curtia Heavy Metal. Você chegou
a participar de alguma banda?
Ingo: Correto, no começo dos anos 90, ainda
morando no Brasil, eu comecei a curtir Heavy Metal, ouvia muito
Iron Maiden e Metallica. Naquela época também
comecei a tocar guitarra, mas no Brasil não cheguei a
participar de uma banda.
03. Universo do Rock: E aí na Alemanha, como
foi sua carreira como músico? Você já participou
de algumas bandas?
Ingo: Participar de uma banda foi a primeira coisa
que eu fiz depois de chegar na Alemanha! (risos) Em 1993, na
escola, conheci o Stefan, o fundador de Van Canto. Nessa época,
nós dois estávamos começando a tocar guitarra
e instantaneamente fizemos a nossa primeira banda, o „Gloom“.
Muitos anos tocando guitarra em várias bandas terminei
fazendo Progressive Rock/Metal com a Banda (cp) rono. Atualmente
não estamos ativos com essa banda.
04. Universo do Rock: Para você como guitarrista,
como foi sua reação ao receber a proposta de entrar
no Van Canto, um projeto um tanto quanto audacioso, tendo em
vista ainda, que nela você interpretaria baixo com a boca!?
(risos)
Ingo: Quando o Stefan me convidou ao Van Canto, eu
gargalhei! Adorei a idéia e disse sim direto!Antigamente
já cantávamos a capella às vezes, o Stefan,
eu e alguns amigos nossos. Eu sempre acabava cantando o baixo,
porque eu tinha a voz que chegava mais baixo.
05. Universo do Rock: E de onde surgiu a idéia
de fazer esse som? Quem teve a idéia inicial?
Ingo: O Stefan teve a idéia. Eu acho que a idéia
surgiu porque às vezes ele cantava instrumentos (por
exemplo solos de guitarra) para o seu e para o nosso divertimento.
O que primeiro parecia ser uma piada, chegou a ser um conceito
funcionando em nível profissional.
06. Universo do Rock: Bom, eu sei que a banda chamou
bastante a atenção do público ‘headbanger’
aí da Europa, e agora fora daí. Mas eu queria
saber também, se a música de vocês chamou
a atenção também de músicos fora
do Rock/Metal?
Ingo: Certo, tem muita gente fora do Rock/Metal curtindo
o nosso som. Já que os nossos instrumentos vocais são
mais orgânicos do que guitarras e baixos elétricos,
fica muito mais fácil de compreender os sons e os arranjamentos
para pessoas que não estão acostumadas ao Metal.
Vendo os arranjamentos em detalhe, os sons também são
muito interessantes para músicos de todos os gêneros,
especialmente para quem gosta de arranjamentos clássicos.
07. Universo do Rock: Ao ouvir as músicas, eu
tive uma impressão de que elas poderiam ser usadas até
em trilhas sonoras de filmes e desenhos com facilidade. Vocês
já chegaram à receber alguma oferta nesse sentido?
Ingo: É uma boa idéia! Não recebemos
ofertas deste tipo ainda, mas no youtube.com já apareceram
alguns videos/trailers amadores utilizando nossos sons... vamos
ver, talvez o Steven Spielberg também esteja a fim de
fazer um trailer com um som nosso? (risos)
08. Universo do Rock: Ao ouvir o álbum eu também
fiquei intrigado ao pensar como seriam as composição
para as músicas... Vocês compuseram elas primeiramente
em instrumentos ou diretamente com a voz? Poderia nos explicar
como foi o processo?
Ingo: Todos os arranjamentos e todas as composições
(naturalmente fora os covers) são de Stefan. Ele compõe
quase tudo no piano. Nesse fundamento depois arranja os „instrumentos“
com a voz. Então no ensaio cada cantor faz pequenas correções
no próprio instrumento.
09. Universo do Rock: E as gravações,
como se realizaram? Cada parte de voz foi gravada separadamente,
assim como geralmente é feito com instrumentos?
Ingo: Exatamente, gravamos as vozes separadamente.
Como em gravações com instrumentos comuns, precisamos
de algumas tentativas para cada voz, até que a gravação
esteja perfeita.
10. Universo do Rock: Não há como não
falar aqui do cover de “Battery”, do Metallica,
que com certeza foi a composição que mais chamou
atenção. Eu achei fantástica essa interpretação,
bastante impactante mesmo. Vocês não pensam em
fazer composições próprias futuramente
com essa pegada ‘Thrash’? Acho que seria sensacional!
Ingo: Obrigado, o cover de „Battery“ deu
um bom impacto mesmo. Estamos sempre aperfeiçoando os
arranjamentos e os nossos „instrumentos“, e é
preciso dizer que o „Battery“ é uma grande
inspiração para futuras composições
do Van Canto, mas o nosso estilo não vai mudar fundamentalmente.
11. Universo do Rock: Agora vamos falar sobre a banda
ao vivo. Como é a reação do público
durante os shows de vocês? Alguns chegam à bater
cabeça? (risos)
Ingo: Naturalmente! Sempre havia muitos loucos batendo
a cabeça.. Ao vivo não temos desvantagens em comparação
com bandas „normais“ com instrumentos „normais“,
ao contráro: o nosso público primeiro fica empolgado
da idéa e depois do nosso som.
12. Universo do Rock: Bom Ingo, muito obrigado pela
entrevista e boa sorte com esse fantástico projeto. E
pra fechar deixo o espaço para mandar uma mensagem pra
galera do Brasil.
Ingo: Muito obrigado a vocês, Gabriel! Estamos
muito ansiosos para visitar o Brasil, talvez dê certo
em 2008. E a mensagem principal: Rakkatakka, Motherfucker!