“Toda banda quer fazer
algo diferente para tentar buscar seu lugar ao sol e com a Unmaker
não foi diferente. Só que os gaúchos conseguiram, de certa forma,
soar diferente do que muita banda faz hoje em dia por aí, mesmo
correndo um risco muito grande mesclando vários estilos diferente,
podendo fazer com que a sonoridade acabasse ficando destoante
à proposta inicial. Felizmente a competência e o bom gosto dos
músicos falaram mais alto para que o resultado final fosse satisfatório.
Em entrevista exclusiva ao Portal Universo do Rock, o guitarrista
Rafael Lubini nos conta mais sobre as idéias acerca do primeiro
EP da banda, das dificuldades enfrentadas e dos projetos futuros.
Confiram.”
Universo do Rock - Ao soltar seu material de estréia, o
EP Rape Reality, o Unmaker mostrou que mais uma força
do metal nacional se erguia em solo gaúcho. Como vocês analisam
o atual momento vivido por vocês, tendo em vista que em dois
anos de vida já soltaram um EP oficial que está agradando em
cheio tanto a mídia quanto os headbangers?
Rafael Lubini - É meio estranho, pois foi tudo muito rápido,
como você mesmo disse, foram menos de dois anos entre montar
a banda, gravar e divulgar o material. Mas, estamos muito felizes
com a recepção do material, ainda que não o vejamos como o ideal
ainda, pois as novas composições deixaram de lado as linhas
mais melódicas. Em fim, estamos muito satisfeitos, e isso mostra
que apesar de toda dificuldade que bandas tupiniquins enfrentam,
elas encontram apoio e força no pessoal que mantém vivo o metal.
Universo do Rock - O Unmaker mistura diversos estilos musicais
que por um lado parece que a banda não veio para ser mais uma,
mas sim para ser um diferencial. Por outro lado há o risco do
grupo perder-se na sua proposta musical, fazendo de sua sonoridade
uma "salada de frutas do Metal". Vocês acham que este risco
é válido e, de certa forma, calculado?
Rafael Lubini - Tudo é calculado e planejado, mas o Rape
Reality foi mais uma experiência do que um CD, pois não
tínhamos ainda a visão do rumo a tomar, pois tudo aconteceu
muito rápido. O que tínhamos em mente quando a Unmaker
surgiu, era fazer um som que nos agradasse, sem rótulos, sem
modelos ou tendências, simplesmente metal. Somente agora achamos
a "fórmula" da Unmaker, e provavelmente vocês irão sentir
isso no próximo registro.
Universo do Rock - A sonoridade do Unmaker poderia ser definida
como um Melodic Death/Thrash Metal? Acho que esta pergunta
já reflete o quão originais vocês foram em seu material de estréia,
não?
Rafael Lubini - Essa é difícil de responder! Particularmente
não gostamos muito do "Melodic" apesar de ter influencia sobre
cada músico, pois gostamos do Heavy Metal em toda sua
essência. Mas, com certeza flertamos todas as raízes do metal
e temos como base o Thrash, e em momentos pitadas de
Death e Black. Esse é o som da Unmaker
neste momento.
Universo do Rock - Outro ponto positivo que o Unmaker possui
é a presença do nome do experiente vocalista Clark, que já integrou
grupos conhecidos no Rio Grande do Sul. Clark apenas colaborou
com sua voz nas gravações ou ele ajudou em algum aspecto no
processo de composição?
Rafael Lubini - No Rape Reality, todo o instrumental
foi composto por mim com participação do Ariel, as letras e
linhas de vocal foram compostas pelo Clark. Agora, toda banda
participa da composição, fato que ajuda a manter a diversidade
do som viva, mesmo que tenhamos algumas bases fundamentadas.
Universo do Rock - Acho que pela experiência de Clark, deve
ter sido fácil ele inserir suas linhas vocais no material, não?
Ele mostrou uma facilidade tremenda ao transitar entre o agudo,
rasgado e gutural.
Rafael Lubini - Clark é um daqueles caras que são difíceis
de se encontrar. Ele é um ótimo vocalista e compõem com facilidade
os vocais da Unmaker. Isso ajuda, pois não concentra
toda a composição numa pessoa só, ainda que seria um desperdício
deixar de lado sua idéias, isso é a nossa filosofia: na Unmaker
todos "falam".
Universo do Rock - Em maio deste ano você sofreram uma baixa
na formação com a saída do baixista Zabka, apesar de terem tido
um músico convidado num show, vocês já encontraram uma pessoa
para o cargo?
Rafael Lubini - Sim, e ela já estava na banda. O Clark já
tinha noções de guitarra e encarou a pegada, assumiu também
o baixo.
Universo do Rock - Porque, de fato, Zabka deixou a banda?
Rafael Lubini - A saída do Marcelo já era prevista há muito
tempo, ele começou a demonstrar isso dizendo que estava cansado
e não curtia mais o som, até que então anunciou sua saída. Resolvemos
ficar somente nós quatro, com o Clark assumindo o baixo. Sorte
pra ele na sua nova banda!
Universo do Rock - Vocês pretendem soltar na seqüência um
CD full-lenght de forma independente ou já possuem algo
em vista em termos de gravadora/distribuidora? O que pode nos
falar sobre o primeiro CD da banda?
Rafael Lubini - Infelizmente não, é claro que gostaríamos
de gravar um full-length, mas o problema são os custos,
e esperamos que alguma gravadora ou selo se interesse pela gente
e nos dê uma força. Sobre o Rape Reality, seu processo
de composição foi durante três anos, tempo que levei para montar
a banda. Algumas músicas foram criadas em casa e arranjadas
nos ensaios. Então decidimos gravar um EP, mas não tínhamos
dinheiro para entrar nos estúdios tradicionais de metal aqui
do sul. Tive aulas de música com um guitarrista de Novo Hamburgo
que algum tempo atrás produziu e gravou sua banda num estúdio
caseiro. Ele me mostrou o CD e o resultado me surpreendeu. Então
sugeri seu nome e resolvemos apostar nele, quando questionado,
aceitou na hora. Gravamos as quatro músicas mais a intro em
três semanas, praticamente nos finais de semana, já aí percebemos
o potencial do cara e que ele realmente faria tudo, além da
grana, para que o nosso som ficasse o melhor possível, dentro
do que tínhamos disponível para gravar. Depois de captar o som
o Davi ficou quase um mês mixando o som em sua casa até termos
a master para daí prensar o CD. Nesse período Clark e eu desenvolvíamos
toda a identidade da banda: logo, roupas, pano de fundo, etc.
Conseguimos a produção das fotos com um camarada de Novo Hamburgo
que tinha um estúdio profissional de fotografia, que inclusive
emprestou seu estúdio para montar a cena da foto que foi a capa
do Ep. Depois trabalhamos no layout do CD. Praticamente
toda produção foi nossa, conseguimos com nosso suor, e é isso
que nos dá orgulho: ver o produto final, e ainda por cima, sendo
bem recebido.
Universo do Rock - As músicas do CD serão todas inéditas ou
trará alguma do EP Rape Reality?
Rafael Lubini - Mas falando sobre sonho: estamos pretendendo
gravar um CD com nove músicas de forma independente e como faziam
as bandas de Thrash do anos 80. Quanto ao tracklist,
colocaremos somente duas músicas do Rape Reality, pois
julgamos que estas, fazem parte e se mantém no meio das novas
composições.
Universo do Rock - Uma outra coisa que chama bastante a atenção
é a produção do EP. Vocês tiveram cuidado com os detalhes, as
fotos promocionais, etc. De quem foi a idéia de se mostrarem
como zumbis? De onde surgiu isso?
Rafael Lubini - Isso é engraçado. Durante uma cervejada,
o Clark veio com essa idéia maluca, como estávamos bêbados,
aceitamos. Mas no fim ficou legal, pois fecha com a ideologia
das músicas da Unmaker e reforça a diferença da banda num mar
de preto. Sobre uma lógica nisso tudo? Sei lá! E isso que é
divertido...
Universo do Rock - Tendo em vista algumas poucas, mas vantajosas
conquistas que o Brasil obteve recentemente, como você analisa
o cenário nacional da atualidade? Nota-se claramente que muitas
das bandas estão soltando CDs de forma independente, algumas
estão conseguindo emplacar seus discos em mercados como o da
Europa e Japão e fazendo turnês promocionais lá. Outras ganham
"competições" de um nível de excelência elevadíssimo, como foi
o caso do Torture Squad, que foi ao Wacken e ganhou um concurso
musical por lá, além da baiana Malefactor, que honrou o nome
do Brasil em solo alemão também em 2006. Enfim, apesar das extremas
dificuldades, qual sua análise acerca do assunto?
Rafael Lubini - Pergunto-me quando esse assunto vem à tona:
por que as bandas brasileiras só fazem sucesso ao sair do Brasil?
Temos exemplos clássicos disso, o Sepultura (de forma
incontestável), o Krisiun e agora o Torture Squad,
no fim quero dizer que nosso pais é uma merda: miséria, corrupção
e submissão. Nosso povo aceita tudo de forma pacífica, é por
isso que estamos na bosta e não vamos sair. A única coisa que
permite as bandas nacionais crescerem é o esforço próprio e
a ajuda das mídias especializadas e dos headbangers brasileiros.
Universo do Rock - Muito se fala em apoiar o Metal nacional,
em ir a shows, em comprar CDs, etc. Você, como músico e headbanger,
acha que o público nacional está mais consciente em relação
a isso?
Rafael Lubini - Muitos apóiam sim e é isso por isso que
vale a pena continuar, foda-se o resto, se nos deixarmos levar
pelo sistema, estaríamos olhando Faustão, escutando Ivete Sangalo
e usando roupas da Sândi e Junior.
Universo do Rock - Agradeço em nome do site Universo do Rock
pela entrevista. Espero que o futuro seja promissor ao Unmaker
e que bons frutos sejam colhidos por longos anos.Rafael
Lubini - Obrigado e somos nós que agradecemos à oportunidade.
Agradecemos também todos os headbangers que nos escrevem,
que vão aos shows e apóiam verdadeiramente o metal brasileiro.
Valeu!!