Em Outubro de 2006, especificamente no
dia 13 através de um comunicado oficial, os fãs
do Shaaman tiveram uma notícia muito triste, a banda
acabava de anunciar o seu fim. Porém, para a felicidade
de todos, o baterista Ricardo Confessori dias depois anunciou
que seguirá com seu sonho e continuará com o Shaaman.
Com a vontade de volta aos primórdios da banda, o baterista
promete lançar um álbum ao nível do “Ritual”,
primeiro e mais consagrado da banda. A primeira iniciativa foi
voltar o nome da banda para “Shaman”, sem o “a”
a mais.
Confira com exclusividade a entrevista com o baterista e saiba
sobre o triste fim do Shaaman e o renascimento do Shaman. Além
de curiosidades reveladas sobre o músico e sua carreira.

Universodorock: Ricardo, primeiramente,
gostaria de parabeniza-lo e agradece-lo por ter continuado com
o Shaman, enfrentando todos os problemas. Isso prova realmente
o carinho e respeito que você tem pelos fãs!
Ricardo Confessori: O Shaman é o maior
investimento de toda minha vida. Investimento de tempo, de dinheiro...
é como se toda a fase anterior sido um aprendizado para
chegar até aqui. No Shaman foi onde, além de tocar
batera, escrevi canções, que se tornaram sucesso
entre nossos fãs, e de fato, ouvi-los cantar esses refrões,
foi tão impactante que mudou minha maneira de ver a música.
Me sinto sintonizado com a galera que escuta e sei o que querem
ouvir. Os fãs não estão interessados no que
acontece no backstage, eles exigem um bom CD, e tem esse direito.
Universodorock: Sinceramente, porque
você acha que os outros membros deixaram o Shaman dessa
forma tão injusta?
Ricardo Confessori: Isso é uma coisa que
você deve perguntar a eles. Até hoje o que me foi
dito é que simplesmente de uma hora pra outra, não
havia mais o desejo, por parte deles, de dividir o palco comigo,
pois o tempo havia desgastado a nossa relação. É
tudo que posso dizer a respeito disso.
Universodorock: Falando aqui no nome
da banda, foi muito legal você ter lutado também
pra voltar para "Shaman", com apenas um "A"!
Ricardo Confessori: Essa inclusão do A
dobrado foi uma coisa bizarra que, na verdade que deve ser dita,
nada teve haver com disputa de marca. O antigo vocalista do Shaman
e o antigo empresário vieram com um estudo de numerologia,
e disseram acreditar que incluindo um A no nosso nome, teríamos
mais força e sucesso. Não foi bem o que aconteceu.
Universodorock: Em tudo o que eu leio,
percebo que você tem um carinho muito especial pelo álbum
"Ritual" e de certa forma uma aversão pelo álbum
"Reason" e a fase "Shaaman".
Ricardo Confessori: Não tenho aversão
ao album Reason, só não quero repeti-lo. Ele trouxe
uma tendência que não é a minha, não
me pertence. Meu estilo é metal,com uma enorme variedade
de influências na batera, com swing, idéias com debulho
de guitarra, de vocal... O Ritual continua sendo meu preferido
e ele define bem o estilo do Shaman. Ele remete uma época
em que a banda estava unida com um único objetivo: fazer
o melhor CD possível. E esse é o espírito
que quero trazer para a nova banda.
Universodorock: Só por curiosidade,
se você pudesse apagar a fase "Shaaman" e o álbum
Reason da história da banda, você o faria? (risos)
Ricardo Confessori: Se pudesse voltar o tempo,
sim com certeza, faria o cd diferente, ou simplesmente o faria
com pessoas diferentes, principalmente compositores diferentes.
Se os fãs pedirem, nós tocaremos qualquer canção
que eu já tenha participado em toda minha carreira. Quanto
a isso sou bem consciente da nossa missão como banda, que
é, em 1o lugar, atender aos fãs.
Universodorock: Vamos deixar o passado
de lado e vamos falar do futuro. Surgiram várias notas
pela internet (sem fontes confiáveis) de que o vocalista
Thiago Bianchi (Karma), o guitarrista Léo Mancini (Tempestt)
e o baixista Fernando Quesada sejam os novos membros da banda.
Essas informações precedem?
Ricardo Confessori: Não posso responder
ainda quem serão os integrantes, a hora não é
apropriada. Só posso dizer que são músicos
excelentes, que foram escolhidos dentre dezenas de outros músicos
que testei durante a seleção para a nova banda.
Universodorock: E sobre o novo álbum?
Você já pode nos adiantar alguma coisa?
Ricardo Confessori: No novo trabalho do Shaman
estou voltando às minhas origens na batera, criando baterias
como as de antigamente, na fase Angra. São muitas surpresas,
e eu pretendo revolucionar de novo com esse novo CD. Pra mim ele
tem que se tornar uma referência para bateristas, assim
como o "Holy Land" (Angra) foi, e estou trabalhando
duro para isso. Tenho vivido ótimos momentos e por isso
não tem faltado inspiração. Nosso som é
único, ele é o mystic metal, é uma vertente
que nós mesmos criamos no Shaman, por isso é preciso
esperar e ouvir para se definir.
Universodorock: E quando a banda tem
previsão de cair na estrada?
Ricardo Confessori: Já temos shows pré-marcado
para julho no Brasil. Nosso lançamento para a Europa ficará
para o 2o semestre, mas no Brasil lançaremos em junho.
Universodorock: Alguns fãs vêm
reclamando de falta de informações. Quando o site
do Shaman tem previsão de voltar pro ar?
Ricardo Confessori:No final de Abril. Foi minha
opção manter esse silêncio, propositalmente,
para que tudo pudesse ser pensado antes com calma. com a intenção
de se fazer um trabalho impecável. Quero pedir desculpas
aos fãs pela demora e pela falta de informação,
mas tudo será revelado ao seu tempo.
Universodorock: Você tem feito
muitos workshops pelo Brasil e até mesmo fora do país.
Você tem planos de lançar uma video-aula?
Ricardo Confessori: Tenho excursionado com meus
workshops pelo Brasil, fui à Venezuela também, já
são quase 30 que realizei só no ano passado, e é
incrível como cada vez mais o número de bateristas
presentes cresce nos eventos. Estou sempre divulgando o Shaman
e meu trabalho paralelamente. Estou trabalhando em um método
com CD no momento, que será logo lançado. DVD-aula
será meu passo seguinte, tão logo eu conclua o método.
Universodorock: Falando em planos, você
planeja algo fora do Shaman? Algum outro projeto? Você recentemente
anúnciou em seu site oficial que vem produzindo algumas
bandas...
Ricardo Confessori: Como produtor estou produzindo
três bandas no momento: Caballah (São Paulo) e que
também estão gravando em meu estúdio, o Plug
In, além do Satisfire, uma banda do Sul, de thrash metal,
que começou a gravar em dezembro no Via Musique Studio.
Universodorock: Gostaria de perguntar
à agora sobre algumas curiosidades. Você tocou com
o Korzus no início de sua carreira. Você tem recordações
daquela época?
Ricardo Confessori: Sim. Ensaiávamos na
minha casa e era divertido. Muita loucura, eu tinha lá
meus 20 anos e a banda era pura energia. Eu e o Pompeu (vocalista)
saíamos pra tomar umas de vez em quando até pouco
tempo atrás.
Universodorock: Lembro-me de ler em algum
lugar que seu primeiro instrumento musical foi um clarinete (?)
no exército! Mas em seu site oficial diz que você
começou à estudar música tocando piano. Poderia
clarear pra nós essas histórias? (risos)
Ricardo Confessori: Já toquei trompete,
e fiz exército. Isso foi lá por 87 (N.R.: Ele tinha
18 anos na época). Ainda tenho esse trompete na garagem
junto com as quinquilharias que não uso mais.
Universodorock: Antes de chegarmos ao
fim, poderia nos falar sobre seu relacionamento com os ex-Shamans
e seus ex-companheiros do Angra? Vocês ainda mantêm
contato?
Ricardo Confessori: Não mantenho não.
Infelizmente esse mundo da música é repleto de vaidades
e de falta de sinceridade, e eu lamento por isso, pois nunca guardei
magoa, esse não é meu estilo, mas muitos ficam se
remoendo e alimentando inimizades. Sempre olhei pro que é
meu, e não para o que é da pessoa ao meu lado.
Universodorock: Bom Ricardo, muito obrigado
pela entrevista e desculpe pelo incomodo. Deixo o espaço
pra você deixar um recado para todos os seus fãs.
Ricardo Confessori: Quero agradecer ao Universo
do Rock e dizer a todos os fãs do Shaman que o Ritual continua...
em junho de 2007. |