UR
: O Opeth tem muitos fãs no Brasil. Há alguma
possibilidade de vê-los tocando por aqui? Alguém
já os contactou? Quando vocês começarão
a viajar para promover o novo álbum, "Blackwater
Park"?
Mikael Akerfeldt: Ainda não fomos convidados
para tocar no Brasil, mas já fomos contactados para fazer
shows no Chile, então, nós podemos tentar arranjar
algumas datas para ir ao Brasil. Mas ainda não temos
certeza de nada quanto a próxima turnê!
UR: Como tudo começou? Diga-nos algo sobre suas
carreiras antes do Opeth. Quais erão suas bandas preferidas
na época, e quais são agora? Se você pudesse
formar a sua banda dos sonhos, que músicos fariam parte
dessa banda?
Mikael Akerfeldt: Eu ouvia muito Scorpions,
Maiden, Frost, Bathory e Morbid Angel, e essas bandas ainda
são as minhas favoritas. Naquela época, meu "time
dos sonhos" seria o Morbid Angel no palco, e eu na platéia.
Eu era muito fã na época pra considerar pensamentos
como esse. Agora... há um guitarrista, um amigo meu chamado
Reine Fiske... ele é, provavelmente, um dos músicos
que tocam com mais alma que eu já ouvi. Ele costumava
tocar numa banda chamada Landberk. Eu simplesmente adorava o
seu estilo, e gostaria muito de tocar com ele. Per, do Spiritual
Beggars nos teclados, talvez pelo prazer de ter teclados e ele,
por ser um cara muito legal. Les Binks na bateria (um membro
antigo do Priest), Jaco Pastorius no baixo, RIP (do inglês
Rest in Peace, no português "Descanse em Paz), e
eu mesmo nas guitarras, juntamente com Jeff Buckley (RIP), nos
vocais. Uau, que banda!!!
UR: O Opeth tem letras muito profundas. Elas são
sobre as suas próprias experiências, ou são
apenas o retrato do mundo que o cerca? Quais são as suas
principais influências ao compor?
Mikael Akerfeldt: Eu escrevo muito no calor
do momento. Não penso muito sobre isso,
na verdade. É como se fosse um processo sobre o qual
não tenho controle. Elas (as letras), apenas acontecem,
e eu às vezes não sei dizer sobre o que são,
a não ser pelo fato de serem incrivelmente "dark"!
UR: Seus dois primeiros álbums foram produzidos
por Dan Swano, do Edge of Sanity, então vocês mudaram
para Fredrik Nordstrom, que também produziu o Arch Enemy.
Quais são as principais diferenças entre os trabalhos
deles? Eles interferiram no processo de composição?
Mikael Akerfeldt: Fredrik nunca realmente
produziu um álbum nosso. Ele nos ajuda com os sons e
a mixagem. Ele é o mestre dos sons! Dan realmente produziu
algumas partes dos nossos dois primeiros álbuns, sendo
que algumas delas foram decididas por mim mesmo e por ele, e
não pela banda. Ele ainda é um dos melhores!
UR: Todos os arranjos da banda são criativos,
intensos e pesados, até mesmo nas partes acústicas.
Vocês criaram um estilo, fazendo um som diferente, diverso
e coerente ao mesmo tempo. O quão importante é
ser fiel a um estilo pré-determinado? É mais importante
ser fiel aos fãs ou a vocês mesmos?
Mikael Akerfeldt: Eu não acho que pense
nos fãs, na verdade. Eles estão lá por
nós e não o contrário. Fico lisonjeado
e os admiro pelo seu bom gosto, mas eles não estão
em nossas mentes quando estamos gravando ou mixando nossa música.
Nosso estilo é muito difícil de ser definido.
Penso que nós somos apenas um misto muito abrangente
de todos os tipos de metal de qualidade, num todo.
UR: Qual álbum você considera como o seu
melhor trabalho? E qual foi o que vendeu melhor? Fale algo sobre
os álbuns lançados até agora, e um pouco
sobre o novo, que será lançado em fevereiro.
Mikael Akerfeldt: Eu acho que temos conseguido vender cada
vez mais cópias depois de cada lançamento, o que
tem sido satisfatório. O meu preferido é muito
difícil de dizer, porque muda toda hora, mas "My
Arms, Your Hearse" é um álbum especial, porque
representou uma grande mudança na banda em vários
aspectos. Mas eu amo todos os álbums que fiz. O novo
é, obviamente, o meu favorito atualmente. Nós
estamos realmente muito contentes com os resultados alcançados
com o novo trabalho. Ele tem uma aura extremamente dark, ainda
mais dark do que "My Arms, Your Hearse". Eu penso
que nos desenvolvemos imensamente ao longo dos anos, e é
por isso que não somos estressados em fazê-lo,
por ser um processo natural.
UR: Em quais aspectos a banda melhorou, e o que você
acha que ainda está faltando aos arranjos?
Mikael Akerfeldt: Eu não vejo nada
faltando. Eu gosto de tudo o que há em nossos trabalhos,
basicamente. Se é um álbum do Opeth, então
é um álbum de qualidade, e isso é tudo.
UR: Vocês enfrentaram mudanças na formação
nos últimos trabalhos. O quão ruim isso foi para
a banda?
Mikael Akerfeldt: Isso não foi ruim... isso foi essencial.
Johan and Anders evidentemente não se entregavam tanto
à música quanto o restante da banda gostaria.
Os dois "Martins" são músicos melhores
do que os anteriores, eles sabem o que estou fazendo quando
estou escrevendo, e por isso entendem melhor o que é
preciso ser feito. Isso é mais importante do que qualquer
outra coisa, na verdade. Nós tínhamos muitas discussões
e divergências com os membros anteriores, sobre tudo.
Nós apenas conflitamos em termos de desenvolvimento musical.
UR: O que você acha de bandas que inserem influências
diferentes em sua música, como o Rhapsody (música
clássica), Skyclad (folk) e Therion (ópera)?
Mikael Akerfeldt: Eu odeio Rhapsody... eles
são provavelmente a banda mais "melosa" que
já ouvi. Não aguento ouvir sua música...
é muito pretensiosa, até mesmo para mim. Não
tenho escutado Skyclad nos últimos anos... Therion, infelizmente
devo dizer que não gosto muito de sua música.
Eu conhecia os membros da banda, e os seus primeiros álbums
permanecem como clássicos para mim. As partes orquestradas
parecem feitas pela metade, assim como no álbum ao vivo
do Metallica... uma grande droga.
Eu gosto de música clássica quando ela ainda
oferece idéias renovadas e fortes depois de cem anos.
Para mim, o Therion pode oferecer apenas alguns grandes sons
épicos, mas a música que os acompanha não
é interessante. Ainda assim, deve-se dar crédito
a eles, por serem a única banda de metal que está
fazendo isso como parte de seus sons. Eu apenas acho que Christopher
pode fazer muito melhor!
UR: Você gosta de algum tipo de música
que não seja metal?
Mikael Akerfeldt: Eu escuto todos os tipos
de música, na verdade! Qualquer
coisa boa!
UR: Muito obrigado pela entrevista. Há algo
que queira dizer aos fãs brasileiros?
Mikael Akerfeldt: Espero vê-los logo!