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Hellion Records
 Entrevistas

abril/2002
Opeth
Por: Andre Nascimento
 

UR : O Opeth tem muitos fãs no Brasil. Há alguma possibilidade de vê-los tocando por aqui? Alguém já os contactou? Quando vocês começarão a viajar para promover o novo álbum, "Blackwater Park"?

Mikael Akerfeldt: Ainda não fomos convidados para tocar no Brasil, mas já fomos contactados para fazer shows no Chile, então, nós podemos tentar arranjar algumas datas para ir ao Brasil. Mas ainda não temos certeza de nada quanto a próxima turnê!

UR: Como tudo começou? Diga-nos algo sobre suas carreiras antes do Opeth. Quais erão suas bandas preferidas na época, e quais são agora? Se você pudesse formar a sua banda dos sonhos, que músicos fariam parte dessa banda?

Mikael Akerfeldt: Eu ouvia muito Scorpions, Maiden, Frost, Bathory e Morbid Angel, e essas bandas ainda são as minhas favoritas. Naquela época, meu "time dos sonhos" seria o Morbid Angel no palco, e eu na platéia. Eu era muito fã na época pra considerar pensamentos como esse. Agora... há um guitarrista, um amigo meu chamado Reine Fiske... ele é, provavelmente, um dos músicos que tocam com mais alma que eu já ouvi. Ele costumava tocar numa banda chamada Landberk. Eu simplesmente adorava o seu estilo, e gostaria muito de tocar com ele. Per, do Spiritual Beggars nos teclados, talvez pelo prazer de ter teclados e ele, por ser um cara muito legal. Les Binks na bateria (um membro antigo do Priest), Jaco Pastorius no baixo, RIP (do inglês Rest in Peace, no português "Descanse em Paz), e eu mesmo nas guitarras, juntamente com Jeff Buckley (RIP), nos vocais. Uau, que banda!!!

UR: O Opeth tem letras muito profundas. Elas são sobre as suas próprias experiências, ou são apenas o retrato do mundo que o cerca? Quais são as suas principais influências ao compor?

Mikael Akerfeldt: Eu escrevo muito no calor do momento. Não penso muito sobre isso,
na verdade. É como se fosse um processo sobre o qual não tenho controle. Elas (as letras), apenas acontecem, e eu às vezes não sei dizer sobre o que são, a não ser pelo fato de serem incrivelmente "dark"!

UR: Seus dois primeiros álbums foram produzidos por Dan Swano, do Edge of Sanity, então vocês mudaram para Fredrik Nordstrom, que também produziu o Arch Enemy. Quais são as principais diferenças entre os trabalhos deles? Eles interferiram no processo de composição?

Mikael Akerfeldt: Fredrik nunca realmente produziu um álbum nosso. Ele nos ajuda com os sons e a mixagem. Ele é o mestre dos sons! Dan realmente produziu algumas partes dos nossos dois primeiros álbuns, sendo que algumas delas foram decididas por mim mesmo e por ele, e não pela banda. Ele ainda é um dos melhores!

UR: Todos os arranjos da banda são criativos, intensos e pesados, até mesmo nas partes acústicas. Vocês criaram um estilo, fazendo um som diferente, diverso e coerente ao mesmo tempo. O quão importante é ser fiel a um estilo pré-determinado? É mais importante ser fiel aos fãs ou a vocês mesmos?

Mikael Akerfeldt: Eu não acho que pense nos fãs, na verdade. Eles estão lá por nós e não o contrário. Fico lisonjeado e os admiro pelo seu bom gosto, mas eles não estão em nossas mentes quando estamos gravando ou mixando nossa música. Nosso estilo é muito difícil de ser definido. Penso que nós somos apenas um misto muito abrangente de todos os tipos de metal de qualidade, num todo.

UR: Qual álbum você considera como o seu melhor trabalho? E qual foi o que vendeu melhor? Fale algo sobre os álbuns lançados até agora, e um pouco sobre o novo, que será lançado em fevereiro.

Mikael Akerfeldt: Eu acho que temos conseguido vender cada vez mais cópias depois de cada lançamento, o que tem sido satisfatório. O meu preferido é muito difícil de dizer, porque muda toda hora, mas "My Arms, Your Hearse" é um álbum especial, porque representou uma grande mudança na banda em vários aspectos. Mas eu amo todos os álbums que fiz. O novo é, obviamente, o meu favorito atualmente. Nós estamos realmente muito contentes com os resultados alcançados com o novo trabalho. Ele tem uma aura extremamente dark, ainda mais dark do que "My Arms, Your Hearse". Eu penso que nos desenvolvemos imensamente ao longo dos anos, e é por isso que não somos estressados em fazê-lo, por ser um processo natural.

UR: Em quais aspectos a banda melhorou, e o que você acha que ainda está faltando aos arranjos?

Mikael Akerfeldt: Eu não vejo nada faltando. Eu gosto de tudo o que há em nossos trabalhos, basicamente. Se é um álbum do Opeth, então é um álbum de qualidade, e isso é tudo.

UR: Vocês enfrentaram mudanças na formação nos últimos trabalhos. O quão ruim isso foi para a banda?

Mikael Akerfeldt: Isso não foi ruim... isso foi essencial. Johan and Anders evidentemente não se entregavam tanto à música quanto o restante da banda gostaria. Os dois "Martins" são músicos melhores do que os anteriores, eles sabem o que estou fazendo quando estou escrevendo, e por isso entendem melhor o que é preciso ser feito. Isso é mais importante do que qualquer outra coisa, na verdade. Nós tínhamos muitas discussões e divergências com os membros anteriores, sobre tudo. Nós apenas conflitamos em termos de desenvolvimento musical.

UR: O que você acha de bandas que inserem influências diferentes em sua música, como o Rhapsody (música clássica), Skyclad (folk) e Therion (ópera)?

Mikael Akerfeldt: Eu odeio Rhapsody... eles são provavelmente a banda mais "melosa" que já ouvi. Não aguento ouvir sua música... é muito pretensiosa, até mesmo para mim. Não tenho escutado Skyclad nos últimos anos... Therion, infelizmente devo dizer que não gosto muito de sua música. Eu conhecia os membros da banda, e os seus primeiros álbums permanecem como clássicos para mim. As partes orquestradas parecem feitas pela metade, assim como no álbum ao vivo do Metallica... uma grande droga.

Eu gosto de música clássica quando ela ainda oferece idéias renovadas e fortes depois de cem anos. Para mim, o Therion pode oferecer apenas alguns grandes sons épicos, mas a música que os acompanha não é interessante. Ainda assim, deve-se dar crédito a eles, por serem a única banda de metal que está fazendo isso como parte de seus sons. Eu apenas acho que Christopher pode fazer muito melhor!

UR: Você gosta de algum tipo de música que não seja metal?

Mikael Akerfeldt: Eu escuto todos os tipos de música, na verdade! Qualquer
coisa boa!

UR: Muito obrigado pela entrevista. Há algo que queira dizer aos fãs brasileiros?

Mikael Akerfeldt: Espero vê-los logo!