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Hellion Records
 Entrevistas

julho/2003
Moonspell
Por: Andre Nascimento
 
UR - Conte como foi a formação da banda, desde sua primeira idéia até o dia em que as coisas começaram a acontecer, as tours fora de Portugal, os álbuns sendo lançados, etc.

Moon: Seria talvez um pouco moroso descrever o que aconteceu desde o ínicio da formação de Moon, por isso vou tentar fazer um resumo rápido: A banda nasceu da ideia primordial de criar um projecto que, entre outros, fizesse uma fusão forte entre a música que seguíamos e os interesse estéticos e artísticos que cultivavámos. Nasceu primeiro Morbid God (1989) e em 1992 mudámos o nome para Moonspell.

Gravámos uma demo, um EP e um mini albúm e só começámos a editar albúns em 1995 com Wolfheart. Este albúm permitiu-nos tocar fora de Portugal pela primeira vez. Com o Wolf tocámos como suporte a Morbid Angel, Tiamat, entre outros e alguns shows como banda principal. Segui-se o Irreligious com o qual obtivémos mais reconhecimento e nos lançou em tours com Samael, Type O Negative, bem como em todos os festivais europeus importantes. Com o Sin visitámos a América do Sul (com um show em S.Paulo) pela primeira vez.Também fizémos a primeira grande tour europeia como cabeças de cartaz com Therion como suporte e também Lacuna Coil. Aquando do lançamento do Butterfly effect conseguimos finalmente ir aos Estados Unidos com In Flames e posteriormente Amorphis. Com o novo albúm esperamos conseguir mais e solidificar mais o nosso público.

UR - Como você analisa as mudanças e semelhanças entre a fasedo Moonspell quando da gravação do EP Under the Moonspell e a atual fase da banda?

Moon: Apesar das diferenças óbvias que são um reflexo do que aprendemos e evoluimos enquanto pessoas e músicos, ainda mantemos muito do espírito com que iniciámos a nossa carreira a sério com o Under: ser uma banda rebelde a todas as convenções do chamado Dark Metal, e procurar fazer música que altere a nossa e a vida das pessoas que contactem com ela. Continuamos, e cada vez mais, a ter esta visão mais pura e romântica da música de Moonspell.

UR - Aproveite para falar das principais influências da banda,e como vocês procuraram reciclá-las, de forma a dar ao Moonspell uma sonoridade e personalidade próprias.

Moon: As principais influências são relativas a outras formas de Arte como a música e a literatura em especial. Em termos de nomes somos influenciados por Metal (Bathory, Celtic Frost, Root) bem como Darkwave/Gótico (Fields…, Type O negative) e alguns flirts breves com outros estilos que nos transmitam um sentimento de visualidade e profundidade como por exemplo Leonard Cohen ou Nick Cave. Em termos de literatura penso que o Romantismo e o Decandentismo serão as influências mais eveidentes, estéticas e temáticas. Toda a leitura que fazemos destas influências tenta ser o mais pessoal possível para criar, aquilo que sempre procurámos, que é um imaginário próprio para Moonspell.

UR - Fale-nos como transcorreram as gravações de "Darkness andHope", o próximo trabalho da banda, e o que podemos esperar dele sonoramente.

Moon: Correram muito bem. O ambiente criado foi excelente e muito apropriado à gravação de um albúm com um nível sentimental tão forte como este. Ficámos muito amigos do nosso produtor Hiilii H. e ele tronou-se nosso amigo e cúmplice. O Finnvox é um estúdio muito dotado tecnica e humanamente, foi, em suma, muito bom, correspondendo a todas as nossas expectativas. Em termos musicais e sónicos, o Darkness and Hope é albúm melódico, pesado, muito visual, cinematográfico até, que recupera algumas coisas do nosso passado como a tentativa de contar histórias através da música.

UR - Quem teve a idéia e como surgiu o cover da banda Madre Deus?O resultado foi condizente com o esperado? Há planos para futuros covers em outros albuns?

Moon: Trata-se de uma ideia com alguns anos que foi recuperada para se inserir no contexto do disco. Queríamos usar algo que marcasse outra vez a nossa portugalidade e território de uma forma forte. Encontrámos no original de MadreDeus todo esse potencial que queríamos explorar à nossa maneira elétrica e épica. Temos, claro está, um respeito profundo pela música, mensagem e personalidade dos MadreDeus, que consideramos a melhor banda nacional de sempre. Esta versão estará incuída na edição europeia do disco novo. Para os Estados Unidos fizémos uma versão de Mr. Crowley, Ozzy Osbourne.

UR - Como se dá o processo de composição dos arranjos e letras, e qual o grau de interferência dos músicos na produção dos álbuns?

Moon: Basicamente não existe um método em concreto. Tentamos sempre, no entanto, falar do ambiente e da cor que queremos conferir a cada canção. Há músicas que nascem de letras e vice-versa. A nível de arranjos, sendo Moonspell, por definição, uma banda atmosférica, há um trabalho muito cuidado pois se a matriz da música é importante, muitas vezes um pequeno arranjo pode definir a intensidade da mesma. Somos também muito interventivos em tudo o que diga respeito a Moon, incluindo o trabalho de produção, mas gostamos de dar espaço e ar às pessoas que trabalham connosco.

UR - Fale sobre o projeto Daemonarch, gostaríamos de saberse há possibilidade de um novo trabalho de estúdio ou algum tournos planos para o futuro. Gostaria de saber ainda se há alguma idéia para algum outro projeto, e de que gênero?

Moon: Algumas ideias ainda ocultas e a passear no meu cérebro, mas Moonspell é a minha absoluta prioridade.

UR - Para vocês, o que de melhor tem sido feito musicalmente hoje em dia? E no heavy metal especificamente, que bandas têm se destacado e quais ainda merecem uma maior atenção?

Moon: Hoje em dia há uma falência de talento e um poder exagerado de publicidade. A música não vende pela música, mas pelo impacto a nível de Imprensa, pela fabricação. No Heavy,em particular, penso que a tendência é para criar um saco de gatos, desunião e boato. Continuo a preferir bandas como Katatonia, Moonspell, Anathema, Type O Negative, Nefilim, etc. que se reinventam e procuram o seu próprio estilo do que o Metal repetitivo, que tenta recuperar o que já não tem sentido, ou o black metal para impressionar adolescentes. Acho que as bandas e a procura de um estilo acima citadas merecem uma exposição que não têm.

UR - Como você analisa a cena mundial de heavy metal, em termos de divulgação, diversidade, qualidade, quantidade e suas perspectivas para o futuro.

Moon: Penso que a resposta acima elucida bem o que penso. Há muito cinismo no metal, hoje em dia, e poucas propostas genuínas.

UR - O Moonspell é uma banda com muitos seguidores no Brasil. Vocês conhecem a cena brasileira? Como a avaliam? Alguma possibilidade de agendamento de shows por aqui?

Moon: Segui atentamente a cena brasileira nos finais dos anos Oitenta, príncipios de Noventa. Possuo discos de Genocídio, Sarcófago, Sepultura, Aamonhammer,Dorsal Atlântica e outras pérolas do Metal brasileiro que tinha muita personalidade na altura. Conheço muitas outras, somos até labelmates de Krisiun, uma excelente banda, mas, actualmente, perdi algum contacto com o que se faz aí, a nível de Metal. Espero, claro, regressar ao Brasil e tocar para os seguidores de Moonspell aí, aquem aproveito para salutar, aguardando que recebam o Darkness and hope de mente e coração abertos. Obrigado !