UR
- Conte como foi a formação da banda, desde sua primeira
idéia até o dia em que as coisas começaram
a acontecer, as tours fora de Portugal, os álbuns sendo lançados,
etc.
Moon: Seria talvez um pouco moroso descrever o
que aconteceu desde o ínicio da formação de
Moon, por isso vou tentar fazer um resumo rápido: A banda
nasceu da ideia primordial de criar um projecto que, entre outros,
fizesse uma fusão forte entre a música que seguíamos
e os interesse estéticos e artísticos que cultivavámos.
Nasceu primeiro Morbid God (1989) e em 1992 mudámos o nome
para Moonspell.
Gravámos uma demo, um EP e um mini albúm e só
começámos a editar albúns em 1995 com Wolfheart.
Este albúm permitiu-nos tocar fora de Portugal pela primeira
vez. Com o Wolf tocámos como suporte a Morbid Angel, Tiamat,
entre outros e alguns shows como banda principal. Segui-se o Irreligious
com o qual obtivémos mais reconhecimento e nos lançou
em tours com Samael, Type O Negative, bem como em todos os festivais
europeus importantes. Com o Sin visitámos a América
do Sul (com um show em S.Paulo) pela primeira vez.Também
fizémos a primeira grande tour europeia como cabeças
de cartaz com Therion como suporte e também Lacuna Coil.
Aquando do lançamento do Butterfly effect conseguimos finalmente
ir aos Estados Unidos com In Flames e posteriormente Amorphis. Com
o novo albúm esperamos conseguir mais e solidificar mais
o nosso público.
UR - Como você analisa as mudanças e semelhanças
entre a fasedo Moonspell quando da gravação do EP
Under the Moonspell e a atual fase da banda?
Moon: Apesar das diferenças óbvias
que são um reflexo do que aprendemos e evoluimos enquanto
pessoas e músicos, ainda mantemos muito do espírito
com que iniciámos a nossa carreira a sério com o Under:
ser uma banda rebelde a todas as convenções do chamado
Dark Metal, e procurar fazer música que altere a nossa e
a vida das pessoas que contactem com ela. Continuamos, e cada vez
mais, a ter esta visão mais pura e romântica da música
de Moonspell.
UR - Aproveite para falar das principais influências
da banda,e como vocês procuraram reciclá-las, de forma
a dar ao Moonspell uma sonoridade e personalidade próprias.
Moon: As principais influências são
relativas a outras formas de Arte como a música e a literatura
em especial. Em termos de nomes somos influenciados por Metal (Bathory,
Celtic Frost, Root) bem como Darkwave/Gótico (Fields…,
Type O negative) e alguns flirts breves com outros estilos que nos
transmitam um sentimento de visualidade e profundidade como por
exemplo Leonard Cohen ou Nick Cave. Em termos de literatura penso
que o Romantismo e o Decandentismo serão as influências
mais eveidentes, estéticas e temáticas. Toda a leitura
que fazemos destas influências tenta ser o mais pessoal possível
para criar, aquilo que sempre procurámos, que é um
imaginário próprio para Moonspell.
UR - Fale-nos como transcorreram as gravações
de "Darkness andHope", o próximo trabalho da banda,
e o que podemos esperar dele sonoramente.
Moon: Correram muito bem. O ambiente criado foi
excelente e muito apropriado à gravação de
um albúm com um nível sentimental tão forte
como este. Ficámos muito amigos do nosso produtor Hiilii
H. e ele tronou-se nosso amigo e cúmplice. O Finnvox é
um estúdio muito dotado tecnica e humanamente, foi, em suma,
muito bom, correspondendo a todas as nossas expectativas. Em termos
musicais e sónicos, o Darkness and Hope é albúm
melódico, pesado, muito visual, cinematográfico até,
que recupera algumas coisas do nosso passado como a tentativa de
contar histórias através da música.
UR - Quem teve a idéia e como surgiu o cover da
banda Madre Deus?O resultado foi condizente com o esperado? Há
planos para futuros covers em outros albuns?
Moon: Trata-se de uma ideia com alguns anos
que foi recuperada para se inserir no contexto do disco. Queríamos
usar algo que marcasse outra vez a nossa portugalidade e território
de uma forma forte. Encontrámos no original de MadreDeus
todo esse potencial que queríamos explorar à nossa
maneira elétrica e épica. Temos, claro está,
um respeito profundo pela música, mensagem e personalidade
dos MadreDeus, que consideramos a melhor banda nacional de sempre.
Esta versão estará incuída na edição
europeia do disco novo. Para os Estados Unidos fizémos
uma versão de Mr. Crowley, Ozzy Osbourne.
UR - Como se dá o processo de composição
dos arranjos e letras, e qual o grau de interferência dos
músicos na produção dos álbuns?
Moon: Basicamente não existe um método
em concreto. Tentamos sempre, no entanto, falar do ambiente e
da cor que queremos conferir a cada canção. Há
músicas que nascem de letras e vice-versa. A nível
de arranjos, sendo Moonspell, por definição, uma
banda atmosférica, há um trabalho muito cuidado
pois se a matriz da música é importante, muitas
vezes um pequeno arranjo pode definir a intensidade da mesma.
Somos também muito interventivos em tudo o que diga respeito
a Moon, incluindo o trabalho de produção, mas gostamos
de dar espaço e ar às pessoas que trabalham connosco.
UR - Fale sobre o projeto Daemonarch, gostaríamos
de saberse há possibilidade de um novo trabalho de estúdio
ou algum tournos planos para o futuro. Gostaria de saber ainda
se há alguma idéia para algum outro projeto, e de
que gênero?
Moon: Algumas ideias ainda ocultas e a passear
no meu cérebro, mas Moonspell é a minha absoluta
prioridade.
UR - Para vocês, o que de melhor tem sido feito
musicalmente hoje em dia? E no heavy metal especificamente, que
bandas têm se destacado e quais ainda merecem uma maior
atenção?
Moon: Hoje em dia há uma falência
de talento e um poder exagerado de publicidade. A música
não vende pela música, mas pelo impacto a nível
de Imprensa, pela fabricação. No Heavy,em particular,
penso que a tendência é para criar um saco de gatos,
desunião e boato. Continuo a preferir bandas como Katatonia,
Moonspell, Anathema, Type O Negative, Nefilim, etc. que se reinventam
e procuram o seu próprio estilo do que o Metal repetitivo,
que tenta recuperar o que já não tem sentido, ou
o black metal para impressionar adolescentes. Acho que as bandas
e a procura de um estilo acima citadas merecem uma exposição
que não têm.
UR - Como você analisa a cena mundial de heavy metal,
em termos de divulgação, diversidade, qualidade,
quantidade e suas perspectivas para o futuro.
Moon: Penso que a resposta acima elucida bem
o que penso. Há muito cinismo no metal, hoje em dia, e
poucas propostas genuínas.
UR - O Moonspell é uma banda com muitos seguidores
no Brasil. Vocês conhecem a cena brasileira? Como a avaliam?
Alguma possibilidade de agendamento de shows por aqui?
Moon: Segui atentamente a cena brasileira nos
finais dos anos Oitenta, príncipios de Noventa. Possuo
discos de Genocídio, Sarcófago, Sepultura, Aamonhammer,Dorsal
Atlântica e outras pérolas do Metal brasileiro que
tinha muita personalidade na altura. Conheço muitas outras,
somos até labelmates de Krisiun, uma excelente banda, mas,
actualmente, perdi algum contacto com o que se faz aí,
a nível de Metal. Espero, claro, regressar ao Brasil e
tocar para os seguidores de Moonspell aí, aquem aproveito
para salutar, aguardando que recebam o Darkness and hope de mente
e coração abertos. Obrigado !
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