 Em
meados da década de 90, surgiu um certo cartunista do ABC
Paulista que pioneiramente no Brasil resolveu colocar no papel,
mais precisamente nos quadrinhos sua paixão pelo Rock ‘n’
Roll, com grandes idéias na cabeça. Seu nome é
Marcio Baraldi, as vezes auto-nomeado como "O Cachorrão".
Com o nascimento das revistas especializadas no Brasil, ele finalmente
conseguiu conquistar aquele que se tornaria seu público
alvo, os fãs de Rock ‘n’ Roll. Com o tempo,
este se tornou reverência entre os leitores das revistas
especializadas e merecidamente já conseguiu espaço
até em revistas do exterior!
Como as idéias existem de sobra na cabeça desse
gênio, ele já conseguiu lançar livros e até
games para computador (e celular), sendo novamente um pioneiro
no Brasil com essa fantástica idéia. Confira o nosso
bate-papo com este que certamente é o maior cartunista
de Rock do mundo.
Universodorock: Primeiramente, poderia
nos dizer quando você teve contato com o Rock ‘n’
Roll? Quando e como você começou à curtir
e amar esse estilo?
Quando eu era bem pirralho assistia o programa dos Monkeys, que
era um grupo de rock misturado com humor,uma espécie de
Massacration americano da época. Me divertia com aquela
zoeira toda mas ainda era muito pequeno e não sacava o
que era Rock’n’roll. Só fui sacar o espírito
da coisa mesmo com 11 anos de idade quando ouvi a música
“We will Rock You”, do Queen, no rádio. Quando
ouvi aquela batida selvagem pirei no ato e saí correndo
comprar o compacto de vinil daquela música. Foi meu primeiríssimo
disco de rock! E a partir dali virei roqueiro até a medula
e fã de carteirinha do Queen. Logo depois descobri o Kiss,
com aquele visual espetacular de super-heróis! Na sequência
descobri o Punk-Rock com a santíssima trindade Clash-Ramones-Sex
Pistols e aí me converti definitivamente ao rock’n’roll
ate o final dos tempos. Daqui não saio mais, daqui ninguém
me tira(risos)!
Universodorock: E quando você começou
a desenhar, a fazer charges?
Eu comecei a desenhar desde pirralho também, desde que
aprendi a segurar um lápis. Eu era um moleque muito bagunceiro,
insuportável, que não parava quieto e rabiscava
tudo que via pela frente. Aí minha mãe me dava muito
papel e canetinhas pra eu ficar desenhando na mesa da cozinha
e assim eu parava quieto e dava sossego!
E aí com 16 anos eu entrei na profissão, no jornal
Sindiquim,do Sindicato dos Químicos do ABC, e nunca mais
parei! Fui colaborando com um numero cada vez maior de revistas
e jornais.
Universodorock: Mas você fez charges
relacionadas ao Rock desde o início?
Em 1986 eu desenahva para um jornal de rock no ABC chamando Rocker,
lá eu ilustrava a coluna do Moises Dellamonica, da Hellion
Records, que na época escrevia uma coluna sobre metal no
jornal. Além disso eu fazia uns quadrinhos muito loucos
com um personagem chamado Johnny Bastardo, que eu criei pro jornal.
Nessa época eu também fazia umas capas de LPs e
muuuuitos cartazes de shows de rock e bandas em geral.
Até que em janeiro de 1996 bolei a primeira HQ do Roko-Loko
e a ofereci pra revista Rock Brigade, que a comprou no ato e assim
comecei minha parceria lá que já passou dos onze
anos .
Universodorock: E como você criou
o Roko-Loko e a Adrina-Lina, de onde vieram essas idéias?
A primeira história deles eu criei sem pretensão
nenhuma, não era uma série, era apenas aquela HQ
isolada. Mas como a galera da Brigade adorou,eu comecei a fazer
todo mês e assim virou uma série de sucesso. As idéias
eu fui tirando das noticias do mundo do Rock: as primeiras HQs
falavam do disco “Roots” ,do Sepultura, que tinha
acabado de sair, dos Ramones que estavam acabando, do filme “Rock
Horror Show”, que eu tinha acabado de assistir, e outras
doideiras mais.
Universodorock: Com o tempo, você foi gradativamente
conquistando espaço nas revistas especializadas de Rock/Metal
nacional e atualmente nos webzines. Como surgiram essas oportunidades?
Foi assim: as outras revistas começaram a ver que o Roko-Loko
era legal, que estava indo bem, dando ibope na revista e ai foram
abrindo as portas pra mim também. A segunda revista que
eu entrei foi na Dynamite, depois já catei a Metalhead
e a Tattoo, onde criei o Tattoo Zinho, o primeiro personagem tatuador
dos quadrinhos. Isso tudo em 1996.
Na sequencia fui também pra Roadie Crew, Comando Rock,
Rock Underground, Valhalla e pra Headbanger Magazine, do Equador.
E assim virei o cartunista mais rock’n’roll do mundo(risos)!
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