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Hellion Records
 Entrevistas

08/05/2007
Kiko Loureiro - Guitarrista do Angra
Por: Adriana Camargo
 
Antes de embarcar em mais uma parte da turnê internacional “Aurora Consurgens” do Angra, o guitarrista Kiko Loureiro concedeu uma entrevista super exclusiva à repórter Adriana Camargo do Portal Universo do Rock. Ele falou sobre a carreira solo, o Angra e muito mais. Confira abaixo na íntegra:

Universo do Rock: Fale um pouco como foi a primeira parte da turnê internacional do Angra.

Kiko: Na realidade a primeira parte a gente fez em outubro do ano passado quando fomos para o “Loud Park”, um festival no Japão. Nós tocamos antes do Megadeth que era a banda principal do festival. Foi muito boa a super posição que ocupamos no festival. Além do Megadeth teve também o Anthrax e mais um monte de bandas. No outro dia tinha o Slayer e o Dio como bandas principais. Aí foi o primeiro show internacional dessa turnê do “Aurora Consurgens”. Antes a gente tinha feito a viagem de promoção. Eu e o Edu (Falaschi) fomos para a Europa só para divulgar e fazer entrevistas.
Em fevereiro deste ano a gente foi para o Japão tocar com o Blind Guardian para fazer oito shows. Essa foi a maior turnê que fizemos no Japão, porque geralmente eram cinco ou seis shows. Dessa vez a gente fez um show em Sapporo a mais, que é uma cidade do Norte do Japão e os dois shows de Tokyo ficaram esgotados e fizemos uma terceira noite. Então foram três noites em Tokyo em três lugares diferentes. Foi muito bom.

UR: E na Europa?

Kiko: Do Japão fomos direto para a Europa e fizemos um esquema de “tour bus” com shows na França, Espanha, Lisboa, Itália, com um showzinho na Itália e outro na Alemanha bem pequenos para dar tempo de irmos tocar em Moscou que a gente nunca tinha ido e que o show tinha que cair num sábado. A apresentação em Viena até que foi interessante porque foi junto com o UFO. Foi legal porque tinham muitos fãs do Angra misturados na platéia. Foi interessante. Eu até conheci o músico Vinnie Moore que estava lá e eu era muito fã dele quando era moleque. Aí depois do show na Alemanha fomos para Moscou, um local que eu adorei conhecer.

UR: Eles conheciam o trabalho do Angra em Moscou?

Kiko: Sim. Até nos falaram que teve uma época que o Angra foi uma “super moda” lá entre os fãs de metal. Não sei o que significa essa “super moda”, mas o Angra estava em voga como uma banda superbem cotada. A Rússia e a Tunísia são países que funcionam um pouco como o Brasil, pois tem muitos CD´s e outras coisas piratas. Nesses lugares não dá para você medir muito bem pela vendagem, porque os caras não usavam camisetas da banda e os CDs não chegam. Claro que tem CD´s vendidos por lá, mas não dá para sentir isso.
Quando eu fui para a Tunísia os caras me falaram que eram fãs do Angra desde o “Angels Cry”. O cara deve ter escutado pela internet, ou por um amigo que levou um CD. Você tem um grupinho de pessoas que espalham a coisa, mas nada muito significante. Às vezes pode ser aquela banda cult dos fãs de heavy metal. Eu imagino que seja mais que isso. Então em Moscou já havia tido essa época com o Angra.

UR: O Angra tocou em estádio lá em Moscou?

Kiko: Tocamos em uma casa de show. Estádio na Europa não existe. Lá é outro esquema. Só os festivais de Verão é que acontecem em lugares abertos, que tem 10 ou 15 bandas por dia aí sim vão umas 20 mil pessoas. Um show do Iron Maiden é para 15 a 20 mil pessoas como quando eles tocaram na Espanha, por exemplo. Daí você tem uma base de como é difícil ter público lá na Europa. Os ingressos são mais caros também. É outro esquema. Os shows não são que nem no Brasil que tem muita gente. Os gringos vêm pra cá e ficam loucos!

UR: O Aerosmith tocou aqui no mês passado para 60 mil pessoas...

Kiko: Na Europa para você ter 60 mil pessoas num show você tem que ser o U2 ou alguma banda muito forte. Banda de heavy metal você não vai ter, nem o Iron Maiden que consegue ter umas 20 mil pessoas no show. Um festival também tem cerca de 15 ou 20 mil de público. É diferente lá. Fazer show para cinco ou seis mil pessoas como o que a gente faz num Credicard Hall ou Via Funchal não acontece na Europa e nem no Japão. Eles preferem fazer três noites em lugares menores. É outro sistema também. É mais garantido porque se tem público o cara abre mais um dia de show. Ele pega um lugar grande e um lugar mediano. Acho que por isso que o risco é menor. Os caras trabalham mais no lado seguro, o ingresso é mais caro no caso do Japão e na Europa. O ingresso no Brasil também é muito caro. Não dos shows nacionais do Angra, mas show internacional é muito caro. Acho que é por causa do lance da carteirinha de estudante que paga meia e os preços dos ingressos vão lá pra cima.

UR: Como foi dividir os shows com o Blind Guardian no Japão?

Kiko: Foi legal porque é uma banda super profissional. Tem uma equipe boa também. Da equipe deles eu já conhecia o Peter que já trabalhou com a gente, que era roadie do Andreas. Ele fez turnê com a gente e já o conhecíamos quando ele trabalhou com o Stratovarius, pois ele era roadie do Timo Tolkki.
Então, os caras são super gentis, gente fina, tranqüilos. Foi legal porque a gente ficou 15 dias viajando juntos, no hotel, nas saídas, no lobby. As saídas dos shows tinham horários diferentes, mas quando eram viagens sempre tinha microônibus das duas bandas juntas e no avião também. Então é legal que você bate-papo com outras pessoas de uma banda experiente também.

UR: Quando o Blind Guardian se apresentou aqui recentemente alguns integrantes do Angra tocaram com eles...

Kiko: Eu não estava no Brasil, mas o Edu e o Felipe participaram do show. Criamos um laço de amizade e respeito entre as duas bandas. É legal porque o Hansi Kürch cantou numa música do “Temple of Shadows” e no terceiro show de Tokyo fizemos uma surpresa e ele cantou com a gente lá. É engraçado porque você conversa com o cara e não faz idéia do que ele conhece do Angra. Ele veio e falou pra gente: “Sabe no Holy Land, na segunda música na terceira parte eu acho que não sei o quê. Já no Fireworks em outra música eu gosto muito daquele riff. No Rebirth vocês foram mais para cá”. O cara sabia super bem assim. Do Blind Guardian eu conheço um pouco, mas não poderia falar do riff de tal disco e coisa e tal. Isso foi legal porque ele falou que quando eles gravam trabalham com o Charlie Bauerfeind que foi o produtor dos dois primeiros CD´s do Angra (Angels Cry e Holy Land) eles sempre põem o Angra como referência para ouvir. Assim como a gente também escuta Blind Guardian para ver o que os caras estão fazendo. Ouvimos também o novo do Helloween para saber qual a tendência, o som, o timbre, para saber o que eles estão fazendo. Você ouve um pouco pelo lado técnico e não só como fã. É bom isso.

UR: Como surgiu o convite para você tocar na Tunísia na África? E como foi lá?

Kiko: Foi um cara que conhecia o Angra e me conhecia como guitarrista. E ele queria fazer uma coisa de guitarra lá na Tunísia que ia ter um festival de jazz. Dentro desse festival tinham vários eventos rolando. Na parte principal tinham os grandes artistas de jazz lá. Tinham outros teatros rolando apresentações de outros artistas de jazz menores e em um desses teatros ia ter uma noite do rock dentro desse conglomerado todo de eventos que estavam acontecendo nesse período. E aí eu fiz os workshops lá na França porque tenho uma relação forte com esse país, o Angra também tem. E o lance de eu ter ganhado como o primeiro guitarrista pela revista Burn também ajudou bastante porque ele conseguiu que a embaixada brasileira conseguisse todo o esquema e a verba para eu ir para a Tunísia. Eu fui pelo Ministério das Relações Exteriores.

UR: Tudo custeado pelo Brasil?

Kiko: Pelo Governo brasileiro. E fiquei lá com o pessoal da embaixada. Pelo fato de levar um brasileiro que foi eleito como o melhor guitarrista do mundo para a Tunísia para mostrar a música do Brasil dentro de uma série de eventos que estavam acontecendo naquele país.

UR: O que você fez por lá?

Kiko: Eu fiz workshops e toquei com os caras de lá também. Uma noite era tipo uma jam com os caras, as bandas e com os guitarristas que os caras gostam de lá. Era um lance mais roqueiro. E aí teve também o workshop. No outro dia rolou uma jam que estava dentro da programação do festival com os músicos de jazz da Tunísia.

UR: Só foi você então?

Kiko: Sim, só fui eu. Aí eu tive que tocar com os caras de lá. Mas foi legal, pois a idéia era fazer essa interação.

UR: Vocês tocaram músicas do seu trabalho próprio?

Kiko: Não, aí no caso foi jam. Nós tocamos uns standards do jazz e uns rocks. Os caras tocaram antes coisas deles e depois eu entrei e participei da jam. Foi uma coisa mais ou menos assim. No workshop eu toquei as minhas músicas.

UR: O que representou para você a premiação da Revista Burn em que você foi escolhido como o melhor guitarrista do mundo?

Kiko: Achei legal. Foi um susto, porque antes eles marcaram uma entrevista comigo que não estava nos planos quando eu estava no meio da turnê do Angra no Japão. Eles me avisaram que eu tinha que fazer uma entrevista com a Burn de meia hora e eu nem sabia. Eu já tinha sido entrevistado por eles, já tinha feito um monte de coisas para a Burn, então eu pensei: “por quê será?”. A entrevista era mais ou menos assim: você ganhou o primeiro lugar, o que você sente? Assine aqui para sair uma foto assinada pelo vencedor com agradecimento. Foi aí que eu levei mais um susto.
Mas foi engraçado porque o Felipe (Andreoli) tinha sofrido um acidente e chegou lá naquelas condições e tava um clima meio triste e ao mesmo tempo tinha a minha entrevista com a Burn. Eu pensava: que droga que o Felipe vai ter que tocar sentado no show, mas ao mesmo tempo estava rolando esse outro negócio da premiação. Tanto que eu nem falei para os caras da banda na hora. Não tinha clima. Eu falei depois e tal. Porque era complicado ficar vibrando um negócio e o cara ao mesmo tempo no maior clima ruim. A gente não sabia como ia ficar a boca dele e foi um susto quando a mulher me perguntou “Como você se sente sendo o primeiro?” Eu já tinha sido o quarto colocado em outro ano. É uma coisa muito significativa, porque o japonês adora guitarra e sempre são mais ou menos os mesmos caras: Ritchie Blackmore, Y. Malmsteen, Paul Gilbert, Steve Vai, entre outros.
Aí ser eleito assim na frente de todos esses caras foi muito bom. Mas não é um lance de tocar mais ou menos. Eu encaro como aquela pesquisa “Top of Mind” que fala “qual o 1º nome que vem na sua cabeça quando você fala de tal coisa?” Que primeiro nome vem a tua cabeça quando você fala de guitarristas de rock? Aí o cara pensa em mim. Por esse lado é bom, né. Porque eu lancei dois discos no mesmo ano. O disco solo completamente diferente e o álbum Aurora Consurgens que tem muitas músicas minhas não só como guitarrista, mas também como compositor e tudo mais. Eu acho que isso soma bastante. E depois um disco mais de jazz e isso entre os músicos dá respeito.

UR: E com o público?

Kiko: Entre o público do heavy metal eu não sei o que as pessoas acham direito. Se realmente gostam ou só falam que gostam e tal. Geralmente todo mundo fala que gosta (risos). Entre os músicos, no mínimo rola um respeito: “nossa o cara toca outro tipo de som”. Isso aí acrescentou muito e os leitores da revista acho que viram isso aí.

UR: A sua versatilidade, né?

Kiko: Acho que conta. O japonês considera bastante essa coisa da versatilidade. O brasileiro também considera muito. “Oh, o cara faz isso e também consegue fazer aquilo. Olha que legal ele toca de tudo”. O brasileiro tem um pouco desse pensamento.

UR: Lá fora em outros lugares eles vêem muito isso?

Kiko: É em outros lugares como a Inglaterra, por exemplo, você vai ver que as listas são mais dos caras das bandas. Os guitarristas históricos nunca vão deixar as listas. Também tem que ver que a eleição é do ano de 2006. O negócio é aberto senão o cara sempre coloca o Jimi Hendrix. Mas o japonês não tem muito essa de ficar votando no Jimi Hendrix ou no Van Halen. Já o inglês já teria Eric Clapton, Jimi Hendrix, entre outros, que vão sempre estar ali, ou as pessoas que estão continuando esse legado. Afinal, cada país tem os seus critérios.

UR: Como tem sido a recepção dos fãs do seu trabalho solo “Universo Inverso?”.

Kiko: Eu toco sempre as músicas e o pessoal já conhece. Eu fiz um show que passou no programa “Bem Brasil”, que foi exibido no dia 28 de abril. Foi legal. Para mim a música primeiro vem pelo artista. Era uma necessidade minha que eu quis fazer. Nasce daí. Muitas pessoas gostam, outras respeitam e ninguém falou mal. Isso foi bom para mim pelo fato de ser um estilo bem diferente a expectativa gerava dúvidas. Se eu fizesse um disco igual ao “No Gravity” eu ficaria mais preocupado em ter uma boa aceitação, ou ser melhor que o anterior. Mas com esse CD eu não tinha expectativa nenhuma de superar o álbum anterior. Era um negócio à parte. A maioria das pessoas achou legal, porque os músicos tocam super bem e foi um negócio bem espontâneo. Isso ajudou bastante nessa premiação do Japão. Os jornalistas de revistas de guitarras como a Burn e de outras ficaram surpresos com isso aí.
Na realidade a gravação do disco em si foi um incentivo da própria gravadora do Japão. Eles disseram: “Agora é hora de você mostrar que também faz isso aí. A gente lança o teu disco”. Quando eles falaram isso eu resolvi arriscar, senão eu podia ter ficado com o disco na mão sem ninguém pra lançar.

UR: E eles lançaram o trabalho solo?

Kiko: Lançaram lá. Saiu na Europa no começo do ano e está indo bem.

UR: E o “Aurora Consurgens” está indo bem?

Kiko: Também está. Com a turnê a gente está mostrando o trabalho. Estamos indo para o México na próxima semana e para outros países da América Latina. Estamos fazendo show direto. O mercado está pior assim no mundo inteiro por uma série de fatores que eu até imagino quais sejam. O Angra está no meio disso. No Brasil está um pouco pior que em 2002 e 2003, por causa da internet que afeta as vendas de CD´s e dos shows no geral. Isso pode ser uma coisa cíclica, ou não. Já foi pior e voltou a melhorar. Na época em que a gente lançou o “Rebirth” o mercado estava bom. Nós demos sorte, assim como o Lula hoje dá sorte no Governo porque o commodities está em alta no mundo inteiro e ele tem um superávit na balança comercial. O cara está se aproveitando disso. Aí você lança um disco e está aquele boom de heavy metal, como estava na época do Rebirth e um pouco depois. Foi bom no geral. As bandas vinham ao Brasil e lotavam o Via Funchal como o Edguy, o Nightwish. Depois o Nightwish parou, o Sepultura também ficou mais devagar e no show do Edguy teve menos gente. Teve uns shows menores. O Blind Guardian eu sei que foi bom, apesar de eu não estar aqui. Eles vêm poucas vezes pra cá. Agora está indo bem.

UR: Mudando um pouco de assunto...Sobre aqueles quadros da pintora francesa Marie Lambert. Você já conhecia a artista? Achei super legal essa história dela fazer uns quadros inspirados no seu trabalho.

Kiko: Eu já sabia desses quadros, mas é que só agora ela me entregou um quadro. Já faz tempo ela pintou um, depois outro e acabou fazendo uma série de 35 quadros, justamente a idade que eu tenho. E aí ela me entregou o último justamente nessa viagem. Ela foi lá e levou o quadro, aí eu a conheci. Eu nem sabia a cara dela direito. Ela me escreveu uns e-mails dizendo que estava pintando os quadros. Ela não conhecia o Angra. Ela me viu por alguma foto e gostou da imagem, da guitarra, sei lá. Aí pintou um quadro e começou a ir atrás. Ela soube que eu viajava muito por causa da minha banda Angra, ouviu e gostou do som. E começou a pintar mais quadros só da guitarra, do meu rosto e fez uma série. Ela me usou como um personagem ali. Não era nem porque ela era fã do Angra, mas era uma artista que viu uma foto minha e gostou da imagem. E pintou um quadro baseado naquilo. E depois ela foi desenvolvendo, ela foi ao show e entregou o quadro. Ela já expôs as obras e ganhou prêmio por um dos quadros. Ela me contou e eu achei bem legal. Agora ela quer fazer algum esquema de exposição junto com um workshop. Ela já fez exposição dos quadros, mas ela quer conectar a imagem com a música. A gente está vendo isso. É interessante. Talvez eu volte para a Europa em setembro e se rolar será legal.

UR: Tem alguma perspectiva dos quadros virem para o Brasil?

Kiko: Os quadros são grandes e aí não é um negócio mega, além de ser uma coisa meio egoísta fazer uma exposição só com quadros com a minha cara. O ideal é eu ir para a França e fazer alguma coisa lá. E ela armar uma exposição lá. Do que trazer um monte de quadros pra cá. Para trazer o que ela me deu já foi difícil porque ele era muito grande. Eu não vi os outros quadros, só pela internet. Ela me pediu para por o link. Esse site com esses quadros já existe há alguns anos. Tanto que os quadros têm muitas coisas do “No Gravity”. O tema foi esse CD.

UR: Voltando ao Angra. Vocês estão retomando a turnê internacional agora em maio. Qual a sua expectativa em relação a isso?

Kiko: Os países que nós estamos indo como a Argentina, faz tempo que a gente não toca por lá. No Peru nós nunca fomos. Então tenho mais expectativas em tocar no Peru, por ser novidade. No restante da América Latina será bom rever os amigos e conhecer outras pessoas. Afinal, o grande lance da música é isso: tocar e se divertir com as pessoas. No México essa é a terceira vez que a gente vai tocar lá. Já estamos a tanto tempo fazendo esses “giros”. Diferente foi quando eu fui para Moscou ou para a Tunísia, lugares em que você tem curiosidade em saber o que acontece daquele lado do mundo. É legal, o negócio é ir lá e fazer bons shows para manter os fãs. E voltar daqui a uns dois anos.

UR: Você tem planos de quando voltar da turnê com o Angra retomar os shows do “Universo Inverso?”.

Kiko: Não. O Universo Inverso rola quando tem algum show. A gente vai fazendo quando for pintando e encaixa na agenda. O lado bom do Universo Inverso é que os caras tocam muito bem e eles chegam e já saem tocando. Pode só dar uma passadinha antes. Teve um show em Bauru que o Cuca (Teixeira) não pode tocar e um outro batera tocou no lugar dele. Ele pegou a partitura e saiu tocando. É um tipo de música que se você ouvir o que o outro estiver tocando dá pra tirar na hora. Isso é uma particularidade que os bons músicos tem que ter e nem todo tem. E os de rock muito menos. Os caras de jazz e MPB pegam bastante. É só ouvir o que o cara está tocando e conseguir responder na hora. Não precisa nem ensaiar muito, só precisa entender o tipo de som. No rock as caras têm que ensaiar mais porque tem coisas mais definidas.

UR: Na internet tinha um monte de gente reclamando sobre o que aconteceu no show do Angra em Santo André. Qual é a sua versão sobre o que aconteceu lá?

Kiko: Eu também não entendi direito, mas na realidade reclamaram porque eu pedi para os seguranças saírem. O que aconteceu é que a grade quebrou, mas em vários shows isso já aconteceu. Aqui em São Paulo não costuma acontecer, mas fora de São Paulo acontece muito de quebrar a grade e as pessoas ficarem esmagadas. E os seguranças ficam lá. Elas já estão esmagadas e quando a grade quebra fica um desespero e elas não tem onde se apoiar. Os seguranças não estão preparados para isso. Eles entram no palco e ficam olhando para as pessoas sem saber o que fazer com o show rolando.
Eu falei para eles saírem e quando terminou a música eu fui lá atrás do palco e falei o que eles tinham que fazer. O que aconteceu é que eles não sabem agir nessa hora. Quando um cara invade o palco eles batem no cara. Já paramos música no meio para pedir para o segurança não bater nos caras, ou começa a puxar a pessoa no meio do palco. Não é assim que se faz. Na realidade o cara não pode entrar onde está o vocalista na nossa frente e ficar, aliás, olhando para as pessoas tentando resolver. O segurança tem que ir de lado sem atrapalhar o show porque ele está rolando. A não ser que seja um negócio grave a gente paralisa. Lógico que se tiver pessoas sendo esmagadas não dá para perceber o quanto está, porque a visão que temos do palco é que sempre tem um monte de gente esmagada.
O segurança tem que socorrer as pessoas de lado sem bater nas pessoas. No meio do palco o cara ficar parado de braços cruzados não dá para os seguranças ficarem. Organiza, meu! No Nordeste a gente chegou a levar segurança nosso cara profissional que sabe controlar. É complicado controlar a multidão.
Eu li um pouco do que o pessoal escreveu no meu blog, mas eles não sabem o que aconteceu ali. No palco o segurança não pode ir do jeito que eles foram por isso é que eu pedi para eles saírem.

UR: O pessoal não entendeu muito bem...

Kiko: Quem vai ao blog é o mesmo cara que foi no show. Na hora não dava para perceber que estava assim. Os fãs não têm noção de que tinham duas mil pessoas lá. A gente fica com a vista ofuscada pela luz e vê um mar de gente de preto e quem ta na frente sempre está esmagado. O negócio caiu ali e o pessoal ficou desesperado. O segurança não é daquele jeito que se trabalha. O cara não entrou para pegar aquela pessoa que ta passando mal. Eles não foram assim. Os seguranças entraram no palco só para ver o que estava acontecendo. O show estava acontecendo. Não é assim que se trabalha, eles têm que aprender a trabalhar.

UR: Você tem alguma mensagem para deixar para os fãs?

Kiko: Muito obrigado aos fãs. A gente deve fazer mais uns shows em junho. Vai ter o “Piauí Pop” em julho. Depois nós vamos dar uma parada, porque a gente fez tudo seguido, a turnê e o disco. Faremos uma parada de um mês para ver se vem umas idéias para um novo trabalho. Os shows no Brasil acontecerão conforme os pedidos, porque a gente já fez praticamente todas as capitais. Se tiver contratantes que queiram fazer shows no interior de São Paulo a gente faz. Agora será mais leve. É um pouco do reflexo do mercado, porque na turnê do Rebirth a gente voltou duas ou três vezes na mesma cidade.


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Site Oficial: www.angra.net