
Santa Catarina é um Estado pequeno
e que não tinha nenhuma banda de grande expressão
dentro do cenário Brasileiro. Porém, em meados
de 2004, surgiu uma banda chamada Juggernaut que vem conquistando
um grande espaço dentro do cenário nacional, com
uma trabalho árduo e sério.
Com uma carreira curta, a banda já lançou uma
Demo (auto-intitulada) que causou uma bela impressão
dentre os fãs de Death Metal e com a mídia especializada
e acaba de lançar seu primeiro álbum, “Lines
Of The Edge”.
O guitarrista da banda, Célio Jr., fala-nos com exclusividade
sobre todo o passado e futuro dessa banda muito promissora,
seus objetivos e grandes conquistas, confira:
Universodorock: Bom, pra começar, você
poderia nos falar sobre os primórdios da banda? Como
começou suas atividades?
Célio Jr: Saudações Gabriel! A banda foi
formada por mim e o baterista Daniel Higa, da banda Bedlam,
quando eu encerrei minhas atividades na Rhestus. Isso foi no
início de 2004, convidamos outros membros para se juntarem,
mas não tínhamos uma formação sólida.
Somente em maio de 2005 que conseguimos consolidar uma formação,
que era eu (Célio Jr) na guitarra, Daniel Justen no baixo
e vocal e Edinho na bateria. A partir daí, como trio,
começamos a compor todas as músicas novamente
e cinco meses depois, em Outubro de 2005, gravamos nossa primeira
demo auto-intitulada. Na realidade dizemos hoje que a Juggernaut
iniciou oficialmente suas atividades em Maio de 2005.
Universodorock: O nome da banda além de ser
impactante e marcante, tem tudo a ver com a proposta sonora!
Realmente uma excelente escolha.
Célio Jr.: O nome significa uma grande massa de destruição,
existe um aparato militar da década de 40 com o mesmo
nome e também existe a analogia ao personagem violento
do X-Man com o mesmo nome. Os três nos remetem a um significado
de muita força, que é justamente o que procuramos
mostrar com nossas musicas, muita velocidade e peso, nada melhor
que um nome que destacasse estes elementos.
Universodorock: Porém, Juggernaut é um
nome bastante comum. Se não me engano, só nos
Estados Unidos existem três Juggernauts! Vocês têm
medo de que isso gere problemas no futuro?
Célio Jr.: Pra falar a verdade, eu só soube de
uma única banda Juggernaut, que lançou um disco
chamado Baptism Under Fire, e que acabou em meados dos anos
80. Nunca tive conhecimento de outra banda com o mesmo nome.
Creio que isso não gere problemas, pois este nome atualmente
está registrado pra gente e todos os direitos autorais
pertencem a nós aqui no Brasil.
O mais gozado de tudo é que quando formamos a banda,
nem aquela que citei acima nós conhecíamos, foi
um amigo da Alemanha que conhece muito de som que comentou conosco
que existia outra. Depois disso pesquisamos a fundo e realmente
existia, mas não foi feito nada com intenção
de plágio, muito menos para prejudicar alguém.
Se existisse alguma outra banda com o mesmo nome na ativa quando
a formamos, obviamente iríamos trocá-lo.
Universodorock: Bom, logo de cara, a banda lançou
sua demo (auto-intitulada) e conseguiu um excelente repercução!
(Quer falar um pouco sobre isso?)
Célio Jr.: Lançamos a demo em outubro de 2005,
que foi muito bem comentada, fomos até eleita a banda
destaque do mês na seção “Garage Demos”
da revista Roadie Crew o que nos deixou muito satisfeitos.
Não pudemos fazer muitos shows para divulga-la na época,
porque logo depois tivemos mudanças no line-up e tivemos
que entrosar novos integrantes novamente, além disso,
logo depois iniciamos as composições do Lines
of the Edge e entramos em estúdio, lançando o
full lenght no final de 2006.
Universodorock: Algum tempo depois vocês anunciaram
um aumento na banda, mais um guitarrista. Quais foram os motivos
pra esse aumento no line-up?
Célio Jr.: Eu estava compondo riffs diferentes, duetos,
enfim, acrescentando elementos novos às musicas, e com
apenas uma guitarra estava complicado de fazer. Além
disso, as guitarras das nossas músicas são muito
complexas o que deixava as apresentações ao vivo
muito complicadas em trio.
Foi aí que rolou a entrada do Fabrício na banda,
que também contribuiu com idéias novas para a
banda.
Universodorock: Não muito tempo depois, vocês
gravaram e lançaram seu debut, “Lines Of The Edge”.
Assim como na demo, o debut é de uma qualidade enorme.
Gostaria de falar um pouco sobre o processo de composição
e gravação da banda?
Célio Jr.: Exatamente um ano depois de lançarmos
a demo, entramos em estúdio para gravar o nosso primeiro
full lenght, Lines of the Edge. O álbum tem uma levada
diferente da demo, é mais maduro e trabalhado. Gastamos
mais tempo para grava-lo o que contribuiu para melhorar a qualidade,
que para um álbum independente acredito estar bacana.
Universodorock: Além das três excelentes
músicas da demo – “Holy Lie”, “Anytime
it Will Be Over” e “A Question to be Answered”
-, a banda apresenta-nos novas músicas incríveis!
Não consigo parar de ouvir a “Lines Of The Edge”...
Célio Jr.: A Lines of the Edge é uma musica forte
mesmo, uma das que saem mais violentas ao vivo e o pessoal mais
curte. O importante é recebermos esse tipo de crítica
positiva como a sua, sinal de que nossas músicas estão
evoluindo e o pessoal tem notado essa evolução.
Universodorock: Novamente, após o lançamento
do álbum, a banda anunciou mais uma mudança na
formação, a saída do baterista Edison Roberto.
Qual foi o motivo da saída dele?
Célio Jr.: O Edinho acabou tornando-se músico
profissional, tendo outras bandas, não necessariamente
de metal, o que fizeram com que o tempo dele ficasse limitado.
Estava complicado para gente marcar uma tour, sendo que não
tínhamos certeza da disponibilidade dele, foi esse o
motivo que fez com ele deixasse a banda após a gravação
do full lenght.
Universodorock: Mas a banda já tem um novo baterista,
Carlos Lana, gostaria de apresentar-nos ele?
Célio Jr.: Carlos entrou na banda ainda quando o Edinho
estava conosco, o que tornou a mudança menos traumática.
Tivemos sorte de achar um músico com as qualidades dele
tão rapidamente. Hoje, é possível notar
claramente a velocidade absurda das nossas músicas ao
vivo, o Carlos contribuiu muito para que a banda ficasse ainda
mais agressiva.
Estamos compondo novas músicas com ele, e podemos sentir
uma mudança bastante significativa, devido a grande influência
que ele tem de música progressiva. Isso será um
passo importante na qualidade do próximo álbum.
Universodorock: A banda lançou “Lines
Of The Edge” de forma independente. Vocês chegaram
à receber propostas de alguma gravadora?
Célio Jr.: Na realidade sim, mas eram propostas sem muita
expressão e que não iriam divulgar a banda de
forma significativa, por isso optamos em lançarmos independente.
É melhor você trabalhar sozinho, do que trabalhar
com alguém que não faz muita coisa e leva a maior
parte da venda do álbum.
Tem o fator tempo também, não queríamos
esperar demais as gravadoras, estávamos com o álbum
pronto e um cronograma a ser cumprido, decidimos prensa-lo logo
para não atrasar uma série de coisas que temos
marcadas.
Universodorock: Apesar das facilidades na comunicação
hoje em dia, agendar shows no Brasil, principalmente uma turnê
em se tratando de uma nova banda, é muito difícil.
Vocês já conseguiram agendar algumas datas para
esta nova turnê?
Célio Jr.: Sim, temos bastante coisa agendada, mas o
trabalho é árduo e requer dedicação,
o que é complicado ainda mais numa banda onde todos os
integrantes tem outra vida profissional paralela e não
temos ninguém que faça este trabalho pra gente,
é tudo na raça mesmo.
Mas estou bastante satisfeito, temos uma série de shows
importantes no Sudeste, até o momento dezenove datas
marcadas para estados de SP, MG, PR, RS, SC.
Em novembro estamos planejando nossa tour pelo nordeste, temos
recebido muita ajuda do pessoal de lá. São aproximadamente
nove shows para serem feitos em duas semanas, mas ainda não
posso dar maiores informações, pois a coisa toda
ainda está em negociação.
Universodorock: Por vocês morarem em um estado
que fica perto de outros países, vocês já
conseguiram entrar em contato com alguns produtores de lá?
Talvez role algum show?
Célio Jr.: Justamente, nessa primeira parte da tour temos
dois shows já confirmados para Maio em Assuncion e Ciudad
Del Este no Paraguai.
Existe convite para fazermos Corrientes e El dorado na Argentina,
estamos em negociação com os produtores ainda.
Universodorock: Pelo o que eu sei, em seu estado, não
existe nenhuma banda de grande destaque. Quem sabe o Juggernaut
será esta banda!?
Célio Jr.: Estamos trabalhando muito para isso, o caminho
é árduo e difícil, mas já estamos
colhendo frutos do sacrifício que fazemos pela nossa
música e pelo Metal.
Creio que quebramos várias barreiras, tocando em estados
onde bandas catarinenses jamais tocaram, participando de festivais
enormes como o Rock Contra a Fome (N.R.: Festival que ocorre
na cidade Uberlândia, o qual é beneficente e tem
um público enorme) aí em MG, tendo o reconhecimento
da mídia em vários aspectos, e obviamente, o carinho
enorme de nossos fãs!
Isso tudo, numa banda que ainda nem sequer completou dois anos
de existência e que jamais pagou jabá para banda
gringa, nem comprou espaço na mídia, como vários
casos que a gente conhece!
Isso nos deixa muito, muito contentes e devemos tudo isso aos
fãs, a imprensa e a pessoas como você Gabriel,
que desde o começo vêm nos ajudado e muito nessa
longa batalha.
Universodorock: Bom, obrigado pela entrevista. Deixo
o espaço pra vocês.
Célio Jr.: Agradeço novamente o espaço,
e desejo vida longa a esse trabalho honesto que é o Universo
do Rock. Novamente, obrigado a você Gabriel, por tudo
que tem feito pela gente.
Agradeço aos fãs de todo o Brasil, e ao publico
de Minas Gerais, estamos pisando aí nos dias 7, 8 e 9
de Setembro!!!
Um grande abraço a todos e nos veremos na estrada!!!