
A
banda Hangar foi criada em 1997, mas no início eles tocavam
covers de outros grupos como Dream Theater, Primal Fear, Helloween
e Yngwie Malmsteen. Após um tempo trabalhando juntos
os músicos começaram a fazer composições
próprias. Recentemente a banda lançou pela Marhceco
Records o seu terceiro álbum intitulado “THE REASON
OF YOUR CONVICTION”, distribuído no Brasil pela
Dynamo Records e que também já está sendo
comercializado no exterior. O portal Universo do Rock conversou
com eles para saber um pouco mais da trajetória de sucesso
dessa grande banda brasileira. O Hangar é formado atualmente
por Nando Fernandes (vocal), Aquiles Priester (bateria e percussão),
Fábio Laguna (teclados), Eduardo Martinez (guitarra)
e Nando Mello (baixo). Confira abaixo a entrevista na íntegra:
1. Contem um pouco como foi o processo de composição
do terceiro álbum da banda "The Reason of Your Conviction"?
Fábio Laguna
- Seguimos o “Manual Básico Para um Disco
de Sucesso”, rs. Na verdade, durante uns dois anos foram
feitos vários laboratórios, como violão
e voz, guitarra e teclado, guitarra e baixo, etc. Depois passamos
para guitarra, teclado e bateria. E depois reunimos toda a banda
para definir os arranjos instrumentais. No final, eu e o Aquiles
passamos tardes e tardes compondo as linhas vocais. Foi um trabalho
minucioso, muito cansativo, mas que valeu a pena.
Aquiles Priester
– Outra coisa importante, é que fizemos esse disco
no meio da agenda apertadíssima do Angra. Ou seja, o
tempo que tínhamos livre para descansar estávamos
investindo no Hangar. Hoje vejo que tudo valeu a pena. Esse
disco é resultado da superação da banda
como um todo. Não consigo imaginar outras pessoas tocando
essas músicas ou compondo esse material.
2. Quando começaram a criar as músicas
para esse terceiro trabalho vocês já pensavam em
fazer um disco conceitual com um tema meio mórbido como
esse da história de um assassino em série, ou
tiveram outras idéias de temas durante essa fase do processo?
Quais?
Laguna
- Sim, a gente decidiu que esse disco seria conceitual ainda
durante fase de composição e falaria sobre um
serial killer. Como o Aquiles é o mais familiarizado
com esse tema, achamos normal que ele escrevesse as letras.
Aquiles
– Queríamos um assunto que prendesse a atenção
das pessoas e o tiro foi certeiro. A grande jogada é
que quando a pessoa pega as letras para interpretar, e encontra
um grande quebra-cabeça, que mais parece um jogo. Algo
que faz o ouvinte pensar a respeito de tudo que o personagem
está passando. Na maioria das vezes, o personagem dá
a impressão que ele pode ser qualquer coisa, menos um
serial killer. É aí que está o grande gancho,
pois nossa idéia não era passar as coisas ruins
que pode existir na mente de um serial killer e sim a estratégia
de vida, a precisão e a margem de erro zero. Isso só
acontece quando as coisas são estrategicamente calculadas
e um serial killer sempre age dessa forma. De alguma forma,
consigo ver a nossa música desse jeito.
3. Como tem sido a receptividade do público em
relação a esse novo trabalho?
Laguna - Até agora só temos
recebido críticas muito positivas ou, raramente negativas,
que são as mais produtivas possíveis. Quando se
lança um disco, dá sempre um frio na barriga,
porque é a hora da verdade. É o momento em que
você dá a cara pra bater. Mas já percebemos
que fizemos a lição direitinho. A aceitação
tem sido fantástica.
Aquiles
– Só para se ter idéia disso, na edição
de novembro da revista Burrn! no Japão, ficamos em décimo
sexto lugar no ranking dos cinqüenta discos de metal mais
vendidos do país. Todos sabem que o Japão é
um dos países mais difíceis de emplacar uma banda
no mundo da música e sabemos que estamos sendo muito
bem representados lá pelo nosso disco e por nossa gravadora.
Aqui no Brasil não tem sido diferente, pois nos poucos
shows que fizemos, pudemos ver o público cantando em
massa as músicas do novo disco e também os velhos
sucessos como “To tame a Land”e “Inside your
Soul”.
Nando Mello – Tem sido a melhor possível, onde
temos tocado a receptividade tem sido ótima.
4. Por que escolheram a música "Call me
in the Name of Death" para fazer o primeiro clipe?
Laguna -
Ela é um aperitivo para todo o resto do disco. Sintetiza
toda a atmosfera do TROYC de forma mais simples.
Aquiles
– Foi a música que foi unanimidade entre toda banda
e também pudemos pensar num bom roteiro para ela. A locação
ajudou muito e tudo está ligado ao clipe, desde a arte
gráfica do disco, o cenário dos shows, as fotos
promocionais e o site.
Nando Mello – Eu considero que foi a escolha certa porque
sintetiza muito bem o trabalho.
5. Ainda sobre o clipe, como foi o processo de escolha
da locação em que a estação ferroviária
foi selecionada?
Aquiles
– Um dos filmes que assisti várias vezes foi “O
Colecionador de Ossos” e a música “Your Skin
and Bones” foi inspirada nesse filme. Tem uma cena desse
filme que mostra uma linha de trem como local de um crime onde
o serial killer deixar algumas evidências e a policial
interpretada por Angelina Jolie, percebe que aquilo é
muito mais que a prova de um crime e sim um sinal que muita
coisa ainda iria acontecer. As letras desse disco seguem essa
linha de raciocínio e para se entender bem o que quero
dizer, a pessoa tem que me conhecer um pouco, pois para entender
bem a história, é preciso prestar bastante atenção...
A minha biografia já é um bom começo...
Voltando a locação do clipe, essa estação
de manutenção de trens estava abandonada em Campinas
e quando a vimos percebemos que teríamos um bom roteiro
e boa fotografia.
6. O que vocês acharam do resultado final do clipe?
Laguna
- Uma surpresa muito boa! Posso dizer que foi uma produção
artesanal, dirigida de forma brilhante pela Carina e pelo Fred.
Tudo conspirou a favor quando estávamos gravando o clip.
Por exemplo, a luz usada em muitas tomadas usadas no clip é
natural.
Aquiles
- A edição e os efeitos que eles (Carina Zaratin
e Fred Ouro Preto) fizeram deram um charme muito especial ao
nosso trabalho e eles entenderam o que esperávamos do
roteiro. O clima de trabalho foi maravilhoso e nos divertimos
o tempo todo... Nem parecia trabalho... Na verdade, não
achamos que isso seja!!! Quem duvidar, veja o making of do clipe
que vem no DVD bônus, pois é hilário!!!
7. Quais os próximos planos do Hangar para 2008?
Aquiles
– Queremos tocar muito pelo Brasil. Queremos chegar onde
poucas bandas conseguem chegar, pois estamos levando a estrutura
completa do nosso palco e com isso o show ganha muito em termos
visuais e qualidade sonora. Fora isso, queremos gravar um DVD
e também um novo disco ainda esse ano. Em março
vamos relançar o primeiro disco da banda, o Last Time
e virá com material inédito como a regravação
da música “Angel of the Stereo” e um cover
para a música do Journey “Ask the Lonely”.
Fora isso, o outro bônus será um DVD com toda a
história da banda e uma entrevista exclusiva da época
que estávamos prestes a gravar o TROYC.
8. Quais as próximas datas de shows no Brasil
da “The Conviction Tour "?
Aquiles
– Ainda estamos negociando as datas e em breve elas serão
divulgadas no nosso site.
9. Vocês pretendem tocar fora do Brasil este ano?
Onde?
Laguna
- Há planos para uma turnê européia e também
pela América Latina. Ainda não sabemos exatamente
até onde este disco nos levará, mas as expectativas
são as melhores possíveis.
Aquiles –
Estamos com os pés bem no chão e mesmo que nos
falem um monte de coisas e possibilidades, só acreditamos
depois que o contrato estiver assinado. Mas as chances são
muito boas.
10. (Essa é para o Aquiles e para o Fábio
Laguna) Como vocês conseguem conciliar a agenda do Hangar
com a do Angra?
Laguna
- Já trabalhei simultaneamente com 11 bandas quando era
free lancer, há muitos anos atrás. O Angra não
está em atividade há um bom tempo e mesmo assim,
conciliar a agenda de duas bandas é muito fácil.
É só conversar. Hoje, além do Hangar, temos
o Freakeys, e ainda tenho meus trabalhos pessoais, como a minha
banda cover OFFicina do sON. Com planejamento tudo funciona
numa boa.
Aquiles
– Geralmente tem outro jeito também... É
só não tirar férias nunca... rs.
11. Depois da entrada do Nando Fernandes vocês
acharam que o som da banda tomou uma outra direção?
(eu particularmente achei que a voz dele se encaixou bem no
som da banda);
Eduardo Martinez:
As músicas Call Me In The Name Of Death, One More Chance
e Captivity foram compostas por último, já com
o vocal de Nando em mente. São músicas bem diferentes
entre si e também bastante diferentes das composições
do Hangar até então. O fato de Nando Fernandes
ser um cantor com muitos recursos interpretativos e de muita
expressão nos inspira a todo instante.
Laguna
- O som do Hangar já caminhava para outra direção
antes da entrada do Nando, mas ele era exatamente o perfil de
vocalista que a banda precisava. Agressivo. Não haveria
melhor opção para o posto.
Aquiles
– Digamos que o Nando é a cereja que faltava no
nosso bolo... rs. O cara entrou na banda com muito gás
e temos passado momentos muito agradáveis na sua presença
desde a pré-produção do TROYC. Ele tem
o espírito de banda e sabe muito bem como ser um grande
front man. Fora isso, o cara ainda manda muito bem ao vivo e
é muito carismático. Estamos passando uma grande
fase na banda e sabemos que existe uma grande corrente torcendo
pelo Hangar.
Nando Mello
– O Nando passou uma confiança muito grande e a
interatividade com a banda desde o inicio da sua chegada contribuiu
muito para o sucesso do resultado final.
12. Quais as principais influências musicais de
vocês?
Martinez
– Black Sabbath, Slayer, Metallica, Allan Holdsworth,
Bach, Leo Brouwer, Rush, Van Halen, Motorhead, Cheiro de Vida.
Laguna -
Há um bom tempo atrás eu era aficcionado por rótulos.
Minha “pré-escola” musical foi basicamente
voltada aos ícones do progressivo/metal dos anos 70/80.
Hoje em dia gosto de música. Ouço de tudo que
traga alguma coisa a mais para a minha vida, profissional ou
pessoal.
Aquiles
– Sou bem eclético e só tem dois tipos de
música para mim, a boa e a ruim. Outra coisa bem importante,
o que pode ser bom para mim, pode ser ruim para os outros...
No meu Ipod rola de A-Ha até Vital Remains.
Nando Mello –
Progressivo e Hard Rock dos anos 70.
13. Se quiserem vocês podem deixar uma mensagem
para os fãs do Hangar.
Martinez
– Sim, vocês são a razão de tudo isso,
pois somos fans também. Não há diferenças,
na minha opinião, entre e músico e fan, a música
nos iguala e une a todos, obrigado por nos ouvir em suas casas.
Laguna -
Gostaria e agradecer a todos os nossos amigos ocultos, que estão
em algum lugar desse planeta e que, por alguma razão,
acreditam que o Hangar proporciona a vocês alguma emoção,
inspiração ou motivação. É
esse o nosso objetivo quando invadimos os seus lares e ouvidos
com as nossas canções. Agora esperamos em breve
invadir a sua cidade para mostrar tudo o que o Hangar tem para
mostrar de melhor. Infernizem seus pais, seus amigos do metal
e os donos da noite da sua cidade para que o Hangar esteja aí,
bem perto de vocês!
Nando Mello
– Espero em breve podermos nos encontrar em um show do
Hangar para podermos mostrar este trabalho ao vivo. Grande abraço
e obrigado pelo apoio que temos recebido de todos vocês.
Aquiles –
Agradecer muito a todas as pessoas que têm nos ajudado
nessa árdua tarefa de recolocar a banda no mercado. Temos
certeza que estamos entre amigos e que nossa única intenção
como banda é fazer algo em que acreditamos e buscar a
felicidade fazendo da música nosso instrumento de comunicação
com o público. Em 2008 queremos estar bem próximos
de vocês.