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Hellion Records
 Entrevistas

janeiro/2008
Hangar
Por: Adriana Camargo
 

A banda Hangar foi criada em 1997, mas no início eles tocavam covers de outros grupos como Dream Theater, Primal Fear, Helloween e Yngwie Malmsteen. Após um tempo trabalhando juntos os músicos começaram a fazer composições próprias. Recentemente a banda lançou pela Marhceco Records o seu terceiro álbum intitulado “THE REASON OF YOUR CONVICTION”, distribuído no Brasil pela Dynamo Records e que também já está sendo comercializado no exterior. O portal Universo do Rock conversou com eles para saber um pouco mais da trajetória de sucesso dessa grande banda brasileira. O Hangar é formado atualmente por Nando Fernandes (vocal), Aquiles Priester (bateria e percussão), Fábio Laguna (teclados), Eduardo Martinez (guitarra) e Nando Mello (baixo). Confira abaixo a entrevista na íntegra:

1. Contem um pouco como foi o processo de composição do terceiro álbum da banda "The Reason of Your Conviction"?

Fábio Laguna - Seguimos o “Manual Básico Para um Disco de Sucesso”, rs. Na verdade, durante uns dois anos foram feitos vários laboratórios, como violão e voz, guitarra e teclado, guitarra e baixo, etc. Depois passamos para guitarra, teclado e bateria. E depois reunimos toda a banda para definir os arranjos instrumentais. No final, eu e o Aquiles passamos tardes e tardes compondo as linhas vocais. Foi um trabalho minucioso, muito cansativo, mas que valeu a pena.

Aquiles Priester – Outra coisa importante, é que fizemos esse disco no meio da agenda apertadíssima do Angra. Ou seja, o tempo que tínhamos livre para descansar estávamos investindo no Hangar. Hoje vejo que tudo valeu a pena. Esse disco é resultado da superação da banda como um todo. Não consigo imaginar outras pessoas tocando essas músicas ou compondo esse material.

2. Quando começaram a criar as músicas para esse terceiro trabalho vocês já pensavam em fazer um disco conceitual com um tema meio mórbido como esse da história de um assassino em série, ou tiveram outras idéias de temas durante essa fase do processo? Quais?

Laguna - Sim, a gente decidiu que esse disco seria conceitual ainda durante fase de composição e falaria sobre um serial killer. Como o Aquiles é o mais familiarizado com esse tema, achamos normal que ele escrevesse as letras.

Aquiles – Queríamos um assunto que prendesse a atenção das pessoas e o tiro foi certeiro. A grande jogada é que quando a pessoa pega as letras para interpretar, e encontra um grande quebra-cabeça, que mais parece um jogo. Algo que faz o ouvinte pensar a respeito de tudo que o personagem está passando. Na maioria das vezes, o personagem dá a impressão que ele pode ser qualquer coisa, menos um serial killer. É aí que está o grande gancho, pois nossa idéia não era passar as coisas ruins que pode existir na mente de um serial killer e sim a estratégia de vida, a precisão e a margem de erro zero. Isso só acontece quando as coisas são estrategicamente calculadas e um serial killer sempre age dessa forma. De alguma forma, consigo ver a nossa música desse jeito.

3. Como tem sido a receptividade do público em relação a esse novo trabalho?

Laguna
- Até agora só temos recebido críticas muito positivas ou, raramente negativas, que são as mais produtivas possíveis. Quando se lança um disco, dá sempre um frio na barriga, porque é a hora da verdade. É o momento em que você dá a cara pra bater. Mas já percebemos que fizemos a lição direitinho. A aceitação tem sido fantástica.

Aquiles – Só para se ter idéia disso, na edição de novembro da revista Burrn! no Japão, ficamos em décimo sexto lugar no ranking dos cinqüenta discos de metal mais vendidos do país. Todos sabem que o Japão é um dos países mais difíceis de emplacar uma banda no mundo da música e sabemos que estamos sendo muito bem representados lá pelo nosso disco e por nossa gravadora. Aqui no Brasil não tem sido diferente, pois nos poucos shows que fizemos, pudemos ver o público cantando em massa as músicas do novo disco e também os velhos sucessos como “To tame a Land”e “Inside your Soul”.
Nando Mello – Tem sido a melhor possível, onde temos tocado a receptividade tem sido ótima.

4. Por que escolheram a música "Call me in the Name of Death" para fazer o primeiro clipe?

Laguna - Ela é um aperitivo para todo o resto do disco. Sintetiza toda a atmosfera do TROYC de forma mais simples.

Aquiles – Foi a música que foi unanimidade entre toda banda e também pudemos pensar num bom roteiro para ela. A locação ajudou muito e tudo está ligado ao clipe, desde a arte gráfica do disco, o cenário dos shows, as fotos promocionais e o site.
Nando Mello – Eu considero que foi a escolha certa porque sintetiza muito bem o trabalho.

5. Ainda sobre o clipe, como foi o processo de escolha da locação em que a estação ferroviária foi selecionada?

Aquiles – Um dos filmes que assisti várias vezes foi “O Colecionador de Ossos” e a música “Your Skin and Bones” foi inspirada nesse filme. Tem uma cena desse filme que mostra uma linha de trem como local de um crime onde o serial killer deixar algumas evidências e a policial interpretada por Angelina Jolie, percebe que aquilo é muito mais que a prova de um crime e sim um sinal que muita coisa ainda iria acontecer. As letras desse disco seguem essa linha de raciocínio e para se entender bem o que quero dizer, a pessoa tem que me conhecer um pouco, pois para entender bem a história, é preciso prestar bastante atenção... A minha biografia já é um bom começo... Voltando a locação do clipe, essa estação de manutenção de trens estava abandonada em Campinas e quando a vimos percebemos que teríamos um bom roteiro e boa fotografia.

6. O que vocês acharam do resultado final do clipe?

Laguna - Uma surpresa muito boa! Posso dizer que foi uma produção artesanal, dirigida de forma brilhante pela Carina e pelo Fred. Tudo conspirou a favor quando estávamos gravando o clip. Por exemplo, a luz usada em muitas tomadas usadas no clip é natural.

Aquiles - A edição e os efeitos que eles (Carina Zaratin e Fred Ouro Preto) fizeram deram um charme muito especial ao nosso trabalho e eles entenderam o que esperávamos do roteiro. O clima de trabalho foi maravilhoso e nos divertimos o tempo todo... Nem parecia trabalho... Na verdade, não achamos que isso seja!!! Quem duvidar, veja o making of do clipe que vem no DVD bônus, pois é hilário!!!

7. Quais os próximos planos do Hangar para 2008?

Aquiles – Queremos tocar muito pelo Brasil. Queremos chegar onde poucas bandas conseguem chegar, pois estamos levando a estrutura completa do nosso palco e com isso o show ganha muito em termos visuais e qualidade sonora. Fora isso, queremos gravar um DVD e também um novo disco ainda esse ano. Em março vamos relançar o primeiro disco da banda, o Last Time e virá com material inédito como a regravação da música “Angel of the Stereo” e um cover para a música do Journey “Ask the Lonely”. Fora isso, o outro bônus será um DVD com toda a história da banda e uma entrevista exclusiva da época que estávamos prestes a gravar o TROYC.

8. Quais as próximas datas de shows no Brasil da “The Conviction Tour "?

Aquiles – Ainda estamos negociando as datas e em breve elas serão divulgadas no nosso site.

9. Vocês pretendem tocar fora do Brasil este ano? Onde?

Laguna - Há planos para uma turnê européia e também pela América Latina. Ainda não sabemos exatamente até onde este disco nos levará, mas as expectativas são as melhores possíveis.

Aquiles – Estamos com os pés bem no chão e mesmo que nos falem um monte de coisas e possibilidades, só acreditamos depois que o contrato estiver assinado. Mas as chances são muito boas.

10. (Essa é para o Aquiles e para o Fábio Laguna) Como vocês conseguem conciliar a agenda do Hangar com a do Angra?

Laguna - Já trabalhei simultaneamente com 11 bandas quando era free lancer, há muitos anos atrás. O Angra não está em atividade há um bom tempo e mesmo assim, conciliar a agenda de duas bandas é muito fácil. É só conversar. Hoje, além do Hangar, temos o Freakeys, e ainda tenho meus trabalhos pessoais, como a minha banda cover OFFicina do sON. Com planejamento tudo funciona numa boa.

Aquiles – Geralmente tem outro jeito também... É só não tirar férias nunca... rs.

11. Depois da entrada do Nando Fernandes vocês acharam que o som da banda tomou uma outra direção? (eu particularmente achei que a voz dele se encaixou bem no som da banda);

Eduardo Martinez: As músicas Call Me In The Name Of Death, One More Chance e Captivity foram compostas por último, já com o vocal de Nando em mente. São músicas bem diferentes entre si e também bastante diferentes das composições do Hangar até então. O fato de Nando Fernandes ser um cantor com muitos recursos interpretativos e de muita expressão nos inspira a todo instante.

Laguna - O som do Hangar já caminhava para outra direção antes da entrada do Nando, mas ele era exatamente o perfil de vocalista que a banda precisava. Agressivo. Não haveria melhor opção para o posto.

Aquiles – Digamos que o Nando é a cereja que faltava no nosso bolo... rs. O cara entrou na banda com muito gás e temos passado momentos muito agradáveis na sua presença desde a pré-produção do TROYC. Ele tem o espírito de banda e sabe muito bem como ser um grande front man. Fora isso, o cara ainda manda muito bem ao vivo e é muito carismático. Estamos passando uma grande fase na banda e sabemos que existe uma grande corrente torcendo pelo Hangar.

Nando Mello – O Nando passou uma confiança muito grande e a interatividade com a banda desde o inicio da sua chegada contribuiu muito para o sucesso do resultado final.

12. Quais as principais influências musicais de vocês?

Martinez – Black Sabbath, Slayer, Metallica, Allan Holdsworth, Bach, Leo Brouwer, Rush, Van Halen, Motorhead, Cheiro de Vida.

Laguna - Há um bom tempo atrás eu era aficcionado por rótulos. Minha “pré-escola” musical foi basicamente voltada aos ícones do progressivo/metal dos anos 70/80. Hoje em dia gosto de música. Ouço de tudo que traga alguma coisa a mais para a minha vida, profissional ou pessoal.

Aquiles – Sou bem eclético e só tem dois tipos de música para mim, a boa e a ruim. Outra coisa bem importante, o que pode ser bom para mim, pode ser ruim para os outros... No meu Ipod rola de A-Ha até Vital Remains.

Nando Mello – Progressivo e Hard Rock dos anos 70.

13. Se quiserem vocês podem deixar uma mensagem para os fãs do Hangar.

Martinez – Sim, vocês são a razão de tudo isso, pois somos fans também. Não há diferenças, na minha opinião, entre e músico e fan, a música nos iguala e une a todos, obrigado por nos ouvir em suas casas.

Laguna - Gostaria e agradecer a todos os nossos amigos ocultos, que estão em algum lugar desse planeta e que, por alguma razão, acreditam que o Hangar proporciona a vocês alguma emoção, inspiração ou motivação. É esse o nosso objetivo quando invadimos os seus lares e ouvidos com as nossas canções. Agora esperamos em breve invadir a sua cidade para mostrar tudo o que o Hangar tem para mostrar de melhor. Infernizem seus pais, seus amigos do metal e os donos da noite da sua cidade para que o Hangar esteja aí, bem perto de vocês!

Nando Mello – Espero em breve podermos nos encontrar em um show do Hangar para podermos mostrar este trabalho ao vivo. Grande abraço e obrigado pelo apoio que temos recebido de todos vocês.

Aquiles – Agradecer muito a todas as pessoas que têm nos ajudado nessa árdua tarefa de recolocar a banda no mercado. Temos certeza que estamos entre amigos e que nossa única intenção como banda é fazer algo em que acreditamos e buscar a felicidade fazendo da música nosso instrumento de comunicação com o público. Em 2008 queremos estar bem próximos de vocês.


LINKS
Site oficial: www.hangar.mus.br