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Hellion Records
 Entrevistas

setembro/2004
Tobias, vocalista e líder do grupo Edguy
Por: Paulo Cássio
 
Tobias, vocalista da banda EDGUY conversou conosco sobre o novo álbum e a vinda ao Brasil para participar do festival Rock The Planet em outubro. Confira a entrevista abaixo que fizemos com ele.

01. URock: Pra começar, Edguy mudou da AFM para Nuclear Blast, quais foram expectativas e as principais mudanças para a banda com a nova gravadora?

ED.: Era apenas questão de tempo. As vezes decisões são feitas pelo seu coração e não pelo seu cérebro. AFM nos deu o maior apoio por muitos anos, mas a oferta do Nuclear Blast era grande demais para se recusar. Não com relação a pagamentos iniciais, mas em termos de orçamentos de promoção e produção também com uma maior rede de distribuição mundial. Então nós falamos com a AFM e a ultima coisa que o chefe deles nos falou foi: “Se eu fosse vocês, eu agarraria a chance de ir pra Nuclear Blast.” E foi isso, nada de sangue quente, sem brigas. Era questão de tempo tentar coisas novas e começar um novo capitulo.

02. URock: Sobre o novo álbum, podemos notar que vosês misturam elementos de Power Metal, Heavy Metal tradicional e Hard Rock. Como você define esse novo álbum?

ED.: Eu não sei, é difícil definir musica. Se pedessimos definí-la com palavras, nós não precisaríamos expressar nossos sentimentos em notas e melodias. Eu sempre acreditei em tocar musica que eu gostaria de ouvir da banda que eu adoraria ser fã. Então combinamos um monte de estilos diferentes para criar a musica que nos achamos que não esta disponível naquela versão no mercado. E isso está contido no Power Metal tradicional e elementos do Rock também.

No Hellfire Club o desafio foi pegar todos os elementos tradicionais e mistura-los com uma atual produção. Eu não quero parecer como DIO em 1983. Eu acho que a forma como escreveu suas musicas na época era demais e não podemos faze-lo melhor, então não faz sentido copia-lo. Mas mesmo que eu não goste de muitos dos atuais e modernos atos do Nu – Metal, eu acho a produção mais inteligente e nos últimos cinco anos tiveram muito a oferecer. Eu não gosto da depressiva atitude “The world is shit”, mas eu acho que a maior parte destas bandas tem um som ótimo e ótima harmonia. É interessante ver estas produções enquanto voe não vê a forma das composições escritas.

Eu sempre adorei bandas como Bosten, Queen, Meat Loaf e Bon Jovi tanto quanto o típico Metal Germânico e também Scorpions ou Halloween. Maiden, Dio são bons também, sem esquecer o Def Leppard ou Magnum, Kiss ou AC/DC. De qualquer forma, a boa musica é boa musica, não importa se ela teve influencias de Rock tradicional ou Speed Metal ou também influencias pop. No fim, enquanto NÓS a tocamos, isto se transforma em Metal ou uma musica de Metal pesado. Mas onde começa Metal e termina o Rock? Difícil dizer, a verdade é, eu não posso realmente definir: escute-a! É musica cheia de energia, energia positiva pra balançar a cabeça. Ou balançar mais alguém também, (risos)

03. URock: Como ocorreu o processo de composição das musicas? Como foi a participação de convidados no processo de produção do álbum?

ED.: A maior parte das composições foi escrit por mim, algumas idéias foram do jen pois ele é bom em chegar com novos versos ou dizer que os meus versos estão uma droga e então ele encontra uma maneira melhor de toca-los, haha. Depois ajeitamos as coisas todas juntas na sala de ensaios. I sei que isso talvez pareça frangote pois eu faço a maior parte das coisas, mas eu acho que funciona muito bem deste jeito. Nem todo mundo tem ambições de se tornar um compositor e não faria sentido forçar alguém a colaborar com o material, nem mesmo pegar idéias que não encaixam apenas pra recolher material de todos. Esta bom do jeito q está e está funcionando deste jeito. Nós produsimos as coisas juntos, então permanece um tipo de democracia entre a banda. Se isso sujar eu me sentiria livre para puxar e plugar e fazer uma decisão final mas isso nunca acontece. A maior parte do tempo a grande maioria faz a decisão final.

04. URock: Como foi a aceitação do novo álbum pelos fãs e pela imprensa?

ED.: Em geral foi maravilhosa. A primeira parte da turnê foi realmente um sucesso e as pessoas gostaram demais das coisas novas. Todo mundo concordou com o fato de que foi o mais forte dos nossos álbuns ate agora. Eu não estou certo, não quero dizer que eh tão longe o melhor dos materiais, porque isso significaria que todo material anterior foi piro ou não foi bom o suficiente. É um novo álbum e pronto. Um muito bom! Mas quem é o “melhor” ser humano? Seu primeiro filho? Ou o seu terceiro? Você não pode dizer e não quer dizer: Eles são todos individualmente belos eu acredito.

Pra ser honesto, nos nunca fomos uma banda de imprensa. Eu não quero falar mal da imprensa e algumas pessoas que fazem parte dela, têm nos dado um muito apoio, mas alguns sempre se queixam. Nos nunca fomos os queridinhos de todos nem nunca fomos os queridinhos da imprensa. Houve sempre os seus heróis, os antigos clássicos e então têm sido Edguy, cinco garotos parecendo um grupinho de garotos e gravando álbuns de Metal. Muitos da imprensa não nos aceita como uma banda de Metal séria.

Bem, agora nos vendemos uma grande quantidade de álbuns, muito mais do que muitos heróis da imprensa e fizemos algumas turnês pelo mundo e álbuns. O que seja, eu estou agradecido se um jornalista gosta de um álbum, mas no fim eu tenho meu emprego pela lealdade de nossos fãs, não pela graça de um jornalista. Então os fãs decidem. E a reação deles tem sido maravilhosa. Mas eu tenho que ser justo, Hellfire Club tem criticas boas em muitas partes do mundo também.

05. URock: Depois de 9 anos na estrada e o lançamento de 7 álbuns, quais as principais diferenças na banda desde o começo até os dias de hoje?

ED.: Nos tocamos bem melhor. E nós não precisamos gravar álbuns a noite enquanto estudamos ou fazendo outras coisas durante o dia. É isso! Nós podemos viver a vida com que sempre sonhamos. É isso! O resto é a mesma coisa: Cinco idiotas brincando pelo estúdio (risos)

06. URock: Considerando o novo álbum qual é sua musica favorita? E de todas as musicas do Edguy existe alguma que não pode ficar fora do repertorio?

ED.: A favorita do novo álbum difere de tempo em tempo. Geralmente são King of Fools e Piper Never dies. Porque King of Fools é um bom exemplo da combinação dos elementos tradicionais com uma atualizada produção e Piper porque é tão épico e tem a magia das antigas coisas do Dio, apenas com um pouco mais de elementos bombásticos. Vain Glory Opera ou Out Of Control são na maior parte do tempo “deve- tocar” no nosso repertorio. Eu não sei porque, mas as pessoas vão a loucura quando começa a introdução de “ Vain Glory”. Estranho, mas divertido...

07. URock: A musica “King Of Fools” é uma das minhas preferidas, com um refrão forte e grudante. Você planeja toca-la no Brasil?

ED.: Obrigada. É lógico que iremos toca-la!

08. URock: Sobre o projeto Avantasia ( que é incrível!) existe a possibilidade de um novo álbum de estúdio? Vocês vão tocar algum das musicas do Avantasia?


ED.: Talvez toquemos alguma musica do Avantasia. Mas não acho que haverá um outro álbum. Estou ocupado demais e feliz com o Edguy. Não quero focar em coisas demais ao mesmo tempo. Eu não deveria dar como certo do nosso sucesso com o Edguy, é um presente pra mim e eu quero cuidar para que continue como está. Não quero me tornar King Diamond, lançando meio-divididos álbuns com dois projetos em longo termo. Eu adoro King Diamond, mas ele deveria focar na sua carreira solo e optar por fazer um álbum melhor a cada dois anos de novo do que uma lançamento questionável todo anos.

09. URock: Que bandas você tem escutado? E quais você mais gosta?

ED.: Bem, como eu disse antes: Def Leppards, Kiss, AC/DC, Scorpions, Halloween, Dio, Queen, Magnum para nomear algusn. Eu gosto de muitos estilos diferentes, enquanto houver energia e for feita a mão. Então é basicamente Hard Rock e Metal...

10. URock: Existe algum plano de gravar álbum com orquestra?

ED.: Eu não sei. Depende do desenvolvimento do som da orquestra para experimentar e nas novas harmonias é claro. A primeira coisa que escrevi para o novo álbum é bem bombástica, mais do que nosso ultimo material eu acredito ate o que posso dizer no momento. Mas eu não sei se vai ser tipo uma “Orquestra” – fausto. Nós veremos.

11. URock: Vocês já estiveram no Brasil durante a turnê do Mandrake. Quais são as expectativas agora, especialmente tocando no festival Rock The Planet com Kotipelto e Shaman?

ED.: Muita diversão. Pessoas maravilhosas. Mulheres bonitas! Uma multidão gritando alto. E duas horas onde de mim exaustante no palco. Estou muito empolgado com isso.

12. URock: Como cantor, quais suas principais influências?

ED.:Têm mudado bastante. No começo eu focava mais nos clássicos cantores de Hard Rock e Metal como Geoff Tate, Michael Kiske, Paul Stanley ou Ian Gillan. Hoje em dia eu tento ser eu mesmo e encontra influencias no som natural da minha voz, eu tento descobrir o que eu posso fazer com a minha voz e tento evitar coisas que eu não sou capaz de fazer. Todavia estou ficando fora da típica atutude de novo-cantro-de-metal: mais alto melhor. Eu tento melhorar em profundidade, poder, mágica, sentimento. Tem sido dito que eu sou realmente impressionado por cantores como Bob Catle, Ronnie dio ou David Coverdale. Vocês sabem, eu tenho trabalhado meus vocais por 10 anos, eu posso fazer isso agora. Tem tido bastante treino nesta direção, agora eu poderia encontrar meus horizontes, que as cordas vocais podem facilmente deixar pessoas loucas, haha.

13. URock: Para terminar, deixe alguma mensagem para os leitores do Universo do Rock.

ED.: Muuuuuuiiittooo obrigado por todo o apoio que têm nos dado. Sem vocês não teria sido me dado a chance de viajar pelo mundo e América do sul. VOCÊS fizeram o possível e nós não esqueceremos disto. Estamos realmente esperando voltar logo para o Brasil e tocar. Vocês são demais! Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado...

Obrigado pela entrevista. Parabéns pelo novo álbum. Vida longa ao Edguy.
by Paulo de Cássio


LINKS
Site Oficial: www.edguy.net/