Tobias,
vocalista da banda EDGUY conversou conosco sobre o novo álbum
e a vinda ao Brasil para participar do festival Rock The Planet
em outubro. Confira a entrevista abaixo que fizemos com ele.
01.
URock: Pra começar, Edguy mudou da AFM para Nuclear Blast,
quais foram expectativas e as principais mudanças para
a banda com a nova gravadora?
ED.: Era apenas questão de tempo. As vezes decisões
são feitas pelo seu coração e não
pelo seu cérebro. AFM nos deu o maior apoio por muitos
anos, mas a oferta do Nuclear Blast era grande demais para se
recusar. Não com relação a pagamentos iniciais,
mas em termos de orçamentos de promoção e
produção também com uma maior rede de distribuição
mundial. Então nós falamos com a AFM e a ultima
coisa que o chefe deles nos falou foi: “Se eu fosse vocês,
eu agarraria a chance de ir pra Nuclear Blast.” E foi isso,
nada de sangue quente, sem brigas. Era questão de tempo
tentar coisas novas e começar um novo capitulo.
02. URock: Sobre o novo álbum, podemos notar que
vosês misturam elementos de Power Metal, Heavy Metal tradicional
e Hard Rock. Como você define esse novo álbum?
ED.: Eu não sei, é difícil definir musica.
Se pedessimos definí-la com palavras, nós não
precisaríamos expressar nossos sentimentos em notas e melodias.
Eu sempre acreditei em tocar musica que eu gostaria de ouvir da
banda que eu adoraria ser fã. Então combinamos um
monte de estilos diferentes para criar a musica que nos achamos
que não esta disponível naquela versão no
mercado. E isso está contido no Power Metal tradicional
e elementos do Rock também.
No Hellfire Club o desafio foi pegar todos os elementos tradicionais
e mistura-los com uma atual produção. Eu não
quero parecer como DIO em 1983. Eu acho que a forma como escreveu
suas musicas na época era demais e não podemos faze-lo
melhor, então não faz sentido copia-lo. Mas mesmo
que eu não goste de muitos dos atuais e modernos atos do
Nu – Metal, eu acho a produção mais inteligente
e nos últimos cinco anos tiveram muito a oferecer. Eu não
gosto da depressiva atitude “The world is shit”, mas
eu acho que a maior parte destas bandas tem um som ótimo
e ótima harmonia. É interessante ver estas produções
enquanto voe não vê a forma das composições
escritas.
Eu sempre adorei bandas como Bosten, Queen, Meat Loaf e Bon Jovi
tanto quanto o típico Metal Germânico e também
Scorpions ou Halloween. Maiden, Dio são bons também,
sem esquecer o Def Leppard ou Magnum, Kiss ou AC/DC. De qualquer
forma, a boa musica é boa musica, não importa se
ela teve influencias de Rock tradicional ou Speed Metal ou também
influencias pop. No fim, enquanto NÓS a tocamos, isto se
transforma em Metal ou uma musica de Metal pesado. Mas onde começa
Metal e termina o Rock? Difícil dizer, a verdade é,
eu não posso realmente definir: escute-a! É musica
cheia de energia, energia positiva pra balançar a cabeça.
Ou balançar mais alguém também, (risos)
03. URock: Como ocorreu o processo de composição
das musicas? Como foi a participação de convidados
no processo de produção do álbum?
ED.: A maior parte das composições foi escrit por
mim, algumas idéias foram do jen pois ele é bom
em chegar com novos versos ou dizer que os meus versos estão
uma droga e então ele encontra uma maneira melhor de toca-los,
haha. Depois ajeitamos as coisas todas juntas na sala de ensaios.
I sei que isso talvez pareça frangote pois eu faço
a maior parte das coisas, mas eu acho que funciona muito bem deste
jeito. Nem todo mundo tem ambições de se tornar
um compositor e não faria sentido forçar alguém
a colaborar com o material, nem mesmo pegar idéias que
não encaixam apenas pra recolher material de todos. Esta
bom do jeito q está e está funcionando deste jeito.
Nós produsimos as coisas juntos, então permanece
um tipo de democracia entre a banda. Se isso sujar eu me sentiria
livre para puxar e plugar e fazer uma decisão final mas
isso nunca acontece. A maior parte do tempo a grande maioria faz
a decisão final.
04. URock: Como foi a aceitação do novo
álbum pelos fãs e pela imprensa?
ED.: Em geral foi maravilhosa. A primeira parte da turnê
foi realmente um sucesso e as pessoas gostaram demais das coisas
novas. Todo mundo concordou com o fato de que foi o mais forte
dos nossos álbuns ate agora. Eu não estou certo,
não quero dizer que eh tão longe o melhor dos
materiais, porque isso significaria que todo material anterior
foi piro ou não foi bom o suficiente. É um novo
álbum e pronto. Um muito bom! Mas quem é o “melhor”
ser humano? Seu primeiro filho? Ou o seu terceiro? Você
não pode dizer e não quer dizer: Eles são
todos individualmente belos eu acredito.
Pra ser honesto, nos nunca fomos uma banda de imprensa. Eu
não quero falar mal da imprensa e algumas pessoas que
fazem parte dela, têm nos dado um muito apoio, mas alguns
sempre se queixam. Nos nunca fomos os queridinhos de todos nem
nunca fomos os queridinhos da imprensa. Houve sempre os seus
heróis, os antigos clássicos e então têm
sido Edguy, cinco garotos parecendo um grupinho de garotos e
gravando álbuns de Metal. Muitos da imprensa não
nos aceita como uma banda de Metal séria.
Bem, agora nos vendemos uma grande quantidade de álbuns,
muito mais do que muitos heróis da imprensa e fizemos
algumas turnês pelo mundo e álbuns. O que seja,
eu estou agradecido se um jornalista gosta de um álbum,
mas no fim eu tenho meu emprego pela lealdade de nossos fãs,
não pela graça de um jornalista. Então
os fãs decidem. E a reação deles tem sido
maravilhosa. Mas eu tenho que ser justo, Hellfire Club tem criticas
boas em muitas partes do mundo também.
05. URock: Depois de 9 anos na estrada e o lançamento
de 7 álbuns, quais as principais diferenças na
banda desde o começo até os dias de hoje?
ED.: Nos tocamos bem melhor. E nós não precisamos
gravar álbuns a noite enquanto estudamos ou fazendo outras
coisas durante o dia. É isso! Nós podemos viver
a vida com que sempre sonhamos. É isso! O resto é
a mesma coisa: Cinco idiotas brincando pelo estúdio (risos)
06. URock: Considerando o novo álbum qual é
sua musica favorita? E de todas as musicas do Edguy existe alguma
que não pode ficar fora do repertorio?
ED.: A favorita do novo álbum difere de tempo em tempo.
Geralmente são King of Fools e Piper Never dies. Porque
King of Fools é um bom exemplo da combinação
dos elementos tradicionais com uma atualizada produção
e Piper porque é tão épico e tem a magia
das antigas coisas do Dio, apenas com um pouco mais de elementos
bombásticos. Vain Glory Opera ou Out Of Control são
na maior parte do tempo “deve- tocar” no nosso repertorio.
Eu não sei porque, mas as pessoas vão a loucura
quando começa a introdução de “ Vain
Glory”. Estranho, mas divertido...
07. URock: A musica “King Of Fools” é
uma das minhas preferidas, com um refrão forte e grudante.
Você planeja toca-la no Brasil?
ED.: Obrigada. É lógico que iremos toca-la!
08. URock: Sobre o projeto Avantasia ( que é incrível!)
existe a possibilidade de um novo álbum de estúdio?
Vocês vão tocar algum das musicas do Avantasia?
ED.: Talvez toquemos alguma musica do Avantasia. Mas não
acho que haverá um outro álbum. Estou ocupado
demais e feliz com o Edguy. Não quero focar em coisas
demais ao mesmo tempo. Eu não deveria dar como certo
do nosso sucesso com o Edguy, é um presente pra mim e
eu quero cuidar para que continue como está. Não
quero me tornar King Diamond, lançando meio-divididos
álbuns com dois projetos em longo termo. Eu adoro King
Diamond, mas ele deveria focar na sua carreira solo e optar
por fazer um álbum melhor a cada dois anos de novo do
que uma lançamento questionável todo anos.
09. URock: Que bandas você tem escutado? E quais
você mais gosta?
ED.: Bem, como eu disse antes: Def Leppards, Kiss, AC/DC, Scorpions,
Halloween, Dio, Queen, Magnum para nomear algusn. Eu gosto de
muitos estilos diferentes, enquanto houver energia e for feita
a mão. Então é basicamente Hard Rock e
Metal...
10. URock: Existe algum plano de gravar álbum
com orquestra?
ED.: Eu não sei. Depende do desenvolvimento do som da
orquestra para experimentar e nas novas harmonias é claro.
A primeira coisa que escrevi para o novo álbum é
bem bombástica, mais do que nosso ultimo material eu
acredito ate o que posso dizer no momento. Mas eu não
sei se vai ser tipo uma “Orquestra” – fausto.
Nós veremos.
11. URock: Vocês já estiveram no Brasil
durante a turnê do Mandrake. Quais são as expectativas
agora, especialmente tocando no festival Rock The Planet com
Kotipelto e Shaman?
ED.: Muita diversão. Pessoas maravilhosas. Mulheres bonitas!
Uma multidão gritando alto. E duas horas onde de mim
exaustante no palco. Estou muito empolgado com isso.
12. URock: Como cantor, quais suas principais influências?
ED.:Têm mudado bastante. No começo eu focava mais
nos clássicos cantores de Hard Rock e Metal como Geoff
Tate, Michael Kiske, Paul Stanley ou Ian Gillan. Hoje em dia
eu tento ser eu mesmo e encontra influencias no som natural
da minha voz, eu tento descobrir o que eu posso fazer com a
minha voz e tento evitar coisas que eu não sou capaz
de fazer. Todavia estou ficando fora da típica atutude
de novo-cantro-de-metal: mais alto melhor. Eu tento melhorar
em profundidade, poder, mágica, sentimento. Tem sido
dito que eu sou realmente impressionado por cantores como Bob
Catle, Ronnie dio ou David Coverdale. Vocês sabem, eu
tenho trabalhado meus vocais por 10 anos, eu posso fazer isso
agora. Tem tido bastante treino nesta direção,
agora eu poderia encontrar meus horizontes, que as cordas vocais
podem facilmente deixar pessoas loucas, haha.
13. URock: Para terminar, deixe alguma mensagem para
os leitores do Universo do Rock.
ED.: Muuuuuuiiittooo obrigado por todo o apoio que têm
nos dado. Sem vocês não teria sido me dado a chance
de viajar pelo mundo e América do sul. VOCÊS fizeram
o possível e nós não esqueceremos disto.
Estamos realmente esperando voltar logo para o Brasil e tocar.
Vocês são demais! Obrigado, obrigado, obrigado,
obrigado...
Obrigado pela entrevista. Parabéns pelo novo álbum.
Vida longa ao Edguy.
by Paulo de Cássio