O
Drowned, uma das bandas de Death/Thrash Metal mais respeitadas
do Brasil surpreendeu todo mundo no ano passado com mais um excelente
e inusitado lançamento, o álbum “Bio-Violence”,
trazendo um som mais moderno, melódico e até mesmo
progressivo.
Com o lançamento, a banda já conseguiu fazer bastantes
shows pelo Brasil, destaque em rádios e revistas nacionais
e internacionais, chegando a ter seu álbum rodado na íntegra
em uma rádio Norte Americana e suas músicas entre
as mais rodadas!
Em uma conversa com o vocalista Fernando Lima e com o guitarrista
Marcos Amorim, falamos sobre essa nova proposta sonora da banda,
algumas curiosidades e sobre o futuro da banda, que tem tudo pra
ser promissor, confira:
Universodorock: Primeiramente, parabéns pelo
disco “Bio-Violence”, ficou muito bom, com uma gravação
moderna, a nível internacional. No álbum anterior,
“By The Grace Of Evil”, já notava-se a aderência
da banda para essa proposta sonora atual que tanto chama atenção,
um Thrash/Death moderno, até um pouco melódico.
Essa é a identidade sonora procurada pelo Drowned? Essa
é definitivamente a nova cara da banda ou é apenas
um álbum “diferente”?
Fernando Lima: Primeiro, fico feliz que tenha gostado do “Bio-violence”.
Obrigado. Acho que esta evolução de nossa música
veio de maneira bem natural. Nós sempre estamos de mente
aberta para o Metal e gostamos tanto de bandas veteranas quanto
de bandas atuais. Por outro lado acho que nosso som não
mudou muito com os anos, pois no “Bio-Violence”
você pode notar particularidades do nosso som que também
estão presentes no “Bonegrinder”, nosso primeiro
álbum. Apenas demos destaque maior a certos elementos.
Com certeza nós procuramos fazer sempre um disco diferente
do outro com ênfase em diferentes setores de nossa música.
Universodorock: Músicas do novo disco, como
“Eyes Bent For Own Navel” e “Down The Revolution”,
apresentam até mesmo progressividade! Como vocês
acham que chegaram à essa proposta? Foi vontade de fazer
diferente mesmo do que a maioria vem fazendo (pelo menos aqui
no Brasil)?
Fernando: Nós não miramos nossa proposta musical
em no que outras bandas estão ou não fazendo.
Nós simplesmente fazemos o que achamos melhor e seguimos
nossa trilha.
Como eu disse, não ficaríamos felizes em criar
sempre o mesmo disco todo ano e inovar dentro do que fazemos
é sempre muito importante para nós. Gostamos de
tentar sempre fazer Metal com a nossa cara, com marca registrada
(risos).
Marcos Amorim: A idéia do Drowned é sempre tentar
dar um passo adiante em relação aos trabalhos
anteriores, buscar novos caminhos para o som, sem se distanciar
do que fizemos antes. Não gostaríamos de ser uma
banda óbvia, que sempre lança os mesmos discos
e faz as mesmas coisas. A nossa identidade é justamente
ousar dentro dos limites que a gente mesmo se impôs
Universodorock: Além dessa nova proposta sonora
apresentada no disco, o que também chamou atenção
foi a arte da capa do disco, de autoria do Fernando Lima. Ela
ficou simples e ao mesmo tempo bem elaborada, moderna e impactante!
Assim como o som ouvido no álbum!
Fernando: (risos) Obrigado! Eu Tentei fazer uma arte fora dos
padrões. Como sou membro da banda, ficou mais fácil
captar a energia do álbum e passar para o “papel”.
Achei que seria legal alguma coisa que referisse a morte e ao
caos sem ser muito óbvio e acho que o resultado foi bem
satisfatório. São imagens biológicas e
bizarras ao mesmo tempo.
Universodorock: Ainda falando do som apresentado no
“Bio-Violence”, eu tenho certeza de que se vocês
investissem um pouco no EUA, o mercado abraçaria a banda,
porque lá esse estilo Thrash/Death moderno vem agradando
muito. Vocês já pensaram em se arriscar por lá?
Tentar uma turnê? Pergunto isso, inclusive, pelo motivo
de o novo disco até ter sido o escolhido como favorito
pelos ouvintes e membros da rádio Fearless de lá,
sendo até rodado na íntegra já!
Marcos: De fato o trabalho teve uma receptividade muito boa
nos EUA e a gente quer sim fazer uma ‘tour’ por
lá. Agora as coisas estão correndo bem, o Drowned
vai engrenar bons trabalhos nesse sentido nos próximos
anos e se a gente conseguir um bom suporte na América
(do Norte) vai ser muito bom pra nós.
Fernando: Ser escolhido como banda favorita pelos ouvintes e
membros da Fearless dos Estados Unidos foi muito legal e ficamos
surpresos ao mesmo tempo! Acho que quando uma banda resolve
trilhar seu próprio caminho sem se preocupar com o que
os outros estão fazendo e faz com sinceridade as pessoas
que realmente gostam de música percebem e começam
a ver esta banda com outros olhos. É o que buscamos a
cada álbum lançado.
Estamos sim pensando em ampliar nossos horizontes e já
temos muitos contatos seja nos Estados Unidos quanto na Europa.
Acho que em breve os fãs do Drowned terão boas
notícias neste sentido. Aguardem.
Universodorock: Outra música do disco que me
chamou atenção também foi a “Hypnosis
Against the Tribes”, com a banda tocando um baião
no início e também pela letra, é claro.
Esses elementos de música regional brasileira podem aparecer
futuramente em algum álbum de vocês? Eu particularmente
achei bem legal...
Marcos: Difícil dizer agora, estamos no meio da composição
do novo trabalho, ainda não pintou nada assim, mas quem
sabe? O fato é que temos uma boa raiz nesse tipo de som,
desde o “Bonegrinder” a gente tem colocado, na medida
do possível, citações ou mesmo músicas
inteiras com influência regional (vide Bloodsand do Bonegrinder).
Temos muito orgulho de tocar metal com sangue brasileiro, é
a nossa diferença, é a nossa força.
Fernando: Acho que usados em doses homeopáticas estes
elementos não fazem mal para nossa música e ao
mesmo tempo acrescentam um clima brasileiro ao nosso Metal.
Acho que foi uma combinação legal para esta música
já que a letra também faz referencia ao povo brasileiro
e sua luta por uma vida mais digna.
Universodorock: Em 2005, vocês tocaram na grande
festa dos 25 anos da Cogumelo Records ao lado de grandes nomes
do cenário nacional, bandas que inclusive eu sei que
vocês são fãs. Como foi a experiência
de tocar nesse evento tão importante para o metal extremo
nacional e em homenagem à grande Cogumelo Records?
Fernando: Nós ficamos muito felizes em dividir o palco
com bandas tão importantes do cenário brasileiro.
Fazer parte do ‘cast’ de uma gravadora como a Cogumelo
também é uma honra para nós, já
que desde moleque eu escuto as bandas do selo e muitas delas
eu acabei tocando junto no decorrer de nossa carreira. Foi um
grande festival, muito organizado e com bandas muito boas.
Universodorock: Esse show inclusive foi gravado para
um EP ao vivo, o “By The Evil Live”, que inclusive
foi o último show com o baixista Rodrigo Nunes (N.R.:
Que posteriormente deixou a banda e entrou no Eminence). Esse
EP, logo foi lançado e disponibilizado para download.
Quem teve a idéia de fazer esse ato tão bondoso?
(risos)
Fernando: (risos) Devido a alguns problemas técnicos,
só conseguimos salvar algumas músicas e que na
soma do tempo não fechariam um CD. Este material tem
uma qualidade muito boa e achamos que seria um bom presente
aos fãs se deixássemos disponível para
download. A Cogumelo também achou a idéia interessante
e nos deu até uma força na divulgação.
Universodorock: Só a título de informação
mesmo, o EP foi prensado para ser vendido também?
Fernando: Não. É realmente um lançamento
para internet e mais nada.
Universodorock: Eu gostaria que você falasse
também sobre a tradição de todos os álbuns
da banda começarem com a letra “B”. Pelo
que eu sei isso não tinha sido planejado. Foi meio que
por acaso mesmo?
Marcos: Até o “Back From Hell” foi por acaso.
Do “Butchery Age” em diante não. Pensamos
em ter esse diferencial, mas não é uma coisa que
somos escravos. Enquanto estivermos produzindo bons nomes seguinte
a tradição, ótimo, mas não abriremos
mão de ter um bom título apenas para ter uma letra
“B”.
Universodorock: Sei que a banda se preocupa bastante
com toda essa situação mundial: terrorismo, problemas
globais, “novos impérios”, etc. Você
gostaria de falar algumas palavras a respeito disso? E na sua
opinião, o que deve ser mudado no Brasil, para o país
definitivamente “decolar”?
Fernando: Não há como não se preocupar
com estas questões... Isto afeta diretamente nossas vidas.
O que precisamos é de atitude. Atitude de gente que pensa,
de gente que respeite outras culturas, que respeite a sexualidade
dos outros, que respeite as escolhas contrárias à
suas, que respeite a religiosidade dos outros, que respeite
as diferenças étnicas entre outras coisas. A juventude
tem que acordar... Tem que parar de se alienar na frente da
televisão ou de em uma partida de futebol, tem que parar
de viver um dia após o outro sem se preocupar com o futuro.
Não podemos deixar de fazer nossa parte e colocar a culpa
no outro que não faz a dele.
O nosso problema é um problema de consciência,
de falta de limites. A honestidade da nação está
seriamente doente e precisa de um CTI com urgência.
Universodorock: A banda acaba de anunciar que já
está trabalhando em um novo álbum. Você
não acha que é um pouco cedo ainda? (risos) Porque,
apesar de a banda lançar quase um álbum por ano,
acho que o “Bio-Violence” merece mais atenção,
por ser um álbum tão bom!
Fernando: Este é um procedimento normal para nós!
(risos) Assim é o Drowned. Acabamos um disco e começamos
outro. Somos cinco pessoas que pensam em músicas e com
muitas idéias. Não quer dizer que lançaremos
o disco novo imediatamente, mas estamos pensando nele e pode
ter certeza que isto é bom, pois podemos trabalhar mais
os arranjos e ter mais opção. Vamos aproveitar
o máximo do “Bio-Violence” e pretendemos
estender a ‘tour’ até meados de 2008.
Marcos: Na verdade, não, explico: o “Bio-Violence”
foi lançado há um ano, ainda estamos no meio de
sua divulgação, possivelmente por mais oito meses
ainda trabalharemos nele. Após esse período, ou
seja, meados de 2008, um novo trabalho viria, já quase
dois anos após o lançamento do antecessor. A gente
não pára, sempre estamos fazendo música,
pensando em como vai ser o próximo. O disco, quando sair,
na verdade terá dois anos de intervalo!
Universodorock: Bom pessoal, muito obrigado pela entrevista.
Pra finalizar, gostaria de dizer que é sempre um prazer
entrevistar uma banda mineira de tanto prestígio como
vocês. Deixo o espaço para suas considerações
finais, xingamentos e propagandas se quiserem (risos).
Fernando: Quero agradecer pelo contato e pela entrevista. Não
vou xingar, pois, já fiz isso no “Bio-Violence”
(risos)...