banda paranaense Brave
Heart desponta como uma grata surpresa no cenário heavy brasileiro
após o lançamento do CD demo “Hiding Place”, e isso se deve ao
seu som, que não é facilmente rotulado. Isso é uma característica
louvável, já que atualmente uma banda para se destacar precisa
fugir dos clichês. O Universo Rock entrevistou o baixista e vocalista
Michael, que conta tudo sobre a trajetória do grupo, divirtam-se!
UR
- Primeiramente, conte um pouco a respeito da história da banda,
desde o seu início até hoje.
MICHAEL - Brave Heart surgiu no início da década de 90 formada
por Michael Bahr (voz e baixo) e Ronaldo Bohlke (guitarra).
Tocávamos em pequenos festivais em Curitiba com diferentes bateristas.
Quando surgiu a idéia de gravar a demo, a banda concentrou todos
os esforços nas 4 músicas que estão na demo “Hiding Place” e
correu atrás de um batera. Achamos o Bruno por meio de uma escola
para bateristas, e começamos a ensaiar bastante como
um trio. Trabalhamos bastante
também nos arranjos para as músicas como vozes, pianos,
teclados e variadas linhas de guitarra. Ainda contamos com a
ajuda de Paulo Valente, que é um cantor lírico. Paulo compôs
o piano para a música "Hiding Place" e colaborou com outros
arranjos, principalmente para a parte do Coral de Crianças em
"Children". Após isso tocamos em dois pequenos festivais em
Curitiba, abrimos o show do Savatage por aqui e estamos te dando
uma entrevista agora!!!
UR - O Brave Heart traz em seu som alguns diferenciais em
relação a outras bandas de heavy metal. Você considera isso
essencial para uma banda que queira se destacar atualmente?
MICHAEL - Sabe Gustavo, não fazemos isto propositadamente. Somos
uma banda que gosta de muitas coisas diferentes, talvez por
isso, não lembramos ninguém, apesar de ter influências em cada
parte de nossas músicas, ou melhor dizendo, idéias muito fortes
de bandas que gostamos. Mas achamos muito legal você poder receber
críticas em pleno ano 2001 de pessoas falando que nós parecemos
nada mais nada menos que o próprio Brave Heart. Isto pra gente
é um puta orgulho. Mesmo assim algumas pessoas parecem precisar
de alguma referência para comparar, e como isso não é tão evidente
em nosso som, estas pessoas ficam "confusas". Isso não é um
defeito das pessoas, é que tem gente que gosta de ver bandas
que realmente imitam outras, mas também há muitas pessoas querendo
conhecer o nosso som (por sinal foi um dos fatos que nos levou
a abrir o show do Savatage em Curitiba).
UR - Como rolou a participação do grupo Meninos Cantores
de Campo Largo?
MICHAEL - Bom, eu faço aula de canto lírico com o musico Paulo
Valente, e ele nos apresentou o maestro Théo Petrus de Campo
Largo (cidade próxima de Curitiba) pois havia comentado já com
Paulo que gostaríamos muito de ter um coral de crianças para
a música “Children”, pois quando criamos já havíamos feito exatamente
para isso, mas não conhecíamos quem poderia executar isto para
a gente, foi aí que o Paulo comentou sobre as crianças. Fomos
já com as partituras prontas para eles ensaiarem e gravar o
CD.
UR - Quais são as faixas do CD demo "Hiding Place" que estão
recebendo os maiores elogios?
MICHAEL - Pergunta difícil esta, afinal o publico está bem dividido.
A gente se surpreende a cada dia que passa, achávamos que quem
gostaria do som da banda seriam pessoas que gostassem de um
estilo mais calmo, mas isto não está acontecendo tanto. As 4
musicas estão sendo muito elogiadas, “Second Day” por ter tocado
na rádio aqui em Curitiba teve muitos comentários , já “Hiding
Place” teve comentários de pessoas que gostam de clima mais
calmo, com refrãos fortes. “Dungeons and Dragons” recebe elogios
de pessoas que gostam mais destes lances de heavy melódico e/ou
power metal, talvez até o nome da música colabore com isto,
embora não seja esta a nossa idéia, pois não nos identificamos
com tais estilos. Muitas pessoas acham que a banda toca heavy
melódico ou power metal ou coisas do gênero, uma vez que vêem
que o nome da banda é Brave Heart e há uma música chamada “Dungeons
& Dragons”... Mas ouvindo bem nosso som, pode-se dizer que
não é nada disso. “Children” tem toda a parte de arranjos e
corais, que muitos gostam e acham bonito ver um trabalho que
foi bem feito. Lá fora nos países como França , Alemanha e Japão
está faixa foi muitíssimo elogiada, por ser algo diferente,
pois como saiu na resenha da revista Rock Brigade, trata-se
de algo incomum no heavy metal: uma música com coral de crianças.
UR - Como surgiu a idéia de fazer uma música sobre o desenho
"A Caverna do Dragão"?
MICHAEL - Somos fanáticos pelo desenho, eu tenho todos os desenhos
gravados, mas não fizemos a musica pensando nisso. Por sinal
a letra veio por último, achávamos que ela tinha uma "cara de
Caverna do Dragão".
UR - Vocês já receberam propostas de gravadoras após o lançamento
do "Hiding Place"?
MICHAEL - Algumas propostas apareceram, mas nada que nos tenha
agradado o suficiente. Mas temos vários contatos com boas pessoas
que estão dispostas a nos ajudar.
UR - Qual será o próximo passo da banda: outro trabalho demo
ou um CD oficial?
MICHAEL - O próximo com certeza será um CD oficial. Estamos
trabalhando em outras músicas nossas para podermos completar
um CD de qualidade.
UR - No som do Brave Heart não é tão fácil identificar características
de alguma banda em especial. Por isso, cite algumas das principais
influências do grupo.
MICHAEL - Como já te disse, gostamos de muitas bandas, principalmente
das décadas de 70 e 80. Coisas com as quais o Brave Heart não
se parece, mas que nos servem como fonte de inspiração. De minha
parte posso citar Elvis, Lynyrd Skynyrd, David Coverdale, UFO,
Savatage. Ronaldo cita: UFO, Van Halen, Rush, Thin Lizzy, trilhas
sonoras e tudo que acha legal!!! O Bruno talvez seja o mais
influenciado por bandas de "heavy melódico", mas ele também
curte punk rock e uma infinidade de coisas!!!
UR - Como foi a experiência de abrir o show do Savatage em
Curitiba? A galera recebeu bem o Brave Heart?
MICHAEL - Foi muito estressante , não tivemos tudo o queríamos,
apesar de conseguir levar o telão com o desenho de caverna,
e o coral de meninos cantores de Campo Largo. Fomos prejudicados
pelo pouco espaço do palco, a falta de microfones no palco (melhor
dizendo só havia o meu, sendo que em “Hiding Place” todos cantariam)
e a passagem de som foi "brincadeira", mas isto é normal pra
qualquer banda de abertura. O Coral que saiu mais prejudicado
nesta, mas o público entendeu, e acompanhou com aplausos o riff
da música!!! Isto foi emocionante pra gente!!! A galera berrou
mesmo e acompanhava os riffs com coros!!!
UR - Como está a cena metal aí no Paraná?
MICHAEL - Difícil, pois há poucos festivais com notoriedade,
o que obriga as bandas a tocarem em pequenos bares para uma
dezena de pessoas. As melhores oportunidades são os shows de
bandas de fora, onde há o papel de banda de abertura... que
é difícil!!! Alguns festivais rolam por aqui e há bastante bandas
competentes, como Dragon Heart, Sad Theory, Morgan, Shadow Mask,
Disharmonic Fields e outras.
UR - Na sua opinião, qual é a importância da internet atualmente
na divulgação de bandas de heavy metal?
MICHAEL - Importantíssimo. É incrível como pudemos conhecer
gente neste período que lançamos nosso CD demo. A França foi
um país que nos impressionou com seus comentários. Tanto aqui
no Brasil quanto em outros países, as pessoas tem escrito pedindo
o CD. Eles nos escrevem porque leram boas críticas em sites
brasileiros e estrangeiros ou porque visitaram nosso site, que
modéstia a parte é um tesão!!!! Confiram!!! Muitas rádios de
vários países tem tocado nossa demo em suas programações, e
as pessoas entram em contato conosco também... As rádios, as
revistas, os zines dão muito apoio, mas a internet facilita
muito tudo isso!!!
UR - Você tem dificuldades para tocar baixo e cantar ao vivo?
Com apenas três integrantes, o Brave Heart consegue reproduzir
tudo perfeitamente ao vivo?
MICHAEL - Este nunca foi um problema pra mim. Sempre consegui
tocar o baixo e cantar, mesmo sendo coisas diferentes com relação
as suas linhas melódicas. Quanto a reproduzir ao vivo, é um
desafio muito interessante para nós. É claro que algumas coisas
são difíceis, até por falta de equipamentos... Mas nos esforçamos
para tornar a coisa o mais próxima o possível do clima do CD
... É por isso que levamos o coral de crianças!!!
UR - Se você tivesse que descrever o som do Brave Heart,
como definiria o estilo praticado pela banda?
MICHAEL - BraveHeart!!!
UR - O que você acha do fato de algumas bandas nacionais
pagarem para abrir shows de bandas estrangeiras?
MICHAEL - Infelizmente é a realidade de hoje. Muitas vezes não
é nem o fato de pagar para a banda tocar, e sim ajudar na hospedagem
ou no equipamento de som. Mas pelo menos, ainda há possibilidade
de se tocar ainda como banda de abertura.
UR - Deixe uma mensagem para os leitos do Universo Rock.
MICHAEL - Visitem nossa página! Ouçam nossas músicas! Cuidem-se!
Um abraço!!!