Universo
do Rock - Recentemente vocês abriram o único show brasileiro do
Dark Moor em SP. Qual o saldo final do evento? Como foi a reação
do público às composições da banda?
Milton Maia - Bom, apesar da banda
Dark Moor ser muito
profissional e excelente ao vivo, o público não compareceu como
esperado pelos organizadores, mas os presentes gostaram muito
das nossas músicas, apesar de termos tocado apenas quatro devido
ao tempo restrito para a nossa apresentação, como geralmente ocorre
em shows maiores tendo bandas de abertura.
Universo do Rock - Vocês ainda tocaram na última edição do festival
River Rock. Provavelmente foi um show especial por estarem
tendo a oportunidade de tocar "em casa" para um público grande
e uma ótima estrutura, além de ter mostrado as novíssimas músicas
para os presentes, não?
Milton Maia - Sim o River tem uma estrutura muito grande e
profissional para shows e esta última edição foi inesquecível,
pois tocamos em um horário muito bom e tinha um público muito
grande na hora do nossa apresentação. Outro ponto relevante foi
a reação da galera que compareceu, muito calorosa. O
headbanger
catarinense já assistiu inúmeros
shows da banda.
Universo do Rock - O debutCD, intitulado Eternal Search,
foi lançado em 2007 pela Force Majeure Records. Porém, mesmo sendo
uma gravadora pequena, que pode dar um suporte legal a vocês,
constatei que não houve uma divulgação merecida para o CD. Como
andam os trabalhos da gravadora neste sentido?
Milton Maia - Bom hoje em dia com o advento da internet, qualquer
banda pode divulgar sua música por este meio, porém todas as bandas
e gravadoras sofrem com os
downloads ilegais e gravadoras
pequenas têm muitas dificuldades, fica difícil investir muito
em bandas novas. Então, levando em conta tudo isso, acreditamos
que está sendo feito um bom trabalho de distribuição junto aos
lojistas e outros pontos de venda. Saíram também alguns anúncios
nas principais revistas de Metal. Estamos satisfeitos com a parceria
da
Symmetrya e Force Majeure.
Universo do Rock - Mas o contrato foi assinado para apenas um
disco ou mais?
Milton Maia - Apenas um disco. Universo do Rock - E vocês
já possuem alguma coisa pronta para o próximo disco? O que pode
nos adiantar sobre o assunto?
Milton Maia - Sim, temos quatro músicas prontas e estamos
compondo outras. Posso adiantar que teremos três músicas que serão
baseadas numa mesma história e pretendemos dar uma atenção especial
aos arranjos e letras abordadas com um cuidado todo maior na produção
como um todo. Pretendemos gravar o próximo álbum em 2008 (N.R.:
esta entrevista se deu em Novembro de 2007).
Universo do Rock - Já que tocamos no assunto das composições,
em Eternal Search o Symmetrya apresenta músicas que falam
de temas como ambição, angústia da humanidade, desigualdade social,
tragédias pessoais e desilusões. Qual foi a inspiração do grupo
para escrever letras que podem passar um conteúdo negativo à primeira
vista?
Milton Maia - Bom, a palavra simetria denomina perfeição e
igualdade e nas letras nós fizemos uma crítica direta de como
estes ideais são sobrepujados por interesses particulares. Às
vezes o indivíduo deixa de fazer a sua parte pela sociedade e
acaba sendo vítima deste egoísmo e troca sua missão nessa vida
e ideais nobres por caprichos que a mídia nos impõe todos os dias.
Mas respondendo a sua pergunta, as letras são baseadas no cotidiano
das pessoas, nunca quisemos passar uma mensagem negativa, pelo
contrario, alguns nomes das músicas podem dar essa sensação. Ainda
temos a
"Dead Zone" que foi inspirada em um livro de Stephen
King e a
"In The Mouth of Madness" que é baseada no filme
de mesmo nome de John Carpenter.
Universo do Rock - Eu tinha uma pergunta sobre a "Dead Zone"
que seria feita mais para o final, mas já que você comentou sobre
ela, de onde veio a idéia de compor algo do mestre do terror?
Qual o intuito de uma faixa do tipo?
Milton Maia - O nosso vocalista tem praticamente todos os
livros de Stephen King e já assistiu a todos os filmes disponíveis.
Ele gosta muito das obras de Stephen e adora filmes de terror.
Foi algo natural e idéia dele. O Jurandir sempre quis compor uma
letra baseada em algum conto do mestre e escolheu esta porque
a música já estava pronta, faltava somente colocar a letra e ele
achou que a música combinava com a letra.
Universo do Rock - Bom, voltando ao assunto das interpretações
das letras, vocês não possuem nenhum receio de distorções das
mensagens que vocês queriam passar, justamente pelo o que você
falou?
Milton Maia - Eu penso que cada pessoa tem um sentimento diferente
quando escuta uma determinada música. O mais importante é que
as pessoas reflitam sobre a vida como um todo, qual é a minha
missão nessa vida, porque as pessoas estão sempre em busca de
algo, mas muitas vezes nem sabem o que estão buscando. Por isso
elas podem interpretar as músicas de muitas formas, negativas
ou positivas, não nos incomodamos com isso.
Universo do Rock - Então você acha que no fundo a esperança de
cada ser humano pode construir uma sociedade melhor pode prevalecer
ou o "lado podre" de cada um acabará por se sobressair no decorrer
dos anos? Vivemos num mundo materialista!
Milton Maia - Muito bem colocado essa pergunta. Infelizmente
o dinheiro fala mais alto na sociedade contemporânea. Basta ligarmos
a TV nos telejornais diários. Eu particularmente acredito que
podemos construir uma sociedade melhor. Se a esperança morrer,
o sonho morre, o desejo de busca e melhoria de uma sociedade justa
também morre. Quem não tem um sonho já morreu. Eu acredito que
ainda existe muita gente boa neste mundo.
Universo do Rock - A música "Wings of Tragedy" fala de
acidentes aéreos e foi composta antes mesmo dos acidentes da Gol
e TAM, cujos fatos marcaram e deixaram cicatrizes abertas na sociedade
brasileira. Qual foi a reação de vocês ao saberem que um tema
escrito por vocês se tornou realidade?
Milton Maia - Essa música foi inspirada em um tema que, infelizmente,
tornou-se muito atual. Nela, falamos sobre a dor de parentes,
familiares e amigos de vítimas de acidentes aéreos. O trauma e
a ferida ficam para sempre, e não podemos deixar de registrar
nossa indignação a alguns incompetentes, para não dizer desumanos,
que mancham com sangue o trabalho de muita gente que se esforça
para manter seguro e eficiente um meio de transporte indispensável
à sociedade atual, onde minutos são preciosos.
Universo do Rock - E qual o sentimento de vocês ao saberem que
um tema composto por vocês poderia vir a mexer profundamente na
realidade social brasileira pouco tempo depois?
Milton Maia - Confesso que levamos um susto quando logo apos
o acidente da TAM. O marido de uma aeromoça deu um depoimento
que foi publicado em diversos
sites de noticias. Ele disse
mais ou menos assim: "porque você partiu antes do tempo, eu tinha
muitas coisas pra te contar, muitas coisas pra te dizer". Ficamos
surpresos com aquele depoimento, pois era quase idêntico a várias
frases da nossa letra que foi baseada em feridas deixadas por
acidentes aéreos. Acredito que todas as pessoas que perdem alguém
que as ama tem esse mesmo sentimento de não ter dito tudo que
poderia.
Universo do Rock - Já a faixa "Misbelief" mostra o lado
mais Iron Maiden da era Somewhere In Time. Alguém já falou
da similaridade? Vocês notaram algo neste sentido?
Milton Maia - Foi a primeira vez que alguém nos falou isso,
mas é sempre um grande elogio ser comparado a maior banda de
Heavy
Metal do mundo, gosto muito desse álbum do Iron, é um dos
meus preferidos. Vamos escutar novamente para ver se encontro
alguma semelhança.
Universo do Rock - Eternal Search possui a participação
de alguns músicos, como Ronaldo Simolla (ex-Delpth) na faixa "Misbelief"
e Juliano Scharf (Before Eden) e Deny Bonfante (Perpetual Dreams)
na música-título. Creio que pela produção ter sido realizada pelo
Simolla e pela amizade que vocês possuem com os também catarinenses
Juliano e Deny - que também co-produziu, mixou e masterizou o
CD - tenham sido os fatores primordiais para as suas respectivas
participações, correto?
Milton Maia - Correto. A participação do Ronaldo foi algo
natural que ocorreu durante as gravações, achamos que ficaria
legal. Já Juliano Scharf (
Before Éden) e Deny Bonfante
(
Perpetual Dreams) são amigos de longa data, já fizemos
inúmeros
shows juntos e são grandes músicos e pessoas das
quais temos muitas afinidades.