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Hellion Records
 Entrevistas

fevereiro/2008
Symmetrya
Por: Henrique Meireles
(henrique@universodorock.com)
 

“Após a gravação da demo Symmetry (2003), a banda catarinense Symmetrya se mostrou para o Brasil com seu Heavy Metal melódico. Após 4 anos, seu debut, Eternal Search, é lançado para consolidar o primeiro passo deste grupo que vem batalhando firme e de forma honesta no cenário nacional. Entrevistamos o tecladista Milton Maia, que nos contou mais a respeito do passado recente do grupo, passando pela gravação do disco, além dos planos futuros. Confira abaixo.”


Universo do Rock - Recentemente vocês abriram o único show brasileiro do Dark Moor em SP. Qual o saldo final do evento? Como foi a reação do público às composições da banda?

Milton Maia -
Bom, apesar da banda Dark Moor ser muito profissional e excelente ao vivo, o público não compareceu como esperado pelos organizadores, mas os presentes gostaram muito das nossas músicas, apesar de termos tocado apenas quatro devido ao tempo restrito para a nossa apresentação, como geralmente ocorre em shows maiores tendo bandas de abertura.

Universo do Rock - Vocês ainda tocaram na última edição do festival River Rock. Provavelmente foi um show especial por estarem tendo a oportunidade de tocar "em casa" para um público grande e uma ótima estrutura, além de ter mostrado as novíssimas músicas para os presentes, não?


Milton Maia -
Sim o River tem uma estrutura muito grande e profissional para shows e esta última edição foi inesquecível, pois tocamos em um horário muito bom e tinha um público muito grande na hora do nossa apresentação. Outro ponto relevante foi a reação da galera que compareceu, muito calorosa. O headbanger catarinense já assistiu inúmeros shows da banda.

Universo do Rock - O debutCD, intitulado Eternal Search, foi lançado em 2007 pela Force Majeure Records. Porém, mesmo sendo uma gravadora pequena, que pode dar um suporte legal a vocês, constatei que não houve uma divulgação merecida para o CD. Como andam os trabalhos da gravadora neste sentido?


Milton Maia -
Bom hoje em dia com o advento da internet, qualquer banda pode divulgar sua música por este meio, porém todas as bandas e gravadoras sofrem com os downloads ilegais e gravadoras pequenas têm muitas dificuldades, fica difícil investir muito em bandas novas. Então, levando em conta tudo isso, acreditamos que está sendo feito um bom trabalho de distribuição junto aos lojistas e outros pontos de venda. Saíram também alguns anúncios nas principais revistas de Metal. Estamos satisfeitos com a parceria da Symmetrya e Force Majeure.

Universo do Rock - Mas o contrato foi assinado para apenas um disco ou mais?


Milton Maia -
Apenas um disco. Universo do Rock - E vocês já possuem alguma coisa pronta para o próximo disco? O que pode nos adiantar sobre o assunto?

Milton Maia -
Sim, temos quatro músicas prontas e estamos compondo outras. Posso adiantar que teremos três músicas que serão baseadas numa mesma história e pretendemos dar uma atenção especial aos arranjos e letras abordadas com um cuidado todo maior na produção como um todo. Pretendemos gravar o próximo álbum em 2008 (N.R.: esta entrevista se deu em Novembro de 2007).

Universo do Rock - Já que tocamos no assunto das composições, em Eternal Search o Symmetrya apresenta músicas que falam de temas como ambição, angústia da humanidade, desigualdade social, tragédias pessoais e desilusões. Qual foi a inspiração do grupo para escrever letras que podem passar um conteúdo negativo à primeira vista?


Milton Maia -
Bom, a palavra simetria denomina perfeição e igualdade e nas letras nós fizemos uma crítica direta de como estes ideais são sobrepujados por interesses particulares. Às vezes o indivíduo deixa de fazer a sua parte pela sociedade e acaba sendo vítima deste egoísmo e troca sua missão nessa vida e ideais nobres por caprichos que a mídia nos impõe todos os dias. Mas respondendo a sua pergunta, as letras são baseadas no cotidiano das pessoas, nunca quisemos passar uma mensagem negativa, pelo contrario, alguns nomes das músicas podem dar essa sensação. Ainda temos a "Dead Zone" que foi inspirada em um livro de Stephen King e a "In The Mouth of Madness" que é baseada no filme de mesmo nome de John Carpenter.

Universo do Rock - Eu tinha uma pergunta sobre a "Dead Zone" que seria feita mais para o final, mas já que você comentou sobre ela, de onde veio a idéia de compor algo do mestre do terror? Qual o intuito de uma faixa do tipo?


Milton Maia -
O nosso vocalista tem praticamente todos os livros de Stephen King e já assistiu a todos os filmes disponíveis. Ele gosta muito das obras de Stephen e adora filmes de terror. Foi algo natural e idéia dele. O Jurandir sempre quis compor uma letra baseada em algum conto do mestre e escolheu esta porque a música já estava pronta, faltava somente colocar a letra e ele achou que a música combinava com a letra.

Universo do Rock - Bom, voltando ao assunto das interpretações das letras, vocês não possuem nenhum receio de distorções das mensagens que vocês queriam passar, justamente pelo o que você falou?

Milton Maia -
Eu penso que cada pessoa tem um sentimento diferente quando escuta uma determinada música. O mais importante é que as pessoas reflitam sobre a vida como um todo, qual é a minha missão nessa vida, porque as pessoas estão sempre em busca de algo, mas muitas vezes nem sabem o que estão buscando. Por isso elas podem interpretar as músicas de muitas formas, negativas ou positivas, não nos incomodamos com isso.

Universo do Rock - Então você acha que no fundo a esperança de cada ser humano pode construir uma sociedade melhor pode prevalecer ou o "lado podre" de cada um acabará por se sobressair no decorrer dos anos? Vivemos num mundo materialista!


Milton Maia -
Muito bem colocado essa pergunta. Infelizmente o dinheiro fala mais alto na sociedade contemporânea. Basta ligarmos a TV nos telejornais diários. Eu particularmente acredito que podemos construir uma sociedade melhor. Se a esperança morrer, o sonho morre, o desejo de busca e melhoria de uma sociedade justa também morre. Quem não tem um sonho já morreu. Eu acredito que ainda existe muita gente boa neste mundo.

Universo do Rock - A música "Wings of Tragedy" fala de acidentes aéreos e foi composta antes mesmo dos acidentes da Gol e TAM, cujos fatos marcaram e deixaram cicatrizes abertas na sociedade brasileira. Qual foi a reação de vocês ao saberem que um tema escrito por vocês se tornou realidade?


Milton Maia -
Essa música foi inspirada em um tema que, infelizmente, tornou-se muito atual. Nela, falamos sobre a dor de parentes, familiares e amigos de vítimas de acidentes aéreos. O trauma e a ferida ficam para sempre, e não podemos deixar de registrar nossa indignação a alguns incompetentes, para não dizer desumanos, que mancham com sangue o trabalho de muita gente que se esforça para manter seguro e eficiente um meio de transporte indispensável à sociedade atual, onde minutos são preciosos.

Universo do Rock - E qual o sentimento de vocês ao saberem que um tema composto por vocês poderia vir a mexer profundamente na realidade social brasileira pouco tempo depois?


Milton Maia -
Confesso que levamos um susto quando logo apos o acidente da TAM. O marido de uma aeromoça deu um depoimento que foi publicado em diversos sites de noticias. Ele disse mais ou menos assim: "porque você partiu antes do tempo, eu tinha muitas coisas pra te contar, muitas coisas pra te dizer". Ficamos surpresos com aquele depoimento, pois era quase idêntico a várias frases da nossa letra que foi baseada em feridas deixadas por acidentes aéreos. Acredito que todas as pessoas que perdem alguém que as ama tem esse mesmo sentimento de não ter dito tudo que poderia.

Universo do Rock - Já a faixa "Misbelief" mostra o lado mais Iron Maiden da era Somewhere In Time. Alguém já falou da similaridade? Vocês notaram algo neste sentido?


Milton Maia -
Foi a primeira vez que alguém nos falou isso, mas é sempre um grande elogio ser comparado a maior banda de Heavy Metal do mundo, gosto muito desse álbum do Iron, é um dos meus preferidos. Vamos escutar novamente para ver se encontro alguma semelhança.

Universo do Rock - Eternal Search possui a participação de alguns músicos, como Ronaldo Simolla (ex-Delpth) na faixa "Misbelief" e Juliano Scharf (Before Eden) e Deny Bonfante (Perpetual Dreams) na música-título. Creio que pela produção ter sido realizada pelo Simolla e pela amizade que vocês possuem com os também catarinenses Juliano e Deny - que também co-produziu, mixou e masterizou o CD - tenham sido os fatores primordiais para as suas respectivas participações, correto?


Milton Maia -
Correto. A participação do Ronaldo foi algo natural que ocorreu durante as gravações, achamos que ficaria legal. Já Juliano Scharf (Before Éden) e Deny Bonfante (Perpetual Dreams) são amigos de longa data, já fizemos inúmeros shows juntos e são grandes músicos e pessoas das quais temos muitas afinidades.

LINKS
Site Oficial: www.symmetry.com.br/




www.universodorock.com