
No
fim do ano de 2006, o Metal brasileiro comemorou mais uma conquista
no território internacional. O vocalista Carlos Zema,
então Vougan e Heaven’s Guardian, acabava de anunciar
que assumiria o posto da banda norte americana Outworld, famosa
por ter como líder o guitarrista Rusty Cooley –
que usa guitarras de oito cordas!
A banda, que aposta em um Power Metal com vocais melódicos,
técnicos, agressivos e raivosos ao mesmo tempo (que chegam
a beirar o Thrash), encontraram no brasileiro a escolha perfeita.
Então, para falar sobre suas duas ex-bandas brasileiras,
seu ingresso no Outworld e a nova vida nos Estados Unidos, ele
mesmo, Carlos Zema.
Universo do Rock: Grande Carlos, como vão as coisas aí
nos Estados Unidos?
Carlos Zema: Tudo certo por aqui Gabriel, tudo certíssimo.
Obrigado.
U.R.: Todos sabem o quanto é difícil
ser músico no Brasil, principalmente cantando Heavy Metal!
Praticamente não dá pra viver apenas cantando!
Mas aí nos EUA as coisas são diferentes, não
é? Eu imagino que agora você realmente está
vivendo só de música...
Zema: Exatamente aqui certamente é muito
mais possivel viver seó de musica, mas ainda é
muito difícil viver só de banda, ainda temos que
dar uns pulos e dar aulas, clínicas, workshops, etc.
para conseguir extender o orcamento.
U.R.: Já falando do Outworld, me parece que
eles te descobriam através do MySpace do Vougan e quando
ouviram a sua voz decidiram na hora que a vaga deveria ser sua!
Você poderia nos contar melhor como eles chegaram até
você?
Zema: Eles realmente conheceram meu trabalho
atraves de um amigo deles que apresentou o trabalho da banda
para o Bobby e o Rusty, logo comecei a fazer os testes com a
banda que ao mesmo tempo foram realizados com varios outros
vocalistas, passando por varias etapas, até finalmente
chegar em uma seletiva dos dez finalistas quando eles realmente
me ligaram e conversei com eles pessoalmente, sem a intervenção
da minha manager na epoca da produtora Raven Rock Productions.
Foi onde foi estabelecido o primeiro contato na verdade.
U.R.: Sua decisão de deixar sua família,
suas duas bandas brasileiras - Heaven’s Guardian e Vougan
– para ingressar no Outworld e ir pra os EUA foi difícil?
Ou isso era o que você almejava mesmo?
Zema: Foi muito dificil e a única razão
na qual tomei essa decisão foi realmente a nescessidade
e o grande interesse em realizar um trabalho no exterior.
U.R.: Graças à vitória do Outworld
na competição FameCast, os brasileiros receberam
a notícia de que você conseguiu sua licença
para morar nos EUA por motivo de “habilidades especiais”.
Porque você resolver se revelar que era super-herói
só após mudar pros Estados Unidos? (risos) Brincadeiras
à parte, você poderia nos contar melhor esse processo?
(risos)
Zema: Na verdade consegui o VISA de habilidades
especiais quando eu cheguei aqui nos EUA, devido a longa estrada
com as bandas que eu já havia trabalhado no Brasil, se
isso não tivesse ocorrido na verdade, o desembarque nao
seria possível. A extensão do visto foi sentenciada
aprovada, depois de seis meses de residencia legal no país.
Por parte da imigração, graças ao trabalho
com a banda e legalmente com os endorsers da mesma, a aprovacao
foi constatada claramente legal e de interesse do próprio
serviço de imigração e governo norte americano.
A minha residencia no país foi realmente garantida com
esses fatores. A real imparcialidade foi no pagamento de todas
as taxas da imigração e advogados. A premiacao
do Famecast com certeza foi fundamental para a quitacao de todas
as mesmas.
U.R.: Cara, vou te falar uma coisa, quando eu ouço
você cantando músicas como “Behind The Lies”
do Vougan e “War Cry” do Outworld, me dá
até dor na garganta! (risos) Olhando por esse lado eu
vejo que realmente os Norte Americanos estão certos sobre
a “habilidade especial” (risos). Como você
faz para manter a sua voz e cantar daquele jeito?
Zema: O mais importante de tudo com certeza
seria o apoio vocal, mas se esta projeção for
realizada sem maiores danos, especialmente na utilizacao de
atritos em regiões consideradas perigosas para o sistema
fonador, esta tudo OK. Maiores cuidados seriam melhor utilizados
de pessoa para pessoa, como não fumar, não beber
bebida alcoolica, não beber gelado, etc. Eu pessoalmente
não tomo nenhum cuidado do tipo, mas não aconselho
ninguém a seguir meus passos.
U.R.:
Quando você foi embora pros EUA, não restava dúvidas
de que o Heaven’s Guardian e o Vougan estavam sem vocalistas,
mas algum tempo atrás, saiu uma notícia de que
você continuaria no posto de vocalista do Heaven’s
Guardian. Você poderia nos esclarecer isso melhor?
Zema: Estava com todos meus planos voltados
para cumprir com gravações e tour com o Outworld,
mas as mudancas de planos ocorreram e decidi ficar no país
e morar aqui. Devido a minha permanência aqui nos EUA
não tenho condições de continuar com as
atividades na banda.
U.R.: Eu li em outra entrevista sua, em que você
disse que a banda Vougan foi a mais profissional em que você
já cantou, e confesso que ao ouvir o EP “Silent
Souls” (2006) eu fiquei fascinado pelo som da banda, é
muito bom mesmo! Como vocês conseguiram conciliar tanto
profissionalismo e ‘feeling’ ao mesmo tempo? Porque
na entrevista que eu li, você disse que cada músico
trabalhava em alguma música durante a semana e no fim
de semana chegavam no estúdio e desenvolviam a música...
isso parece um tanto quanto frio, mas ao ouvir a balada “Unspeakable”,
nota-se muito feeling!
Zema: Na verdade, se você conseguir trabalhar
a musica de uma forma um pouco mais direcionada, na minha particular
opinião, só vai deixar ela ligeiramente mais rapida
na sua conclusão e acabamento, não significa que
você pode perder o feeling na mesma, não acredito
que isso possa acontecer desta maneira, mas realmente o processo
de desenvolvimento da Unspeakable foi muito diferente, eu estava
com toda a música pronta no violão e voz, todas
as melodias e sentamos juntos eu, Hugo e Felipe (N.R.: Hugo
Santiago (guitarrista) e Felipe K. (tecladista)) e terminamos
todo o acabamento da mesma, arranjos, mudamos um tanto sua estrutura
e assim concluimos ela. A participacao do Hugo e Felipe nesse
som foi fundamental pra esse resultado, muitas partes foram
adicionadas a musica que na minha opinião soa consideradas
fundamentais.
U.R.: Agora que você saiu do Vougan, a banda
anunciou como vocalista Izack Salvatierra, seu ex-aluno de canto.
O que você achou da escolha?
Zema: Na minha sincera opinião, é
um aluno que superou o professor, excepcional vocalista, um
dos timbres mais interessantes que eu ja ouvi em toda a minha
vida, muito bem colocado nas suas interpretações,
melhor escolha seria impossível.
U.R.: Ainda falando do Vougan, a banda acaba de lançar
o disco “Mind Exceeding”, que ainda conta com os
seus vocais. O que você acha desse lançamento?
Zema: Perfeitamente, sem nenhuma falsa modestia,
foi com certeza o melhor lancamento de 2007, na minha opinião,
e a melhor notícia dos últimos vinte e quatro
anos! (risos) Falando serio, acho que foi um marco na minha
carreira.
U.R.: O Heaven’s Guardian também lançou
recentemente o DVD “Live at Gyn Arena - X Years On The
Road”. Imagino que este seja um lançamento muito
especial pra você, não? Já que é
um grande registro da sua banda do coração.
Zema: Com certeza, esse DVD é um marco
na minha vida e uma grande parte se não a totalidade
dela e contada ali. Em muitos detalhes, diga-se de passagem.
Excelente DVD, aconselho todo headbanger brasileiro ter ele
em casa e perceber que todo sonho e possível! Foi uma
longa estrada com esses caras, muita luta e muito aprendizado.
Tocamos nas maiores casas do país, com as bandas mais
importantes do cenario mundial de Heavy Metal. Qualquer um precisaria
conhecer isso de perto e saber se é isso mesmo o que
você quer fazer da sua vida se você é um
músico profissional, nesse seleto e underground mundo
do Metal.
U.R.: Mas, mudando de assunto, como estão as
gravações do Outworld? Você pode nos adiantar
alguma coisa do próximo álbum?
Zema: O EP já esta pronto com quatro
musicas e um bônus track de Warcry, foi lançado
só entre a mídia especializada nos EUA com o intuito
de trabalhar com uma gravadora mais especializada no território
americano. Estamos no momentos esperanto finalizar negociações
com as demais e ver oque vai rolar nesse ano com o Outworld
e as gravadoras.
U.R.: Eu cheguei a ver alguns vídeos do Outworld
com você no vocal ao vivo. Parece-me que os fãs
da banda te acolheram muito bem, não é?
Zema: Com certeza a galera tem me dado uma
forca muito importante nesse momento da minha vida, todo o público
americano com unanimidade me acolheu extremamente bem.
U.R.: Saiu há um tempo atrás também
o clipe de “War Cry” com você no vocal. A
música foi re-gravada com sua voz pro clipe? E a banda
tem planos de incluí-la no novo álbum? Talvez
como bônus?
Zema: Sim, bonus track nesse EP, e sim, eu
regravei a musica, como algumas linhas de vocal que nao existiam
na versão original também.
U.R.: Imagino que após o lançamento a
banda fará uma grande turnê. Há algum plano
pra banda vir ao Brasil?
Zema: Sem planos ainda, mas com certeza futuramente,
espero que em breve, possamos estar tocando no Brasil, todo
mundo na banda sabe o quanto o Brasil arregaca! E é só
o que eu falo o tempo todo pra eles. “Bora pro Brasil,
porra!”. Eles já estão ligados no que está
rolando.
U.R.: Bom Carlos, muito obrigado pela entrevista, vamos
esperar ansiosamente o novo lançamento do Outworld e
torcer por uma visita ao Brasil. Agora eu deixo o espaço
pra você mandar um recado pra galera brazuca! Valeu!
Zema: Gabriel, muito obrigado, valeu mesmo
por essa grande força! Queria mandar um grande abraço
pra toda a galera aí do Brasil, em breve pretendo estar
tocando em algumas gigs no saldoso território nacional.
Mal posso esperar para que isso aconteça. Muito obrigado
mesmo ao publico brazuca aí, que sempre esta comigo em
tudo o que eu faço, em todas as votações
na internet, como no Famecast e outras, foi de fundamental importância
toda essa ajuda de vocês, tenho muito mesmo a agradecer
do fundo do meu coração! Muito obrigado! Valeu
galera, um grande abraço!