Universo
do Rock – No ano passado vocês anunciaram um show
beneficente que tem o intuito de ajudar famílias carentes.
Qual a ligação que você acha que a música
extrema possui com eventos do tipo em prol do social?
Max Lima – Na verdade este show vem acontecendo
há anos em nossa cidade. Foi a segunda vez que participamos
dele. Estávamos em casa e fomos convidados novamente. Foi
um prazer tocar aqui de novo, e principalmente, ajudar a quem
precisa.
Elizeu Hainzenreder – Eu acredito que qualquer
estilo de música deve ter a iniciativa de envolver-se em
eventos que tenham um significado social. Nosso país é
muito sofrido. Algumas pessoas pensam que aqui no sul não
temos miséria. Pode até ser que não seja
tão significativa como no norte do país, mas ela
existe.
Universo do Rock – O lançamento do segundo
disco da banda,Tearful, será lançado na Europa até
o final do ano. Como ocorreram as negociações? Por
qual gravadora sairá o CD e em quais países o disco
estará disponível?
Elizeu Hainzenreder – A Internet é
uma ferramenta poderosa. Nosso MySpace está próximo
dos 30.000 acessos. A gravadora que irá lançar o
Tearful na Europa nos descobriu por ele. Entraram em contato conosco
e iniciamos as negociações.
Max Lima – Ainda não queremos divulgar,
por qual selo, pois ainda não temos o contrato em mãos.
E como a Lei de Murphy nos persegue (risos), preferimos manter
em sigilo ainda. Da nossa parte já está tudo assinado
e encaminhado. Resta recebermos uma via do contrato assinada por
eles. Posso adiantar apenas que o primeiro país onde oTearful
será lançado é a Finlândia.
Universo do Rock – Já no Brasil o lançamento
foi feito pela Erpland Records, que acreditou no enorme potencial
de vocês e comprou a idéia. Como andam as coisas
até o momento para vocês depois do lançamento
de Tearful?
Max
Lima – Nunca esteve tão bom quanto agora.
O álbum está sendo muito elogiado pela crítica
e pelos fãs. E o que é mais legal, tanto aqui no
Brasil quanto no resto do mundo. E inclusive temos alguns outros
selos interessados em lançar nossos trabalhos fora do Brasil.
Estamos trabalhando muito, e podemos dizer que nunca tocamos tanto
quanto este ano. Todos os shows que fizemos em 2007 foram sensacionais.
Queremos tirar um mês de férias, sem ouvir sequer
uma vez o nome da banda (risos). E depois desse descanso é
concentração total no novo álbum.
Universo do Rock – Já deu para sentir a aceitação
do público nacional para Tearful? Pelo o que pude perceber,
o CD foi bastante elogiado pela mídia brasileira e isso
certamente já é uma grande vitória, não?
Max Lima – Sim, com certeza. Temos recebidos
muitos e-mails e como lhe falei o retorno do público tem
sido muito especial. Na verdade tentamos nos superar com o Tearful.
Tivemos vários problemas de ordem pessoal nos últimos
quatro anos, coisas que nos fizeram colocar a banda em segundo
plano. E ter lançado um álbum, que está rendendo
tanta coisa positiva, depois de tanto sufoco é a melhor
recompensa. O Eternal Dreams foi muito elogiado quando foi lançado,
mas não chega nem perto da repercussão que o Tearful
está tendo.
Universo do Rock – Tearful é cercado sentimentos
e passionalidade. Como foi o processo de composição
do mesmo, uma vez que desde o lançamento do debut até
a gravação do novo álbum se levou alguns
anos.
Elizeu Hainzenreder – Como o Max disse,
tivemos uma série de problemas de ordem pessoal que acabaram
afetando a banda neste período, entre um álbum e
outro. Ninguém escapou desse tipo de problema. E o resultado
na época foram as saídas do Igo e do Rodrigo. Ainda
somos uma banda underground, portanto não vivemos de música.
Todos temos uma série de outras coisas para se preocupar,
como trabalho e estudos. Acho que esse clima acabou deixando o
material mais melancólico. Nada foi planejado para o álbum.
Tanto que a maioria dos riffs já haviam sido compostos
há um bom tempo. Fomos montando as músicas e tudo
foi ficando como ficou. Algumas das faixas presentes no álbum
já tinham sido compostas em 2004. Se não me engano,
a “Drowned In Tears”, que já vínhamos
tocando em alguns shows, mais a “Echoes”, “Cold
Embrace” e “My Pain”. No segundo semestre de
2006, iniciamos os trabalhos de composição do restante
do álbum.
Universo do Rock – A meu ver a melhor música
deste novo material é, sem dúvidas, “Falling
Down”, uma faixa completa, onde mostra muitas das qualidades
do grupo. Quais as qualidades que você destacaria em Tearful.
Max Lima – Eu destacaria a ousadia que
tivemos em algumas músicas, principalmente na parte de
arranjos de teclados. Eles renderam muitas discussões e
trocas de insultos. (risos) Mas acredito que o resultado final
ficou muito bom.
Elizeu Hainzenreder – Realmente, a “Falling
Down” dá uma idéia exata do que é a
música da Desolate Ways. Temos os teclados mostrando nosso
lado gótico, as partes mais lentas representando nossa
veia doom metal e aquela pegada meio thrash meta que sempre tivemos.
Gostei da sua observação. (risos)
Universo do Rock – Uma das coisas que também
me chamaram a atenção foram os vocais de Max, onde
ele consegue mostrar uma qualidade muito boa, muitas vezes soando
única no Brasil. Vocês acham que os vocais de Max
foram um diferencial na obra como um todo?
Elizeu Hainzenreder – Deixe-me responder essa porque
ele ficou envergonhado. (risos)
Max Lima – (risos)
Elizeu Hainzenreder – Eu acho que a voz
do Max é um diferencial que temos, não só
no Tearful, mas no nosso trabalho como um todo. E ele está
se aperfeiçoando cada vez mais. Todas as variações
de voz que temos no álbum ficaram formidáveis. E
ele é um cara que se cobra muito durante uma gravação
ecorre sempre atrás do melhor resultado. Acho que todo
o esforço dele rendeu um excelente trabalho.
Max Lima – Muito obrigado, Elizeu. (risos)
Elizeu Hainzenreder – De nada, Max. (risos)
Universo do Rock – Vocês são uma das
melhores, senão a melhor, banda de Gothic/Doom Metal do
Brasil na atualidade. Vocês sentem alguma pressão
neste sentido?
Max Lima – Obrigado pelo elogio. Mas quanto
a pressão, acho que ela não exista. Desde o início
da banda, sempre escrevemos músicas para nós mesmos.
E se hoje existe uma galera que curte a gente, é como se
fosse um prêmio, pois sempre fomos muito íntegros
nesse quesito. Ser honesto consigo mesmo será sempre o
mais importante.
Universo do Rock – A banda se apresentou no ano
passado no festival catarinense River Rock, um dos maiores do
Brasil. Como foi a apresentação?
Max Lima – É sempre muito bom tocar
no River Rock. Foi nossa segunda vez por lá e mais uma
vez foi sensacional. Fomos a atração especial da
noite, subimos no palco às 4:00 da manhã e tinha
muita gente esperando pelo nosso show. Esperamos voltar em breve
a nos apresentarmos por lá.
Universo do Rock – Em Julho do ano passado a banda
anunciou a entrada do baterista original, Igo Menegaz, no lugar
de Ricardo Giordano, onde, inclusive, Igo se apresentou com vocês
já no River Rock. Como foi a readaptação
dele à banda?
Elizeu Hainzenreder – A readaptação do Igo
foi excelente. Na verdade, ele nunca deixou de tocar durante o
tempo em que esteve afastado da Desolate Ways. Iríamos
testar outras pessoas, mas ele aprendeu todas as músicas
do Tearful em uma semana. E além de amigo nosso e membro
original da banda, é uma pessoa super tranqüila de
se trabalhar. Não há estresse com ele.
Universo do Rock – Num anúncio oficial sobre
a saída de Ricardo, o Desolate Ways disse que o mesmo saiu
para dedicar-se a outros projetos musicais. Houve algum desentendimento
entre vocês referente a um direcionamento musical ou coisa
do tipo?
Max Lima – É sabido por todas as
pessoas que nos conhecem que o Ricardo tem diversos outros projetos.
E estes mesmos projetos, além de demandarem quase todo
o tempo dele, são em cima do estilo que ele mais aprecia,
que é o metal melódico. Portanto, foi uma decisão
dele deixar a Desolate Ways para se dedicar a estes projetos.
Não houve desentendimentos.
Universo do Rock – Vocês já estão
trabalhando em novas composições ou ainda é
cedo para pensar nisso, onde pretendem tocar e divulgar o novo
CD o máximo possível?
Elizeu Hainzenreder – Já estamos
trabalhando em novas músicas. E queremos começar
a gravar nosso novo álbum em 2008. Acredito que dentro
das condições que temos atualmente para divulgar
o Tearful, tudo já foi feito. Teremos shows ainda, depois
nos concentraremos em um novo trabalho.
Max Lima – Queremos recuperar o tempo perdido.
Universo do Rock – Agradeço imensamente pelas palavras
e espero que o Desolate Ways possa se consolidar cada vez mais
em território nacional, pois qualidade e competência
vocês possuem de sobra.
Max Lima – Mais uma vez, obrigado pelos
elogios e também pelo espaço para poder encontrar
todos que apreciam nosso trabalho nos shows que estão por
vir. Um abraço a todos.
Elizeu Hainzenreder – Faço das palavras
do Max as minhas palavras também. A gente se vê por
aí, e quem sabe não bebemos uma cerveja???
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