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Hellion Records
 Entrevistas

maio/2008
Após o lançamento do seu primeiro disco, o DESOLATE WAYS subiu um degrau na cena nacional já mostrando competência com seu Doom/Gothic Metal.  
Por: Henrique Meireles
 

Já em Tearful (2007, Erpland Records), a banda consolidou de vez seu nome como um dos mais importantes e respeitados do cenário brasileiro, tendo divulgado o material o quanto pôde e todas as formas possíveis, seja em shows ou até mesmo via Internet.

A boa aceitação lhes rendeu contratos de lançamentos do disco em algumas partes da Europa e, mesmo com o lançamento do disco sendo feito no Velho Continente, o grupo já partiu para o processo de composição de novas músicas que farão parte do próximo petardo do Desolate Ways. É esperarmos para vermos e ouvirmos. Enquanto isso, abaixo está uma entrevista concedida pela banda, a qual nos conta com detalhes todas estas informações e mais.

Universo do Rock – No ano passado vocês anunciaram um show beneficente que tem o intuito de ajudar famílias carentes. Qual a ligação que você acha que a música extrema possui com eventos do tipo em prol do social?

Max Lima – Na verdade este show vem acontecendo há anos em nossa cidade. Foi a segunda vez que participamos dele. Estávamos em casa e fomos convidados novamente. Foi um prazer tocar aqui de novo, e principalmente, ajudar a quem precisa.

Elizeu Hainzenreder – Eu acredito que qualquer estilo de música deve ter a iniciativa de envolver-se em eventos que tenham um significado social. Nosso país é muito sofrido. Algumas pessoas pensam que aqui no sul não temos miséria. Pode até ser que não seja tão significativa como no norte do país, mas ela existe.

Universo do Rock – O lançamento do segundo disco da banda,Tearful, será lançado na Europa até o final do ano. Como ocorreram as negociações? Por qual gravadora sairá o CD e em quais países o disco estará disponível?

Elizeu Hainzenreder – A Internet é uma ferramenta poderosa. Nosso MySpace está próximo dos 30.000 acessos. A gravadora que irá lançar o Tearful na Europa nos descobriu por ele. Entraram em contato conosco e iniciamos as negociações.

Max Lima – Ainda não queremos divulgar, por qual selo, pois ainda não temos o contrato em mãos. E como a Lei de Murphy nos persegue (risos), preferimos manter em sigilo ainda. Da nossa parte já está tudo assinado e encaminhado. Resta recebermos uma via do contrato assinada por eles. Posso adiantar apenas que o primeiro país onde oTearful será lançado é a Finlândia.

Universo do Rock – Já no Brasil o lançamento foi feito pela Erpland Records, que acreditou no enorme potencial de vocês e comprou a idéia. Como andam as coisas até o momento para vocês depois do lançamento de Tearful?

Max Lima – Nunca esteve tão bom quanto agora. O álbum está sendo muito elogiado pela crítica e pelos fãs. E o que é mais legal, tanto aqui no Brasil quanto no resto do mundo. E inclusive temos alguns outros selos interessados em lançar nossos trabalhos fora do Brasil. Estamos trabalhando muito, e podemos dizer que nunca tocamos tanto quanto este ano. Todos os shows que fizemos em 2007 foram sensacionais. Queremos tirar um mês de férias, sem ouvir sequer uma vez o nome da banda (risos). E depois desse descanso é concentração total no novo álbum.

Universo do Rock – Já deu para sentir a aceitação do público nacional para Tearful? Pelo o que pude perceber, o CD foi bastante elogiado pela mídia brasileira e isso certamente já é uma grande vitória, não?

Max Lima – Sim, com certeza. Temos recebidos muitos e-mails e como lhe falei o retorno do público tem sido muito especial. Na verdade tentamos nos superar com o Tearful. Tivemos vários problemas de ordem pessoal nos últimos quatro anos, coisas que nos fizeram colocar a banda em segundo plano. E ter lançado um álbum, que está rendendo tanta coisa positiva, depois de tanto sufoco é a melhor recompensa. O Eternal Dreams foi muito elogiado quando foi lançado, mas não chega nem perto da repercussão que o Tearful está tendo.

Universo do Rock – Tearful é cercado sentimentos e passionalidade. Como foi o processo de composição do mesmo, uma vez que desde o lançamento do debut até a gravação do novo álbum se levou alguns anos.

Elizeu Hainzenreder – Como o Max disse, tivemos uma série de problemas de ordem pessoal que acabaram afetando a banda neste período, entre um álbum e outro. Ninguém escapou desse tipo de problema. E o resultado na época foram as saídas do Igo e do Rodrigo. Ainda somos uma banda underground, portanto não vivemos de música. Todos temos uma série de outras coisas para se preocupar, como trabalho e estudos. Acho que esse clima acabou deixando o material mais melancólico. Nada foi planejado para o álbum. Tanto que a maioria dos riffs já haviam sido compostos há um bom tempo. Fomos montando as músicas e tudo foi ficando como ficou. Algumas das faixas presentes no álbum já tinham sido compostas em 2004. Se não me engano, a “Drowned In Tears”, que já vínhamos tocando em alguns shows, mais a “Echoes”, “Cold Embrace” e “My Pain”. No segundo semestre de 2006, iniciamos os trabalhos de composição do restante do álbum.

Universo do Rock – A meu ver a melhor música deste novo material é, sem dúvidas, “Falling Down”, uma faixa completa, onde mostra muitas das qualidades do grupo. Quais as qualidades que você destacaria em Tearful.

Max Lima – Eu destacaria a ousadia que tivemos em algumas músicas, principalmente na parte de arranjos de teclados. Eles renderam muitas discussões e trocas de insultos. (risos) Mas acredito que o resultado final ficou muito bom.

Elizeu Hainzenreder – Realmente, a “Falling Down” dá uma idéia exata do que é a música da Desolate Ways. Temos os teclados mostrando nosso lado gótico, as partes mais lentas representando nossa veia doom metal e aquela pegada meio thrash meta que sempre tivemos. Gostei da sua observação. (risos)

Universo do Rock – Uma das coisas que também me chamaram a atenção foram os vocais de Max, onde ele consegue mostrar uma qualidade muito boa, muitas vezes soando única no Brasil. Vocês acham que os vocais de Max foram um diferencial na obra como um todo?

Elizeu Hainzenreder – Deixe-me responder essa porque ele ficou envergonhado. (risos)
Max Lima – (risos)
Elizeu Hainzenreder – Eu acho que a voz do Max é um diferencial que temos, não só no Tearful, mas no nosso trabalho como um todo. E ele está se aperfeiçoando cada vez mais. Todas as variações de voz que temos no álbum ficaram formidáveis. E ele é um cara que se cobra muito durante uma gravação ecorre sempre atrás do melhor resultado. Acho que todo o esforço dele rendeu um excelente trabalho.
Max Lima – Muito obrigado, Elizeu. (risos)
Elizeu Hainzenreder – De nada, Max. (risos)

Universo do Rock – Vocês são uma das melhores, senão a melhor, banda de Gothic/Doom Metal do Brasil na atualidade. Vocês sentem alguma pressão neste sentido?

Max Lima – Obrigado pelo elogio. Mas quanto a pressão, acho que ela não exista. Desde o início da banda, sempre escrevemos músicas para nós mesmos. E se hoje existe uma galera que curte a gente, é como se fosse um prêmio, pois sempre fomos muito íntegros nesse quesito. Ser honesto consigo mesmo será sempre o mais importante.

Universo do Rock – A banda se apresentou no ano passado no festival catarinense River Rock, um dos maiores do Brasil. Como foi a apresentação?

Max Lima – É sempre muito bom tocar no River Rock. Foi nossa segunda vez por lá e mais uma vez foi sensacional. Fomos a atração especial da noite, subimos no palco às 4:00 da manhã e tinha muita gente esperando pelo nosso show. Esperamos voltar em breve a nos apresentarmos por lá.

Universo do Rock – Em Julho do ano passado a banda anunciou a entrada do baterista original, Igo Menegaz, no lugar de Ricardo Giordano, onde, inclusive, Igo se apresentou com vocês já no River Rock. Como foi a readaptação dele à banda?

Elizeu Hainzenreder – A readaptação do Igo foi excelente. Na verdade, ele nunca deixou de tocar durante o tempo em que esteve afastado da Desolate Ways. Iríamos testar outras pessoas, mas ele aprendeu todas as músicas do Tearful em uma semana. E além de amigo nosso e membro original da banda, é uma pessoa super tranqüila de se trabalhar. Não há estresse com ele.

Universo do Rock – Num anúncio oficial sobre a saída de Ricardo, o Desolate Ways disse que o mesmo saiu para dedicar-se a outros projetos musicais. Houve algum desentendimento entre vocês referente a um direcionamento musical ou coisa do tipo?

Max Lima – É sabido por todas as pessoas que nos conhecem que o Ricardo tem diversos outros projetos. E estes mesmos projetos, além de demandarem quase todo o tempo dele, são em cima do estilo que ele mais aprecia, que é o metal melódico. Portanto, foi uma decisão dele deixar a Desolate Ways para se dedicar a estes projetos. Não houve desentendimentos.

Universo do Rock – Vocês já estão trabalhando em novas composições ou ainda é cedo para pensar nisso, onde pretendem tocar e divulgar o novo CD o máximo possível?

Elizeu Hainzenreder – Já estamos trabalhando em novas músicas. E queremos começar a gravar nosso novo álbum em 2008. Acredito que dentro das condições que temos atualmente para divulgar o Tearful, tudo já foi feito. Teremos shows ainda, depois nos concentraremos em um novo trabalho.
Max Lima – Queremos recuperar o tempo perdido.

Universo do Rock – Agradeço imensamente pelas palavras e espero que o Desolate Ways possa se consolidar cada vez mais em território nacional, pois qualidade e competência vocês possuem de sobra.


Max Lima – Mais uma vez, obrigado pelos elogios e também pelo espaço para poder encontrar todos que apreciam nosso trabalho nos shows que estão por vir. Um abraço a todos.
Elizeu Hainzenreder – Faço das palavras do Max as minhas palavras também. A gente se vê por aí, e quem sabe não bebemos uma cerveja???


LINKS
Site oficial : www.desolateways.com



www.universodorock.com