Entrevista com a banda Sonata Arctica

“Esperamos uma grande festa todas as noites”, afirma vocalista do Sonata Arctica sobre a nova turnê pelo Brasil”

Por: Leonardo Melo

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Foto/divulgação

Diretamente da gélida Finlândia, no norte da Europa, o Sonata Arctica está prestes a desembarcar no Brasil pelo terceiro ano consecutivo. Dessa vez, entretanto, a banda, que é um dos principais nomes do Power Metal mundial, fará a sua maior turnê pelo País. Serão nada mais nada menos do que dez apresentações entre os dias 21 de fevereiro e 6 de março, em Fortaleza (CE), Recife (PE), Manaus (AM), Limeira (SP), Osasco (SP), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). O extenso giro do quinteto pela América Latina também incluirá Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e México no roteiro.

Em entrevista por e-mail ao Universo do Rock, o carismático vocalista Tony Kakko falou sobre a expectativa para esses shows, o oitavo e mais recente disco de estúdio, “Pariah’s Child”, a experiência de regravar o álbum de estreia, “Ecliptica”, a relação com o Brasil e o livro sobre a carreira do grupo. Confira a seguir.

Universo do Rock: Em sua última passagem pela América Latina e pelo Brasil, o Sonata Arctica trouxe a turnê em comemoração aos 15 anos de lançamento do seu primeiro álbum, “Ecliptica” (1999). Que balanço você faz daquela turnê e da trajetória da banda ao longo desse tempo de carreira?

Tony Kakko: Tem sido uma jornada e tanto até agora, com momentos bons e ruins, repleta de altos e baixos. Vejo esses 15 anos como uma grande experiência, algo que jamais poderíamos sonhar quando éramos crianças. E nós ainda estamos aqui, prontos para outros 15, com certeza. Nós somos apenas adolescentes, pelo amor de Deus (risos)! A última turnê pela América Latina foi sensacional. Percebemos o que o Sonata representa de fato e, o mais importante, que não estamos muito velhos para fazê-la. Foi uma experiência fantástica.

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UR: Falando no álbum “Ecliptica”, vocês lançaram recentemente uma nova versão do disco. Como foi revisitar aquelas canções novamente em estúdio e como surgiu a ideia de regravá-lo?

TK: Na verdade, a ideia surgiu a partir de um pedido da nossa gravadora no Japão. Eles estão conosco desde o início e têm feito um ótimo trabalho ao longo desses anos. Então, como uma forma de agradecimento, decidimos aceitar. Foi assustador como o inferno, mas se você vai refazer algo que já fez, por que não o álbum de estreia? Quero dizer, a versão original sempre continuará sendo a melhor até o final dos tempos, mas ainda assim foi fantástico voltar lá atrás e ver como ele soaria com o atual line-up e toda a experiência que temos hoje. Nós queríamos e a ideia também foi torná-lo o mais próximo possível do original, sem alterar muita coisa. Nós apenas tentamos reproduzi-lo “como se ele soasse nos dias de hoje”. É claro que buscamos acrescentar um pouco disso e mudar aquilo, mas, fundamentalmente, as músicas são as mesmas. Foi um grande aprendizado. Você pode realmente aprender alguma coisa, estudando o passado. E também com o seu próprio trabalho.

UR: Tony, ainda como parte também das celebrações pelos 15 anos do grupo, vocês também lançaram um livro sobre a história da banda (disponível nas versões eletrônica, em inglês, e física, em finlandês). A obra inclui o seu conto de estreia, intitulado “The Key”. O que você poderia falar sobre ele? Você pretende se dedicar a esse lado de escritor? Há outros contos em vista?

TK: A ideia de fazer um livro surgiu há quase dez anos, mas só agora chegamos ao momento adequado e encontramos as pessoas certas para realmente colocá-la em prática. Para mim, a coisa mais importante sobre ele, além de ser uma obra real sobre nós e que eu poderei ler quando estiver velho e senil, é que ele permite aos membros antigos, como Jani (Liimatainen, ex-guitarrista), dizer o que pensam e pôr fim a todas as perguntas que tivemos de responder durante esses anos. Agora eu posso simplesmente dizer: leia o livro. Mas sim, sobre “The Key”…Minha primeira longa história. Eu realmente não tenho escrito nada além de letras de músicas desde quando saí da escola, o que levou muito mais tempo do que eu gostaria de admitir. De qualquer forma, a editora perguntou se eu estaria interessado em fazer algo do tipo e imediatamente topei. Com que frequência você tem a chance de ver o seu romance publicado? Conheço algumas pessoas que lutam por isso e são escritores de fato! Então, não sei se eu deveria me sentir mal com isso ou apenas sorrir e esfregá-lo na cara delas (risos). É uma história de ficção, obviamente, sobre um cara jovem, que embarca em uma aventura. Eu pensava em uma história muito mais longa, mas é incrível o quão rápido você pode preencher 50 páginas… Assim, ela é muito mais curta e não tão detalhada quanto eu gostaria, mas talvez eu a retome algum dia. Nunca se sabe. Foi divertido viver naquele mundo por aquele breve momento. Não tenho outras histórias em vista. Tenho estado bastante ocupado com as coisas nas quais sou realmente bom.

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UR: Sobre o mais recente trabalho de estúdio, “Pariah’s Child” é apontado por vocês como “uma volta às raízes” da banda. O que aliás, incluiu o retorno do lobo (espécie de símbolo do grupo) à capa. Que avaliação vocês fazem da receptividade que o álbum tem tido quase um ano após o seu lançamento?

TK: Eu acho que o álbum foi bem aceito pelos fãs. Acredito que o trabalho anterior (“Stones Grow Her Name”, de 2012) tenha assustado alguns fãs, por ser mais rock do que metal, com um ritmo muito lento, de modo que o “PC” é um passo para você ir na “direção certa”. Temos algumas músicas realmente power metal nele, mas também algumas diferentes passagens, o que o torna um disco muito versátil, no qual todos podem encontrar algo de que gostem, falando especificamente de heavy metal. Se nós temos um álbum que reúne “tudo o que fizemos até agora”, é esse. A resposta dos críticos, de modo geral, também foi excelente, por isso estou muito satisfeito. Acho que o “PC” funcionará como uma espécie de trampolim, me ajudando a escrever algo épico para o próximo álbum. Eu já tenho algumas ideias.

UR: A atual turnê mundial, que divulga exatamente o disco “Pariah’s Child”, virá à América Latina em breve e será a maior já realizada pela banda no continente. Só no Brasil, vocês farão nada mais, nada menos do que dez shows, em uma maratona que cruzará o país de Norte a Sul. Quais as expectativas de vocês para essas apresentações?

TK: É louco, né?! Haha! Esperamos uma grande festa no palco todas as noites. Mas realmente estou convencido de que o público vai extrair o melhor de nós e será algo inesquecível. Simplesmente, teremos multiplicado por dez vezes o que os fãs brasileiros sempre nos proporcionam!

UR: Vocês pretendem gravar alguns desses concertos para um futuro lançamento ao vivo? Há planos para fazer algo do tipo nesta turnê?

TK: Não realmente. Levarei minhas câmeras e vamos registrar coisas para um documentário, mas não temos planos de fazer isso agora. No entanto, é algo que podemos considerar para o álbum seguinte e a próxima turnê. Seria ótimo ter o atual line-up do grupo registrado também em uma versão ao vivo.

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UR: Ultimamente, o Sonata Arctica passou a vir com maior frequência ao Brasil. Em 2015, o grupo visitará o país pelo terceiro ano consecutivo. É possível dizer que vocês já se sentem um pouco brasileiros?

TK: Eu acho que essa é a nossa quinta turnê no Brasil, na verdade. Não me sinto como um brasileiro, mas definitivamente tenho fortes sentimentos por todos vocês! Sou uma pessoa muito do inverno para me afastar do clima ártico.

UR: Como você vê os próximos 15 anos do Sonata Arctica?

TK: Eu acho que seguiremos fazendo isso, enquanto continuarmos nos sentindo bem e nos mantendo. A indústria da música está em crise ou, pelo menos, passando por algum tipo de transformação. Para pior, no meu ponto de vista, pelo menos com a configuração atual. Mudar é bom, algo necessário, mas a maneira como as coisas estão no momento está matando as bandas. Espero que o Sonata permaneça vital o suficiente para sobreviver a esse tempo de mudança. Tenho forte confiança que os nossos fãs estarão sempre lá, enquanto nos mantivermos fiéis ao que os nossos corações nos dizem.

UR: Aqui fica o espaço para você deixar uma mensagem a todos os fãs brasileiros.

TK: Vejo vocês em breve, meus amigos! Sentimos muita falta de todos. Nós estamos muitos contentes por voltarmos tão pouco tempo depois da última turnê que fizemos aí. Estou muito feliz!

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