Entrevista com a banda CPM22

Por: Juliane Assis
Foto: Divulgação

A banda CPM22 lançou no dia 28 de abril o disco “Suor e Sacrifício”. Formada em 1995 e hoje composta por Badauí (vocal), Japinha (bateria), Luciano Garcia (guitarra), Fernando Sanches (baixo) e Phil Fargnoli (guitarra), volta após 6 anos sem divulgar nada novo para seu devido lugar, o sétimo álbum do grupo, representa sua volta às raízes do punk-rock, e esta ai para mostrar que o gênero vive nas veias de quem o acredita. O vocalista Badauí nos contou um pouco como foi o processo de criação do CD e sobre a história da banda.

1 – Como foi o processo de escrita do álbum?

CPM22: A gente teve bastante tempo pra fazer né, a gente decidiu isso desde o começo, que a gente não ia ter pressa para compor o disco, apesar da vontade de lançar que a gente estava. Mas a gente trabalhou muito na composição do disco na velocidade das músicas, nas melodias, na escolha das letras, nas frases, a gente foi bem criterioso, nesse sentido, e a gente trabalhou bem na questão de estética mesmo do disco, os solos os arranjos, as linhas de voz os backing vocals. E a gente estava super feliz com o resultado, isso agradou muito a banda na sonoridade, na gravação, na temática das letras, é um disco que a gente trabalhou com muito carinho, com muita vontade de fazer o disco e o principal foi não precisar correr com o disco.

2 – No que os 6 anos sem lançar algo novo contribuiu para a composição do novo álbum?

CPM22: A gente não demorou todo esse tempo, a gente começou a compor o disco no final de 2015, a ideia era lançar no final de 2016, acabou dando um atrasada, o que foi bom também né…

3 – Como a volta do baixista Fernando Sanches, e a entrada guitarrista Phil Fargnoli (ex-Dead Fish) contribuíram para a composição do álbum, para o estilo da banda e sua desenvoltura ao vivo?

CPM22: Ah…o Fer…ele tem o DNA da banda né, ele conhece a banda faz muito tempo, ele tocou muito tempo com a gente, saiu porque realmente precisou, e voltou no momento certo, na hora certa, e ajudou a compor o disco, ajudou a gente a gravar ele. O Fer…ele vive o punk-rock, ele vive o hardcore, há muitos anos, então somou muito pra gente. O Phil também, o Phil ele é da mesma escola né, que nós, tocou muito tempo no Dead Fish, já tem uma experiência muito grande, como artista ai na estrada, e ele veio para somar, no disco novo que nós gravamos com duas guitarras, o último tinha sido o “Cidades Cinzas”. E o Phil é um monstro, o cara é muito técnico, ele ama esse tipo som, então não tinha como não somar, ele canta bem, ele toca muito bem guitarra, e ele também vem desse mesmo contexto do punk-rock, caiu como um luva pra gente.

4 – Porque o nome “Suor e Sacrifício”?

CPM22: É uma frase de uma letra que tem no disco da ”Conta Comigo”, e reflete bem, esse nome e uma alusão ao que é viver de punk-rock no Brasil, sobretudo hoje em dia, porque atualmente se você não suar a camisa e se você não se sacrificar, você não chega a lugar nenhum. Quando o rock já é difícil, o punk-rock é mais difícil ainda. É que a gente ainda é uma banda grande, a gente tem um legado que nos permite fazer shows pelo país inteiro com um público bom. Mas para as bandas novas de punk-rock é muito complicado, você ter lugares para divulgar e poder cair na estrada, então, o nome é mais ou menos sobre isso.

5 – Sendo uma banda que já esta na ativa a mais de 20 anos, como você enxerga as mudanças no cenário musical brasileiro e como isso afetou a banda?

CPM22: Eu acho que a gente está cada vez menos espaço para artista com conteúdo, a gente vê música vazia tomando conta das rádios, da televisão. Acho que a gente deu uns passos para traz culturalmente, a gente está vivendo isso, agora a corda vai estourar para os estilos mais alternativos, o rap, o rock, mpb, por exemplo. Você não vê mpb mais na televisão, não é a questão do rock só “puxando a sardinha para a gente”, mas você só vê sertanejo, funk, e esse tipo de música. Então isso afeta a banda, claro, tipo, sobre os contratantes e as pessoas que a gente precisa para se manter cada vez mais forte diminuiu, porque hoje o contratante prefere muito mais ganhar dinheiro com o funk ou o sertanejo do que insistir no rock. Só que quando alguém precisa de algum artista para suprir o gosto pelo polemico, ele contrata nós.

6 – Quais são os planos para essa nova turnê?

CPM22: A gente vai voltar a ter a rotina que a gente sempre teve nos outros discos, fazer uma divulgação bem ampla, no rádio, na mídia impressa, e o máximo que der na televisão que é muito importante, e cair na estrada com o disco, a gente é uma banda de show, uma banda de estrada, a banda quer estar no palco, então espero que a rotina seja essa.

7 – Você acha que a essência punk-rock da banda se manteve intacta durante toda a sua existência até agora, ou não? Se sim, como essa essência é mantida?

CPM22: Claro que sim, se não a gente não teria completado 22 anos de banda nesse país. A gente ama o que faz, e a gente tem um público muito grande, a gente é uma banda consolidada, a gente não ficou rico mas a gente tem um belo legado ai na nossa carreira, são 7 discos de estúdio, 11 discos na carreira, 5 DVD´s, então a gente não pode ser ignorado. Para manter a essência, basta você ser fiel ao que você ouve, a gente é o que a gente é, desde o surgimento da banda, a gente tem as suas variáveis na identidade da banda de disco para disco, isso é inevitável, faz parte do mesmo contexto né.

8 – Quais eram as principais influências da banda no começo e quais são agora?

CPM22: Não mudou não, surgem bandas no caminho mas a gente ouve basicamente punk-rock 77, e o pós- punk californiano, punk-rock inglês a gente gosta muito de punk, de tudo isso.

9 – Gostaria de agradecer pelo seu tempo para essa entrevista.

CPM22: Magina, obrigado vocês pelo espaço.

O disco está disponível em todas as mídias digitais e também possui CD físico, ele conta com 16 faixa inéditas. O vocalista Badauí, também aproveitou para dar um recado para os fãs falando para todos apoiarem a cena do rock local de rock e punk-rock.

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