Eddie Vedder é aclamado por público carioca em casa lotada

Por: Danielle Barbosa

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Um banquinho e um violão. Ou melhor: um banquinho e um ukulele, além de um palco sem extravagâncias e bastante próximo ao público. Este foi o clima proporcionado na apresentação de Eddie Vedder no Rio em sua quarta passagem pelo país, três delas com o Pearl Jam. Uma mistura do rock clássico com uma pegada folk, das batidas lentas com as músicas mais emblemáticas e agitadas.

Após sequência de três shows na cidade de São Paulo (6, 7 e 8), o músico norte-americano desembarcou no Rio de Janeiro e se apresentou duas vezes na cidade: no domingo (11) e na segunda-feira (12).

O líder da famosa banda de rock alternativo ‘Pearl Jam’ veio ao país com uma turnê sem a companhia da banda para apresentação de faixas de seus dois discos solo, “Into the Wild” e“Ukulele Songs”, lançados em 2007 e 2011 respectivamente. Sucesso de crítica e público, os discos tiveram, em geral, boas análises dos críticos, além do primeiro ter sido nomeado em dois dos principais prêmios da indústria musical, o Grammy e o Globo de Ouro, ambos em 2008.

A abertura ficou por conta do irlandês Glen Hansard, músico e compositor, líder do The Frames. A casa de espetáculos na Barra da Tijuca estava parcialmente lotada quando o artista subiu ao palco e preparou a plateia para recepcionar a atração principal e aguardada da noite.

O ambiente sugeria a de um teatro: uma disposição de cadeiras organizadas em fileiras frente ao palco e nos camarotes. Já no palco, ao invés dos cenários cheios de elementos em sua composição e grande produção de luzes, um banquinho, um gravador de rolo, alguns instrumentos musicais e uma fogueira cenográfica, dando um ar de um estúdio caseiro em uma reunião entre amigos. Além disso, um telão alternava o pano de fundo entre edifícios, um céu estrelado e um céu azul coberto de nuvens.

Às 22h da noite de Domingo, o músico subiu ao palco do Citibank Hall ao apagar das luzes e foi ovacionado de pé pelos fãs que estavam presentes. Muitos dos que ali estavam eram admiradores do trabalho de Eddie de longa data, da época dos principais álbuns lançados por ele junto a sua banda, o Pearl Jam.

Eddie deixou bem claro sua ideia para essa turnê desde o início do show: uma troca entre artista e plateia, uma proposta bem intimista. Tanto que, a pedido do músico e sua produção, o espetáculo não poderia ser fotografado ou filmado. Segundo ele, queria que as pessoas aproveitassem o show em tempo real e sentissem a energia junto com ele.

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O cantor, sempre bem humorado e interagindo com o público, mesclou covers de bandas consagradas do cenário do Rock, como Pink Floyd, The Clash, Ramones e Beatles, hits do Pearl Jam, como “Sometimes”, “Thumbing My Way”, “Can’t Keep”, “Better Man” (uma versão diferente da original), “Immortality”, “Just Breathe” e “Porch” e músicas de seu trabalho solo, agraciando e encantando os fãs com um setlist generoso de 30 músicas. O fato curioso é a personalização e as novidades sempre trazidas pelo cantor para a setlist de cada show, não tornando esta engessado a uma mesma lista de músicas durante toda a turnê. Em sua primeira apresentação no Rio, o vocalista fez um cover de ‘4th of July’, uma música da banda de punk-rock ‘X’, a qual Eddie disse ter tocado junto em sua vinda com o Pearl Jam ao país em 2011.

Dono de uma voz rouca marcante e inconfundível, Eddie mostrou ser um artista completo e bastante versátil. Mesmo sem a presença de uma banda o acompanhando, o artista se desdobrou e demonstrou enorme talento ao tocar da gaita a guitarra e violão, do ukulele a uma caixa (controlada pelo próprio cantor usando os pés) que reproduzia um som de batidas, marcando o compasso das músicas.

Fãs e músico sentiam-se em casa e mantiveram uma sinergia durante todo o espetáculo, trocando a todo instante. Alguns pediam músicas para o artista, outros gritavam “I love you” ou o nome do cantor repetidas vezes, sendo sempre respondidos por Eddie com tiradas engraçadas, que também entreteve os fãs com algumas histórias contadas por ele. A situação mais divertida foi quando uma fã gritou “I want you” (“eu quero você”) e o vocalista respondeu aos risos dizendo que tinha um trabalho a fazer ali primeiro, arrancando gargalhadas da plateia.

Glen Hansard foi convocado por Eddie novamente já no fim do espetáculo, para fazer uma participação em algumas músicas. O irlandês foi bastante aplaudido pelo público e os dois vocalistas fizeram um belo dueto na música “Falling Slowly”, de autoria de Glen. A canção“Sleepless Nights”, que se faz presente no projeto paralelo de Eddie trouxe um “plus” para a apresentação. Nesta, tanto Eddie quanto Glen dispensaram os microfones e amplificadores e cantaram praticamente “no gogó”, acompanhados por um leve instrumental ao fundo.

Eddie agradeceu a oportunidade de ter vindo ao país, recebeu uma camisa da seleção brasileira como presente de um fã que estava nas primeiras fileiras e se despediu deixando um gosto de “quero mais” antes do bis.

Ao retornar ao palco, muito aplaudido pelos fãs que – já não mais sentados em seus assentos – e sim de pé e extremamente extasiados com a presença do cantor a poucos metros (assemelhando-se bem mais com a vibe de um show de rock), entoou “Hard Sun”, um clássico do seu primeiro álbum em carreiro solo (“Into the Wild”), sendo ajudado por uma plateia bastante participativa e com toda a energia. O cantor encerrou a apresentação com “Dream A Little Dream Of Me”, desejando uma boa noite aos presentes e acenando para despedir-se. Desta vez para valer.

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DESTAQUES:

• Em três oportunidades durante o show, o músico se arriscou e interagiu em português com o público. Apesar de forte sotaque e uma colinha levada em uma folha de papel, o cantor mostrou boa desenvoltura com a língua portuguesa. No primeiro contato, disse que ficaria só até terça-feira no país e que estava triste, que ele gostaria de ficar no país até o fim da Copa do Mundo para ver o Brasil campeão, levando os fãs à loucura. O outro momento veio quando o cantor dedicou uma música às mães, em vista da celebração pelo dia das mães ocorrido no último domingo. Eddie desejou todo o amor para as mães que estavam presentes e para uma em especial, a qual convidou para subir ao palco e receber os aplausos da plateia.

• O cover de “I Believe in Miracles”, consagrada música dos Ramones foi um ponto alto da apresentação. A organização do espetáculo acendeu as luzes no refrão e todos os presentes entoaram um coro a plenos pulmões de “I believe in miracles, I believe in a better world for me and you!”.

• Além disso, proporcionou a dois sortudos da audiência um contato mais próximo com ele, dando-os o direito de subir ao palco para conhecê-lo de perto e participarem da apresentação. Uma jovem menina, de aproximadamente 10 anos – que estava acompanhada dos pais – teve a honra do cantor dedicar uma música especialmente à ela e o presenteou com uma pulseira. Além dela, Victor, um fã bastante empolgado com a situação, parecia não acreditar que via o ídolo bem a sua frente. O rapaz abraçou o cantor, levantou-o no colo (surpreendendo a todos, inclusive ao próprio cantor) e reverenciou o artista, após pedido concedido de tirar uma ‘selfie’ com o músico. Com ele e o resto da multidão, Eddie dividiu a responsabilidade de cantar o clássico single do The Clash, “Should I Stay or Should I Go”.

• Em “Porch”, os fãs literalmente saíram do chão. Levantaram-se das cadeiras, fizeram um coro e levaram a música praticamente na voz com o cantor, promovendo uma atmosfera única na apresentação, fazendo valer a pena cada minuto de espera dos admiradores do artista.

Eddie mostrou ao que veio e encantou o público brasileiro – mais uma vez –, correspondendo toda a expectativa e ansiedade geradas desde que anunciou sua apresentação solo em uma turnê pela América do Sul. Certamente, o espetáculo apresentado pelo cantor fez valer cada ingresso vendido.

Confira a lista de músicas apresentada pelo músico norte-americano na noite de 11/05, no Rio de Janeiro:

SETLIST

01. Tuolumne
02. Brain Damage (Pink Floyd cover)
03. Sometimes (Pearl Jam)
04. Trouble (Cat Stevens cover)
05. Good Woman (Cat Power cover)
06. Thumbing My Way (Pearl Jam)
07. Can”t Keep (Pearl Jam)
08. Sleeping By Myself
09. Goodbye
10. Light Today
11. I Am Mine (Pearl Jam)
12. Better Man (Pearl Jam)
13. Far Behind
14. Setting Forth
15. Guaranteed
16. Long Nights (participação de Glen Hansard)
17. You”ve Got to Hide Your Love Away (The Beatles cover)
18. I Believe in Miracles (Ramones cover)
19. Immortality (Pearl Jam)
20. The Needle and the Damage Done (Neil Young cover)
21. 4th of July (X cover)
22. Just Breathe (Pearl Jam)
23. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Pearl Jam)
24. Sleepless Nights (participação de Glen Hansard)
25. Society (participação de Glen Hansard)
26. Present Tense (participação de Glen Hansard)
27. Falling Slowly (participação de Glen Hansard)
28. Should I Stay or Should I Go (The Clash cover)
29. Porch (Pearl Jam)

Encore:
30. Hard Sun (participação de Glen Hansard)
31. Dream a Little Dream of Me

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