Com produção teatral e performance impecável, Iron Maiden brilha em mais uma apresentação histórica no RJ

Por: Gustavo Franchini
Foto: Antonio Cesar/Universo do Rock
Foto: Antonio Cesar/Universo do Rock

Promovendo seu mais recente lançamento, o excelente The Book of Souls (2015), décimo sexto álbum de estúdio, o Iron Maiden passa pelo Brasil em sua turnê mundial, como é de costume, para dar aula de como se faz heavy metal de verdade, banda esta que sempre recebeu um carinho enorme (recíproco) por parte dos fãs daqui. Considerada uma das maiores do mundo e, talvez, a que mais influenciou outras bandas do estilo, a “Donzela de Ferro” faz jus à reputação em mais um espetáculo de encher os olhos e agraciar os ouvidos.

No ano passado, apesar do susto com a notícia de que o lendário vocalista Bruce Dickinson enfrentava sérios problemas de saúde (durante as gravações do novo álbum), meses depois, para a alegria de todos, tudo dá certo e ele se recupera totalmente. Porém, os fãs estavam preocupados com sua performance ao vivo, o que seria justificável se estivesse abaixo do seu padrão. Nada disso. Bruce não só cantou como o esperado, mas foi ainda melhor, superou todas as expectativas e deixou todos boquiabertos ao cantar clássicos da banda no tom original, sem demonstrar cansaço ou dificuldade para alcançar as notas. É o verdadeiro mestre!

Completando a cozinha, temos o trio fantástico de guitarras com Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers, tão conhecidos e respeitados no cenário, seja pelo que contribuíram e contribuem na música, pelo estilo único de cada um deles, por composições que marcaram época, verdadeiros ícones do heavy metal. E o que falar de Nicko McBrain, a simpatia em pessoa, um monstro nas baquetas com sua pegada singular, seu lindo kit de bateria e seu sempre presente ursinho de pelúcia de estimação (haha). E, para fechar, simplesmente o motivo de o Iron Maiden existir: o baixista Steve Harris. Criador e membro mais antigo da banda (junto com Dave Murray, que entrou um ano depois), compositor majoritário das músicas (praticamente todos os clássicos foram compostos por ele), dono de um estilo peculiar de tocar (que é referência para uma enormidade de baixistas ao redor do mundo), carismático e que, por incrível que pareça, assim como Bruce, considerando que já é idoso, ainda possui bastante energia em cima do palco, correndo de um lado para o outro, pulando etc, o que faz toda a diferença nas apresentações. Gênios!

Foto: Antonio Cesar/Universo do Rock
Foto: Antonio Cesar/Universo do Rock

Músicas como “Children of the Damned”, do estupendo The Number of the Beast (1982), da era de ouro da banda, se uniu a outras obras-primas do metal, como a sempre tocada “Hallowed Be Thy Name” (do mesmo álbum) e a manjada, porém importante, “Fear of the Dark”, do álbum homônimo, de 1992, dentre outras. O destaque vai para “Powerslave” e “Blood Brothers”, pois simplesmente brilham, empolgam e emocionam ao vivo. Quase metade do setlist foi dedicado à novas canções, o que é de praxe em cada turnê de divulgação. O curioso é que ganharam um aspecto épico no palco, deixando óbvio que são bem mais interessantes nesse formato do que em estúdio.

Quem está acostumado a ver um show do sexteto, sabe que pode esperar uma produção de qualidade, performance de primeira e muita energia em cima do palco, somada à interação clássica com todos os presentes. E, claro, tivemos tudo isso. Contudo, dessa vez, o Iron Maiden foi além, trazendo músicas emblemáticas, incluindo as novas (que são bem mais intensas ao vivo) e os clássicos já endeusados pelos fãs, com um viés mais teatral do que nunca. Cenário fantástico; músicas eram representadas singularmente através de maravilhosas artes no pano de fundo; iluminação sensacional e efeitos pirotécnicos de bom gosto; muita fumaça de gelo seco; caldeirões e outros objetos característicos que remetem ao novo álbum; Eddie (mascote da banda) para todos os gostos, além de outras referências à clássicos da banda; Bruce e suas variadas roupas, sempre utilizando objetos para ajudar a contar histórias. Fenomenal!

Tudo isso compõe o que é estar em um show do Iron Maiden. Essa troca de emoções, tão genuínas, sensações intrínsecas ao amor que os fãs de heavy metal tem pelo estilo, perfeitamente representados por uma das maiores bandas que já pisaram na Terra e que esperemos continuar na ativa ainda por muitos anos. De qualquer maneira, em definitivo já cravaram sua grandiosa marca na música. Que, em breve, possamos ver uma nova turnê dos mestres por aqui. Long Live, Iron Maiden!

SETLIST IRON MAIDEN
1 – If Eternity Should Fail
2 – Speed of Light
3 – Children of the Damned
4 – Tears of a Clown
5 – The Red and the Black
6 – The Trooper
7 – Powerslave
8 – Death or Glory
9 – The Book of Souls
10 – Hallowed Be Thy Name
11 – Fear of the Dark
12 – Iron Maiden
BIS
13 – The Number of the Beast
14 – Blood Brothers
15 – Wasted Years

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