Com espetáculo teatral de King Diamond, Liberation Festival fecha sua edição comemorativa com saldo positivo

Por: Flavia Carvalho

Domingo, 25 de Junho, 16h da tarde, os portões do Liberation Festival foram abertos, e o público, em sua maioria trajado de preto, começava a entrar no Espaço das Américas. Apesar da grande quantidade de pessoas entrando no local, que é fechado, não houve tumultos. Algumas pessoas entravam e iam direto ao banheiro, outras ao bar, mas a grande maioria se direcionava às grades, tanto da pista premium, quanto da comum, com o intuito de conseguir um bom lugar para assistir aos shows que iriam começar em aproximadamente 1h.

TEST veio como uma grata surpresa

Test – Foto/crédito: The Ultimate Music (Facebook)

A primeira banda a subir ao palco do Liberation Festival, às 17:30 é a TEST, banda nacional (que na verdade é um duo) de grindcore e death metal, conhecida por tocar em locais inusitados usando uma Kombi que levava os equipamentos e fazendo shows de “abertura” em frente a locais onde bandas como Slayer, Iron Maiden e Black Sabbath fariam shows. Os olhares atentos do público deixavam transparecer uma curiosidade para saber o que sairia dali, e a resposta positiva veio rapidamente, ao final da primeira música, aplausos.

Não houve muita interação com o público, a não ser quando João Kombi, vocalista e guitarrista do duo, agradeceu a todos os que estavam ali presentes com uma salva de palmas. O show terminou com muitos aplausos, enquanto uns gritavam “parabéns”, “vocês são fodas”, como forma de agradecimento e incentivo à banda. A plateia parecia estar bem satisfeita com o que havia acabado de assistir.

Heaven Shall Burn faz energético para levantar o público

Heaven Shall Burn – Foto/crédito: The Ultimate Music (Facebook)

Aproximadamente às 18:10, era hora da banda alemã Heaven Shall Burn subir ao palco do festival. O público, agora em maior quantidade, gritava e aplaudia a banda de metal enquanto os primeiros acordes de “The Loss of Fury” ecoavam no Espaço das Américas. Haviam algumas pessoas com celulares e câmeras, clicando e gravando cada segundo da música, mas a maioria pulava e bangueava, o que foi um ponto positivo no show.

A plateia respondia a cada estímulo do vocalista, Marcus Bischoff, que durante vários momentos, pedia para que as pessoas levantassem as mãos. Ao ver a reação instantânea dos fãs, Bischoff declarou “Obrigada, my friends”. A banda, que não vinha ao Brasil desde sua elogiada apresentação em 2014, ao lado do Parkway Drive, fez um show com muita presença de palco. Destaque para a música “Endzeit”, que levou os fãs ao delírio, cantando em coro o trecho “we are, we are the, we are the final resistance”. O show terminou com muitos aplausos e um público satisfeito.

Depois de um show caloroso como de Heaven Shall Burn, era de se imaginar que o público começasse a dispersar e ir aos banheiros ou procurar bebidas, mas não foi bem isso o que aconteceu. A casa foi, cada vez mais, lotando de gente, como num piscar de olhos, já não havia mais espaços de tantas pessoas querendo chegar mais perto do palco para aguardar a próxima banda, Carcass.

Um dos destaques do festival – Carcass

Carcass – Foto/crédito: The Ultimate Music (Facebook)

E não demorou muito para o show começar, às 19:10, Carcass, a banda inglesa de metal extremo, liderada pelo baixista e vocalista Jeffrey Walker, sobe ao palco do Liberation Festival, se deparando com uma multidão de fãs que se dividia entre gritar e aplaudir e gravar cada momento do show com os celulares e câmeras, o que poderia ter sido um ponto negativo, mas ocorreu apenas na primeira música. Logo depois, o número de celulares nas mãos foi diminuindo e a galera se entregou de corpo e alma ao show.

Apesar de pouca interação verbal com os fãs, a banda, que passou por vários estilos diferentes durante sua formação até se firmar como death metal de fato, conseguiu prender a atenção do público o tempo todo, que reagia a cada estímulo de Walker com gritos, aplausos e assovios. Como era de se esperar, em “Mount of Execution”, os fãs foram ao delírio, destaque para a dupla de guitarristas Bill Steer e Bem Ash. O show do Carcass foi, sem dúvidas, um dos mais poderosos da noite.

Lamb of God faz show competente para público disperso

Lamb Of God – Foto/crédito: The Ultimate Music (Facebook)

Se por um lado, Carcass atraiu todo o público para a frente do palco, a banda norte-americana Lamb of God, que subiu ao palco do festival às 20:40, parecia não conseguir o mesmo feito. Apesar de ser recebida com euforia, a banda de death metal se deparou com um público disperso, que aparentemente, preferia descansar para mais tarde a ver a banda. O show começou meio lento e demorou um pouco para arrancar os primeiros gritos dos fãs.

Em “512”, Blythe, com sua presença de palco única e impecável, finalmente conseguiu uma resposta entusiasmada do público, que passou a clamar “Lamb of God” no intervalo de cada música dali em diante. Outro momento de euforia dos fãs foi quando o vocalista pediu para o público cantar junto em “Walk With Me in Hell” e em “Now You’ve Got Something to Die For”.

Apesar de conseguir extrair bons momentos dos fãs, Randy Blythe estava visivelmente esperando um pouco mais, isso transpareceu quando o vocalista comentou que não tinha visto nenhum circle pit o show inteiro e pediu que fizessem ao menos um, antes de tocar a derradeira “Redneck”. Lamb of God é um dos maiores nomes do metal mundial e fez uma apresentação impecável com seus maiores sucessos, mas foi um pouco prejudicada pela falta de entusiasmo dos fãs, que já não eram a maioria no festival.

King Diamond encerra o festival com espetáculo teatral

King Diamond – Foto/crédito: The Ultimate Music (Facebook)

Após o término do show do Lamb of God, era notável a ansiedade dos fãs para o headliner da noite, o dinamarquês King Diamond com sua banda, que se diferencia das outras pela característica teatral e seu heavy metal repleto de falsetes. Aproximadamente às 22:20, começava o show, literalmente, de King Diamond. O palco foi todo montado para receber um espetáculo teatral, repleto de símbolos de satanismo e ocultismo (o vocalista considera como estilo de vida e não religião), e foi isso que aconteceu. Sem deixar de lado a música com instrumentais pesados e um vocal diferenciado, King Diamond se sentiu em casa e mostrou o porquê é tão adorado pelo público.

Aliás, adoração é uma palavra que certamente descreve o que os fãs sentem pelo músico. Era comum ver algumas pessoas com os rostos pintados e cartolas em homenagem ao lendário vocalista, dono de agudos impressionantes. O carinho e afeto dos fãs foi bem compensado pelo artista que não se apresentava no Brasil há pouco mais de 20 anos. Logo no início do show, King Diamond apresentou os músicos da banda, deixando transparecer seu bom-humor e carisma, disfarçados pelo visual assustador. O setlist contou com músicas de sua carreira solo, como “Eye of The Witch” e sucessos de sua antiga banda Mercyful Fate, como “Melissa” e “Come to the Sabbath”.

Em entrevista recente à revista Rolling Stone, King Diamond afirmou que faria o seu clássico álbum “Abigail” ganhar vida, de forma que parecesse um filme… e cumpriu. Era inevitável, não tinha como tirar os olhos do palco. O show tornou-se, cada vez mais, um espetáculo à parte, passando por todas as músicas do álbum, na íntegra. O que, com certeza, agradou aos fãs que esperavam por esse momento há anos. King Diamond, no auge de seus 61 anos, é um artista diferenciado e que tem uma bagagem musical e artística digna de todo respeito.

Depois de, aproximadamente, mais uma hora e meia de show, o Liberation Festival 2017, que celebrou o vigésimo quinto aniversário da produtora Liberation Music Company chegou ao fim. Na saída, semblantes satisfeitos de fãs que foram ao festival para ver suas bandas favoritas e viver momentos únicos, e saíram de lá com seus objetivos alcançados. O público do metal é, com certeza, um dos mais fiéis no mundo da música e, com certeza, os que foram ao festival não saíram decepcionados.

Setlist King Diamond
Intro:
The Wizard (Uriah Heep)
Out From the Asylum
1 – Welcome Home
2 – Sleepless Nights
3 – Halloween
4 – Eye of the Witch
5 – Melissa (Mercyful Fate cover)
6 – Come to the Sabbath (Mercyful Fate cover)
“Them”
Funeral
7 – Arrival
8 – Mansion in Darkness
9 – The Family Ghost
10 – The 7th Day of July 1777
11 – Omens
12 – The Possession
13 – Abigail
14 – Black Horsemen
Insanity

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