Por
Adriana Camargo
Colaboração:
Albertino Viveiros

No último dia 29 de julho pude conferir o workshow de uma das lendas vivas do rock – o cantor norte-americano Joe Lynn Turner (Sunstorm, ex-Deep Purple, Rainbow e Rising Force). O evento aconteceu no auditório SL Music Hall do Conservatório Souza Lima e contou com a presença de cerca de 90 pessoas aproximadamente.
Assim que subiu no palco Joe já abriu espaço para perguntas dos fãs. Como ninguém se manifestou, ele preferiu abrir o evento com música, tocando “King of Dreams” (Deep Purple) e depois “Death Alley Driver” (Rainbow), aí sim veio a primeira rodada de perguntas. Os temas abordados ficaram em torno da carreira dele, técnicas vocais, influências musicais e comentários sobre outros músicos com quem ele já tocou anteriormente, como Yngwie Malmsteen, Gleen Hughes, Deep Purple, por exemplo.
No pocket show, Turner estava muito bem acompanhado por uma banda composta pelo baixista Andy Robbins (Holy Soldier), o baterista Garry King (Jeff Beck, Paul McCartney, Psychedelic Furs), Andres Montoya (guitarra) e os brasileiros, Beto Peres (guitarra), Marssal (teclados). Joe apresentou músicas que marcaram as diversas fases de sua carreira. Vale ressaltar que Andy Robbins e Garry King são os donos da produtora Garnoe Productions que trouxe Joe Lynn Turner ao Brasil este ano.
Quando perguntaram para o músico como mantém a sua longa carreira, ele disse enfático que “O artista tem que mudar ou morrer”. E que ele teve que carregar muitas críticas ao longo dos anos, mas que Richie Blackmore (ex-Rainbow) ajudou-o a superar essas críticas. E acrescentou: “mudar é sempre bom para você”.
Sobre a convivência que teve com o músico sueco Yngwie Malmsteen, que tem fama de mau, ele disse que “Malmsteen é brilhante. Para” “sobreviver” da convivência com ele ou com Richie Blackmore você tem que ter inteligência. Afinal, eu sou também guitarrista antes de ser cantor”, ressaltou Turner.
O cantor também comentou sobre o álbum “Made in Moscow” que ele e Glenn Hughes gravaram com o baixista russo Michael Men para o “Michael Men Project”. “Eu e Glenn gravamos essas músicas em Moscou, mas depois quando eu ouvi todas elas estavam mudadas. Eu achava que as músicas estavam melhores antes. Apesar desse contratempo, esse trabalho serviu para abrir as portas para nós na Rússia. Hoje eu e o Glenn sempre que podemos tocamos lá”, afirmou.
A respeito de técnicas vocais Turner foi enfático ao dizer que “o som não tem que sair só da garganta, mas do diafragma. Você tem que cantar com uma voz limpa transmitindo a emoção”.
Na ocasião perguntaram para ele como foi tocar no Iraque com o Big Noise – banda que toca músicas de Deep Purple, Rainbow, Ozzy Osbourne, Ásia, etc, formada por Carlos Cavazo (ex-QUIET RIOT), Phil Soussan (OZZY OSBOURNE) e Simon Wright (AC/DC e DIO). Turner disse que “Tocar no Iraque no dia 11 de setembro foi inesquecível! Nós vimos tudo que estava acontecendo lá. E convivemos com as tropas. Foi a melhor platéia do mundo. Acho que as tropas precisam de entretenimento. Eu nunca concordei com o governo de George Bush e nem com o que estava acontecendo lá, mas nós tocamos no Iraque pelas tropas”, enfatizou ele.
Atendendo a pedidos ele tocou uma música chamada “Divided” do álbum “House of Dreams” de seu mais novo trabalho com o Sunstorm. Em seguida ele perguntou ao público que música antiga da carreira dele que queriam ouvir. Depois dessa deixa, eu mesma respondi a questão e pedi “I Surrender” do Rainbow. Para minha surpresa, o meu pedido foi prontamente atendido e ainda teve mais. O carismático Turner desceu do palco no meio da música e levou o microfone para eu cantar com ele o hit do Rainbow, e ainda fez uma brincadeira e para minha surpresa sentou-se no meu colo para cantarmos juntos. Foi divertido!
Logo depois, os fãs voltaram a fazer perguntas ao cantor. Dessa vez quiseram saber qual o álbum que ele mais gosta da carreira dele? Joe disse que álbuns são como crianças, que você não gosta mais de um ou do outro. E ressaltou que ele ama música.
Atendendo ao pedido de uma outra fã, Turner tocou “Dreaming”, outra canção da época do Rising Force com Yngwie Malmsteen. E para encerrar tocou “Burn” do Deep Purple.
Depois que encerrou o workshow, Joe ainda ficou mais um tempo no auditório e tirou fotos com fãs e deu vários autógrafos. Ele foi muito simpático e mostrou muito respeito por seu público. É um exemplo a ser seguido!
Sobre Joe Lynn Turner
Joe Lynn Turner iniciou suas atividades em 1970 integrando a banda EZRA que fazia covers de Deep Purple, entre outras bandas. Em 1977 formou o Fandango junto com o guitarrista Rick Blackmore, Bob Danyls (baixo) e Abe Speller (bateria) com quem gravou quatro discos. Posteriormente, ingressando no grupo Rainbow, criado por Blackmore com destaque para os álbuns "Difficult To Cure" (1981), "Straight Between The Eyes" (1982) e "Bent Out Of Shape" (1983). Turner também fez parte do grupo Rising Force do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen resultando no álbum “Odyssey” (1989) e substituiu Ian Gillan no Deep Purple gravando “Slaves and Masters” (1990), além de discos solo e os projetos paralelos, como o Hughes Turner Project, ao lado do vocalista e baixista Glenn Hughes (ex-Deep Purple, Black Sabbath e Trapeze). Em sua extensa carreira, Joe também participou de vários outros projetos como: Mother´s Army, Brazen Abbot, Voices of Classic Rock (que contava com outros cantores de renome como Jimi Jamison (Survivor), Glenn Hughes (ex-Deep Purple), entre outros, e passou pelo Brasil em 2001), Michael Men Project, Rock and Pop Masters e Over the Rainbow. Atualmente, Joe Lynn Turner está em fase de lançamento do álbum “House of Dreams” com o seu grupo Sunstorm, lançado neste ano pela gravadora italiana Frontiers.