City and Colour: show da banda canadense invade o Cine Joia com sonoridades profundas e muita emoção

Por: Carla Maio
Foto: Andréia Takaishi/Universodorock
Foto: Andréia Takaishi/Universodorock

Macia, com timbre agudo e extremamente profunda. É assim que chega à alma a voz do músico Dallas Green, vocalista do City and Colour, banda canadense de folk que se apresentou nas noites de terça e quarta (26 e 27/4) no Cine Joia, em São Paulo, verdadeira carícia no coração de quem curte o som da banda.

Na estrada desde 2005 e com cinco álbuns no bagageiro, o City and Colour veio ao Brasil pela primeira vez em 2015. De lá pra cá, o grupo segue acumulando afeição e amizade em meio à comunidade de carismáticos enlouquecidos pela sonoridade do grupo, meninos e meninas, gente jovem e bonita, sorridente e de bem com a vida, que transcende para o plano imaterial quando escuta os trabalhados acordes de Green.

Nesse retorno ao Brasil, Dallas Green está acompanhado por Jack Lawrence, no baixo, Dante Schwebel na guitarra, Doug MacGregor na bateria e Matt Kelly na steel guitar e teclados. Na gelada noite da última terça-feira, a banda apresentou músicas do álbum If I Should Go Before You, lançado pela Dine Alone Records, em outubro de 2015, além de canções dos trabalhos anteriores.

Música para a alma

Um espetáculo que encanta os olhos. A grande sacada do Cine Joia é a iluminação, cujas cores muito simples, em sua maioria vermelhas, azuis, laranjas e lilases, incidiam sobre o palco, projetando as imagens singulares dos músicos nas arredondadas paredes do antigo cinema. Não resta dúvida de que a Casa é realmente a melhor opção para recebê-los na capital.

Tudo pronto. O clima é de harmonia. Aroma de incenso perfuma o lugar. Logo que a instrumentação cresce, os primeiros riffs denunciam toda a devoção de um homem em “Woman”. Numa espécie de boa noite singelo, o City and Colour traz na sequência a balada “Northern Blues” e mostra  toda a sensibilidade que agrada os fãs em “Two Coins”, canção embalada pelo violão de Green, que te leva para longe e te traz de volta, causando uma reviravolta de emoções, de busca daquilo que te define.

“Se você atravessar a luz branca e encontrar-se no escuro, eu estarei lá atrás de você, você não terá nenhuma necessidade de olhar para trás”, dizem os versos de “If I Should Go Before You”, e de repente você entende que um show do City and Colour não é só mais um show, antes, um mergulho na essência de cada um de nós, um encontro consigo mesmo.

É interessante observar o modo como os músicos alternam a costura de seus instrumentos, dando a cada música uma textura sonora única e especial, como em “Killing Time”, em que os riffs de Dante Schwebel te hipnotizam e fazem teu corpo flutuar de um lado para outro. É a linha melódica dos teclados de Matt Kelly que garante a tessitura das composições, ligando-as umas às outras num sussurro ininterrupto e pulsante.

Foto: Andréia Takaishi/Universodorock
Foto: Andréia Takaishi/Universodorock

O amor está no ar… entregue-se!

Durante todo o show, Green embeleza, troca de violão e guitarra como quem troca de roupa. Adorado pelos fãs, sobretudo as meninas que o acham lindo, o ex-vocalista do Alexisonfire é cuidadoso com cada uma de suas criações, verdadeiras peças de arte, que guardam a primazia e a autenticidade que as tornam especiais.

“Estamos muito felizes por estar de volta ao Brasil, obrigada por virem, por cantarem junto com a gente, estamos sentindo o amor emanando de todos vocês”, agradece Green enquanto anuncia “Hello, I’m in Delaware”, do álbum Sometimes, de 2005. A vida simples, o caminho que se percorre, a busca intensa, o amor que não acaba e por isso transcende, mas que também é descuidado e machuca são alguns dos temas presentes nas composições do City and Colour, sentimentos comuns, que tocam a alma das pessoas, tornando-as especiais. Os músicos, claro, estão atentos a todos esses sinais extremamente significativos.

A coisa toda ficou boa mesmo em “Wasted Love”, música com levada interessante com um refrão que não sai da cabeça, como que pedindo mais, só um pouco mais. A essa altura, músicos e público já se conquistaram, é evidente que o amor está no ar, e talvez por isso a retribuição carinhosa tenha vindo em forma de melodia, primeiro com os lindos acordes do piano que ganham corpo com a incursão da bateria e emocionam com a levada das guitarras.

Em “Lover Come Back”, mãos seguram mãos, bocas procuram bocas, ninguém quer desperdiçar o momento de extremo romantismo para demonstrar o que sente, afinal, nada melhor que um show do City and Colour para se entregar de vez ao inevitável.

Na continuidade do show, mais gritos e letras na ponta da língua em “Waiting”, “We Found Each Other in the Dark”, “Sleeping Sickness” e “The Grand Optimist”. O show chega ao fim e os caras deixam o palco depois de “As Much as I Ever Could”. No retorno para o encore, Green aparece só, porém bem acompanhado de seu violão para a encantadora “Day Old Hate”, “Body in a Box”, quando divide sua maestria entre as cordas e o sopro da gaita, e “Northern Wind”. Antes do fim, os músicos se reúnem para as esperadíssimas “The Girl” e “Hope for Now”.

“Não tenho como descrever o que aconteceu aqui, gostaria de ter as palavras corretas, mas o que quero dizer é que foi muito especial tocar para vocês esta noite”, despede-se Dallas Green.

Depois de nos deixar estarrecidos com as apresentações em São Paulo, o City and Colour parte para o Rio de Janeiro, onde se apresentam no magnífico Circo Voador, no dia 29 de abril. E antes de seguir a rota back to Canada, a capital mineira também será agraciada com show dos caras, no dia 30 de abril, no Music Hall. Vale muito a pena conferir.

Set list
Woman
Northern Blues
Two Coins
If I Should Go Before You
Killing Time
Hello, I´m in Delaware
Wasted Love
Lover Come Back
Waiting
We found Each Other in The Dark
Sleeping Sickness
The Grand Optimist
As much as I Ever Could

Day Old Hate
Body in a Box
Northern Wind
The Girl
Hope for Now

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