Bad Religion e The Offspring trazem punk competente e lotam casa em SP

Por Fla Carvalho

Fãs do estilo comemoram noite que celebra punk de diferentes vertentes

Foto: Leca Suzuki

Ninguém iria em um show de punk no meio da semana, em um local fechado, com a temperatura chegando aos 34°, certo? Errado. Apesar de todas as adversidades, o Espaço das Américas recebeu, nesta terça-feira, um público que lotou a casa. O motivo? Duas das bandas mais adoradas dos fãs de punk rock: Bad Religion e The Offspring.

As bandas têm vertentes diferentes dentro do punk. Enquanto Bad Religion tem uma veia mais punk rock hardcore, o The Offspring transita entre o skate punk e o pop punk, além de serem foco de gerações diferentes. Diferenças à parte, ambas são muito importantes e competentes no que a música tem de melhor: agitar o público.

Bad Religion

Era pouco mais de 21h, e o Espaço das Américas já estava lotado, ninguém queria perder o primeiro show da noite, os tiozões californianos do Bad Religion. Com praticamente nada de atraso, o frontman Greg Graffin, os guitarristas Brett Gurewitz, Mike Dimkich e Brian Baker, o baixista Jay Bentley e o baterista Jamie Miller subiram ao palco e já mandaram logo de cara “21st Century (Digital Boy)” do Against the Grain (1990) e, logo em seguida, “Fuck You” do True North (2013). Duas músicas com uma geração de diferença e que, mesmo assim, traduzem a alma e identidade do banda. Só esse começo já foi o suficiente para entender que a noite seria intensa e enérgica.

Ao final de cada música, Greg fazia questão de introduzir a próxima com alguma historinha ou trocadilhos. Essa alma de tiozão aparece aqui e também um pouco na performance, que já não é mais explosiva, mas continua sendo poderosa e com uma voz quase que intacta – deve ser muito bom envelhecer e continuar incrível, convenhamos.

Os destaques do setlist foram “Infected” (Stranger Than Fiction – 1994), “Generator” (Generator – 1992) e a sequência final “Los Angeles Is Burning” (The Empire Strikes First – 2004), “Sorrow” (The Process of Belief – 2002), “Fuck Armageddon… This Is Hell” (Tested – 1997) e “American Jesus” (Recipe for Hate – 1993).

O triste é que as 25 músicas tocadas passaram num piscar de olhos. Foi tão bom que dava para durar mais.

Foto: Ricardo Cardoso @ricardosofotos|Espaço das Américas @espacodasamericas

The Offspring

Depois do show arrebatador do Bad Religion, o público já estava encharcado de suor. Houve uma breve dispersão, para pegar um arzinho, ou pelo menos tentar – já que o ar-condicionado da casa de shows parecia não ser o suficiente para tanta gente.

As luzes se apagaram novamente, anunciando o início do segundo, e último, show da noite – era hora dos também californianos, e também tiozões, The Offspring.

O vocalista Dexter Holland, acompanhado do guitarrista e backing vocal Noodles, o baixista Greg K e do baterista Pete Parada, subiu ao palco ao som de “Americana” (Americana – 1998), trazendo em sequência “All I Want” (Ixnay on the Hombre – 1997) e “Come Out and Play” (Smash – 1994). Não deu outra, o público já estava pulando e suando novamente.

As músicas do Offspring foram hinos do movimento skate/punk no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Não à toa, o público mais jovem se aproximou ainda mais do palco para ver os caras.

Dexter Holland está tão tiozinho quanto Greg Graffin, a diferença aqui é que o Dexter parece não ter mais tanto fôlego. Apesar disso, todos os integrantes estavam em perfeita sintonia, fazendo com que a voz do frontman fosse apenas um detalhe. Noodles foi o que mais se destacou. Passou grande parte do show agradecendo o público e dizendo o quanto estava feliz em estar ali, além de sempre puxar assunto com Dexter, enquanto fazia pausas.

Com exceção da inédita “It Won’t get Better”, o show foi feito praticamente de hits, que agitaram os fãs do início ao fim. Rolou até cover de “Blitzkrieg Bop” (Ramones) e “Whola Lotta Rosie” (AC/DC), que Noodles fez questão de dizer que são as duas maiores bandas de todos os tempos.

Foto: Leca Suzuki

Um momento inusitado foi quando Dexter surgiu com um piano no meio do palco para cantar “Gone Away”, numa pegada muito mais sentimental do que a da versão original. Não tem como negar que quebrou um pouco do clima, mas tudo bem, serviu de descanso. Confesso que preferia ter ouvido “Original Prankster” ou “Mota”, mas ambas ficaram de fora do setlist, infelizmente. Os destaques ficaram para “Bad Habit”, “The Kids Aren’t Alright” e o bis “You’re Gonna Go Far, Kid” e o hino “Self Esteem”, que serviu para lavar a alma de todos presentes no Espaço das Américas. Olha, nem toda onomatopeia do mundo seria o suficiente para expressar a satisfação desse fim de show.

Setlist Bad Religion

1 – 21st Century (Digital Boy)
2 – Fuck You
3 – Anesthesia
4 – Chaos from Within
5 – Stranger Than Fiction
6 – The Dichotomy
7 – Recipe for Hate
8 – End of History
9 – The Handshake
10 – I Want to Conquer the World
11 – New Dark Ages
12 – Lose Your Head
13 – Automatic Man
14 – We’re Only Gonna Die
15 – Modern Man
16 – Infected
17 – You
18 – Overture
19 – Sinister Rouge
20 – Generator
21 – Do the Paranoid Style
22 – Los Angeles Is Burning
23 – Sorrow
24 – Fuck Armageddon… This Is Hell
25 – American Jesus

Setlist The Offspring

1 – Americana
2 – All I Want
3 – Come Out and Play
4 – It Won’t Get Better
5 – Want You Bad
6 – Genocide
7 – Staring at the Sun
8 – Blitzkrieg Bop
9 – Whole Lotta Rosie
10 – Bad Habit
11 – Gotta Get Away
12 – Gone Away
13 – Why Don’t You Get a Job?
14 – (Can’t Get My) Head Around You
15 – Pretty Fly (For a White Guy)
16 – The Kids Aren’t Alright
BIS
17 – You’re Gonna Go Far, Kid
18 – Self Esteem

Confira a galeria de fotos do show:

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