Sexta-feira,
9 de maio, foi o dia em que a cidade de São Paulo apresentou
recorde histórico de congestionamento, 266 km, para ser
mais precisa, o maior índice já registrado na cidade.
Foi também o dia do show da banda Whitesnake no Credicard
Hall na Marginal Pinheiros e é claro que essa confluência
de fatores só poderia ter gerado problemas.
Depois
de ter ficado retida por mais de duas horas no trânsito
só consegui chegar à casa de espetáculos
com o show já bem adiantado. Por sorte, a gentileza e o
bom senso de Sarita, uma das assessoras do evento suplantou a
burocracia e, mesmo após o horário foi possível
à nossa equipe adentrar ao recinto que se encontrava tomado
por aproximadamente 7 mil pessoas.
Não
posso relatar como foi a primeira parte do show, mas o que vi
a partir da música “Crying in the rain” foi
o público em estado de graça e uma banda competentíssima,
coesa e tocando de modo preciso. E não poderia ser diferente
já que lá estavam Doug Aldrich na guitarra (ex-Dio)
Reb Beach também na guitarra (ex Winger), Timothy Drury
nos teclados (ex-Eagles) e completando o time, Uriah Duff no baixo
e Chris Frasier na bateria.
Os
músicos mostravam uma sensação de prazer
inegável ao tocar e os guitarristas deram um show de virtuosismo,
o que já era esperando diante da inegável qualidade
de ambos.
Com seus 57 anos de idade e muita estrada, a estrela do grupo
David Coverdale cantou esbanjando simpatia e exibindo a sensualidade
de sempre. Claro que a voz não tem mais aquela potência
de outros tempos e o recurso do eco ao final das notas mais agudas,
além dos backings, tentou encobrir um pouco esse fato,
mas o importante é que no frigir dos ovos isso não
fez muita diferença, o público se encarregou de
cantar o que era necessário, em alto e bom som.
Só
para citar algumas canções, “Guilty of Love”
que não era esperada, fez a galera delirar, “The
Deeper the love” foi interpretada só por Coverdale
e Doug ao violão, numa performance de arrepiar, “Still
of the night” arrebatou a platéia e para minha surpresa
e delírio veio “Soldier of fortune” do Deep
Purple (banda da qual Coverdale foi vocalista entre 1973 e 1976)
à capela!
Para
fechar com brilhantismo essa noite empolgante vieram os clássicos
"Burn" e “Stormbringer" e os músicos
se despediram abraçados, fazendo a reverência de
praxe e em sua quarta passagem pelo Brasil, o Whitesnake mostrou
que ainda tem muita lenha pra queimar.
Foram
quase duas horas de show e a irritação pelo trânsito
caótico tinha quase se dissipado quando, ao voltar ao lugar
em que tinha estacionado o carro (na rua é claro, uma vez
que os estacionamentos estavam todos lotados), me deparo com vários
veículos arrombados em tentativas de furto, fato que seria
facilmente evitado se o policiamento da região se fizesse
mais ostensivo em espetáculos dessa magnitude. E que isso
sirva de alerta para os próximos eventos no local. |