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Hellion Records
 Matéria

28/08/2007
Carisma e Colhões com The Donnas
Texto e Fotos por: Mayra Dias Gomes
 
São Paulo nunca sai cedo de casa, São Paulo dorme de dia. Sendo assim, a cidade no final da tarde para nós que vivemos na noite e não queremos parar, é totalmente apropriada para abrigar um show promissor de uma banda de meninas bonitas e boas no que fazem. Boas não, vamos ser sinceros, elas são fantásticas.

Eu tinha uns 14 anos quando comecei a ouvir The Donnas, que já está na estrada desde 1993. Estava começando a ficar rebelde, me apaixonar por meninos e fumar cigarros. As músicas deste quarteto californiano ilustravam bem aquele sentimento típico. Eu queria fazer "grrrrrrr" junto com elas.

Foi por isso que quando ouvi que elas iam tocar no Clash Club em São Paulo, logo pedi pro Paulo Cássio do Universo do Rock me credenciar e me deixar escrever para vocês. Como ele já havia feito cobertura da festa de lançamento do meu livro, deu pra mim esse espaço pra contar pra vocês minhas impressões mais sinceras do mundinho do rock. Vai ser uma atividade freqüente. Isso é tudo que precisam saber. Vamos deixar o umbiguismo de lado e voltar ao que realmente interessa.

VEJA AQUI AS FOTOS FEITAS COM A BANDA THE DONNAS

O nome do lugar já deve ter emocionado as moças rebeldes, pois suas influências claras vem de bandas como The Clash, Ramones e Joan Jett. Não só destas, mas também de outras do hard-rock como Motley Crue e Kiss. Más línguas dizem que as beldades começaram a banda pelo mesmo motivo que meninos começam banda: pra catar geral!

Assim que entraram no palco, ás 21:00 em ponto deste sábado, já deixaram bem claro que estavam muito felizes de estar em São Paulo. Muitos sorrisos, frases em portugês e gírias revelaram um carisma difícil de negar. É claro que o fato de que 3 delas eram realmente lindas ajudou. (Não é veneninho, prometo).

A energia das meninas levou os fãs ao extasy e o fato inegável de que realmente tocavam seus instrumentos com atitude e profissionalismo, deixou até os pioneiros do rock de boca aberta, levantando dedinhos de metal no ar. Misturaram músicas antigas com músicas do novo CD "Bitchin" e não deixaram o clima decair por um minuto sequer. Incluiram clássicos como "40 Boys in 40 Nights" e fizeram o público implorar para que tocassem "Take it Off". Mas isso, só no fim, só depois que surpreenderam quando não parecia possível, com um cover de muito bom gosto de "Living After Midnight" do Judas Priest. A pegada da baterista Torry Castellano, a monstruosidade dos dedos da guitarrista Allison Robertson e a presença feminina de Brett Anderson ajudaram. A acústica do lugar também. Nem mesmo a antipatia gótica da baixista Maya Ford atrapalhou. As meninas da platéia gritaram quando uma música foi dedicada à elas e os meninos também, na vez deles. Tudo em um clima bem High School da Califórnia nos anos 90. Quem lembra das participações que a banda fazia em filmes como "Jawbreaker", tocando no baile de formatura?

A duração do show deixou a desejar, mas para mim isso pouco importou, pois resolvi ir para a balada onde elas estariam depois: o lindíssimo Belfiori. A casa ficou cheia de fãs sinceros que estavam ali para curtir rock'n'roll, encher a cara e fazer festinha com autodefinidas festeiras. Sentadas em uma mesa e rodeadas de gente, não deixaram de dar risada e tirar fotos com todos que se aproximavam. Brett Anderson não só dançou comigo e meus amigos, mas conversou como uma nova amiga da balada. Disse ainda que Nova York e São Paulo eram as melhores cidades do mundo e que tinhamos que dançar sem parar. Com certeza. Até que elas precisaram ir embora, ainda cheias de gás.

Chegaram e partiram causando: provaram que tem carisma e colhões. Tocam como machos e agem como mulheres. Ou seriam mulheres que tocam como verdadeiras mulheres? A mesa de bar rende muitas discussões deste tipo, acreditem, mas não me interessa participar. Tudo que sei é algo com que todos que presenciaram este show concordam: they kick some fucking ass!




www.universodorock.com






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