
São
Paulo nunca sai cedo de casa, São Paulo dorme de dia. Sendo
assim, a cidade no final da tarde para nós que vivemos
na noite e não queremos parar, é totalmente apropriada
para abrigar um show promissor de uma banda de meninas bonitas
e boas no que fazem. Boas não, vamos ser sinceros, elas
são fantásticas.
Eu tinha uns 14 anos quando comecei a ouvir The Donnas, que já
está na estrada desde 1993. Estava começando a ficar
rebelde, me apaixonar por meninos e fumar cigarros. As músicas
deste quarteto californiano ilustravam bem aquele sentimento típico.
Eu queria fazer "grrrrrrr" junto com elas.
Foi por isso que quando ouvi que elas iam tocar no Clash Club
em São Paulo, logo pedi pro Paulo Cássio do Universo
do Rock me credenciar e me deixar escrever para vocês. Como
ele já havia feito cobertura da festa de lançamento
do meu livro, deu pra mim esse espaço pra contar pra vocês
minhas impressões mais sinceras do mundinho do rock. Vai
ser uma atividade freqüente. Isso é tudo que precisam
saber. Vamos deixar o umbiguismo de lado e voltar ao que realmente
interessa.
O nome do lugar já deve ter emocionado as moças
rebeldes, pois suas influências claras vem de bandas como
The Clash, Ramones e Joan Jett. Não só destas, mas
também de outras do hard-rock como Motley Crue e Kiss.
Más línguas dizem que as beldades começaram
a banda pelo mesmo motivo que meninos começam banda: pra
catar geral!
Assim que entraram no palco, ás 21:00 em ponto deste sábado,
já deixaram bem claro que estavam muito felizes de estar
em São Paulo. Muitos sorrisos, frases em portugês
e gírias revelaram um carisma difícil de negar.
É claro que o fato de que 3 delas eram realmente lindas
ajudou. (Não é veneninho, prometo).
A energia das meninas levou os fãs ao extasy e o fato inegável
de que realmente tocavam seus instrumentos com atitude e profissionalismo,
deixou até os pioneiros do rock de boca aberta, levantando
dedinhos de metal no ar. Misturaram músicas antigas com
músicas do novo CD "Bitchin" e não deixaram
o clima decair por um minuto sequer. Incluiram clássicos
como "40 Boys in 40 Nights" e fizeram o público
implorar para que tocassem "Take it Off". Mas isso,
só no fim, só depois que surpreenderam quando não
parecia possível, com um cover de muito bom gosto de "Living
After Midnight" do Judas Priest. A pegada da baterista Torry
Castellano, a monstruosidade dos dedos da guitarrista Allison
Robertson e a presença feminina de Brett Anderson ajudaram.
A acústica do lugar também. Nem mesmo a antipatia
gótica da baixista Maya Ford atrapalhou. As meninas da
platéia gritaram quando uma música foi dedicada
à elas e os meninos também, na vez deles. Tudo em
um clima bem High School da Califórnia nos anos 90. Quem
lembra das participações que a banda fazia em filmes
como "Jawbreaker", tocando no baile de formatura?
A duração do show deixou a desejar, mas para mim
isso pouco importou, pois resolvi ir para a balada onde elas estariam
depois: o lindíssimo Belfiori. A casa ficou cheia de fãs
sinceros que estavam ali para curtir rock'n'roll, encher a cara
e fazer festinha com autodefinidas festeiras. Sentadas em uma
mesa e rodeadas de gente, não deixaram de dar risada e
tirar fotos com todos que se aproximavam. Brett Anderson não
só dançou comigo e meus amigos, mas conversou como
uma nova amiga da balada. Disse ainda que Nova York e São
Paulo eram as melhores cidades do mundo e que tinhamos que dançar
sem parar. Com certeza. Até que elas precisaram ir embora,
ainda cheias de gás.
Chegaram e partiram causando: provaram que tem carisma e colhões.
Tocam como machos e agem como mulheres. Ou seriam mulheres que
tocam como verdadeiras mulheres? A mesa de bar rende muitas discussões
deste tipo, acreditem, mas não me interessa participar.
Tudo que sei é algo com que todos que presenciaram este
show concordam: they kick some fucking ass!