No
último dia 28 de novembro, às 15 horas, uma enorme
fila se formou na porta da UNIP e somente meia hora depois do previsto,
os portões foram abertos para que o público entrasse
no auditório para assistir ao workshop do guitarrista do
Deep Purple, Steve Morse, em evento patrocinado pelo EM&T.
O próprio guitarrista só chegou às 16 horas,
com uma hora de atraso e depois de vários ajustes na passagem
de som Morse começou a tocar com a competência de
praxe.
Em seguida se desculpou antecipadamente pelo fato de não
poder ficar muito tempo, nem atender a todos em função
do show que faria logo mais à noite com a banda Deep Purple
em turnê pelo Brasil mais uma vez.
Ele se apresentou testando duas guitarras, modelo Steve Morse,
ainda não lançadas, feitas pela marca Ernie Ball.
Tratam-se de protótipos e uma delas apresenta o som mais
brilhante. Quando forem lançadas serão todas na
cor púrpura.
Respondendo as perguntas dos fãs, afirmou que seu diferencial
como guitarrista está no fato de gostar de escrever música
para guitarra e é isso que define seu estilo.
Para os novos guitarristas deixa várias sugestões:
tocar sempre o que se gosta e se esperam atingir fama e fortuna
com a música indica que o melhor seria se eles comprassem
bilhetes da loteria, mas se almejam uma carreira para toda uma
vida e que estabeleça comunicação com o mundo
todo, a carreira musical é o caminho certo. Nesse caso,
é bom praticar pelo menos oito horas por dia (prática
mecânica e auditiva), escrever novo material e procurar
contatos (que não virão sozinhos até você).
Uma vez por semana tocar na frente das pessoas, familiares, amigos
ou estranhos, pois o efeito é muito diferente do que fazê-lo
para você mesmo.
Ele explicou ainda que os guitarristas que se
deram melhor são os bons de convivência com outras
pessoas e os que tocam boas bases, já que quando se sola,
a banda sequer presta atenção, no entanto, quando
as bases são boas, todos percebem do que você é
capaz para a harmonia do grupo.
Ao
solar, procure não se repetir, pois essa sensação
de novidade é boa para todos. Se disser que vai fazer algo,
faça. Se não puder fazê-lo, avise antes e
com clareza em relação às razões.
Steve mostrou também alguns exercícios que costuma
executar, como os que misturam técnicas de palhetada em
que prende a palheta no dedo indicador, deixando-a fora do caminho
dos outros dedos, ou ainda a de Chicken picking (palhetar com
o polegar e o indicador e usar os dedos 2 e 3 nas outras cordas).
Diz que pratica todos os dias palhetadas alternadas com arpejos
e sugere ainda que os estudantes aprendam os sete modos da escala
maior, cada uma das vezes, tocando com dedos diferentes e que
esse seria um modo de desvendar os mistérios do braço
da guitarra.
Em relação aos arranjos que faz para suas músicas,
diz que gosta muito de fazer a guitarra assumir uma voz, enquanto
o baixo assume outra, como se fosse um arranjo para piano.
Questionado sobre quando viria ao Brasil com a Steve Morse Band,
diz que o Deep Purple não deixa tempo para isso e quanto
aos instrumentos que utilizará nos shows cita um novo amplificador
Engl (alemão), não muito conhecido, mas que tem
mais brilho que os Marshall, com o diferencial de que mesmo em
baixo volume, o som sai cristalino, mas encorpado.
Sempre afável e simpático, foi econômico ao
tocar, pois pouquíssimas músicas foram apresentadas
o que me deixou bastante desapontada, pois esperava ver e ouvir
mais de alguém com tanta técnica e gabarito.
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