"Bem-vindos
à minha sala". Foi desse modo simpático que
o cantor britânico Seal, dirigindo-se aos repórteres,
começou na última terça-feira, dia 25, uma
entrevista coletiva antes de iniciar na quarta-feira, dia 26,
a turnê do álbum System.
Expressando-se com muita tranqüilidade, num linguajar pausado
e paciente, respondeu com bom humor e uma certa reflexão
sobre vários aspectos de sua vida, de sua carreira e seu
novo álbum. Tendo se apresentado no Brasil há 16
anos, no festival Hollywood Rock, o cantor de ascendência
brasileira por parte do avô paterno afirma arrepender-se
por ter demorado tanto a voltar, mas acha que finalmente tem um
álbum que justifica seu retorno ao país. Diz estar
empolgado para mostrar o novo disco que é particularmente
dançante e acredita que isso deva agradar aos fãs
brasileiros.
Explica
que quando veio pela última vez, era jovem, tinha uma atitude
diferente, a banda era diferente, a audiência não
era só para ele, já que se tratava de um festival
ao ar livre. Agora ele sentia que era o centro das atenções
e isso de certo modo deixava a atmosfera mais quente. Afirma que
possui afinidades naturais com nossa música e diz com carinho:
"é um lindo país, o povo é bonito e
eu tenho, de certo modo, música brasileira dentro de mim".
Um pouco embaraçado pela presença da intérprete
a seu lado, fica nervoso quando tem um tradutor porque se sente
"lost in translation" (perdido na tradução).
Referindo-se às suas influências musicais, diz gostar
muito da dance music dos anos 70, para ele o som mais empolgante,
já que há uma boa combinação entre
ritmo e letras capazes de tocar o coração, causando
um "impacto emocional", segundo seus termos. Jimi Hendrix,
Crosby, Stills e Nash, Marvin Gaye, as músicas da Motown,
Burt Bacharach e Dionne Warwick formaram as bases do que ele é
como cantor, sua atitude musical, a cor da sua voz, seu modo de
ouvir, mas não necessariamente o tipo de música
que faz, porque, segundo relata, ele tem mudado constantemente
desde o começo da carreira.
Em
seu novo disco, "System" (2007) - gravado com Stuart
Price, produtor do disco "Confessions on a dance floor"
de Madonna - Seal volta às raízes dos primeiros
trabalhos com um forte acento na dance music. "Eu tinha em
mente fazer um disco para as pessoas dançarem, mas com
boas canções", explica. "Quando fiz Crazy
e Killer era fácil para mim combinar dança e sentimento
porque eu vivia dentro da cena underground, e para fazer boa dance
music você precisa vivenciá-la. Agora minha vida
mudou, tenho esposa e filhos, e continuo amando essa música,
mas não sou o mesmo, então procurei uma pessoa que
estivesse próxima da cultura clubber para fazer esse elo;
e no caso, foi Stuart. Esse é um álbum que eu queria
ter feito há muito tempo".
Em relação a música brasileira, Seal expressou
grande admiração pela voz de Dorival Caymmi usada,
em sua maneira de ver, como um verdadeiro instrumento, assim como
faz a cantora Sade, dizendo que seus vocalistas favoritos não
são os que cantam palavras, mas sons. Em relação
à nossa música também ressaltou a importância
de Astrud Gilberto e Sergio Mendes.
O músico também comentou sobre seus problemas com
os paparazzi, sempre atrás de imagens dele, de sua mulher
(a supermodelo alemã Heidi Klum) e de seus filhos. "O
problema não são os paparazzi, mas a lei que os
protegem". Sem deixar por menos, afirma: "Eles são
animais que destroem a vida das pessoas. Não entendo como
podem fazer isso se provavelmente eles têm filhos também.
Eu escolhi essa vida, assim como minha esposa, mas não
os meus filhos. Acredito que algo precisa ser feito em relação
a isso".
"Seal apresentou-se no HSBC Brasil (antigo Tom Brasil, em
São Paulo) nos dias 26 e 27 de março, e parte agora
para o HSBC Arena (RJ) dia 29 a partir das 22 horas, no Teatro
Positivo (Curitiba) dia 1 de abril às 21h e no Pepsi On
Stage (Porto Alegre) dia 3 de abril às 21h." |