
Plena
terça-feira, pra variar, mais um dia infeliz e inapropriado
pra se trazer um show a São Paulo. No entanto, ao chegar
ao Credicard Hall neste 14 de agosto e me deparar com todos os
estacionamentos da redondeza lotados, percebi que isso não
fez a menor diferença.
Os paulistanos vieram em peso prestigiar a veterana banda Scorpions.
Confesso que cheguei bastante reticente, pois imaginava que fosse
mais uma daquelas apresentações para levantar fundos
para uma banda em decadência e fico feliz por ter me enganado.
Previsto para começar às 21h30, o espetáculo
teve início um pouco depois das 22h00 com a casa absolutamente
lotada. A produção de palco era bem simples e tinha
projetado ao fundo, a capa do último álbum.
Perto da grade, diante do palco, alguém erguia uma guitarra
de isopor, numa tentativa de réplica das características
Gibson Explorer de um dos guitarristas do grupo Mathias Jabs;
ele entra em campo acompanhado de Rudolf Schenker com suas guitarras
Flying V e o vocalista Klaus Meine (os dois da formação
original do grupo alemão). Completavam a equipe o baterista
James Kottak e o baixista Pawel Maciwoda.
A última apresentação no Brasil, da tour
"Humanity – Hour I" começou exatamente
com "Hour 1" , música do novo Cd com James descendo
muito bem a mão na batera.
Klaus, de óculos escuro, camisa vermelha, boina e jaqueta
pretas, grita em português:- "Boa noite São
Paulo" e segue-se a clássica "Bad Boys Running
Wild" e " Love 'Em or Leave 'Em" (esta, do disco
"Unbreakable" de 2004), com direito a um lindo solo
de Mathias que por sinal tocou o tempo todo denotando verdadeira
satisfação.
Veio o hit "The Zoo", tocado por Mathias com talk box
enquanto Klaus atirava baquetas para o público no meio
do solo e depois "Deep and Dark"e "Coast to Coast"
em que os guitarristas, baixista e vocalista se posicionam bem
diante do público, formando um verdadeiro paredão
sonoro com as guitarras explodindo ao final.
A platéia gritando o refrão de praxe ("Scorpions"!
"Scorpions"!) leva Klaus a dizer que é bom voltar
para o Brasil e segue-se então, a "sessão baladas",
com "Send me an Angel", "Always Somewhere"
e "Holiday", tocadas por Schenker com um lindo violão
elétrico também em formato Flying V e acompanhadas
pelos fãs aos brados.
Ainda do álbum novo tocaram a pesada "Humanity"
e na sequência "Game of Life", "I'm LeavingYou"
, "Tease me Please Me" e "321" (também
do novo Cd) e mais uma vez, Mathias Jabs parece crescer no palco,
carismático, movimentando-se de um lado para o outro com
uma presença marcante.
Quanto a Klaus, foi possível notar, aqui e ali, que o tempo
é quase sempre inexorável e cobra um preço
no que diz respeito aos vocais, mas nada que comprometesse demais
sua performance.
E é claro que não poderiam faltar os indefectíveis
solos, que ficaram por conta do baixista que fez um pequeno medley
até com direito a "Enter Sandman" do Metallica
precedendo o solo de bateria, o chamado "Kottak Attack"
em que James abusou dos bumbos e da caixa. Numa patriotada característica
dos grupos estrangeiros em passagem pelo país, tirou sua
camiseta e vestiu outra com a bandeira do Brasil (e ainda há
quem se emocione com isto?). Em pé sobre a batera, anuncia
com o ruído de sirenes, três animados hits , "Blackout",
"Big City Nights"e"Dynamite".
Os músicos deixam o palco, as luzes se apagam e depois
da convocação geral dos fãs, voltam, e antes
das canções, nova patriotada, com Klaus entoando
"Aquarela do Brasil", um agrado plenamente dispensável.
Têm início às clássicas baladas "Still
Loving You" e a breguíssima "Wind of Change"
como de costume, iluminadas por inúmeros celulares e cantadas
por todos a plenos pulmões.
Para encerrar com muito gás e a galera toda pulando, luzes
multicoloridas introduzem "Rock You Like a Hurricane"
e com duas horas de apresentação o espetáculo
termina com "When the Smoke is Going Down".
Grande noite de tributo ao rock'n roll e os fãs, sem dúvida,
não esquecerão tão cedo esse mágico
momento.