No
último dia 24 de março o Estádio do Morumbi,
em São Paulo, ficou lotado para conferir mais um clássico,
que desta vez não era do futebol e sim do rock. Era noite
de show do ex-líder do Pink Floyd, Roger Waters, com produção
da CIE Brasil. Às 21h10 começou a tão esperada
apresentação de Waters e banda que foi dividida em
duas partes. Na primeira parte tocaram músicas do trabalho
solo do cantor com clássicos de sua antiga banda e na segunda
parte o repertório foi todo baseado no álbum conceitual
“Dark Side of the Moon”, que foi lançado em 1973.
É importante registrar um fato acontecido antes do começo
do show em que a produção do evento, em função
dos altos preços dos ingressos (R$ 500 para ser mais exata),
não queria permitir que o público que estava na
pista ficasse próximo das grades da área das cadeiras
Vips para assistir o show e isso quase gerou um tumulto em função
da intransigência e do despreparo dos seguranças
que atuaram no local.
Para abrir o show “In the Flash”, que foi seguida
pelo hit “Mother” com belos vocais femininos. Depois
foi a vez de “Set the Controls” com o palco todo esfumaçado
e que teve um fantástico solo de saxofone. As próximas
foram “Shine on you”, “Have a cigar” que
foi interrompida bruscamente e fez com que a platéia se
assustasse pensando que tinha acabado a energia elétrica
do estádio, mas isso fazia parte do show para que na seqüência
eles tocassem a balada “Wish You Were Here” do Pink
Floyd numa versão acústica.
Seguindo o set acústico, eles tocaram “Southampton”
com Waters tocando violão e “The Fletcher Memorial
Home” em que Roger parecia que estava regendo uma orquestra
no Morumbi durante o refrão. Na hora de “Perfect
Sense” o cantor simulou que estava tocando um teclado e
foi perto da platéia. No final da música teve efeitos
com fogo atrás da bateria e dos telões do estádio.
Antes da próxima canção Waters fez um breve
comentário sobre a carreira dele e começou “Leaving
Beirut”, que contou com vocais femininos afinadíssimos,
solos de sax e de guitarra. Para encerrar a primeira parte do
show eles tocaram “Sheep” e um porco rosa de 10 metros
flutuou sobre a platéia com várias frases de protesto
como “O Brasil está sendo vendido”, “O
medo constrói muralhas”, “Salve a Amazônia”,
“Não estamos à venda”, entre outras.
A galera não sabia se olhava para o porco, ou para o palco.
No final da música eles soltaram mais fogo atrás
da bateria e dos telões. E às 22h20 estava encerrada
a primeira parte do show.
Após um intervalo de aproximadamente 15 minutos começou
a segunda parte do show, agora com o álbum “Dark
Side of The Moon” tocado na íntegra. Iniciou com
“Speak to Me”, “Breathe” e teve um solo
de percussão antes da clássica “Time”,
seguida por “The Great Gig In The Sky”. Depois do
“tilintar das moedas” eles tocaram “Money”
com o Morumbi todo fazendo coro com a banda. A bela balada “Us
and Them” foi a próxima e depois veio “Any
Colour You Like” para fechar essa parte da apresentação.
A banda saiu do palco às 23h20.
Cinco minutos depois a introdução com sons de helicópteros
ecoavam no estádio, pois era hora do maior hit da história
do Pink Floyd “Another Brick In The Wall (Parte II)”
que contou com o coral de 15 jovens do Projeto Guri (uma organização
social, que promove a inclusão sócio-cultural de
crianças e adolescentes de 8 a 18 anos) que entraram no
palco vestidos com uma camiseta preta com o seguinte dizer “O
Medo Constrói Muralhas”. Nem é preciso dizer
que o público cantou junto com a banda O Estádio
quase veio abaixo no refrão: Hey Teacher, leave them Kids
Alone!. Ainda durante essa música uma pirâmide de
luz foi erguida sobre o palco por um guindaste de 70 metros e
ela mudava de cor e era transpassada por feixes de lasers. Os
efeitos foram feitos no bom estilo do Pink Floyd.
Depois foi a vez de “Vera” que acalmou um pouco os
ânimos dos presentes. E para fechar a noite em alto estilo,
“Comfortably Numb” e não podia ser outra. Às
23h43 estava encerrada a “maratona de rock” com Roger
Waters & banda. Uma noite que certamente não será
esquecida por quem esteve lá, principalmente para os fãs
do Pink Floyd como eu. |