Parecia
um domingo de matinê. Após a abertura da banda paulista
Gram (Deckdisc), a atração internacional, PLACEBO,
subiu ao palco do Citibank Hall (antigo Claro Hall), no Rio de Janeiro,
dia 25 de março, pontualmente às 20:30 h.
Muitas pessoas perderam o início do show por causa do horário.
Foi incrível a pontualidade desta produção.
Interessante ressaltar que a banda Placebo selecionou o Gram "a
dedo", dizendo que escolheram os paulistas pois "o som
é de fato muito bom".
Apesar dos 11 anos de carreira, a banda Placebo não empolgou
tanto o público como no primeiro show deles no Brasil,
que eles fizeram no mesmo local há 2 anos, no Festival
'Claro que É Rock'. A casa não estava lotada, mas
isso não quer dizer que que a banda não era aguardada
pelos fãs e pela imprensa. Todos estavam ansiosos para
conferir o novo - e maduro - trabalho, "Meds", de perto.
Esperando, claro, que eles tocassem tudo o que não foi
possível da última vez em que estiveram naquele
palco.
Apesar de Brian Molko (vocal e guitara), Steve
Hewitt (bateria) e Stefan Olsdal (baixo) estarem mais maduros
com o lançamento e trabalho em torno do CD "Meds",
com as caras mais "lisas", [como se tivessem aplicado
botox], e sorridentes com o público seleto que ali estava,
a banda errou bastante. Chegou ao ponto em que Brian afinou por
várias vezes desafinou e afinou sua guitara em meio a música
que rolava na hora, como se fosse um amador, olhando para a sua
roadie particular, com um sorriso sem graça que dava a
bandeira de que algo estava errado até para quem não
entendia nada de técnica e música.
O set começou forte.
"Infra-Red" abriu o show num clima tipicamente "aplacebado",
emendando "Meds" e a balada "Because I Want You".
Os fãs ficaram mais eufóricos na seqüência
de "Drag". Foi um show equilibrado. Quase metade das
músicas do set eram do novo CD "Meds".
ontinuando com a agitação crescente dos fãs,
as músicas executadas seguem a ordem "Bionic",
"Follow The Cops Back Home", "Special Needs",
"Song To Say Goodbye", "I Know" e "Without
You I'm Nothing".
Uma das mais aguardadas foi a maravilhosa "Sleeping With
Ghosts", que não foi tocada no show anterior da banda
no Brasil. O momento do alto da casa de show era de total concentração
e devoção. Era evidente que os músicos de
apoio do trio do Placebo estavam afinadíssimos com o clima
e a harmonia do grupo. O andamento foi fantástico. E para
quem não sabe, dentre os músicos de apoio estava
em ex-integrante da banda Suede, o baixista Alex Lee.

Para delírio dos espectadores as mais puxadas das antigas
estavam no set que continha as 18 músicas bem dosadas e
misturadas. Como uma receita médica, Brian Molko prescreveu
com seu trio o remédio que a platéia tanto pedia
em coro: "Every You Every Me" e "Special K",
gritadas e cantadas em coro nos refrões. Foi explosão
dentro do Citibank Hall, sem dúvida.
"Bitter End" fechou esse primeiro set com uma sensação
de dormência em peso. A banda forçava um transe no
palco que lembrava a atitude grunge marcante de ser. Nem de perto
lembrou aquela banda "glam-dark-glitter-depressed" do
início da carreira.
Na volta ao palco, depois do baixista, literalmente pular pra
galera, a banda seguiu com um cover de Kate Bush, chamado "Running
Up That Hill", seguida da clássica [e dúbia]
"Taste In Men".
"Twenty Years" fechou com chave de ouro uma apresentação
morna, mas sofisticada e bem mesclada de um novo Placebo, mais
sereno e mais maduro. Quase nada androgeno.
Faltaram alguns dos clássicos. Temos que admitir. As pessoas
querem ouvir os clássicos num show exclusivo de uma banda
como o Placebo.
Da última vez foi duro de aguentar o festival inteiro para
ouvir Placebo só ao final, com algumas poucas músicas
novas e seus clássicos picotados e emboladas em um set
curto e corrido.
Mas para quem pegou tudo do início, valeu a pena. É
sempre bom rever Placebo. O saldo, mais uma vez, foi positivo.
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